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Na Capital

Artesãos participam do 13ª Festival de Siriri

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Davi Valle

Membros da Associação Homens e Mulheres Fibra levarão elementos do artesanato e culinária local ao 13º Festival de Siriri, que começa nesta sexta-feira (17) e segue até o domingo (19). O evento vai reunir milhares de pessoas no Museu do Rio, na Orla do Porto, ampliando a visibilidade do trabalho e contribuindo para a geração de renda para dezenas de profissionais.

A titular da secretária de Agricultura, Trabalho e Desenvolvimento Humano, Débora Marques, explica que, diante da proposta de resgate tradicional do Festival, surgiu a ideia de incluir os artesãos na iniciativa. “A maior parte da produção destes trabalhadores está diretamente ligada à tradição cuiabana. Então vimos uma excelente oportunidade de divulgar o seu trabalho e enriquecer ainda mais o evento”, explicou.

Débora destaca ainda que a ação é fruto de parceria com a Secretaria de Cultura, Esporte e Turismo. Sendo assim, o público encontrará opções em chinelos, bolos, colares, tapioca, roupas, doces, tapetes, reproduções sacras, compotas, porções de pixé, e muitos outros.

A Associação existe há um ano e possui um total de 160 profissionais registrados. De acordo com o vice-presidente, Luís Moreira, a criação da entidade surgiu da necessidade de fortalecer o segmento. “Uma pessoa sozinha não teria esse espaço, então é a união que fortalece nossa causa”, afirma.

O Festival, resgatado pelo prefeito Emanuel Pinheiro, acontece neste final de semana (17, 18 e 19 de maio). Para esta edição, oito grupos foram selecionados, de acordo com sua história. Os participantes são: Flor Ribeirinha, Flor do Campo, Flor do Atalaia, Flor do Cerrado, Raízes Cuiabanas, Coração Franciscano, Voa Tuiuiú e São Gonçalo Beira Rio.

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Na Capital

NOTA DE PESAR: pelo falecimento de Licarina Paula de Arruda

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Arquivo familiar

“É com grande tristeza que comunico o falecimento da nossa querida dona Licarina Paula de Arruda – a dona Roxa, como era conhecida. Licarina foi um exemplo de mãe, mulher e servidora do nosso Município. Aposentada pela Prefeitura de Cuiabá, teve inúmeros e valorosos trabalhos prestados para a população cuiabana. Dona Roxa é mãe do nosso amigo Valdomiro Arruda, também servidor municipal. Quero expressar minha gratidão e o meu profundo pesar aos familiares. Que Deus possa confortá-los nesse momento tão triste”, disse o prefeito Emanuel Pinheiro.

Licarina Paula de Arruda deixa três filhos e uma neta.

O velório será realizado hoje (24) a partir da 18h na sala Roseiras da Capela Jardins. O sepultamento está previsto para a manhã deste domingo (25) com saída às 9h.

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Na Capital

Rua do Rasqueado mantém viva cultura cuiabana no Centro Histórico

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Davi Valle

Baixando a rua do calçadão, três senhoras no salto desciam logo a frente conversando animadas. Eram 18h, o comércio fechava e enquanto trancava a porta, uma jovem respondia pra colega ‘o som é do festival de lambadão’. Na praça Caetano Albuquerque o quadro de outrora começava a ser composto, as cadeiras de plástico em frente as casas antigas, o espetinho assando, a cerveja suada e o rasqueado tocando.

Primeiro: sua benção, São Benedito. O hino do santo negro ecoou do trombone. Mestre Bolinha ficaria orgulhoso. Mais de uma vez foi lembrado com saudoso carinho por músicos e plateia. Sua memória é vida, assim como o ritmo que dedicou seu dom musical foi na noite da última quinta-feira (22) na praça Caetano Albuquerque, no Centro Histórico de Cuiabá. Completando 26 anos, a via do ritmo, Rua do Rasqueado é como o filho que a casa torna.

