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Entram em vigor novas regras para renegociação extraordinária de dívidas com fundos constitucionais

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A renegociação tem como foco empréstimos contratados há, pelo menos, sete anos

Entrou em vigor nesta sexta-feira (11) a Lei 14.166/21, que permite a renegociação extraordinária de dívidas assumidas com fundos constitucionais do Norte (FNO), do Nordeste (FNE) e do Centro Oeste (FCO). O texto aprovado pela Câmara dos Deputados no dia 20 de maio foi sancionado pelo presidente Jair Bolsonaro com 14 vetos. A nova lei tem origem na Medida Provisória 1016/20.

Pelo texto, a renegociação a ser firmada com os bancos administradores dos fundos (Banco da Amazônia, Banco do Nordeste e Banco do Brasil) tem como foco empréstimos contratados há, pelo menos, sete anos e que tenham sido lançados no demonstrativo financeiro do fundo como prejuízo ou estejam lastreados em recursos de devedores duvidosos. Os descontos, cujos critérios e percentuais serão definidos em regulamento, serão concedidos por meio de abatimento para liquidação e de bônus de adimplência. O novo prazo de pagamento será de até 120 meses.

Parcelas em atraso poderão ser incorporadas ao total renegociado, mas os descontos, neste caso, não poderão reduzir o valor original da operação de crédito ou resultar em redução maior que 90% dos valores em reanálise. Renegociações anteriores rescindidas por descumprimento de cláusulas contratuais ou de condições acordadas não poderão ser repactuadas na forma da nova lei.

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Vetos
Um dos vetos impostos pelo presidente da República impede que o interessado possa solicitar a renegociação sempre que as condições previstas na nova lei sejam alcançadas. Na justificativa apresentada, Bolsonaro alega que isso “tornaria o mecanismo automático e o descaracterizaria como alternativa extraordinária, a ser implementada apenas em situações não amparadas por processos de renegociação já previstos”.

O presidente também vetou integralmente o trecho da proposta do Projeto de Lei de Conversão 4/21, que previa a concessão de prazos e formas de pagamento especiais para renegociações realizadas até 31 de dezembro de 2022. O veto impacta todos os segmentos de produtores rurais, desde agricultores familiares até grandes produtores, que poderiam ter descontos entre 60% e 90% para a liquidação da dívida.

O governo federal  sustenta que a medida “contraria o interesse público” e apresenta “risco potencial de incentivar a inadimplência”, comprometendo o “patrimônio dos fundos constitucionais, uma vez que não foi informado o impacto dos custos dessa medida”.

Honorários
Bolsonaro também vetou a previsão de incluir no saldo a ser renegociado o valor de honorários advocatícios equivalentes a 1% do total da dívida atualizada. A justificativa aponta que, ao incluir valor que não se refere aos custos contratuais originais, a medida também acabaria incentivando a inadimplência.

Juros
Outro trecho vetado previa a incidência sobre o saldo devedor não liquidado, a partir da data de repactuação, de encargos aplicáveis a novos créditos semelhantes aos originalmente contratados. Ao vetar o dispositivo, o Executivo argumenta que devem prevalecer, nesses casos, os encargos previstos no instrumento contratual mais recente e não os atuais praticados por instituições financeiras.

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“Se os juros atuais estiverem mais baixos, esse procedimento gerará benefício extra ao inadimplente em prejuízo do mutuário que pagou seu financiamento em dia”, diz a justificativa que acompanha o veto. Pelas mesmas razões, também foi vetada a possiblidade de substituição, apenas uma vez, de encargos de operações contratadas até 31 de dezembro de 2018 por encargos aplicados a novas operações.

A nova lei, no entanto, autoriza os bancos administradores dos fundos a realizar renegociações extraordinárias com substituição dos encargos contratados por encargos utilizados em novas operações desde que, para tanto, ocorra a substituição do titular da operação por terceiro ou ainda a alteração do controle societário direto ou indireto da empresa mutuária.

Exigências fiscais
Também por contrariar o interesse público, foi vetado o trecho que permitia a renegociação das operações de crédito com dispensa de algumas exigências ligadas à regularidade fiscal, como a apresentação do Certificado de Regularidade do FGTS (CRF). “O CRF é o único documento que comprova a regularidade do empregado perante o FGTS”, diz a justificativa.

