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Saúde é estilo de vida

Publicado

André Henrique Crepaldi

O número de obesos no Brasil aumentou cerca 67% em treze anos. É o que aponta o Ministério da Saúde por meio da Pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças crônicas realizada em 2018. De acordo com os dados, mais da metade da população brasileira, 55,7% está com excesso de peso.

Outra pesquisa realizada pelo Ministério da Saúde no mesmo ano, revela que 17,9% da população adulta no Brasil faz uso abusivo de bebida alcoólica. Se comparamos com a taxa registrada em 2006 houve um aumento de 14,7%. As mulheres configuram um percentual menor na pesquisa (11%), mas entre elas o crescimento é maior em relação aos homens (26%), no período de 2006 a 2018.

Apenas com essas duas pesquisas podemos observar que os costumes da população estão em constante mutação. É conhecido por todos na área da saúde, que os hábitos influenciam diretamente na qualidade de vida, e, por consequência, em nossa saúde. Podemos identificar no consultório que a resposta para muitas doenças está relacionada ao modo que os pacientes trataram de sua saúde.

Ao lidar com pacientes com câncer, identificamos a ligação direta desses pacientes com o excesso de peso, uso abusivo de álcool, tabagismo, sedentarismo, má alimentação, entre outros hábitos prejudiciais.  De acordo com o Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA), do Ministério da Saúde, somente no ano de 2018 em Mato Grosso, foram registrados 4.290 novos casos de câncer, em maior índice para os casos de próstata e mama feminina.

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Em agosto celebramos o Dia Nacional da Saúde instituído em homenagem ao sanitarista Oswaldo Cruz, um dos principais responsáveis pelo combate de epidemias que acometiam o Brasil no começo do século XX, como a febre amarela e varíola. Em razão desta data, devemos falar sobre o valor da saúde e dos hábitos saudáveis, para manutenção de uma vida com vitalidade.

Trazer à tona números sobre a saúde da população brasileira e mato-grossense pode até ser redundante, mas estamos diante de uma sociedade que ingere cada vez mais alimentos processados, tem pouca prática de atividade física e sem a mínima preocupação com sua saúde.

É necessário que o assunto esteja sempre em voga para que os índices de doenças sejam menores a cada ano. Podemos falar em avanços da medicina, em tratamentos diferenciados para doenças complexas como o câncer, mas de nada adianta se não atentarmos para as ações do nosso cotidiano, que nos ajudam a retardar ou até mesmo eliminar as doenças em nossas vidas.

Falar de saúde com um panorama de doenças é lembrar das atividades indispensáveis para que esse cuidado essencial aconteça. Nesta semana nacional da saúde, que nossos olhos e atenção estejam voltados ao que faz melhorar nossa qualidade de vida.

Pequenas ações do dia a dia também são formas de fazer alguma atividade física, saindo do sedentarismo. Trocar as horas na frente da televisão por atividades prazerosas sempre vale a pena. Leve o cachorro para passear, caminhe pelo bairro, cuide do seu quintal e jardim, brinque com seus filhos e netos. Adotar a bicicleta como meio de transporte ou hobby, descer alguns pontos antes ou depois e trocar o elevador pelas escadas são algumas outras escolhas saudáveis que naturalmente podem auxiliar a manutenção natural de um hábito saudável e, ao mesmo tempo, ajuda a combater essa doença que tanto assusta a humanidade.

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*André Henrique Crepaldi é médico oncologista e hematologista, diretor da Clínica Oncolog de Cuiabá/MT

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A corrida contra minha morte

Publicado

Por Dr. Rosário Casalenuovo Júnior

Agora é pra valer, próximo de 60 anos, os exercícios que faço, as corridas, os treinos na academia, no cross fit, têm agora um adversário sem escrúpulo, um adversário que é juiz da partida ao mesmo tempo. Já pensou? O cara é meu adversário, que apita a partida, tem o cartão amarelo e o verrrrmelho no bolso. Pior que tenho a consciência que um dia serei expulso do jogo para sempre.

Faço esta analogia pois fui desde criança, apaixonado pelo esporte, participei de atletismo na cidade de Presidente Prudente-SP, treinado pelos professores da família Ronque, Furtunato (Natinho) e Douglas. Meus adversários eram garotos como eu, fui jogador de voleibol também, jogando até a faculdade de odontologia na mesma cidade.

