Saúde
A importância do geriatra no envelhecimento saudável

Dr. Danilo Hiabar
Com objetivo de sensibilizar a sociedade para as questões do envelhecimento e da necessidade de proteger e cuidar da população mais idosa, a Organização das Nações Unidas (ONU) escolheu o dia 1º de outubro como Dia Internacional do Idoso. Instituído em 1991 a data tem o intuito de transmitir mais carinho aos idosos, muitas vezes esquecidos pela sociedade e pela família.
De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2018, o Brasil chegou a marca de 208,4 milhões de pessoas. Entre os dados recentemente divulgados, destaca-se o número de idosos no Brasil, que cresce gradativamente, enquanto a taxa de natalidade diminui. Atualmente, o Brasil conta com 13% da população composta pela terceira idade. Já a porcentagem de pessoas com até 14 anos, é de 21%.
Neste contexto, o médico geriatra tem um papel fundamental. A Medicina Geriátrica é uma ciência que avança a cada dia, propiciando longevidade com melhor qualidade de vida para a população idosa.
Este profissional utiliza uma abordagem ampla para a avaliação clínica, incluindo aspectos psicossociais, escalas e testes. Por isso, a consulta geriátrica é, em geral, mais demorada. Além de lidar com doenças como as demências, a hipertensão arterial, o diabetes e a osteoporose, o geriatra também trata de problemas com múltiplas causas, como tonturas, incontinência urinária e tendência a quedas.
Além disso, o geriatra também fornece cuidados paliativos aos pacientes portadores de doenças sem possibilidade de cura. Frequentemente, atua em conjunto com equipe multidisciplinar, como na avaliação de tratamentos adequados e daqueles que trazem riscos e/ou interações indesejadas.
Sabemos que cuidar da saúde é importante em todos os momentos de nossa vida. Porém, quando envelhecemos algumas cautelas precisam ser redobradas, pois a passagem dos anos acarreta em algumas mudanças no organismo que acabam deixando a nossa saúde mais debilitada.
É nesse momento que surge a questão: quando devo procurar um médico geriatra? Existe uma idade específica para recorrer a esse tipo de especialista? Pois bem, não existe uma idade limite para buscar ajuda de um geriatra. A recomendação é buscar por auxilio já a partir dos 60 anos. Mas, nada impede que você recorra ao especialista um pouco mais breve do que nessa faixa etária. Isso porque ele te auxilia a envelhecer de forma saudável, com menos limitações, dependências e sofrimento.
Dr. Danilo Yábar Bambarén é vice-presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia – MT e médico da clínica Vida e Diagnóstico e Saúde.
Saúde
Gripes, resfriados, alergias e acúmulo de água estão entre as causas da otite
A Dra. Bárbara Salgueiro alerta que é importante nunca adotar soluções caseiras e lembra que em alguns casos, a dor de ouvido pode ser um reflexo de problemas na garganta, dentes ou até coluna
Gripes, resfriados e alergias são os principais gatilhos para a otite média aguda, um tipo de dor ouvido caracterizada por inflamação ou infecção súbita na região atrás do tímpano. Ela acontece porque ouvido, nariz e garganta são interligados por um canal chamado tuba auditiva. Quando se acumulam, as secreções bloqueiam esse canal causando forte pressão e dor.
“Essa é uma complicação bastante comum em bebês e crianças, principalmente porque nos primeiros anos de vida a tuba auditiva é mais curta e horizontal, o que facilita o acúmulo de secreções. Além disso, o fato de terem o sistema imunológico ainda em desenvolvimento torna as crianças mais suscetíveis que os adultos a infecções de ouvido”, explica a Dra. Bárbara Salgueiro, otorrinolaringologista do HOPE – Hospital de Olhos de Pernambuco.
Outro tipo de dor de ouvido é a otite externa, também conhecida como “ouvido de nadador”, que se caracteriza pela infecção da pele do canal auditivo externo. “Ela costuma ser causada pela retenção da água após nadar ou tomar banho de forma prolongada, sendo que essa umidade cria um ambiente propício para fungos e infecções. Outro fator de risco é a manipulação do ouvido com os dedos ou objetos, como hastes flexíveis”, complementa a médica.
Nas crianças pequenas as otites podem ser mais difíceis de serem percebidas, por isso é fundamental os pais ficarem atentos aos sinais. Alguns deles são: febre acompanhada de congestão nasal e coriza, mãos constantemente na orelha, choro, irritação, dificuldade para dormir e recusa de alimentos. Nos casos mais avançados, pode sair secreção do ouvido. Em adultos, apesar de a dor ser um sintoma importante, é preciso investigar. Em algumas situações, a causa da inflamação pode estar em outro local.
