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Saúde

Cidades do interior podem propagar Covid-19 como capitais, aponta estudo

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Pixabay/Tumisu

A expectativa é que os resultados do estudo possam apoiar decisões de intervenção na mobilidade entre cidades durante a atual pandemia da Covid-19 e em futuras epidemias

O potencial de propagação da COVID-19 em cidades como Ribeirão Preto, no Estado de São Paulo, Campina Grande, na Paraíba, e Caruaru, em Pernambuco, equivale ao das capitais de alguns estados do país.

Os três municípios são cidades-polo, com grande concentração de indústrias, comércio e serviços, e têm importância estratégica na dinâmica de mobilidade regional, medida pelas fortes conexões que possuem com diversos outros municípios em termos de fluxo de pessoas. Por isso, desempenham um papel central no processo de interiorização de casos de COVID-19 no país, aponta um estudo feito por pesquisadores das universidades Federal de Ouro Preto (UFOP) e Estadual Paulista (Unesp), campus de São José dos Campos, em colaboração com colegas do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden).

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Resultado de um Projeto Temático apoiado pela FAPESP, o estudo foi publicado na plataforma medRxiv , ainda sem revisão por pares.

“Essas cidades podem ajudar a acelerar e amplificar a interiorização da epidemia de COVID-19 ao servir de atalho para a propagação da doença para diversos outros municípios com os quais têm conexões”, diz à Agência FAPESP Leonardo Bacelar Lima Santos , pesquisador do Cemaden.

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Para identificar as cidades brasileiras mais vulneráveis à disseminação do SARS-CoV-2, os pesquisadores analisaram a mobilidade entre municípios das regiões Sudeste, Sul, Nordeste e Centro-Oeste, baseada em uma abordagem de redes.

As redes de conexão entre municípios foram construídas a partir de dados de mobilidade terrestre obtidos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que fornece informações sobre os fluxos de pessoas entre as cidades por diversos modais.

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As cidades foram representadas nas redes por nós e as conexões entre elas como arestas (segmentos de encontro dos nós).

Por meio de ferramentas matemáticas foram medidos o número de municípios aos quais uma cidade está conectada – para avaliar o número de destinos possíveis de novos casos da doença -, a força da conexão, em termos de fluxo de pessoas, e a centralidade delas na rede.

Os resultados indicaram que cidades como Campina Grande, na Paraíba, Feira de Santana, na Bahia, e Caruaru, em Pernambuco, têm forças de conexão mais altas do que as capitais de alguns estados do país.

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Algumas cidades do Estado de São Paulo, como Ribeirão Preto, Jundiaí, Sorocaba, Piracicaba e Presidente Prudente, também figuraram em posições mais altas em todas as medidas analisadas.

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Ao comparar os resultados das medidas com os casos confirmados de COVID-19 no Brasil até 1º de maio, os pesquisadores constataram que a força da conexão é a métrica que apresenta a melhor correspondência com a disseminação da doença no país. As cidades com maior força de conexão também são, em média, as que primeiro registraram casos de infecção pelo SARS-CoV-2.

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“Dados de mobilidade são fundamentais para pesquisas em desastres e em estudos de disseminação de doenças. As pessoas impactadas por um alagamento, por exemplo, não só moram na região alagada, mas também transitam por aquelas áreas em seus deslocamentos para o trabalho”, afirma o pesquisador, que atualmente faz estágio de pesquisa na Humboldt University, na Alemanha, com bolsa da FAPESP.

Interiorização da doença

Os pesquisadores também conseguiram quantificar o limiar de conexão das cidades que as torna mais suscetíveis a registrar casos de COVID-19 no país ou influenciar na disseminação da doença.

No início da pandemia no país, em março, eles observaram que esse limiar era bastante alto – na média, as cidades precisavam ter um alto fluxo de pessoas para registrar casos de COVID-19. A partir de meados de abril, o limiar passou a ser menor.

“Essa é uma possível assinatura do processo de interiorização da COVID-19 no país. Hoje, cidades que têm menor fluxo de pessoas já correm um risco significativo de registrar casos da doença porque têm conexões com cidades que são polos regionais”, avalia Santos.

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Os pesquisadores pretendem analisar futuramente também os dados de mobilidade aérea e fluvial para avaliar a dinâmica de mobilidade entre cidades da região Norte do país, especialmente na Amazônia.

A expectativa é que os resultados do estudo possam apoiar decisões de intervenção na mobilidade entre cidades durante a atual pandemia da COVID-19 e em futuras epidemias.

