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“Basiléia IV” – A nova geração dos ativos ponderados pelo risco

Publicado

Alyson Ribeiro

Enquanto Basileia III focou, principalmente, na reforma do capital regulatório, em específico na qualidade da composição de seus instrumentos elegíveis para os níveis de requerimentos de capital, o Comitê de Supervisão Bancária da Basiléia (BCBS), finalizou as revisões regulatórias que foram denominadas pelo mercado como “Basileia IV”. O novo arcabouço regulatório prudencial busca melhorar a comparabilidade e transparência entre as instituições, reduzir a excessiva variabilidade dos requisitos de capital e reforçar os níveis de capital do sistema como um todo. Estas novas publicações mudam, consideravelmente, as abordagens para o cálculo dos ativos ponderados pelo risco (RWAs), independentemente do tipo de risco (crédito, contraparte, mercado e operacional), e do uso de modelos de mensuração via abordagens padronizadas ou de modelos internos.

No âmbito das revisões do risco de crédito foram incluídas novas categorias de ponderadores de risco com maior granularidade, conforme a classe dos ativos, como por exemplo empréstimos especiais destinados à “project finance” ou “object finance”, na qual os recursos destinados ao pagamento do empréstimo dependem da geração de receita do projeto ou do produto de financiamento, tais como operações destinadas às construções de fábricas, usinas de energia, infraestrutura de transportes, telecomunicações, e equipamentos como aviões, navios e satélites. Para este tipo de operação de financiamento, foram definidos ponderadores de risco de crédito que dependem do estágio da implementação do projeto, podendo ser considerado em fase pré-operacional ou operacional, definindo-se então um requerimento de risco de 80% à 130%, respectivamente. Restringiu-se o uso da abordagem avançada de modelos internos, além de introduzir pisos para os parâmetros de cálculo da perda esperada pelas instituições.

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Já para operações destinadas à financiamentos imobiliários, comerciais ou residenciais, considerou-se uma abordagem mais sensível à riscos com base no valor do empréstimo e valor financiado (Loan To Value), podendo variar entre 20% a 150% o requerimento do risco, conforme o atendimento ou não de requisitos operacionais exigidos, tais como o valor justo e estágio da propriedade (concluída ou não), capacidade de pagamento do tomador, dentre outros.

A abordagem revisada de risco de mercado, publicada no início de 2019, estabeleceu novos requerimentos para definir os limites entre as fronteiras das carteiras de negociação e bancária, com requerimentos específicos para estimação de suas exposições em uma nova abordagem com maior sensibilidade do instrumento ao fator de risco. Para o uso de modelos internos, foram estabelecidos ajustes na metodologia de mensuração, usando Expected Shortfall ao invés do Value-at-Risk, e um processo de calibração mais rigoroso na aprovação de modelos, juntamente com uma maior consistência na identificação de fatores de riscos materiais, incorporando também o risco de falta de liquidez no mercado.

No âmbito do risco operacional modelos internos avançados não poderão mais ser utilizados. Introduziu-se o conceito de uma nova abordagem padronizada através do uso de indicador de negócio não ajustado e um outro indicador representando as perdas históricas (componente de perda), ao invés de indicador baseado em resultado de intermediação financeira para mensurar a exposição ao risco operacional. Com a retirada da abordagem de modelos internos avançados, os reguladores poderão transferir seus esforços de supervisão para processos de coleta e qualidade de dados de perda. Os bancos serão obrigados a demonstrar um processo mais robusto de identificação e coleta dos dados de perdas operacionais de maneira eficiente e consistente, uma vez que a nova abordagem padronizada substitui todas as demais abordagens existentes.

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As reformas de Basileia IV podem ser consideradas como um dos maiores desafios para as instituições financeiras nos próximos anos. As mudanças propostas são individuais e altamente dependentes dos modelos de negócio, seja através do uso de modelos internos ou modelos padronizados. Devido à maior sensibilidade ao risco, as alterações terão um impacto direto nos produtos, portfólios e áreas de negócios das instituições, que deverão se preparar para os novos requerimentos. Estudos apontam que as reformas levam a um aumento agregado esperado do RWA de € 1,0 trilhão para € 2,5 trilhões, ou um crescimento de 13% a 22% para grandes bancos da Europa, podendo chegar até 73% ao final do período de transição, em janeiro de 2027. Independentemente do impacto, todos os bancos deverão se preparar para este novo arcabouço regulatório, e precisarão repensar sobre as suas atividades de negociação e redesenhar os processos para serem mais eficientes e dinâmicos às necessidades do mercado.

