Economia

Com 70% de inadimplência, faculdades em SP evitam reduzir as mensalidades

Publicado


source

A pandemia do novo coronavírus (Sars-coV-2) provocou um crescimento de mais de 70% de inadimplência nas universidades privadas, segundo o Sindicato de Entidades Mantenedoras de Ensino Superior (Semesp). Sem trabalho ou com rendimentos reduzidos, alguns estudantes atrasaram as mensalidades ou até já abandonaram os cursos.

Leia também:  São Paulo passa de 6,4 mil mortes e 86 mil casos de Covid-19

PUC-SP
Divulgação

PUC-SP é uma das faculdades impactadas pela inadimplência

Leia também:  São Paulo passa de 6,4 mil mortes e 86 mil casos de Covid-19

Na internet, alunos se organizam para cobrar melhores condições de pagamento dos débitos, melhorias no conteúdo programático e redução do valor das mensalidades argumentando que disciplinas presenciais foram convertidas para o regime EAD e que suas rendas foram afetadas pela pandemia de Covid-19.

Leia também:  São Paulo pode chegar a 265 mil casos de Covid-19 no fim de junho

De frente a uma realidade inesperada, Maria Falcone, estudante e presidente do Centro Acadêmico da FEA, da PUC-SP, uniu forças a outras chapas, como a de direito e a de medicina, que compartilham das mesmas dificuldades , para criar a campanha “Reduz PUC”.

No Instagram , o perfil da campanha coleciona histórias de estudantes com problemas, seja para contactar a universidade, com dificuldades financeiras e até com reclamações sobre a qualidade do ensino, que supostamente teria caído.

“Meu pai e eu desempregados, minha mãe com o salário reduzido em 70%. Eles me mandaram um e-mail da rematrícula, que só será possível pagando os débitos. Agora me diz, como vou conseguir pagar isso?”, relatou um estudante, no perfil do “Reduz PUC”, que preferiu não se identificar.

De acordo com Maria Falcone, tentativas de diálogo com a universidade não faltaram. “Levantamos propostas e soluções para a Fundasp (mantenedora da PUC) e para a reitoria”, afirma.

“Passaram-se semanas e até agora não recebemos resposta. Ou seja, tem gente passando necessidade sem saber se no mês seguinte estará cursando o ensino superior que desejou a vida toda ou se vão ter que abrir mão disso porque estão sem dinheiro para comprar o mínimo, para se manter em casa”, acrescenta.

Faculdade de Belas Artes
Divulgação

Alunos da Faculdade Belas Artes aderiram ao protesto

Assim como os estudantes da PUC-SP, alunos de outras instituições aderiram ao protesto. Nas redes sociais é possível encontrar inúmeros perfis semelhantes ao “Reduz PUC”, como o “Reduz Belas Artes” e o “Reduz Mackenzie”.

Veja Mais:  Líder do MBL criou estratégia para não pagar impostos, diz Receita

Pedro Aguiar, estudante de Publicidade e Propaganda da Belas Artes, disse que criou o movimento “Reduz BA” junto de amigos para unificar as reclamações dos alunos e repassá-las de forma mais coesa a universidade.

Diferente do ocorrido na universidade católica, porém, Pedro afirma que a iniciativa resultou em uma reunião com membros da coordenação da Belas Artes, onde os representantes argumentaram a proposta e relataram a existência de uma análise caso a caso.

“Eu fiz um pedido de redução , mas só o que me ofereceram foi um desconto de 50% na mensalidade de junho, porém, no próximo semestre eu teria que pagar os outros 50% parcelado em até seis vezes”, revelou.

Já no Instituto Presbiteriano Mackenzie , a realidade é similar. Beatriz Lima, estudante de direito e co-fundadora do “Reduz Mackenzie”, relatou: “São três meses sem ir à universidade, sem desfrutar do que o campus pode fornecer. Muitos cursos demandam necessidade de laboratórios e as pessoas não estão tendo essas aulas. Sabendo disso, não achamos justo a universidade cobrar o valor integral”.

Procurada pelo Portal iG , a assessoria do Mackenzie alegou que não haverá redução da mensalidade, pois a instituição está honrando com contratos de professores e colaboradores, além de manter a qualidade do ensino.