“Hoje nesta praça, temos a oportunidade de resgatar este projeto, de trazer ao palco aquilo que nós temos de mais rico na nossa cultura, que é o rasqueado. Sem dúvida alguma, ter este projeto como projeto coletivo aprovado pelo Conselho, sendo referência na área da música para Cuiabá nos seus 300 anos, com a praça revitalizada pela gestão, com obras sendo executadas nos patrimônios históricos de Cuiabá, pra mim, para o Justino, para o prefeito Emanuel Pinheiro é muito importante”, disse o secretário de Cultura, Esporte e Turismo, Francisco Vuolo.

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Não tem como falar da “Rua do Rasqueado” sem falar de Guapo. O autor do projeto, que hoje é executado via edital FUNDO/2019 da Prefeitura de Cuiabá, lembrou do primeiro baile dançante organizado por ele com apoio do ex-governador Dante de Oliveira.

“Tinha um bar ali do lado, foi ali que começou”, dizia Guapo apontando duas ruas acima, no calçadão do Centro Histórico, na Ricardo Franco, rua do meio como chamam. O bar em questão era o “Hora Extra” e o ano 1993. Depois de um hiato de 10 anos, o festival voltou ao Centro Histórico para a praça Caetano Albuquerque em 2004 e em 2019, após não ter sido realizado no ano passado, retorna como projeto aprovado pela Secretaria de Cultura, Esporte e Turismo.

“Guapo, você é um gigante, você é uma pessoa aguerrida, que não se rende, que sabe lutar por aquilo que acredita, e tudo aquilo que se faz com amor, ao final se sai vitorioso. Então em seu nome eu cumprimento a todos da família do rasqueado e do lambadão, que se junto numa grande corrente para fortalecer a cultura e a tradição cuiabana. E como cuiabano que sou, como o Prefeito cuiabano que é, com o Conselho que veste as nossas raízes, não poderíamos deixar de lançar esse projeto”, finalizou Vuolo.

Pra sapiar ou pra dançar? A arquitetura da praça é democrática, com pista de dança ao centro e com parapeito para os que querem observar o movimento. Sapiando das mesas estavam Vera-Zuleika, a dupla ‘Cuiaboca’ mais cultural da praça. Vera Baggetti é carioca da gema, deixou a praia pelo cerrado há mais de 30 anos. Zuleika Arruda é cuibana de tchapa e cruz, de família simbólica pra cultura local. As duas juntas são compositoras consagradas de rasqueado e cultura popular mato-grossense. Que cuiabano não conhece “eu tenho orgulho de ser cuiabano, de tchapa e cruz, confesso e não me engano, moro na pracinha, perto da prainha…danço rasqueado na casa de Bem-Bem, como bolo de arroz e de queijo também”?

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“É uma grande importância [a Rua do Rasqueado], é a identidade do povo que tem que ser preservada. O povo que perde a identidade é sem memória. É igual o samba no Rio, o frevo em Olinda. Isso aqui é realidade. O rasqueado não é folclórico, é música popular brasileira. Se tiver uma constância o povo vem. Fica igual a lapa no Rio de Janeiro”, comentou Vera. Em 2007 Zuleica escreveu o livro “O que é o rasqueado?” com bibliografia brasileira. A dupla conta que foi doado um exemplar para cada biblioteca municipal de Mato Grosso.

A Rua do Rasqueado vai acontecer sempre às quintas-feiras até o dia 07 de novembro, em praças pelo Centro Histórico de Cuiabá. O projeto é o primeiro dentre os 51 projetos aprovados no edital FUNDO/2019 a ser executado. A Secretaria de Cultura publicou no último dia 09 de agosto o cronograma de desembolso em que se definiu para o mês de agosto o pagamento dos projetos de música e artes visuais para projetos coletivos. O cronograma será tratado como prioridade pela Secretaria de Cultura e também pela Secretaria de Fazenda, por determinação do prefeito Emanuel Pinheiro. Ele segue até novembro, totalizando R$ 2,1 milhões em investimento em cultura na capital mato-grossense.