“Este fenômeno é chamado de otalgia referida e pode indicar problemas na garganta, dentes, articulação temporomandibular (que liga a mandíbula ao crânio), musculatura cervical e até alterações na coluna. Isso ocorre porque o ouvido compartilha vias nervosas com estruturas próximas. A pessoa sente uma dor secundária, que tem sua origem em outra parte do corpo. Nesses casos é preciso tratar a causa. Por exemplo, indicar antibióticos, se a pessoa estiver com uma infecção de garganta”, esclarece a otorrinolaringologista.
A otite só é corretamente diagnosticada por meio da otoscopia, um exame minucioso dos ouvidos realizado pelo otorrinolaringologista, médico capacitado para orientar sobre o melhor tratamento e as medidas de prevenção.
De acordo com a Dra. Bárbara Salgueiro, “em caso de dor de ouvido, é essencial nunca adotar soluções caseiras, como introduzir azeite, alho, leite materno ou vinagre no canal auditivo. Além do risco de agravar a infecção, podem ocorrer reações alérgicas, queimaduras e até perda auditiva permanente, especialmente se houver perfuração do tímpano”.
A recomendação da especialista é utilizar somente analgésicos comuns, desde que não haja histórico de alergia aos componentes da medicação, e realizar compressas mornas na região do ouvido. Se o quadro persistir, é fundamental consultar um especialista e seguir corretamente o tratamento.
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Fígado gorduroso não é inofensivo: entenda os riscos

Lívia Catalá
Durante muito tempo, a gordura no fígado foi considerada um achado sem grande importância. Hoje, porém, sabemos que ela pode representar um importante sinal de alerta para a saúde metabólica.
A doença, atualmente chamada de MASLD (doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica), afeta cerca de um em cada três adultos e está fortemente relacionada à obesidade, diabetes tipo 2, hipertensão arterial e colesterol elevado.
O problema é que ela costuma ser silenciosa. Na maioria dos casos, o diagnóstico acontece por meio de exames de rotina, especialmente o ultrassom abdominal ou alterações em exames laboratoriais que levam à investigação da doença. Atualmente, ferramentas como o FIB-4 e a elastografia hepática ajudam a identificar quais pacientes apresentam maior risco de evolução.
E esse risco não deve ser subestimado.
Em alguns pacientes, o simples acúmulo de gordura pode evoluir para inflamação do fígado, condição chamada esteato-hepatite metabólica (MASH). Com o passar do tempo, esse processo pode levar ao desenvolvimento de fibrose, cirrose e, em situações mais avançadas, insuficiência hepática e câncer de fígado.
Mas talvez o dado mais importante seja outro: a principal causa de morte nesses pacientes não é a doença hepática, mas sim as doenças cardiovasculares. Pessoas com fígado gorduroso apresentam maior risco de infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e outras complicações cardiovasculares.
A boa notícia é que existe tratamento.
A perda de peso continua sendo a estratégia mais eficaz. Estudos mostram que uma redução de aproximadamente 5% do peso corporal já pode diminuir significativamente a gordura no fígado. Quando a perda ultrapassa 10%, os benefícios podem ser ainda maiores, incluindo melhora da inflamação e da fibrose em parte dos pacientes.
Por isso, mudanças no estilo de vida continuam sendo fundamentais. Alimentação equilibrada, prática regular de atividade física e controle das doenças metabólicas associadas permanecem como pilares do tratamento.
Nos últimos anos, medicamentos como a semaglutida também passaram a ganhar destaque. Além de promover perda de peso significativa, estudos recentes demonstraram melhora da gordura no fígado, da inflamação e até mesmo da fibrose hepática, uma das principais preocupações relacionadas à progressão da doença. Esses achados ampliam as possibilidades de tratamento e reforçam a importância da abordagem precoce dos pacientes com fígado gorduroso.
A principal mensagem é simples: a gordura no fígado não deve ser ignorada. Muitas vezes, ela é um dos primeiros sinais de que o organismo precisa de atenção, oferecendo uma oportunidade valiosa para prevenção e tratamento antes do surgimento de complicações mais graves.
Identificar a gordura no fígado precocemente pode significar muito mais do que proteger o fígado: pode ser a oportunidade de prevenir doenças cardiovasculares, diabetes e outras complicações que comprometem a saúde e a qualidade de vida ao longo dos anos.
Lívia Catalá é médica endocrinologista — CRM 7034 | RQE 3995. Atende na Clínica Ferraz, presencialmente e on-line.
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