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‘Dor e queimadura’, diz primeiro brasileiro com varíola dos macacos

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'As bolhas no corpo doem como queimadura', diz 1º brasileiro com a varíola dos macacos transmitida no país
Reprodução/Montagem iG 25.5.2022

‘As bolhas no corpo doem como queimadura’, diz 1º brasileiro com a varíola dos macacos transmitida no país

Meus primeiros sintomas começaram há 14 dias. Cheguei em casa à noite e comecei a sentir uma dor muito forte nas costas. Pensei até que era de ter ficado o dia inteiro de pé.

Acordei umas cinco vezes durante a madrugada ensopado. Percebi que estava ardendo em febre. Medi a temperatura: 39°C. Tomava remédio, mas nada abaixava ou diminuía a febre. Percebi que tinha algo de errado.

No dia seguinte, fui ao meu médico. Ele me examinou e percebeu uma pequena erupção, que parecia uma espinha debaixo dos pelos da barba, bem perto do pescoço. Ele me perguntou o que era aquilo e eu falei que havia aparecido junto. Enquanto ele observava cada ponto do meu corpo encontrou outras na região do peito, braço e coxa.

Áreas em que eu tenho muito pelo, como tenho facilidade para encravar, achei que era apenas casos de pelos encravados, mas nunca pude imaginar que seria algo mais sério ou que poderia ser essa varíola que estamos escutando há alguns dias.

Meu médico pediu para eu fazer exames e me avisou que suspeitava que fosse a varíola. Ele pediu para eu ir direto ao Instituto de Infectologia Emílio Ribas, lugar onde estava fazendo o exame para o diagnóstico da varíola dos macacos. Quando cheguei lá, veio o primeiro choque.

Eu apenas dei o meu nome completo e a enfermeira deu um grito. Começou a falar para todo mundo que eu havia chegado, pessoas de máscaras me acompanharam até um quarto afastado, todos tinham o maior cuidado de chegar perto de mim, ou encostar em mim.

Me senti como no início da pandemia de coronavírus, quando as pessoas tinham medo de chegar perto das outras, não podia falar um “A”, para conhecidos, se tossisse então, era sentença de morte. Eu me assustei e tive até vergonha em falar o meu nome.

Os enfermeiros me levaram em direção a uma porta. Assim que eu entrei, eles pregaram um papel escrito “sujo”. Fiquei constrangido com isso. Apesar de ninguém saber sobre a doença, os níveis de contágio, não vou mentir que fiquei um pouco mal com a palavra.

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Me fecharam nesta sala, que parecia um consultório médico. Tinha uma maca, uma mesa com uma cadeira e um lixo escrito infectado. A cada dez segundos uma cabeça diferente aparecia na janela de vidro da porta. Era algum funcionário do hospital que queria ver quem era o paciente com suspeita de varíola.

Minhas erupções, quando estão com as bolhas, doem muito por si só. A dor é tanta, que eu não conseguia levantar o braço para colocar uma camiseta, para se ter uma ideia. Elas doem como se fossem uma queimadura. Parece que seu corpo está queimando em diversas partes. E ainda por cima, arrancam uma parte do seu tecido, bem ali onde há essa queimadura. É muito invasivo e dolorido. Apesar de ser necessário, é muito ruim.

Os enfermeiros disseram que o exame ficaria pronto em 48 horas e mandaram eu ir direto para casa. Só pediram para eu entrar em isolamento e apenas sair de casa depois do exame negativo.

Desde então estou em casa já vai fazer mais de duas semanas. Meu médico me ligou no dia seguinte com o resultado positivo do exame. Fiquei em estado de petrificação. Milhares de perguntas surgiram na minha cabeça. Mas a primeira pergunta que eu fiz para ele foi: “eu vou morrer, doutor?”.

Ele tentou me tranquilizar e, acima de tudo, me acalmar. Disse que eu não corria risco de vida, mas que a doença é nova para todo mundo e que apesar de não ter um tratamento, ou um remédio específico, que a gente teria que controlar a minha febre, minha dor e que o meu corpo iria dar conta de fazer o resto.