“Não existe a possibilidade genérica de haver redução nos pagamentos das mensalidades. Estamos sob regime de excepcionalidade e, embora assim, mantendo todo o conteúdo programado para o ensino” iniciou o comunicado.

faculdade Mackenzie
Divulgação

Mackenzie afirma que não pretende diminuir as mensalidades

Entretanto, a instituição mostrou-se aberta para dialogar sobre os débitos dos discentes: “Estamos, sim, abertos à toda comprovada dificuldade dos alunos que nos procurarem. Para cada caso, iremos buscar uma solução negociada que atenda o aluno e/ou responsável realmente necessitado sem prejuízo à evolução do seu histórico acadêmico”, completou.

Veja Mais:  Banco do Brasil amplia limite de crédito para pequenas empresas em R$ 1,24 bi

Segundo Beatriz, do Mackenzie, assim como na Belas Artes, a universidade oferece apenas um parcelamento da mensalidade, o que para ela não parece viável.

“Acreditamos que isso vai causar um endividamento a longo prazo, pois vai chegar um momento que família estará pagando a mensalidade parcelada e a regular, ou seja, vai virar uma bola de neve”, afirma a estudante.

Uma recente pesquisa realizada pelo Sindicato das Entidades Mantenedoras de Ensino Superior (Semesp) aponta que 484 mil estudantes no País devem terminar 2020 fora das instituições privadas.

Para Maria Falcone, da PUC, isso já é uma realidade. “Uma quantidade considerável de alunos trancaram matérias e matrículas para poder aliviar o valor da mensalidade, muitos relataram ainda ter interesse em trancar. Outros que têm intenção de se rematricular, mas não podem por estarem inadimplentes”, comenta ela.

Uma luz no fim do túnel

Leci Brandão
Divulgação

A cantora Leci Brandão começou sua carreira política em 2004


Foi publicado em março no Diário Oficial, um projeto de lei da deputada estadual Leci Brandão (PCdoB-SP), que prevê a redução da mensalidade em 33,3% nas universidades privadas, garantia de rematrícula mesmo em inadimplência e a impossibilidade de juros nos pagamentos de mensalidades.

O projeto é voltado para estudantes do ensino superior e de pós-graduação e é válido durante o Plano de Contingência do Estado de São Paulo para Infecção Humana pelo novo coronavírus (Sars-coV-2), ainda sem data de término.

“O PL foi protocolado pela deputada Leci Brandão, em parceria com a UEE-SP, e visa proteger os estudantes durante a pandemia e evitar a evasão universitária” observou Caio Yuji, presidente da União Estadual dos Estudantes de São Paulo (UEE-SP).

Veja Mais:  Política ambiental de Bolsonaro já prejudica empresas brasileiras e a economia

Para se tornar lei, o projeto da deputada tem um longo caminho, tendo que passar por duas comissões, ser votado e, por fim, aprovado pelo Executivo.

Além de São Paulo

Fora da cena paulistana, no Rio de Janeiro, o Procon-RJ ingressou com uma ação civil pública contra a Universidade Estácio. Com mais de 300 reclamações feitas por alunos de medicina, a empresa foi uma das quatro faculdades notificadas pelo órgão, porém se recusou a apresentar a planilha de custos.

Com o resultado favorável ao público, a Justiça determinou que a universidade aplique uma redução de 15% sobre o valor das mensalidades referentes aos cursos presenciais a partir de abril de 2020.

Além da Estácio de Sá, as universidades Veiga de Almeida, Unigranrio e Cândido Mendes também foram notificadas pelo Procon-RJ. A autarquia aguarda a chegada de novos esclarecimentos destas empresas para trabalhar de forma a solucionar as demandas. Em São Paulo, o Procon ainda não têm registro de ações civis.

Leia também:  Pesquisadora alerta que Covid-19 é apenas “ponta do iceberg”

Procuradas pela reportagem do Portal iG , até a publicação desta matéria as assessorias da PUC-SP e da Belas Artes não responderam.

Confira a nota do Mackenzie na íntegra:

“Não existe a possibilidade genérica de haver redução nos pagamentos das mensalidades. A Instituição está honrando com todos os contratos com seus professores, colaboradores e fornecedores. Estamos sob regime de excepcionalidade e, embora assim, mantendo todo o conteúdo programado para o ensino. Nosso comprometimento é garantir a qualidade e a quantidade do ensino (conteúdo programático e dias letivos determinados pelo MEC), incluindo ao longo do semestre seguinte aulas em períodos alternativos, de modo a cumprir a grade acordada com cada aluno quando contratou nossos serviços educacionais.