Suspensão de carência
Por fim, o presidente Jair Bolsonaro vetou ainda a possiblidade de suspensão da contagem dos prazos de carência dos projetos financiados com recursos do FNO, do FNE e do FCO durante a vigência do decreto que estabeleceu, em 2020, o estado de calamidade pública no País em razão da pandemia da Covid-19 e da vigência de outras normas com o mesmo objetivo que sucedessem o decreto.

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Na avaliação do governo, ao não especificar quais outros diplomas legais de mesmo objetivo, a medida poderia suspender, de maneira irrestrita, os prazos de contagem de carência dos projetos vinculados aos fundos constitucionais.

Reportagem – Murilo Souza
Edição – Roberto Seabra

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Votação da privatização da Eletrobras fica para quinta; senadores avaliam adequação

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O Plenário do Senado recebeu nesta quarta-feira (16) o relatório do senador Marcos Rogério (DEM-RO) sobre a medida provisória que trata da desestatização da Eletrobras (MP 1.031/2021). O texto, que está a menos de uma semana de perder a validade, enfrenta resistências da maioria das bancadas. 

Como o relatório só chegou às mãos dos senadores no fim da tarde, a votação foi adiada para esta quinta-feira (17), a partir das 10h. Os parlamentares ainda poderão apresentar emendas e destaques até as 9h. Se o Plenário aprovar a MP com mudanças, ela vai precisar voltar para a Câmara dos Deputados.

Principal alvo da desconfiança dos senadores, acréscimos feitos na Câmara ao texto original da MP foram mantidos por Marcos Rogério. Esses trechos são considerados por muitos senadores como “jabutis” (sem relação direta com o assunto). Sua inclusão é uma das principais críticas do Plenário ao projeto.

Um deles é o dispositivo que obriga o governo federal a contratar, por 15 anos, energia gerada por usinas termelétricas para as regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. O relator adicionou à lista a região do Triângulo Mineiro. Marcos Rogério também manteve pontos que regulam leilões de energia e dispõem sobre obrigações das empresas estatais que precisarão ser criadas para a administração da usina de Itaipu e do setor de energia nuclear — que, por determinação constitucional, devem ficar sob controle da União.

Os parlamentares também apontam o risco de um aumento no valor das conta de luz nos próximos anos e ameaças à soberania energética do país. O formato escolhido para a proposta de desestatização — a medida provisória, que tem validade imediata e é reservada para assuntos urgentes — também desagrada.

Presidente da Comissão de Infraestrutura, o senador Dário Berger (MDB-SC) disse considerar que a MP não é oportuna no momento e não contém benefícios para o país. Ele destacou que a Eletrobras fechou o ano de 2020 com lucro líquido e tem “papel estratégico” no desenvolvimento econômico e social do país.

— Os últimos anos foram marcados por crises políticas e recessões econômicas no Brasil e no mundo inteiro. Será que é o momento adequado de privatizar uma empresa que responde por 33% da geração de energia elétrica [no Brasil] e por 43% de sua transmissão? Isso pode acarretar, inclusive, a criação de um oligopólio.

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Outro problema destacado pelo senador seria o efeito da privatização sobre o controle dos reservatórios das usinas hidrelétricas. Como essas usinas são a maior parte da matriz energética do Brasil, a Eletrobras é responsável por um grande volume de recursos hídricos.

— Segundo o Código Brasileiro de Águas, antes de virar energia nas usinas hidrelétricas, a água tem outras três importantes funções: o abastecimento aos cidadãos, o abastecimento à agropecuária e o lazer. Ao conceder à iniciativa privada o controle sobre grandes usinas e reservatórios, poderemos ficar à mercê de uma alteração dessa hierarquia no uso da nossa água, especialmente em períodos de estiagem — alertou Dário.

O líder da minoria, senador Jean Paul Prates (PT-RN), reclamou da falta de dados embasando a matéria, e elencou vários pontos sobre os quais ele acredita que não há informação suficiente para os senadores.

— O valor do controle acionário da Eletrobras não é definido, o estudo está sendo feito pelo BNDES e termina em dezembro. Temos total incerteza quanto ao impacto tarifário, o estudo que o Ministério de Minas e Energia apresentou não é sério. Os aspectos de oligopolização do setor também [são] indefinidos, o Cade não se pronunciou. [Não temos] nenhuma segurança em relação aos aspectos regulatórios e trabalhistas. As garantias da União também estão incertas — destacou.