“Como, infelizmente, estima-se que poderão ocorrer novas ondas da epidemia no país, os dados do estudo podem ser um recurso para predizer quais cidades têm alta probabilidade de registrar novos casos e orientar ações preventivas”, afirma Santos.

Este texto foi originalmente publicado por Agência FAPESP de acordo com a licença Creative Commons CC-BY-NC-ND . Leia o original aqui .

Fonte: IG SAÚDE

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Saúde

O que se sabe até agora sobre cloroquina, defendida e usada por Bolsonaro

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BBC News Brasil

Presidente Jair Bolsonaro mostra comprimido de hidroxicloroquina
Reprodução/Facebook

Em vídeo, Bolsonaro afirmou que está fazendo tratamento com cloroquina


O interesse na hidroxicloroquina como medida preventiva e no tratamento de pacientes com coronavírus está em alta. Ao anunciar que contraiu o vírus , o presidente Jair Bolsonaro afirmou que tomou um derivado da droga , a cloroquina , junto com o antibiótico azitromicina para combater a infecção.


Já o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump , que não testou positivo para o vírus, disse ter feito uso do medicamento como medida preventiva.

Mas, apesar de alguns estudos iniciais aumentarem as esperanças sobre a droga, um estudo subsequente em larga escala mostrou que ela não é eficaz como tratamento para a Covid-19, a doença causada pelo novo coronavírus.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) interrompeu seus testes, alegando que o medicamento não reduz as taxas de mortalidade em pacientes com o vírus.

Para que serve a hidroxicloroquina?

A hidroxicloroquina tem sido usada há muito tempo para tratar a malária, bem como outras doenças, como lúpus e artrite.

Ela é usada para reduzir febre e inflamação, e havia esperança de que também poderia inibir o vírus que causa a Covid-19.

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Alguns estudos iniciais mostraram que a cloroquina pode reduzir a duração dos sintomas experimentados por pacientes com coronavírus, enquanto outros indicaram que ela não teve nenhum efeito positivo.

Um dos maiores estudos do mundo em andamento — o Recovery, realizado pela Universidade de Oxford, no Reino Unido — envolveu 11 mil pacientes com coronavírus em hospitais do país e incluiu testar a eficácia da hidroxicloroquina contra a doença, além de outros tratamentos em potencial.

A conclusão foi que “não há efeito benéfico da hidroxicloroquina em pacientes hospitalizados com Covid-19” e o medicamento acabou retirado do experimento.

Existem mais de 200 outros estudos atualmente em andamento em todo o mundo.

Por que as drogas se tornaram tão controversas?

A promoção da droga por figuras políticas importantes, como Trump, fez com que a hidroxicloroquina e sua derivada, a cloroquina, se tornassem objeto de ampla especulação online sobre seus possíveis benefícios e efeitos nocivos.

Isso gerou uma alta demanda por esses medicamentos e sua escassez global.

Seu uso também dividiu a comunidade científica.

Experimentos em todo o mundo foram temporariamente descontinuados quando um estudo publicado na revista científica The Lancet afirmou que a droga aumentava fatalidades e problemas cardíacos em alguns pacientes.

Os resultados levaram a Organização Mundial da Saúde (OMS) e outras entidades a interromper os testes por razões de segurança.

No entanto, a Lancet posteriormente retirou o estudo do ar quando se constatou que ele apresentava sérias deficiências.

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Como resultado, a OMS retomou seus experimentos.

Outros estudos analisaram o uso dos medicamentos como uma medida de prevenção contra a Covid-19.

A Unidade de Pesquisa em Medicina Tropical da Universidade de Oxford (Moru, na sigla em inglês) está conduzindo ensaios clínicos em massa. São 40 mil trabalhadores da linha de frente na Europa, África, Ásia e América do Sul, que receberam cloroquina, hidroxicloroquina ou placebo.

O professor Nick White, que lidera o estudo, disse: “A maioria dos especialistas concorda que há uma chance muito maior de benefício na prevenção do que no tratamento”.

Esse estudo acabou temporariamente suspenso após a divulgação das descobertas da pesquisa publicada na Lancet . Agora, pode recomeçar.

Ainda não houve resultados deste ou de outros estudos randomizados em andamento sobre os medicamentos como tratamento preventivo.

Quais são os efeitos colaterais da hidroxicloroquina?

Vários países autorizaram o uso hospitalar de hidroxicloroquina ou seu uso em estudos clínicos sob a supervisão de profissionais de saúde.

Em março, o Food and Drug Administration (FDA), a agência sanitária dos EUA, concedeu autorização “emergencial” para o uso desses medicamentos no tratamento da Covid-19 em número limitado de casos hospitalizados.

