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Nacional

Fim do auxílio-moradia não cobrirá nem metade dos gastos com reajuste do STF

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Prometido como compensação pelo reajusta salarial dos ministros do STF pelo presidente da Corte, ministro Dias Toffoli, fim do auxílio-moradia não cobrirá nem metade dos gastos
Carlos Moura/SCO/STF

Prometido como compensação pelo reajusta salarial dos ministros do STF pelo presidente da Corte, ministro Dias Toffoli, fim do auxílio-moradia não cobrirá nem metade dos gastos

A missão do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Dias Toffoli, de convencer o presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), de que o reajuste nos salários dos ministros do Supremo  aprovado pelo Senado Federal
na última quarta-feira (7) não causará um rombo nas contas públicas não será fácil. Isso porque o prometido fim do auxílio-moradia para juízes como compensação não cobrirá nem metade dos gastos com o reajuste dos salários.

Em reunião com Bolsonaro na quarta-feira, Toffoli se comprometeu a apresentar um relatório com os dados sobre o reajuste nos salários dos ministros do STF de R$ 33,7 mil para R$ 39,3 mil e uma alternativa que seria  acelerar o julgamento sobre a legalidade do auxílio-moradia para magistrados.

Acontece que essa “compensação” sugerida pelo presidente do STF será insuficiente já que a proposta de Orçamento encaminhada pelo governo reserva R$ 448 milhões para o pagamento do benefício a funcionários dos tribunais e do Ministério Público (MP) Federal em 2019 e o impacto causado pelo aumento salarial dos magistrados deve ser de R$ 717 milhões no Judiciário e mais R$ 258 milhões no MP.

A conta aumenta ainda mais se considerarmos o chamado “efeito cascata” gerado a partir do reajuste dos salários dos ministros do STF que constitucionalmente são tidos como o “teto” do funcionalismo público e obrigam que qualquer outro servidor que ganhe acima disso tenha os seus vencimento cortados até chegar nesse valor.

Por esse motivo, apenas no caso do Poder Executivo, o efeito pode gerar outros R$ 400 milhões de gastos já que o mecanismo de “abate teto” que desconta os salários que hoje ultrapassam os R$ 33,7 mil vai passar a cortar apenas aqueles que ultrapssam os novos R$ 39,3 mil.

Além disso, de acordo com a consultoria de Orçamentos da Câmara e do Senado, o impacto pode ser de R$ 2,6 bilhões nos outros entes da federação e o impacto nas contas públicas do governo federal pode chegar a R$ 4 bilhões anuais quando considerado todo o funcionalismo público.

Como proposta para solucionar isso, o presidente do Supremo também sugeriu que o novo governo aprove uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que “desvincule” o salário dos ministros do STF do teto do funcionalismo público federal.

Para que isso aconteça, no entanto, o governo precisa conseguir os votos de três quintos da Câmara e do Senado em duas votações num cenário em que o novo Congresso apresentará uma grande fragamentação partidária e as previsões indicam que a relação do presidente eleito com o deputados e senadores não será das mais fáceis.

Dessa forma, ainda que os planos de Dias Toffoli convençam e sejam aprovados, as contas públicas devem sofrer o impacto nos meses que vão separar o início da validade do reajuste de 16,38% e o fim do “efeito cascata” e do auxílio-moradia agravando ainda mais o déficit bilionário previsto para o ano que vem e diminuindo a capacidade do governo federal de investir, os chamados gastos discricionários.

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Bolsonaro preocupado com aumento dos gastos públicos

Presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), está preocupado com o aumento dos gastos públicos por conta da aprovação do reajuste salarial dos ministros do STF e da PGR que aumenta o teto do funcionalismo público federal
José Cruz/Agência Brasil

Presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), está preocupado com o aumento dos gastos públicos por conta da aprovação do reajuste salarial dos ministros do STF e da PGR que aumenta o teto do funcionalismo público federal

Ainda na terça-feira (6), quando o presidente do Senado, senador Eunício Oliveira, surpreendeu a todos e conseguiu incluir na pauta do dia a votação do reajuste salarial do STF e do cargo de Procurador-Geral da República, ocupado atualmente por Raquel Dodge, Jair Bolsonaro  afirmou que vê “com preocupação” o aumento dos gastos públicos
e que “não é o momento” de tratar sobre este tema.