Os médicos não conseguiram rastrear as pessoas que tiveram contato comigo recentemente, até porque eu tinha ido a uma festa no dia em que surgiram os sintomas. Mas consegui avisar aos amigos mais próximos que em qualquer sintoma aparente para procurar um médico. E coloquei em minhas redes sociais também, que quem estava na festa, e teve contato comigo, se começasse a sentir algum sinal diferente, para procurar um médico.

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Passei cerca de uma semana com febre entre 39 e 40°C. Acredito que os piores momentos foram esses, pois eu não sabia se eu melhoraria ou pioraria. Apesar do sol que fazia do lado de fora do apartamento, eu só conseguia ficar debaixo das cobertas, agasalhado, morrendo de frio, mas meu corpo suava, eu precisava trocar de roupa a todo momento.

Falava com o meu médico todos os dias, praticamente todas as horas indagando se era melhor eu ir ao hospital, me internar, se eu estava piorando, se aqueles sintomas eram normais. Eu que era supertranquilo, acabei estimulando minha ansiedade em níveis extremos.

Eu já tinha pegado Covid. A varíola dos macacos incomoda, mas é muito mais branda e tranquila e parece que não vou ter sequelas, como eu fiquei com a Covid. Fiquei praticamente três meses sem sentir o sabor de nada. Uma das coisas mais difíceis, sem dúvida, foi falar com a minha família.

Quando contei para o meu pai, ele passou mal, começou a chorar loucamente. Achou que eu morreria. Minha mãe, é a mais forte, ligava para ela quando estava com medo extremo. Ela me acalmava, apesar das preocupações.

O único sintoma que ainda persiste é a coceira. Com os machucados secando, começa uma coceira que eu nunca senti igual. É agoniante. Preciso tomar um remédio para parar a coceira, que é um antialérgico e me dá muito sono, o que acaba sendo bom, porque eu durmo e não sinto a coceira.

Tenho vontade, as vezes, de amarrar minhas mãos na tentativa de parar de coçar porque eu acabo me machucando. Mas isso é bom, segundo o médico, significa que os machucados estão cicatrizando e que o meu corpo já está na fase final da doença.

Agora, passados quase 14 dias, posso dizer que eu estou melhorando. Faz praticamente três dias que não sinto febre, minhas dores no corpo passaram e os machucados no corpo estão cicatrizando. Mas ainda não posso sair de casa ou ter alta. Isso apenas quando todas as erupções sumirem. A perspectiva é que eu seja liberado por volta do dia 9 de julho, mas ainda é cedo para afirmar com certeza.

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O que fico muito chateado e que acaba me machucando são os ataques que eu acabo recebendo pelas redes sociais por causa do vírus. São pessoas mal-informadas, que não procuram ler sobre a doença e atacam sem medir esforços, sem lembrar que do outro lado existe um ser humano. Estou em um momento superdelicado, frágil. Estou sozinho em casa há mais de 14 dias sem ter contato com ninguém. Sem saber se eu iria melhorar, piorar, com medo da morte, e as pessoas não têm o mínimo de sensibilidade.

Recebi comentários baixos, homofóbicos. Um deles era: “usa camisinha”, como se o vírus fosse uma doença sexualmente transmissível. Não acho que vale a pena falar sobre a minha orientação sexual aqui, porque não foi em razão disso que eu peguei a doença. Eu sou DJ, trabalho em diversas festas, encontro com várias pessoas. Esse vírus se transmite no ar, pelo cumprimento, pela saliva, não é apenas pelo sexo. É importante que as pessoas entendam isso antes de irem às redes sociais para apenas destilar ódio.

Não me sinto confortável em pronunciar. Não é por causa de sua sexualidade que você vai pegar isso. A internet não é uma terra sem lei. Eu ainda não cheguei a pensar no que vou fazer a respeito desses comentários no futuro, pois estou focado agora na minha recuperação, na minha melhora. Mas eu não vou deixá-los de lado.

Talvez eu procure a polícia, mais para frente, mas agora quero me abster deles, focar apenas nos comentários positivos, de força. Daqueles que realmente torcem por mim. Acho que isso é o mais importante neste momento.