Mesmo depois de não ter mais times, nunca parei de praticar esporte. Pois existia em mim a cultura desportiva. Que é uma consciência onde passamos a jogar contra a si mesmo, contra a preguiça, desprezar a sedução do sofá, da televisão. Como não participava de times como na juventude, passei a ter eu próprio como adversário. Digo que os jovens tem a obrigação de serem atletas, não tem desculpa. Está tudo propício, energia, hormônios, disposição, tempo, cabeça sem problemas. Nada de desculpas, pois até mesmo atletas cadeirantes, deficientes visuais, como especial neuro ou físico, estão nas olimpíadas, onde o Brasil é vencedor. Portando jovens, vamos levantar do sofá e partir para gastar energia.

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Jogadores de futebol profissional são jovens ou até mesmo trintões e depois que param alguns engordam, param de praticar exercícios regularmente, isto representa que não existia nele a cultura desportiva. Pra mim começa a valer o esporte depois de 50 anos, pois aí estamos competindo para se manter saudável, disposto e vivo. A corrida é um bom medidor do envelhecimento pelo fato de manter uma constância, em velocidade e em percurso, onde se mede o tempo e o grau de cansaço. A cada década de corrida, estes medidores vão se alterando, tempo aumenta, percurso reduz, de 21, para 15, 10 Km “tá bom”. Já corri com idosos de 80 anos, 10 Km. Isso me deu uma esperança, um grande incentivo para desmistificar esta década.

A cultura desportiva é o mais importante de desenvolver na consciência dos nossos filhos, pois assim estarão sempre lutando contra a “marvada “da preguiça que acentua nas regiões mais quentes como Cuiabá.

Veja como o adversário vai mudando com o tempo, lutava com unhas e dentes para ganhar dos outros, depois vencer a mim mesmo e dos 60 para frente, me distanciar do meu fim, correndo dele. Agora é pra valer como nos jogos mortais. Mas sabe que é divertido essa brincadeira de verdade? Estou gostando desse jogo da vida. E você, qual seu adversário hoje?

*Rosário Casalenuovo Júnior é dentista, professor de odontologia há 30 anos, músico e articulista dos principais jornais de Mato Grosso. Cristão, atleta, pai de Pedro e Giovanna. Contato: rosário.casalenuovo@hotmail.com

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Toda causa importa

Publicado

Leonardo Campos*

O sistema judiciário brasileiro possui peculiaridades interessantes que reforçam a importância da advocacia. Este protagonismo se confirma na missão confiada a cada profissional pela busca da efetivação dos direitos previstos em nossa Constituição, na árdua luta para transformar o conceito de justiça da teoria para a prática, papel desempenhado todos os dias em cada juizado especial, em cada fórum, em cada tribunal.

A ausência de distinção entre as causas se confirma com o ordenamento jurídico brasileiro e suas peculiaridades levantadas no início deste texto. Um (a) advogado (a) recém-formado (a), por exemplo, pode, tão logo receba sua carteira da Ordem dos Advogados do Brasil, embarcar para Brasília e fazer uma sustentação oral perante os 11 ministros que compõem a mais alta Corte do país ou peticionar em um juizado especial, tratado pela Lei como o foro para solucionar litígios de menor complexidade. Em outros países, como os Estados Unidos, é necessário tempo de advocacia para galgar a condição de advogar em instâncias superiores.

Ter o entendimento deste papel na sociedade brasileira é de fundamental importância para cada um dos profissionais. O (a) advogado (a) é, sem sombra de dúvidas, o último sopro de esperança do seu cliente e deve tratar cada causa, seja em um juizado especial, seja no Supremo Tribunal Federal (STF), como a ação mais importante da vida daquele que nos confia o patrocínio da causa e, portanto, devemos atuar sempre com nossa melhor capacidade técnica.

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E esta liberdade deve ser encarada pelos profissionais do Direito como uma responsabilidade. É preciso um contato próximo e pessoal do profissional da advocacia com seu cliente, para que aquele que deposita na Justiça sua esperança, seu pleito, se sinta de fato atendido. Defender um cliente significa se apropriar de sua causa, de sua luta, toma-la para si e fazer o melhor nesta defesa. Não há espaço para uma relação distante, mercantilista, para uma defesa que seja menos que aguerrida.