No dia seguinte, o presidente eleito e o presidente do STF se encontraram e, para tentar tranquilizar Bolsonaro, Toffoli tentou mostrar que o reajuste salarial funcionará, na prática, como um incorporação do auxílio-moradia, com a vantagem de que sobre o salário incide o imposto de renda e que, portanto, isso geraria uma maior arrecadação para os cofres públicos do que no modelo atual em que não são descontados impostos sobre o benefício.

Agora se sabe, porém, que mesmo considerando a alíquota máxima de 27,5% do Imposto de Renda (IR) que incide sobre salários como este atualmente, a compensação não cobre os gastos completamente. Além disse, a equipe econômica de Bolsonaro, liderada pelo futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, quer  criar uma alíquota única de 20% no IR
que diminuiria ainda mais a arrecadação de salários como esses, acima dos R$ 5 mil.

De qualquer forma, Toffoli se comprometeu a conversar com o vice-presidente do Supremo e relator do caso no Supremo, ministro Luiz Fux, pra que o processo seja liberado para julgamento e fique a cargo do próprio presidente do STF colocá-lo na pauta do dia e marcar a sessão de votação, de preferência, ainda este ano, antes que o aumento salarial dos ministros passe a valer, se for sancionado pelo atual presidente Michel Temer.

Toffoli se apoia no entendimento de que há um consenso dentro da Suprema Corte sobre o fim do benefício aos juízes no modo como é concedido hoje em que mesmo os magistrados que têm imóvel próprio no local onde atuam recebem o valor e que, portanto, nenhum dos integrantes do STF vai pedir “vista” do processo e acabar paralisando a votação por tempo indeterminado.

Já na última quinta-feira (8), o futuro chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), órgão federal com status de ministério, general Augusto Heleno, negou que a aprovação do reajuste salarial por parte do Senado Federal  seja a primeira derrota do governo do presidente eleito
Jair Bolsonaro, mas admitiu que existe uma preocupação com o tema.

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Ao chegar para uma reunião na casa do presidente eleito, o general Heleno declarou que “não é derrota, é preocupação. Tenho certeza que ele não considera uma derrota, mas é uma preocupação até pelos gastos que foram anunciados”.

Na sequência, o futuro ministro afirmou que “isso tem que ser muito bem estudado. Não dá pra fazer uma avaliação dessa aqui. Isso tem que se avaliar, principalmente pelo doutor Paulo Guedes [futuro ministro da Economia], tem que verificar qual o impacto”.

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Toffoli classifica reajuste como “justo e correto”

Em encontro na última quarta-feira, Bolsonaro e Toffoli se encontraram e presidente do STF tratou de tentar acalmar o presidente eleito oferecendo o fim do auxílio-moradia como alternativa para conter os gastos públicos
Reprodução/TV Bandeirantes

Em encontro na última quarta-feira, Bolsonaro e Toffoli se encontraram e presidente do STF tratou de tentar acalmar o presidente eleito oferecendo o fim do auxílio-moradia como alternativa para conter os gastos públicos

Diferente do entendimento do presidente eleito, o presidente do STF deixou claro que sua posição é favorável ao reajuste salarial que chama de “correção” e classifica como “justo e correto”.

Em evento no Superior Tribunal de Justiça (STJ), ainda na noite de quarta-feira (7), o ministro Dias Toffoli agradeceu aos senadores pela aprovação do projeto, que já tinha sido aprovado pela Câmara dos Deputados em consenso com o presidente Michel Temer, e destacou que “com a aprovação do novo subsídio, nós poderemos então resolver essa questão do auxílio-moradia. Vou conversar com o relato do caso, o vice-presidente, ministros Luiz Fux, para ver a melhor hora de nós deliberarmos a respeito”.

O ministro também afirmou que “não se está colocando valores novos, nós estamos cortando em alguns programas para então podermos atender a este projeto de lei do subsídio com a revisão de perdas inflacionárias de 2009 a 2014.”