Os desafios para os bancos, em termos de respostas estratégicas aos impactos, podem ser agrupados em quatro níveis, sendo o gerenciamento de capital, a composição do portfólio, a estrutura dos produtos e a estrutura da entidade legal. Desta forma, existem diversos desafios que os bancos terão que enfrentar, sendo que as mudanças exigirão ajustes em todos os modelos de quantificação de riscos, bem como em seus processos que suportam a gestão de riscos, melhorando suas políticas, governança e controles internos, para então atender a completude dos novos requerimentos e propiciar maior transparência e solidez do sistema financeiro.

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*Alyson Ribeiro é diretor da PwC Brasil

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Auxílio emergencial: ajuda, queixas e devoluções

Publicado

 

Catiane Cabral, advogada*

Depois de um período sem resposta, finalmente o governo federal anunciou a prorrogação por mais dois meses o pagamento do auxílio emergencial. Os beneficiários vão receber mais duas parcelas no valor de R$ 600, que talvez possam ser divididos em mais de um pagamento no mês, segundo o Ministro da Economia.

Essa medida, amparada na Lei nº 13.982, de 2 de abril de 2020, tem ajudado muitas pessoas desde o início, apesar da demora na aprovação e de algumas queixas. As principais reclamações são instabilidades dos meios de acesso, além de inconstâncias nas informações. Como diversas alterações foram feitas desde o momento da publicação do decreto, isso criou uma sensação de insegurança por parte da população, sobretudo a parcela mais carente dela.

Outro problema foi a divulgação de difícil linguagem por parte das autoridades competentes, o que contribuiu para uma complicação nesses tempos de pandemia. Isso também mostrou quantas pessoas estão excluídas do mundo digital. Algumas pela falta de habilidade com a tecnologia outras pela falta de computador ou smartphone e acesso à internet.

Ainda tivemos erros de cadastramento cometidos por quem solicitou o auxílio. Muitos não se atentaram aos dados na hora de preenchimento, além de não observar se realmente preenchiam os requisitos necessários para a concessão do benefício. Esses fatores contribuíram para negação de muitos pedidos, o que também atrasou a vida de muita gente.

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Quem teve o benefício negado, é necessário entender o motivo. Será que realmente preencheu os requisitos? A regra principal é não ter um emprego formal, ou seja, de carteira assinada. O auxílio só é pago a desempregados, trabalhadores informais e Micro Empreendedor Individual (MEI).

Por exemplo, precisa ter mais de 18 anos de idade, exceto se for mãe adolescente. A família só pode ter renda de até três salários mínimos (R$ 3.135), não pode estar recebendo seguro desemprego, não pode ter recebido durante o ano de 2018 mais de R$ 28.559,70, não receber benefício previdenciário ou assistencial, exceto o Bolsa Família.

Mas houve também quem obteve o auxílio sem preencher o requisito. Talvez por falha no sistema ou por mentir no momento do cadastro. Mas o que fazer para devolver a quantia e não enfrentar problemas na justiça futuramente? Para isso, o Ministério da Cidadania disponibiliza o site devolucaoauxilioemergencial.cidadania.gov.br. Por meio dele, é possível fazer a devolução das parcelas recebidas incorretamente.

Basta informar o CPF da pessoa, selecionar a opção de pagamento da GRU – “Banco do Brasil” ou “qualquer Banco”, seguir as instruções e clicar no botão “Emitir GRU”. Portanto, fique atento, busque seus direitos e tome cuidado com irregularidades.

(*) Catiane Cabral é advogada formada pela UNIG, pós graduada em Direito Previdenciário na faculdade LEGALE e pós graduada em Processo Civil e Gestão Jurídica pelo IBEMEC.

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A resiliência de um setor essencial

Publicado

Jorge Santos

O setor sucroenergético de Mato Grosso vem dando mostras de resiliência e competência no enfrentamento da pandemia em curso, pois adotou uma diversidade de ações que estão permitindo sua sobrevivência e, mais do que isso, a manutenção dos empregos.

Desde há muito que temos avançado de maneira sistemática, e consistente, em termos socioambientais, pela redução do consumo de água, pela utilização da vinhaça em fertirrigação, pela mecanização do plantio e colheita e pela constante inovação dos processos industriais.