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Na Capital

Debates abordam importância da convivência e da solidariedade para o fortalecimento de uma educação mais inclusiva

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Jorge Pinho

Aconteceu no Hotel Fazenda Mato Grosso o Seminário Educação Étnico-racial: perspectiva inclusiva, diversificada e intercultural esta semana. Nesta sexta-feira (23) as conferências estão focadas na aprendizagem e desenvolvimento humano e na importância dos brinquedos e brincadeiras para o fortalecimento da educação inclusiva e a corporeidade no espaço escolar.

Durante todo o seminário, representantes dos fóruns de educação e diversidade étnico-racial se manifestaram em relação a convivência e a solidariedade, para o fortalecimento do processo dos direitos humanos e a educação. O presidente do Conselho Estadual de Promoção da Igualdade Racial de Mato Grosso, Manoel da Silva disse que existe um interesse legítimo da Prefeitura de Cuiabá em relação às questões que envolvem o negro, o índio e o imigrante, e a inclusão dos grupos, na promoção da educação. “Temos a Lei 10.639 e precisamos que o professor receba essa formação para que possa trabalhar o tema em sala de aula. O Brasil há muito tempo viveu a escravidão então é fundamental que os estudantes reconheçam a importância de continuar a luta por esse resgate histórico”, lembrou o ativista.

Da mesma forma, Edevander Pinto, representante do Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial de Cuiabá destacou questões ligadas ao negro que precisa ser valorizado em todas as suas frentes de lutas, a fim de resgatar seus direitos. “Para nós, do conselho, o seminário é de extrema importância, um espaço onde podemos promover as discussões e revisar a nossa história a fim de ampliar a luta do negro em Mato Grosso. Nesse processo, é fundamental o compromisso da gestão pública”, disse.

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O líder indígena e conselheiro Escolar, Filadelfio de Oliveira, ao falar sobre diversidade e cenário político, disse que essa continua sendo a luta dos 43 povos indígenas ainda existentes em todo o estado. “Ficamos à mercê da história e no esquecimento. Precisamos, de fato, fortalecer o nosso povo, a nossa comunidade, principalmente as nossas crianças e a nossa cultura. A educação e o respeito são fundamentais nessa reflexão”, ressaltou o líder Umotina, ao lembrar que o povo índio vem sofrendo com ações que denigrem e aumentam o sofrimento das nações indígenas.

Em sua palestra sobre A Educação em Direitos Humanos e Cidadania, o professor doutor em Educação, Luiz Augusto Passos, disse que as questões da cidadania e educação não poderiam deixar de fazer parte dos debates e que, elementos fundamentais para entender as provocações da sociedade, num momento decisivo para a sociedade brasileira, que busca sua afirmação no tema. “Não existe cidadania fora da condição humana. Essa não é uma condição externa, não é algo que se põe nas pessoas, quem nasce em pele humana é humano, e tem direitos. Ter isso em mente implica toda dimensão de que a gente se põe na perspectiva de uma educação que se paute daquilo que é solidariedade, a convivência entre todos e os direitos humanos”, disse Luiz Augusto Passos, que vem trabalhando em diversas frentes de pesquisa voltadas ao tema na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT).

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Segundo o pesquisador, no atual estágio e cenário da educação pública brasileira, na qual está se construindo essa ponte de interesse social, há um esforço das populações negra, indígena, de migrantes e outros agentes sociais, que buscam essa justiça social por meio da boa convivência, da ternura e da esperança para todos. “Como trabalhar essas questões em sala de aula, no dia a dia da comunidade escolar, com alunos e professores, com servidores da educação e comunidade. Essa é o que a sociedade está nos perguntando. É mais difícil em sala de aula, por que pressupõe que os educadores corporifiquem aquilo que é da sua natureza humana, corporifiquem a sua dimensão política”, finalizou Passos.

Seminário

O evento, uma iniciativa do Ministério da Educação, promovido pela Prefeitura de Cuiabá, por meio da Secretaria Municipal de Educação, reuniu até sexta-feira (23), no Hotel Fazenda Mato Grosso, profissionais da Educação de 40 municípios do interior do Estado e da capital para discutir temas ligados aos direitos humanos e educação inclusiva.

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