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Covid-19: nova vacina da Ômicron é aprovada pela primeira vez

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Covid-19: nova vacina da Ômicron é aprovada pela primeira vez
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Covid-19: nova vacina da Ômicron é aprovada pela primeira vez

A Agência Reguladora de Medicamentos e Produtos de Saúde do Reino Unido (MHRA) aprovou nesta segunda-feira a primeira versão atualizada da vacina contra a Covid-19. O imunizante, desenvolvido pela farmacêutica Moderna, é chamado de bivalente. A formulação oferece proteção tanto contra a cepa original do Sars-CoV-2, descoberta em 2019, na China, como para a subvariante BA.1 da Ômicron, identificada no fim do ano passado na África do Sul.

Agora, o Comitê Conjunto de Vacinação e Imunização britânico (JCVI) precisa decidir se irá incorporar a nova vacina à campanha antes do próximo inverno, que começa em dezembro no Hemisfério Norte. É o primeiro país do mundo a dar o aval para uma versão atualizada do imunizante, em meio à prevalência de subvariantes da Ômicron que conseguem escapar com mais facilidade da proteção oferecida pelas vacinas originais.

“A primeira geração de vacinas contra a Covid-19 usadas no Reino Unido continua a fornecer proteção importante contra a doença e a salvar vidas. O que esta vacina bivalente nos dá é uma ferramenta afiada em nossa armadura para nos ajudar a nos proteger contra a doença à medida que o vírus continua a evoluir”, diz a chefe-executiva da MHRA June Raine, em comunicado.

Segundo a agência, a decisão foi baseada em dados de testes clínicos sobre a aplicação de um reforço com a vacina bivalente. Os resultados mostraram a indução de uma forte resposta imune contra a primeira subvariante da Ômicron, a BA.1, e a cepa original da doença, chamada de ancestral.

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Em uma segunda análise, o imunizante também apresentou uma boa resposta contra as sublinhagens BA.4 e BA.5 da Ômicron, que predominam hoje no mundo e têm uma capacidade maior de provocar reinfecções até mesmo aqueles contaminados pela BA.1 no início do ano.

“O vírus Sars-CoV-2 está evoluindo continuamente para evitar a imunidade fornecida pelas vacinas. Esta nova vacina bivalente representa o próximo passo no desenvolvimento de vacinas para combater o vírus, com sua capacidade de levar a uma resposta imune mais ampla do que a vacina original”, afirma o professor Munir Pirmohamed, presidente da Comissão de Medicamentos Humanos da MHRA.

O avanço das novas subvariantes da Ômicron levou inclusiva a Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora dos Estados Unidos, a pedir que as farmacêuticas que estão desenvolvendo versões atualizadas das vacinas, como a Pfizer/BioNTech e a Moderna, utilizem as BA.4 e BA.5 na formulação.

Embora o pedido tenha levado a Moderna a iniciar testes clínicos com uma segunda versão atualizada, focada nas duas sublinhagens, a farmacêutica afirma que a primeira candidata para a Ômicron, desenvolvida com base na BA.1 e agora aprovada no Reino Unido, também oferece proteção para as subvariantes emergentes.

Aplicada como um reforço, a nova vacina induziu uma produção de anticorpos oito vezes maior contra a Ômicron BA.1, diz o laboratório. Em relação a BA.4 e BA.5, o aumento foi de 6,3 vezes. Ambos foram significativamente superiores à melhor proporcionada pela formulação atual, acrescentou a Moderna.

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“Estamos muito satisfeitos com a autorização da MHRA da Spikevax Bivalent Original/Omicron, nossa vacina contra a Covid-19 de próxima geração. (…) Esta vacina bivalente tem um papel importante a desempenhar na proteção das pessoas no Reino Unido do COVID-19 à medida que entramos nos meses de inverno”, disse o CEO da Moderna, Stéphane Bancel, em comunicado.

A farmacêutica afirmou ainda que está trabalhando com as autoridades de saúde britânicas para disponibilizar o reforço para a população do Reino Unido. O laboratório também completou o processo de solicitação para um aval da nova vacina no Canadá, na União Europeia e na Austrália, e espera que novas autorizações sejam anunciadas nas próximas semanas.