Estamos, sim, abertos à toda comprovada dificuldade dos alunos que nos procurarem. Para cada caso, iremos buscar uma solução negociada que atenda o aluno e/ou responsável realmente necessitado sem prejuízo à evolução do seu histórico acadêmico. Temos um Setor de Atendimento Financeiro ao Aluno que está sempre aberto a ouvir e apresentar soluções para cada específica situação financeira apresentada”, Instituto Mackenzie.

Comentários Facebook

Economia

Líder do MBL criou estratégia para não pagar impostos, diz Receita

Publicado


source
protesto fora dilma paulista
Creative Commons

Protestos na Avenida Paulista foram puxados pelo MBL e outros movimentos populares

Ao determinar a prisão de dois empresários supostamente envolvidos com o Movimento Brasil Livre (MBL) , o juiz Marco Antonio Vargas disse que a família de Renan Santos, líder do movimento, comprou empresas perto de falência para fugir do pagamento de impostos e lucrar às custas dos consumidores.

O juiz, no entanto, impediu a suspensão das atividades econômicas de ambos os ligados ao MBL , que havia sido solicitada pelo Ministério Público, porque a pandemia “exige a preservação de empregos e a viabilização de exercício de atividades laborativas lícitas”.

A Receita Federal afirmou, no pedido de prisão dos empresários, que a família de Renan Santos , um dos principais nomes do MBL, adotou um esquema para lucrar às custas dos consumidores ao evitar pagar impostos .

renan santos mbl
Reprodução/YouTube

Renan Santos, líder do MBL, criou estratégia para comprar empresas perto de falência para não pagar impostos

“Eles não declaram nem pagam os tributos, e com isso enriquecem com a apropriação indevida dos tributos pagos pelos consumidores finais”, diz o pedido de prisão. Segundo a Receita, esse é o “segredo do sucesso” dos empresários ligados ao MBL.

Veja Mais:  Líder do MBL criou estratégia para não pagar impostos, diz Receita

A operação que prendeu os empresários, batizada de “Júnior Moneta”, investiga fraudes e desvios de até R$ 400 milhões . Apesar da ligação entre os presos e o MBL, o MP afirmou que os desvios até o momento não são da alçada política, e sim envolvendo empresas ligadas aos presos.

Comentários Facebook
Continue lendo

Economia

Senado avalia MP sobre regras trabalhistas; veja o que pode mudar

Publicado


source
senadores em reunião
Leopoldo Silva/Agência Senado

Relator da MP 927, o senador Irajá (PSD-TO) se disse aberto ao consenso e lembrou que o texto perderá a validade no 19 de julho

Foi adiada para a próxima semana a votação da Medida Provisória 927, que altera as regras trabalhistas durante o período da pandemia de Covid-19 para evitar demissões. O adiamento se deu após as manifestações de vários líderes, que apontaram a necessidade de mais tempo para discutir mudanças no texto.

Entre as alterações estabelecidas pela MP 927/2020 estão a possibilidade de teletrabalho, a antecipação de férias e de feriados e a concessão de férias coletivas. O texto precisa ser votado até o dia 19 de julho, ou perderá a validade. 

Logo no início da discussão, o senador Weverton (PDT-MA), que presidia os trabalhos, afirmou que, apesar do empenho por um consenso e da disposição da presidência, que concedeu mais dias para a discussão, não havia sido possível chegar a um acordo. Senadores de diferentes partidos se manifestaram a favor do adiamento.

Apesar de reconhecer o esforço do relator, senador Irajá (PSD-TO),  para aperfeiçoar o texto, o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), disse considerar a medida impossível de ser melhorada, porque parte do objetivo de subverter as relações de trabalho.

Para o senador, o governo se aproveitou de uma situação excepcional para aprovar mudanças permanentes, como a prevalência dos acordos individuais sobre os coletivos.

— O governo faz o seguinte: se aproveita da condição da calamidade pública, pega uma carona com o vírus — esse é um caso clássico de aliança entre o governo e o vírus — e aproveita para fazer uma reforma trabalhista mais radical. Nós da oposição aceitamos debater, mas aceitamos debater em tempos normais — disse o senador, líder da Rede.

Veja Mais:  Líder do MBL criou estratégia para não pagar impostos, diz Receita

O líder do Podemos, senador Alvaro Dias (PR), afirmou que não se pode punir os trabalhadores, especialmente, na situação pela qual o país passa.

Ele lembrou que os empregados são a parte mais frágil das relações trabalhistas. Apesar de classificar como “brilhante” o trabalho do relator,  ele também pediu o adiamento.