O presidente do STJ, João Otávio de Noronha, também foi na mesma linha de Toffoli e defendeu o reajuste associando-o à possibildiade do fim do auxílio-moradia.

“Os juízes estão há mais de cinco anos sem uma correção, todos os demais segmentos tiveram reajuste. Como bem destacou o ministro Toffoli, é a grande oportunidade de resolvermos a questão do auxílio-moradia, na medida em que recebendo essa verba, podemos adequar o salário dos juízes a uma realidade inconteste, de que é um país que sofreu inflação e precisa repor o salário dos seus magistrados”, afirmou.

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Na manhã de quinta-feira (8), por sua vez, durante um encontro com os presidentes dos Tribunais de Justiça (TJs) na sede da Suprema Corte, o presidente do STF declarou que o aumento é justo e correto.

“Agradeço às senhoras e senhores, que sei que atuaram e envidaram esforços junto ao Congresso Nacional, no sentido de deixar claro o quão justo e correto era essa revisão, uma vez que, na verdade, se trata de uma recomposição de perdas inflacionárias de um período bastante antigo, de 2009 ao 2014”, disse Toffoli aos magistrados.

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Sistema de pesos e contrapesos entre os poderes

Bolsonaro esteve presente no Congresso Nacional esta semana, mas mensagem enviada pelos senadores não foi das mais otimistas
Reprodução/TV Globo

Bolsonaro esteve presente no Congresso Nacional esta semana, mas mensagem enviada pelos senadores não foi das mais otimistas

O caso do reajuste dos salários dos ministros do Supremo e da PGR está sendo considerado emblemático por se tratar de uma possível pauta-bomba aprovada pelo Senado na contra-mão dos interesses do futuro governo Bolsonaro já que uma grande articulação entre os poderes legislativo e judiciário acabou gerando um problema orçamentário para o poder executivo mesmo ainda desfrutando de uma grande popularidade herdada das urnas das eleições 2018.

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Apesar da surpresa em pautar o projeto mesmo com a declaração de Bolsonaro de que não era o momento adequado, o presidente do Senado, Eunício Oliveira, negou que o Congresso Nacional esteja fazendo uma agenda de pautas-bomba contra o governo federal.

Ele que também presidiu a sessão que aprovou a Medida Provisória (MP) que estabeleceu o Rota 2030 que incentiva montadores de carros
que se instalarem no Brasil, prevê subsídios ao setor automotivo até 2030 e contraria um dos “mantras” do economista Paulo Guedes, afirmou que “não é ‘pauta-bomba’. Não há nenhum exagero. Quero que o Brasil dê certo. Não estamos ampliando incentivos. Estamos reduzindo em 40% os incentivos fiscais que hoje já existem no Nordeste”, declarou o emedebista.

De qualquer forma, a medida aprovada por 41 votos favoráveis, 16 contra, e apenas uma abstenção
, demonstrou que o governo ainda apresenta fragilidade na atual conjuntura do Congresso e diminuiu as expectativas de que o futuro governo consiga antecipar alguma das votações de seu interesse para este ano, como a aprovação da Reforma da Presidência, a indenpendência do Banco Central, o projeto Escola Sem Partido e a própria revisão do Estatuo do Desarmamento, todas promessas de campanha de Bolsonaro.

O partido do presidente em exercício Michel Temer votou majoritariamente a favor do aumento do salário do STF . Foram oito votos sim, dois contra e uma abstenção. O senador do MDB, Renan Calheiros, que já pleiteia a cadeira de presidente do Senado a partir do ano que vem admitiu que o momento não é o mais propício, mas anunciou o voto favorável para “não trincar a relação entre os poderes”.

Romero Jucá, do mesmo partido, ressaltou que o Judiciário é independente para propor seus próprios aumentos e que o reajuste não vai aumentar a despesa do Judiciário, pois esta é limitada pelo teto de gastos. “Vou votar a favor porque respeito a autonomia do Judiciário e existe o teto de gastos”, disse o senador.