Considerado setor essencial, adotou todas as providencias de proteção de seus empregados, com o afastamento dos grupos de riscos, utilizando o teletrabalho quando possível, e estabelecendo novas condições de trabalho interno, com distanciamento social e recepção de todos à porta das empresas por equipe multidisciplinar que atesta as boas condições de cada um.

A utilização de sistemas de monitoramento a distância, seja da operação de equipamentos, climático, ações em tempo real, elevou a produtividade dos equipamentos em até cinco vezes e melhorou sensivelmente a qualidade e produtividade dos canaviais, otimizando a utilização de fertilizantes e defensivos, bem como o momento ideal de colheita.

Com utilização de vant, no combate a broca-da-cana, é derramada diretamente sobre a área infectada a micro vespa parasitoide que a combate de forma biológica.

Todos estes avanços possibilitaram que o setor, intensivo de mão de obra mas, principalmente, de capital, pudesse adotar todas as providências à sua manutenção e de todos os ativos, notadamente os empregos, pois uma sucessão de fatos o atingiram de maneira sistêmica e abrangente, durante a pandemia, senão vejamos:

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·       O embate entre produtores de petróleo levou a uma irracional redução dos preços do produto no mercado mundial, afetando a competitividade do etanol;

·       As restrições a mobilidade, fruto da determinação do “fique em casa” reduziu o consumo do etanol, em Mato Grosso, em 60% entre fim de março e começo de abril;

·       Para manter a operação, as Unidades Produtoras viram-se na contingência de deprimir os preços, em alguns casos abaixo do custo de produção;

Aos poucos o consumo vai sendo retomado, porém os preços continuam muito deprimidos e estão a comprometer a sobrevivência de muitas empresas, que poderão não subsistir por muito mais tempo a esta situação.

Uma das ações que temos defendido é a utilização dos recursos da CIDE – CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO, nos termos do inciso I do § 1º do artigo 1º da lei que a instituiu, 10.336/2001, para subsidiar os custos de transporte do etanol entre estados produtores e não produtores, possibilitando o aumento de sua competividade.

A população de vários estados não pode desfrutar dos benefícios da utilização do etanol na saúde pública tendo em vista seu elevado custo frente ao combustível fóssil, muito por conta dos custos de logística.

Conforme estudo do médico patologista Paulo Saldiva, da USP – UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO, só na capital paulista haveria uma redução de US$ 190 milhões no orçamento do Sistema de Saúde, com a substituição dos combustíveis fósseis por etanol.

Veja Mais:  Diferencie fome emocional da fome física

Consideradas as características de nossa economia, não conseguimos, ainda, infundir nos usuários de combustíveis as enormes vantagens indiretas da utilização do etanol, que ainda pensam, e muito, com o bolso.

*Jorge dos Santos é administrador e diretor executivo do SINDALCOOL/MT

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Reagir à própria dor

Publicado

 

 

Escrevi em É Urgente Reeducar! (2010):

 

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor

Hoje, mais do que nunca, com o progresso da tecnologia nas áreas de comunicação (celulares, internet etc.), até um enfermo pode levantar alguém que sofre, embora esteja a milhares de quilômetros de distância. Nos tempos que correm, a possibilidade de ajudar encontra-se ao alcance de todos. Logo, que não se perca o bom ideal, porque ele é determinante em qualquer idade. Você é quem decide se é velho ou moço, por mais duras que sejam as circunstâncias em que se ache, temporária ou permanentemente. Na minha longa vida dedicada às causas espirituais e sociais da Religião do Terceiro Milênio e da Legião da Boa Vontade, tenho sido testemunha de exemplos inigualáveis vindos de pessoas que, em decorrência de lastimoso estado de saúde, poderiam considerar-se desobrigadas de socorrer, com uma palavra que fosse, outras criaturas também necessitadas de atenção. E muitas — surpreendentemente amparadas por quem de nada mais se poderia esperar (no dizer humano), por padecer males tormentosos — se viram na condição de reagir ao próprio infortúnio, tantas vezes descobrindo, após o auxílio inesperado, razões para enfrentar seus dramas com decisão, que pensaram ter há muito perdido.

 

Costumo fraternalmente recomendar: quem quiser diminuir sua dor ajude os que sofrem.

Veja Mais:  Tribunais de Contas e o acesso a dados e informações fiscais

 

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