— Nós temos que ter o maior cuidado, evitar o oportunismo. Votar medida provisória que diz respeito a relações trabalhistas me parece uma imprudência que só se admite porque estamos num estado de calamidade pública, mas é preciso preservar a parte mais frágil na relação capital e trabalho — alertou.

Irajá disse ter trabalhado para produzir um relatório equilibrado e responsável, que aperfeiçoasse o texto. O relator se mostrou disposto a trabalhar por um consenso, mas pediu aos colegas empenho para que a matéria seja votada no início da próxima semana

— Eu não posso me omitir em relação a essa preocupação, que é o prazo. Nós sabemos que essa MP vai caducar na semana que vem, no dia 19, um domingo. A Câmara teria até quinta-feira da semana que vem para apreciar essa medida provisória e votar os ajustes que a gente pacificar aqui. Quero fazer esse apelo para que a gente possa ter o cuidado com o prazo e pautar a votação para segunda-feira ou no máximo terça-feira para que haja tempo hábil de a Câmara votar — afirmou o relator.

O senador alertou que a perda do prazo de validade da medida pode significar um prejuízo ao país e aos trabalhadores, que correm o risco de desemprego.

Acordos coletivos

Um dos pontos da medida mais criticados pelos senadores é a prevalência dos acordos individuais sobre os coletivos. Pelo texto essa relativização valerá apenas no período de calamidade pública. Para o senador Paulo Paim (PT-RS), a mudança é negativa porque os acordos individuais são negociados em desequilíbrio entre as partes, o que sempre vai trazer prejuízos ao trabalhador.

— Vocês sabem como é o acordo individual. Quem tem a força não é o empregado que está ali rezando pelo seu emprego; é quem tem a caneta para demitir e demitir — criticou.

Veja Mais:  Covid-19: Senado aprovou indenização a profissionais da saúde

O líder do PT, senador Rogério Carvalho (SE), concorda. Para ele, o governo tenta sucessivamente retirar direitos trabalhistas. O líder disse considerar perigosa a prevalência dos acordos individuais sobre os coletivos, porque diminui força da representação sindical e, consequentemente, a força dos trabalhadores para negociar condições de trabalho.

 — Já é uma sanha, já virou uma série, porque em toda medida provisória que tem esse conteúdo o governo tenta retirar, diminuir e, principalmente, o mais grave, enfraquecer o trabalhador na relação com o contratante, o empregador. Acho que é preciso que a gente tenha mais tempo para fazer esse debate — declarou.

A líder do Cidadania, senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA), lembrou que as flexibilizações da lei durante o estado de calamidade pública servem justamente para proteger a população, e não o contrário.  

— O que nós temos agora? Nós temos, no meio desta pandemia, uma proposta que tem como um dos pontos a desconstrução de um arcabouço legal que foi criado para proteger o trabalhador, regular as relações de trabalho e criar o direito processual do trabalho — criticou.

Parcelamento

Outro ponto que gerou manifestações dos senadores foi a possibilidade de parcelamento de débito trabalhistas por até 60 meses, vista por críticos como uma forma de o trabalhador financiar o empregador.  

O líder do PL, senador Jorginho Mello (SC) elogiou a disposição do relator e reconheceu que mudanças nas leis trabalhistas são sempre difíceis. Ele também se manifestou a favor de um tempo maior para a discussão e demonstrou preocupação com o parcelamento dos valores devidos aos trabalhadores demitidos.

O líder do PSB, senador Veneziano Vital do Rêgo (PB), apontou inconstitucionalidades no texto e disse que o partido não se sentia à vontade para votar a favor da medida. Um dos pontos sobre os quais o senador demonstrou preocupação foi o do parcelamento dos débitos trabalhistas.

Veja Mais:  INPC sobe 0,30% em junho, diz IBGE

—  Não é esse o encaminhamento, não é essa a melhor forma. Nós não podemos nos valer de uma situação tão gravosa e tão delicada para impingir, para impor a tantos e tantos milhares de pessoas prejuízos inomináveis — argumentou.

O líder do PSL, senador Major Olimpio (PSL-SP), afirmou que, sem o parcelamento dos débitos trabalhistas, os trabalhadores podem ficar sem receber os valores a quem têm direito, porque as empresas estão fechando sem ter condições de pagar. Ele lembrou que a medida perde a validade no dia 19 de julho e disse esperar que o adiamento não tenha como resultado a invalidação da medida pela perda do prazo.