Entre os senadores de partidos que declararam oposição ao futuro governo de Jair Bolsonaro (PSL), como PT, PCdoB, PDT e Rede, o resultado ficou dividido. Foram sete votos contra o reajuste de salário e cinco a favor. No PT, três senadores foram contrários e dois apoiaram o projeto.

O DEM, que tem se aproximado de Bolsonaro, teve três votos contra e dois a favor. Já os senadores do PRB, PR, Podemos e PSD votaram todos a favor do aumento.

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Dessa forma, independe do fim do auxílio-moradia , Bolsonaro tem motivos de sobra para se preocupar com a mensagem transmitida pelo Congresso nos últimos dias.

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CPI da Lava Toga é protocolada no Senado para investigar ministros do STF

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Senado federal ainda precisa aprovar instalação da CPI da Lava Toga
Jonas Pereira / Agência Senado

Senado federal ainda precisa aprovar instalação da CPI da Lava Toga

Foi protocolada nesta terça-feira (19) no Senado a CPI da Lava Toga, que como objetivo investigar os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e outros tribunais superiores. O senador Alessandro Vieira (PPS-SE) foi o responsável pela criação da Comissão, com o apoio de 29 senadores.

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O requerimento de instalação da CPI da Lava Toga especifica que a Comissão visa apurar “condutas improbas, desvios operacionais e violações éticas por parte de membros do Supremo Tribunal Federal e de Tribunais Superiores do país”.

A criação da CPI, no entanto, ainda precisa ser autorizada. Se aprovada ela contará com a participação de 10 membros titulares e seis suplentes. Também serão destinados R$ 30 mil em recursos e um prazo de 120 dias de atuação.

O documento entregue por Alessandro Vieira contava com a assinatura de apenas 29 senadores, dois a mais do que o mínimo necessário. Alguns parlamentares haviam se mostrado receosos e chegaram a voltar atrás na assinatura. Apesar de o documento já ter sido recebido pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), os senadores ainda podem retirar suas assinaturas.

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Esta é a segunda vez que Vieira apresenta o requerimento neste ano. Na primeira ocasião, três senadores voltaram atrás e retiraram suas assinaturas, o que inviabilizou a criação da CPI.

A legalidade da instalação desta CPI chegou a ser questionada, mas Alessandro Vieira afirmou ao Broadcast Político que essa questão já foi superada pelo Supremo Tribunal Federal. “Cabe CPI para tratar de aspectos operacionais e também para apurar fatos que possam configurar crime de responsabilidade”, disse.

À Folha de S.Paulo , Alessandro justificou a necessidade de instalação da Comissão. “A bola está na mão do presidente Davi Alcolumbre. O que a gente espera é que o presidente tenha o cuidado de observar e respeitar aquilo que a legislação preconiza. A legislação é muito clara que pode, sim, ter CPI para apurar fatos ligados ao Judiciário. Já tivemos uma CPI em 1999 que deu excelentes resultados. Temos toda confiança de poder fazer apuração de questões operacionais e fatos que possam configurar crime de responsabilidade”, afirmou.

Davi Alcolumbre, por sua vez, disse na noite desta segunda-feira (18), em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura , que a possível abertura da CPI da Lava Toga , com objetivo de investigar abusos no Judiciário, não faria bem para o Brasil .

Fonte: IG Nacional
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“Podem espernear à vontade”, diz Alexandre de Moraes sobre inquérito do Supremo

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Após a abertura do inquérito do STF, a Corte foi alvo de manifestações contrárias à investigação
Carlos Moura/ SCO/ STF

Após a abertura do inquérito do STF, a Corte foi alvo de manifestações contrárias à investigação

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes rebateu nesta terça-feira (19) críticas direcionadas ao inquérito do STF que apura notícias falsas (fake news) e agressões contra a Corte, afirmando que os críticos “podem espernear à vontade”. Ele é o responsável pela investigação aberta pelo presidente do STF, ministro Dias Toffoli.

Após a abertura do inquérito do STF , a Corte foi alvo de manifestações contrárias à investigação, entre outras razões pelo fato de ela ter sido instaurada sem a participação do Ministério Público, por exemplo, ou por ser muito ampla, sem um objeto claro.    