Do mesmo modo, à população que busca uma solução para um determinado conflito, é de fundamental importância conhecer o profissional que vai defende-lo perante à Justiça. Saber quem é a pessoa, qual seu histórico profissional e buscar esta relação de proximidade com seu defensor, enfim, tratar com ele de forma pessoal. Quem tem uma demanda judicial deve se guiar por aspectos objetivos na escolha desta pessoa.

Aos advogados e advogadas, cujo papel na sociedade está gravado na nossa Constituição, por meio do artigo 133, é de fundamental importância entender que a causa do momento é a causa mais importante de sua vida. Seja em um juizado especial, seja no Supremo Tribunal Federal.

*Leonardo Campos é advogado e presidente da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Mato Grosso (OAB-MT)

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Dislexia dificulta identificação de palavras

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Psicopedagoga explica que o distúrbio se manifesta na fase de alfabetização

Luciana Brites

A Dislexia é um distúrbio de aprendizagem que se manifesta normalmente na fase da alfabetização, período em que os pequenos têm contato com tarefas escolares que incentivam a leitura e formação de vocábulos. Uma de suas características principais é a dificuldade em identificar palavras ou símbolos

Segundo a psicopedagoga do Instituto NeuroSaber Luciana Brites, muitos pais confundem a dislexia com preguiça ou um simples problema na aprendizagem, o que é bem diferente de um distúrbio.

– Os distúrbios de aprendizagem afetam a capacidade da criança de receber, processar, analisar ou armazenar informações. Trata-se de uma disfunção neurológica, que é uma questão de neurônios, de conexão. Os portadores do distúrbio demonstram dificuldade em adquirir o conhecimento da teoria de determinadas matérias – explica.

Luciana diz que a dislexia é algo que está presente em um número considerável de crianças. Pesquisas apontam que a taxa de incidência esteja entre 0,5% e 17% em todo o mundo. Ela comenta que todo profissional da educação, provavelmente, já teve algum aluno que demonstrou uma dificuldade acima do normal para sua idade. “Porém, é necessário saber o que se trata para não haver equívocos.”

As crianças com dislexia podem manifestar características como, por exemplo, dificuldades para ler, compreender, escrever, expressar-se, realizar operações matemáticas e cálculos. “Estes dois últimos se relacionam mais para a discalculia – o que também é distúrbio de aprendizagem. Outros sintomas são alteração brusca de humor e um ligeiro desinteresse por alguma tarefa”.

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– Há diferentes graus do distúrbio. Em casos severos, o pequeno necessita de uma ajuda maior de seus pais e professores. Já quando vem mais brando, a pessoa apresenta certa autonomia para as tarefas pedagógicas – comenta.

Luciana ainda explica que os educadores costumam ser os primeiros profissionais a terem contato com as dificuldades originadas pela dislexia. Por isso, é importante que o educador chame os pais para uma reunião na escola ao notar a dificuldade. “O próximo passo é a procura por especialistas que podem oferecer tratamentos específicos aos pequenos.”

– O diagnóstico e tratamento são feitos por meio de uma análise realizada por uma equipe que pode variar entre psicopedagogos, psicólogos, neuropsicólogos, psiquiatras e oftalmologistas. É importante ter esse acompanhamento com a proposta de proporcionar à criança uma intervenção eficaz para a sua vida pedagógica e social. Nos casos que forem necessários o uso de medicamentos, os profissionais da saúde irão auxiliar os pais – conclui.

Sobre a especialista

Uma das fundadoras do Instituto NeuroSaber, Luciana Brites é Pedagoga especializada em Educação Especial na área de Deficiência Mental e Psicopedagogia Clínica e Institucional pela Unifil Londrina. Também é especialista em Psicomotricidade pelo Instituto Superior de Educação Ispe – Gae São Paulo, além de coordenadora do Núcleo Abenepi em Londrina.

NeuroSaber (www.neurosaber.com.br)

O projeto nasceu da necessidade de auxiliar familiares, professores, psicólogos, fonoaudiólogos, psicopedagogos, terapeutas ocupacionais, médicos e demais interessados na compreensão sobre transtornos de aprendizagem e comportamento. A iniciativa tem como objetivo compartilhar informações valiosas para impactar as áreas da saúde e educação, além de unir especialistas do Brasil e do exterior.

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