— Se não votarmos durante a semana, se isso for simplesmente uma medida protelatória, eu vou ser voto vencido, mas gostaria até de discutir e votar. Fazer com que a medida caduque eu não acho que é o melhor caminho para o Brasil neste momento — disse.

Trabalho

O trabalho de Irajá foi elogiado pela maioria dos senadores que se manifestaram. O líder do Republicanos, senador Mecias de Jesus (RR), concordou com o adiamento, sendo a vontade da maioria, mas se disse pronto para votar o texto, que, na sua opinião, foi aperfeiçoado pelo relator.

— Como todos já falaram aqui, ele fez um trabalho excepcional, melhorou muito a matéria, fez um trabalho possível, conversando com todos os lados. Essa medida provisória traz ganho para ambos os lados, portanto, deixar de votá-la é também um prejuízo — declarou.

Ao concordar com o adiamento, o líder do PSD, senador Otto Alencar (BA), afirmou que o texto precisa ser mais discutido, mas lembrou que a aprovação  pode garantir a manutenção de empregos. Para ele, é preciso compatibilizar a garantia do emprego, as garantias trabalhistas e a manutenção das empresas.

O líder do DEM, senador Rodrigo Pacheco (MG), também concordou com o adiamento, mas disse esperar que a votação se dê na próxima semana e afirmou que a aprovação do texto é importante para o país.

Comentários Facebook
Continue lendo

Economia

Política ambiental de Bolsonaro já prejudica empresas brasileiras e a economia

Publicado


source
desmatamento amazônia
Divulgação/Imazon

Desmatamento na Amazônia foi o pior em cinco anos no mês de junho

A política ambiental do governo de Jair Bolsonaro, pautada na prática pelo antiambientalismo, além de  prejudicar a imagem do Brasil no exterior e causar ameaças de boicotes ao País , já afeta diretamente as empresas brasileiras, a economia e, no fim das contas, os consumidores, que podem acabar pagando pelo descaso com a Amazônia tanto na questão monetária quanto sofrendo os efeitos do desmatamento no clima e na saúde.

Um grupo de 36 empresas, composto por grandes exportadores de variados setores da economia, se articula para demonstrar ao governo Bolsonaro seu temor a respeito das ameaças de perdas internacionais e os boicotes já experienciados, segundo relatos à Folha de S.Paulo . Alguns empresários relacionam sua perda de receita neste ano com investidores “fugindo” do Brasil.

O governo até sinalizou preocupação recentemente ao promover  encontro do vice-presidente Hamilton Mourão (PRTB) com investidores nesta sexta-feira (10), mas o posicionamento negacionista em relação ao desmatamento segue dando o tom. Mourão minimizou o desmatamento e o veto de Bolsonaro a projeto que visava garantir água potável, cestas básicas e materiais de higiena a indígenas porque, segundo o vice-presidente, “indígena se abastece dos rios” .

Veja Mais:  Líder do MBL criou estratégia para não pagar impostos, diz Receita

Na prática, portanto, o governo demonstra preocupação com as perdas econômicas, mas não parece realmente disposto a adotar política ambiental menos nociva e, de fato, ouvir as queixas e ameaças de boicotes.

Outro ponto que depende de uma postura mais firme do governo federal no combate ao desmatamento é o acordo entre Mercosul e União Europeia (UE) , cujas negociações estão interrompidas, segundo o presidente da França, Emmanuel Macron , justamente por conta do desmatamento no Brasil. A primeira reação do alto escalão foi, em vez de minimizar, inflar os ânimos da discussão. O ministro da Economia,  Paulo Guedes, chamou Macron de “oportunista” e defendeu que Macron queria, na verdade, proteger o setor agrícola europeu. Ele aproveitou a ocasião ainda para atacar os Estados Unidos, um dos principais parceiros comerciais do Brasil.

Além das ameaças internacionais de boicote, os efeitos práticos já sentidos, segundo empresários, e a adoção da mesma postura de sempre, os dados também são assustadores. Em junho, o desmatamento aumentou pelo 14º mês seguido. O Deter, programa que mede desmatamento na Amazônia  quase em tempo real, feito pelo Instituto Nacional de Pesquisas Especiais (Inpe), revela que, no último mês, mais de 1.000 km² foram destruídos, a maior área já registrada pelo levantamento, que começou em 2015.

Comentários Facebook
Continue lendo

Câmara Municipal de Rondonópolis

Rondonópolis

Polícia

Esportes

Famosos

Mais Lidas da Semana