Porém, o órgão emitiu um alerta sobre o risco das drogas causarem  sérios problemas nos batimentos cardíacos de pacientes com novo coronavírus. Também proibiu o uso deles fora de um ambiente hospitalar ou de um ensaio clínico.

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E, finalmente em junho, o FDA retirou a droga de sua lista de medicamentos para o tratamento da Covid-19, alegando que os ensaios clínicos não mostraram benefício.

Também houve relatos de envenenamento por pessoas tomando cloroquina sem supervisão médica.

A OMS respondeu aconselhando as pessoas a não se automedicarem e “alertou contra médicos e associações médicas que recomendam ou administram esses tratamentos não comprovados”.

A França havia autorizado os hospitais a prescrever os medicamentos para pacientes com covid-19, mas mais tarde reverteu a decisão depois que o órgão de regulação de saúde do país alertou sobre possíveis efeitos colaterais.

Por que esses medicamentos ganharam tanto destaque?

Houve vários estudos pequenos na China e na França que alegaram que a hidroxicloroquina e a cloroquina poderiam beneficiar pacientes com coronavírus.

Mas foi quando o presidente Trump mencionou a droga pela primeira vez em uma entrevista a jornalistas no fim de março que ela atraiu atenções ao redor do mundo.

E, em abril, ele disse: “O que você tem a perder? Tome”.

Após as declarações do presidente americano, houve um aumento acentuado nas prescrições para hidroxicloroquina e cloroquina nos EUA.

Trump revelou em maio que  tomava hidroxicloroquina como medida de prevenção contra a Covid-19, mas depois disse que parou de fazer uso do medicamento.

Fonte: IG SAÚDE

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Saúde

Rússia encontra antiviral que impede reprodução do coronavírus

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remédio despejado em uma mão
Pixabay/TheDigitalWay

Mesmo que empresa confirme êxito, o estudo do Coronavir não foi publicado em periódicos científicos


Nesta quarta-feira (8), a empresa farmacêutica russa R-Pharm afirmou que conseguiu autorização governamental para vender o Coronavir,  remédio antiviral que inibe a replicação do novo coronavírus no organismo humano.


Segundo a empresa, o vírus deixa de ser replicado tanto em quadros leves quanto graves. As testagens em humanos foram iniciadas no mês de maio. Dos 110 casos participantes, 55% responderam da maneira esperada em uma semana.

O diretor médico da empresa, Mikhail Samsonov, afirmou à reuters que a reprodução do novo coronavírus para por conta de “uma efetiva obstrução da replicação do vírus”. No entanto, a pesquisa da equipe russa não foi publicada por revistas científicas que comprovam que o medicamento é eficaz contra a Covid-19.

Além do Coronavir, o país testa atualmente o Avifavir. Ambos os antivirais tem base de favipiravir, que chegou a ser estudado na China e no Japão, mas não é comercializada principalmente pela possibilidade de causar má formação de embriões.

No Brasil, ambos os remédios testados em território russo não são comercializados.

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Fonte: IG SAÚDE

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Saúde

Covid-19 pode causar danos cerebrais em pacientes leves e graves

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desenho ilustrativo de um cérebro
FreePik

Pesquisadores descobrem que casos leves também podem apresentar danos cerebrais


Pesquisas recentes da University College London (UCL) indicam que a Covid-19 , doença transmitida pelo novo coronavírus, pode trazer impactos severos para o cérebro . Essa sequela pode ser manifestada tanto em casos graves quanto leves.


Foram analisadas 43 pessoas que foram internadas em decorrência da Covid-19, seja confirmada ou suspeita. Desses, 12 apresentavam inflamação no cérebro, dez tiveram disfunção cerebral, oito derrames e oito apresentavam lesões nos nervos.

Além dessas sequelas, os pacientes ainda podem sofrer alucinações, delírios e acidente vascular cerebral (AVC), que podem ser fatais.

Segundo Michael Zandi, do Queen Square Institute of Neurology da UCL, o número de pacientes com problemas cerebrais decorrentes da Covid-19 está bem acima do esperado. No entanto, seu colega, Ross Paterson, afirma que, já que a doença é muito recente, não há como saber quais são os donos em um prazo maior de tempo.

“Os médicos devem estar cientes dos possíveis efeitos neurológicos, pois o diagnóstico precoce pode melhorar os resultados sobre a saúde do paciente”, afirmou Paterson.

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No entanto, os pesquisadores ressaltam que sintomas cerebrais não devem ser apresentados em grande escala.

Fonte: IG SAÚDE

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