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Apraxia de fala: estudo analisa transtorno pouco conhecido no Brasil

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Apraxia de fala: estudo da USP analisa transtorno pouco conhecido no país
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Apraxia de fala: estudo da USP analisa transtorno pouco conhecido no país

Um estudo inédito no Brasil desenvolvido pela Universidade de São Paulo (USP) faz o mapeamento genético de 100 crianças com apraxia de fala na infância (AFI) para identificar as alterações genéticas que levam ao transtorno, que ainda passa por muito desconhecimento no Brasil. A intenção é auxiliar em novas opções de tratamento no futuro.

A AFI é um transtorno que interfere na reprodução dos sons da fala. Segundo a fonoaudióloga e consultora técnica da Associação Brasileira de Apraxia de Fala na Infância (Abrapraxia), Elizabeth Giusti, a criança sabe o que quer dizer, mas o cérebro não envia os comandos adequados para movimentar os articuladores, a língua, os lábios e a mandíbula.

A pesquisa é uma iniciativa da Abrapraxia, entidade criada a partir da união de três mães que têm filhos diagnosticados com o transtorno e criaram uma rede de apoio, em 2016. Desde lá, a entidade já capacitou mais de 15 mil pessoas, entre fonoaudiólogos, terapeutas, pais e familiares, além de oferecer cursos regulares. Dados da entidade indicam que o transtorno, pouco debatido no Brasil, atinge duas a cada mil crianças.

O financiamento do estudo é da Abrapraxia, mas tem contrapartida da USP, que presta os atendimentos gratuitos. A professora titular de genética do Instituto de Biociências da USP, Maria Rita Passos Bueno, que coordena a área de genética do projeto, disse que na fase atual os resultados já são positivos.

“Os resultados estão muito promissores onde a gente está encontrando a caracterização genética em praticamente 50% da amostra. O estudo, além de confirmar alguns genes já sugestivos associados à apraxia de fala, também está possibilitando a identificação de novos genes candidatos para a apraxia de fala”, contou, informando que entre os 50% somente dois casos só tem apraxia de fala, nos outros casos há alguma outra alteração clínica como espectro autista, deficiência intelectual e convulsões.

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A previsão é encerrar esta fase do estudo até o fim deste ano, mas conforme a coordenadora, a intenção é continuar a avançar com o projeto, que ainda precisa de financiamento para uma nova etapa.

“A gente não vai conseguir resolver todas as perguntas com este projeto, que é inicial. No primeiro momento é caracterizar as alterações genéticas de apraxia de fala nesta casuística de crianças brasileiras. A segunda fase é resolver os casos que a gente não conseguir achar a causa genética”, afirmou.

Bruna Ribeiro é mãe de Gabriel, de 10 anos, uma das crianças que participam do estudo. Além da Apraxia, o filho foi diagnosticado com espectro autista, o que ocorre também com outras crianças com transtorno de fala. Bruna contou que Gabriel nasceu prematuro extremo com 29 semanas e até os três anos não tinha o diagnóstico de apraxia.

“Como teve atraso global motor, demorou a se sentar, a andar, ele não fazia as transições, eu sempre pensava que a fala viria. Mesmo ele balbuciando pouco, meu foco era sempre no atraso motor global. Eu nem imaginava, nem sabia que existia apraxia de fala”, revelou.

O diagnóstico veio quando a fonoaudióloga que trabalhava com o menino fez um curso realizado pela Abrapraxia em Goiânia, Goiás, e identificou o transtorno da fala no Gabriel.

“Até os quatro anos ele foi não verbal. Com quatro anos falou a primeira palavra. Falou Ana, que é o nome da minha sobrinha e afilhada. Hoje o Gabriel fala bem, não tem alguns sons, por exemplo, o r, o g, mas se faz entender”, comentou.

Capacitação

A doutora Elizabeth Giusti, chamou atenção para a necessidade de capacitar os profissionais da área, diante do desconhecimento sobre o transtorno no Brasil, que pode levar a um erro no diagnóstico e prejudicar o desenvolvimento da criança.

Segundo a fonoaudióloga, esse é um tipo de transtorno que se precisa manejar vários tipos de componentes para que a terapia dê resultado. Para isso, é fundamental ter uma criança muito motivada, porque é necessário transformar em prazeroso algo difícil para ela.