“No direito nós chamamos isso de jus esperniandi. Pode espernear à vontade, pode criticar à vontade”, afirmou Moraes, que informou já ter mobilizado a Polícia Federal (PF) e as polícias Militar e Civil de São Paulo para auxiliarem nas investigações.

O ministro confirmou que deve determinar diligências de ofício, isto é, por conta própria e sempre que julgar necessário, sem a necessidade de manifestação de qualquer outra instituição. “O inquérito é presidido pelo Supremo Tribunal Federal (STF), não é presidido pela Polícia Federal com participação do Ministério Público”, disse. “Serão determinadas [diligências]”, garantiu.

Uma das frentes de investigação indicadas por Moraes irá se debruçar sobre as fontes de financiamento a redes de bots (robôs virtuais) criadas no Twitter e no WhatsApp para disseminar mensagens de ataque ao STF e a seus ministros. Ele disse já ter se reunido com setores de inteligência policial de São Paulo para que auxiliem nessa frente. “Há fortes suspeitas de que os grupos de financiamento maiores são de São Paulo”, adiantou.

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“Não se pode permitir, num país democrático como o Brasil, em que as instituições funcionam livremente há 30 anos, que porque você não gosta de uma decisão você prega o fechamento de uma instituição republicana, você prega a morte de ministros, morte de familiares, isso extrapola a liberdade de expressão. A liberdade de expressão não comporta quebra da normalidade democrática e discurso de ódio”, disse Alexandre de Moraes .

Críticas ao inquérito do STF


Presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Dias Toffoli, determinou a abertura do inquérito do STF
Nelson Jr./SCO/STF – 13.3.19

Presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Dias Toffoli, determinou a abertura do inquérito do STF

No dia seguinte ao anúncio da investigação, a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, pediu esclarecimentos sobre o procedimento, que foi instaurado como um processo sigiloso e sem apontar alvo específico.

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Ela argumentou que o dever de investigar cabe exclusivamente ao Ministério Público, conforme previsto pela Constituição. Dodge ressaltou também não terem sido apontadas pessoas com prerrogativa de foro que atraísse a competência do Supremo para supervisionar o inquérito.

“Os fatos ilícitos, por mais graves que sejam, devem ser processados segundo a Constituição. Os delitos que atingem vítimas importantes também devem ser investigados segundo as regras constitucionais, para a validade da prova e para isenção no julgamento”, escreveu ela no pedido formal de esclarecimentos.

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Nesta terça-feira de manhã, Moraes se reuniu por cerca de duas horas com Raquel Dodge em seu gabinete no STF , mas negou ter discutido o inquérito sobre fake news. Ele afirmou que a instauração de investigação por conta própria pelo Supremo está amparada no regimento interno do tribunal.

A iniciativa de Toffoli foi também criticada pelo ministro Marco Aurélio Mello, para quem o inquérito não poderia ter sido aberto sem consulta ao plenário, sendo obrigatório o encaminhamento da apuração para condução pelo Ministério Público.

“Não deliberamos nada”, disse Marco Aurélio, que atribuiu o inquérito a uma iniciativa própria de Toffoli. “Não deliberamos nada, muito menos a designação ad hoc [para fim específico] do relator”, repetiu, fazendo referência à escolha de Moraes como relator sem que tenha havido livre sorteio entre os demais ministros.

Ao menos outro ministro também criticou, reservadamente, a iniciativa. Ainda na semana passada, seis subprocuradores da República divulgaram uma carta expressando “extrema preocupação” com o fato de que “manifestações protegidas pela liberdade de expressão venham a ser investigadas como se constituíssem crime”.

Por outro lado, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) manifestou apoio à iniciativa de Toffoli, afirmando que os advogados também têm sido alvo de ataques virtuais.

“A apuração dos fatos é fundamental para o esclarecimento dos ataques e para a possível punição dos responsáveis por essas verdadeiras milícias digitais, que minam os pilares de nossa sociedade”, disse a OAB por meio de nota.

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Em nota conjunta, a Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe), a Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) e a Associação Nacional dos Magistrados do Trabalho (Anamatra) também apoiaram a abertura da investigação.