Jean Paul alegou, ainda, que os “jabutis” provocariam uma “inflação estrutural” sobre a tarifa de energia. O assunto também foi abordado pela senadora Simone Tebet (MDB-MS), que explicou o raciocínio. Para ela, o grande risco está na contratação das termelétricas, um dos pontos criados pela Câmara dos Deputados.

— A Eletrobras e seus sócios vão ter que levar a termelétrica, poluente, para os estados distantes do gás, tendo que construir gasodutos para [a usina] chegar lá. Vão ter que devolver esse custo, de mais de R$ 20 bilhões por ano, na conta [de luz] de quem produz, do agronegócio, da indústria. A indústria não vai suportar absorver esse custo, vai jogar no preço dos produtos e, de novo, a corda vai arrebentar pelo lado mais fraco: o consumidor e todos nós vamos pagar duas vezes. Vamos pagar no preço da energia elétrica mais cara e vamos pagar nos produtos que vamos adquirir, porque estará embutido ali o preço da energia.

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A bancada do Podemos apresentou requerimento para que o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, considerasse impugnados os dispositivos impertinentes do projeto enviado pela Câmara. Líder do partido, o senador Alvaro Dias (Podemos-PR) adiantou que a orientação dada aos colegas é de rejeitarem a MP e disse que “não dormiria em paz” se ela passar como está.

— Nós estamos abrindo mão de comandar uma empresa extremamente lucrativa. Não podemos admitir também a substituição da energia do futuro, moderna, limpa, pela energia do passado, suja, valorizando expedientes que produzem energia mais cara, fazendo com que o consumidor pague pelo passeio da energia por longas distâncias.

Em resposta ao requerimento, o presidente Rodrigo Pacheco decidiu não proceder à impugnação, rejeitando a possibilidade de decidir sozinho sobre o destino dos “jabutis”.

— Concordando ou não com o texto original e com as modificações que foram feitas pela Câmara, o instrumento próprio e democrático para a decisão é o Plenário do Senado.

Ao adiar a votação para quinta-feira, Pacheco afastou a tese de que a MP estaria sendo votada sob “açodamento”, lembrando aos senadores que ela veio da Câmara no fim de maio, com mais de um mês antes do seu prazo final, e que o Senado promoveu sessão de debates sobre o tema.

Outro líder que mostrou reservas contra a MP foi o senador Nelsinho Trad (PSD-MS). Ele afirmou querer discutir o assunto, mas pontuou o fato de o relatório não ter sido disponibilizado para os senadores com antecedência antes da sessão desta quarta-feira.

— Eu nunca vi uma matéria complexa chegar sem a gente ter um relatório. Nem a nossa assessoria conseguiu ler. Como eu vou encaminhar uma votação dessas, perante os meus liderados, com a tranquilidade que a minha consciência requer? [Temos que] ter um mínimo de conhecimento de causa. Para [ajudar] nós temos que ter a colaboração daquele que quer ser ajudado.

No seu relatório, Marcos Rogério procura abordar os pontos em que os senadores manifestaram preocupações ou discordâncias. Durante a leitura do documento, ele contou que manteve diálogos com todos os segmentos do setor elétrico e garantiu que o produto final já está alinhado com o relator da MP na Câmara, deputado Elmar Nascimento (DEM-BA).

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Marcos Rogério defende o encaminhamento da desestatização por medida provisória apontando que o governo federal já havia tentado fazê-la por projeto de lei, em 2019, mas a proposta não andou. Segundo o senador, o tema é urgente porque a Eletrobras vem perdendo participação de mercado nos últimos anos.

— Apesar de ser a maior empresa do setor elétrico, a atual situação da Eletrobras a impede de realizar investimentos na escala necessária para prover a expansão do setor elétrico de forma compatível com as necessidades do desenvolvimento.

O relator disse que o argumento de que o processo atentaria contra a soberania nacional “reflete desconhecimento”, pois o setor elétrico é fortemente regulado, e explicou que o modelo escolhido para a desestatização — que garante à União a golden share — vai impedir a concentração da empresa nas mãos de um único acionista privado.

Sobre a contratação das termelétricas, mantida no relatório, Marcos Rogério disse acreditar que ela se justifica por questões estruturais da distribuição energética brasileira.