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“Se está exigindo da criança algo que é uma ferida dela, muito difícil, então, as terapias precisam ser motivadoras e criativas. Os profissionais precisam ser resilientes, porque não é um transtorno que em um mês já vai ver resultado. Não é só a técnica em si, mas tem toda uma questão de manejo da criança, do ambiente, de conseguir dar o desafio na medida certa. Se dá pouco não tira a criança do lugar, mas se dá demais frustra a criança, porque o que se está pedindo foi muito. Encontrar esse ponto de equilíbrio para dar à criança o desafio na medida certa, é algo que vai muito além de só a aplicação das técnicas. Esse olhar empático de entender o quanto aquele momento é difícil para a família e o quanto é desafiador para a criança”, pontuou.

Elizabeth Giusti recomendou ainda a estrutura de uma equipe multidisciplinar, incluindo terapeuta ocupacional e fisioterapeuta. “Com as dificuldades da fala (a criança) pode não conseguir interagir com os amigos e pode gerar comportamentos inadequados, ser, por um lado, uma criança inibida ou, por outro, querer morder os amiguinhos. É importante ter o olhar para a criança como um todo”, comentou, completando que é importante também que a equipe tenha contato com a professora porque é ela quem está lá em contato com a criança na escola todos os dias.

Apesar de a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) autorizar tratamentos completos com fonoaudiólogos, psicólogos, fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais, a mãe de Gabriel contou, que mesmo tendo uma liminar permitindo o tratamento, não consegue ter acesso a todos os profissionais por causa do seu tipo de plano de saúde.

“Tem uma liminar pelo plano mas não consigo fazer valer esse meu atendimento por conta da rede dos profissionais e pela disponibilidade que eles têm de horário. A rede credenciada deles é pequena e não consegue atender à demanda”, disse.

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Diagnóstico precoce

A fonoaudióloga alertou ainda para a importância do diagnóstico precoce para que a criança possa ter acesso ao tratamento adequado para o transtorno.

De acordo com ela, diferentemente do que ocorre com uma criança com desenvolvimento típico em que o aprender a falar é algo que acontece naturalmente pelos estímulos ao ter o contato das pessoas que estão ao redor, na criança com apraxia o aprendizado da fala não é algo natural.

“Precisa ser ensinado à criança como movimentar os articuladores para que ocorra essa produção de fala. O diagnóstico precoce significa acesso a tratamento adequado e suporte adequado para a família. Eu vejo que muitas crianças quando não têm acesso a esse diagnóstico precoce, muitas vezes acabam até sendo encaminhadas para outros tipos de tratamento, que não são os mais adequados para essa condição, o que acaba gerando frustração para a criança que vai crescendo. A percepção dela da dificuldade vai ficar cada vez maior. O que começa, por exemplo, com uma dificuldade para desenvolver a fala acaba gerando outras consequências no desenvolvimento, como baixa autoestima, dificuldade para se socializar com outras crianças”, concluiu.

Rede pública

Elizabeth Giusti diz que a Abrapraxia desenvolve cursos para profissionais e famílias de crianças com o transtorno e as informações podem ser obtidas no site.

A especialista acrescentou que desde a criação, em 2016, a associação tem um trabalho para atender famílias que não têm condição financeira para pagar o tratamento. A fonoaudióloga disse ainda que a associação oferece também cursos de formação para fonoaudiólogos e parte das vagas é destinada aos profissionais que trabalham no SUS.

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Covid-19: Governo não compra vacinas para crianças e já faltam doses

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Covid-19: Governo não compra para crianças e já faltam doses
Tânia Rêgo/Agência Brasil – 26/01/2022

Covid-19: Governo não compra para crianças e já faltam doses

Um mês após o Ministério da Saúde autorizar a aplicação de CoronaVac em crianças a partir de 3 anos, a pasta ainda não fechou contrato para comprar as vacinas contra a Covid-19 para o público infantil. E, sem imunizantes, ao menos Rio, Brasília, 11 municípios do Rio Grande do Norte e Itapira (SP) suspenderam a aplicação da primeira dose nesse público, indica levantamento do GLOBO. Já na Bahia, só 194 dos 417 municípios — menos da metade — registram aplicação do imunizante na faixa etária. Estados reclamam de falta de doses.