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“A iniciativa do ministro Dias Toffoli, respaldada pelo regimento interno do STF, demonstra que ninguém está acima da lei. O Supremo Tribunal Federal não pode ficar refém de ataques, ameaças ou denúncias infundadas, que visam a atingir a honra e reputação de seus integrantes”, disse o comunicado sobre inquérito do STF .

Fonte: IG Nacional
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Mensagens de 3º suspeito por massacre em Suzano detalham plano ainda mais cruel

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Guilherme Taucci Monteiro, de 17 anos, foi um dos autores de ataque a escola em Suzano
Reprodução

Guilherme Taucci Monteiro, de 17 anos, foi um dos autores de ataque a escola em Suzano

Mensagens identificadas pela Polícia Civil em aparelhos usados pelo adolescente de 17 anos suspeito de ter ajudado a planejar o massacre que matou oito vítimas na semana passada, em Suzano (SP), detalham que a ideia dos assassinos era de causar ainda mais mortes. O jovem foi apreendido nesta terça-feira (19) e será encaminhado para a Fundação Casa, onde permanecerá por, pelo menos 45 dias.

O processo está sob sigilo e os detalhes sobre o pedido de apreensão do jovem , autorizado pelo juízo da 1ª Vara Criminal de Suzano , devem ser apresentados ainda nesta terça em coletiva da Polícia Civil com o Ministério Público de São Paulo. As primeiras informações das investigações, no entanto, já foram antecipadas em reportagens do UOL e R7 .

Segundo os portais, os investigadores identificaram mensagens de outubro do ano passado nas quais o adolescente mencionava o intuito de usar granadas e de realizar estupros durante o atentado, que deveria matar “pelo menos uns 15”.

O jovem disse, pelo WhatsApp, que a “estratégia para fazer um atentado” na escola Professor Raul Brasil se baseava em “alguns jogos” e que ele próprio pretendia participar do ataque – que acabou efetuado somente por Guilherme Taucci, de 17 anos, e Luiz Henrique de Castro, de 25 anos. Os dois se mataram após o atentado.

“A gente ia entrar na segunda aula, mas antes os nóias [sic] que ficassem ao redor da escola a gente ia executar e jogar lá pra trás da escola [sic]”, disse o adolescente a um interlocutor que ainda não foi identificado. “Iríamos entrar como se nada tivesse acontecido e esperar até o intervalo. Eu e o Taucci iríamos um pra cada lado, com facas, e ia executar os namorados primeiro”, complementou o jovem, conforme reproduziu o R7 .

Em entrevista concedida na semana passada, o  adolescente apresentou versão diferente sobre seu suposto envolvimento com o plano para o ataque. Na ocasião, ele detalhou sua relação com Guilherme Taucci e disse que ele era obcecado pelo massacre de Columbine, que deixou 13 mortos, há 20 anos, nos Estados Unidos.

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“Ele sempre falava: ‘Imagina se alguém invadisse a escola? Como você ia fazer?’ Aí eu respondia, mas eu não sabia que ele ia fazer uma coisa dessas. Eu mesmo sou obcecado por armas, mas não tenho nenhuma arma e nem sairia atirando numa multidão”, disse o jovem em depoimento aos jornalistas Rafael Bruza e Bruna Pannunzio.

Imediatamente após o massacre que vitimou cinco estudantes, duas funcionárias da escola e um comerciante (tio de Guilherme), o terceiro suspeito enviou mensagem para comentar com um amigo: “igual os meus planos, era bem na hora do intervalo”. E complementa: “mano, foi o Taucci, um atirador tinha um machado, que a gente foi comprar”.

Depois, o jovem enviou mensagem ao próprio Guilherme. “Teve um tiroteio dentro da escola. Mano, dois adolescentes e eles se mataram. Taucci, um dos atiradores tinha um machado igual o seu”.

O advogado que representa o terceiro suspeito pelo ataque à escola de Suzano , Marcelo Feller, negou que o jovem tenha envolvimento com os crimes da semana passada.

Fonte: IG Nacional
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