Nesse cenário, a vacinação do grupo ainda não engrenou, passado um mês. Números do LocalizaSUS, do Ministério da Saúde, mostram que 261.611 crianças de 3 e 4 anos receberam a primeira dose até a última sexta-feira no Brasil, das quais 3.168 completaram a vacinação com a segunda dose. O número de crianças que iniciaram a imunização representa apenas 4,67% da população estimada.

A falta de doses está espalhada. Os estados Espírito Santo e Pernambuco remanejaram doses de CoronaVac entre os municípios para imunizar a faixa etária e não interromper a aplicação. Ceará, por sua vez, disse que distribuiu apenas 10% dos imunizantes necessários para o grupo. Já o Maranhão informou que está com estoque insuficiente e pediu 400 mil doses à pasta. Das 27 unidades federativas consultadas pela reportagem, só Pará e Roraima responderam que dispõem de vacinas suficientes para atender a demanda. Ministério não informa

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Ao GLOBO, o Ministério da Saúde informou em nota que ainda “está em tratativas para aquisição do imunizante com maior celeridade, de acordo com a disponibilidade de entrega das doses pelos fornecedores”, sem informar detalhes. E, mesmo sem ter efetivado a compra, a pasta prevê receber os imunizantes a partir de setembro, mas não divulgou sequer a quantidade de doses a serem adquiridas.

A Saúde liberou a vacinação deste grupo em 15 de julho. No dia 25, o titular da pasta, Marcelo Queiroga, anunciou que o ministério iria adquirir as doses necessárias por meio do consórcio global Covax Facility, gerenciado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). A pasta, assim, preteriu o Instituto Butantan, que fabrica os imunizantes no Brasil e já se preparou para atender a esta faixa etária.

“O ministério deu uma resposta evasiva sobre o Covax Facility, mas sabemos que o consórcio não tem vacinas para oferecer na quantidade necessária para as crianças brasileiras. Nós temos o Butantan, mas o ministério não se mexe”, afirma o vice-presidente da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) e sanitarista da Fiocruz Brasília, Claudio Maierovitch.

Fabricante da CoronaVac no Brasil, o Instituto Butantan informou que poderia entregar vacinas à pasta para as crianças a partir do próximo mês. Ainda não há, porém, pedidos ou negociações em andamento.O Butantan importou o Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA), insumo essencial para produzir o imunizante, a fim de atender toda a faixa etária: como há cerca de 5,6 milhões de crianças de 3 e 4 anos no Brasil, seriam necessárias cerca de 11 milhões de doses, pois o ciclo contempla duas aplicações no intervalo de 28 dias.

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“O Butantan dialoga constantemente com o Ministério da Saúde e aguarda posicionamento oficial da pasta sobre as ofertas da vacina CoronaVac ao Programa Nacional de Imunizações (PNI)”, diz em nota. Dados do Sistema de Informação da Vigilância Epidemiológica da Gripe (SIVEP-Gripe), mostram que 4.415 crianças foram internadas por Covid-19 no Brasil, das quais 136 morreram de 26 de fevereiro de 2020 – data do primeiro caso registrado no país – a 31 de julho deste ano.

As estatísticas, que são as mais recentes disponíveis, foram extraídas pela Rede Análise Covid-19.

Inação do governo

No estudo “Government Inaction on COVID-19 Vaccines contributes to the Persistence of Childism in Brazil”, publicado na The Lancet, pesquisadores brasileiros criticam que a inação do governo federal no vacinação contra a Covid-19 tem afetado especialmente as crianças.

“O país está patinando na ampliação da vacinação em crianças. Não há realização, de fato, de campanhas de vacinação que mobilizam a sociedade. É algo inadmissível”, diz a epidemiologista da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) Alexandra Boing, uma das autoras do trabalho.

Maierovitch, da Abrasco, vê o governo ainda resistente à vacinação infantil, que foi explicitada quando o presidente Jair Bolsonaro defendeu divulgar os nomes dos diretores da Anvisa que permitiram a imunização do grupo:

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“O que mudou é a aparência: acho que o governo achou arriscado fazer declarações tão enfáticas quanto naquela época no período eleitoral, pois isso poderia roubar votos”.

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Fonte: IG SAÚDE

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ALMT – Campanha Fake News II

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