— Julgamos corretas as medidas que garantem a diversificação da matriz elétrica brasileira. A atual crise hídrica vem nos alertar dos riscos causados por um parque gerador excessivamente dependente de hidrelétricas. Cabe aqui ressaltar o papel fundamental que as termelétricas cumprirão. [Ele] inclui fomentar a interiorização do gás natural. O Brasil foi aquinhoado com gigantescas reservas desse combustível, porém elas são concentradas numa pequena porção de nosso litoral.

O líder do governo, senador Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), defendeu a proposta lembrando da privatização das telecomunicações, nos anos 1990, processos que “foi uma verdadeira revolução” ao expandir e baratear os serviços, segundo recordou. Para ele, o mesmo precisa ser feito para o setor elétrico, e ele classificou a iniciativa como “pensada e corajosa”.

— Nesses últimos dez anos, quantas crises de energia nós não enfrentamos? A nossa maior empresa sofreu diversas ações políticas de interferência. Apesar de toda essa presença estatal excessiva, nós não conseguimos reservar água nas nossas barragens, não investimos na energia de base para promover o desenvolvimento das termelétricas. O gás não chega para promover o desenvolvimento dos estados que vivem no interior — argumentou.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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Câmara aprova projeto que altera Lei de Improbidade Administrativa

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A Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (16) o projeto que modifica a Lei de Improbidade Administrativa. O texto prevê punição para agentes públicos que agirem com intenção de lesar a administração pública. A matéria segue para o Senado Federal.

O presidente da Câmara, deputado Arthur Lira (PP-AL) afirmou que o texto evitará distorções e excessos na gestão administrativa. Além disso, o projeto vai garantir que não haja uso político-eleitoral da lei para cometer injustiça com servidores. Para o deputado, a proposta vai melhorar a tipificação das condutas configuradoras de improbidade e aumentará a penalidade para atos de gestores desonestos.

“Agora vamos separar o joio do trigo. Somente será punido por improbidade quem agir para lesar efetivamente o Estado”, disse.

De acordo com o projeto, o agente público será punido se agir com intenção de cometer crime, não bastando a voluntariedade do agente. O mero exercício da função ou desempenho de competências públicas ou a interpretação da lei sem comprovação de ato doloso com fim ilícito também afastam a responsabilidade do autor.

O texto determina ainda que serão responsabilizados aqueles que tenham influência na prática ilícita, seja induzindo ou concorrendo dolosamente para sua ocorrência. O projeto prevê ainda que o juiz terá liberdade para estipular as punições. As penas, após trânsito em julgado, de perda dos direitos políticos foram majoradas, aumentando o prazo máximo. Não há mais previsão de pena mínima.

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O projeto aprovado atualiza a definição de algumas condutas consideradas improbidade; determina legitimidade privativa do Ministério Público para a propositura da ação de improbidade; inclui o rito do novo Código de Processo Civil na lei; e a previsão de celebração de acordo de não persecução cível.

De acordo com o relator da proposta, deputado Carlos Zarattini (PT-SP), a alteração na lei evitará que gestores sejam punidos quando não houver dolo e, dessa forma, possam exercer suas atribuições sem receio de que sejam punidos por tudo.

“Queremos restringir essa lei para dar mais funcionalidade à administração pública, mais garantias àqueles que propõem políticas públicas e que são eleitos com base nas suas propostas, e que muitas vezes não podem colocá-las em ação, em vigor, porque são impedidos por decisões que nada têm a ver com tentativas de combater a corrupção”, disse Zarattini.

Contrária a proposta, a deputada Adriana Ventura (Novo-SP), afirmou que, embora seja necessário discutir o assunto, a matéria retira a possibilidade de responsabilizar erros de gestores públicos.

“Este relatório aprovado suprime a responsabilização de condutas que sejam erros grosseiros e causem dano ao Erário; não tem pena mínima para suspensão dos direitos políticos; ou seja, é um texto cheio de boas intenções que não significam um bom resultado”, argumentou.

Edição: Fábio Massalli

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Associações sugerem mudanças em avaliações educacionais

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Pablo Valadares/Câmara dos Deputados
Discussão e votação de propostas. Dep. Tiago MitraudNOVO - MG
Tiago Mitraud quer adequar exames a padrões internacionais

Associações educacionais sugeriram à Comissão Externa da Câmara dos Deputados que acompanha o trabalho do Ministério da Educação (MEC) mudanças no sistema de avaliação educacional. Foram discutidas melhorias para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e para o Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb).

Sub-relator da comissão, o deputado Tiago Mitraud (Novo-MG) disse que um dos focos da comissão é justamente encontrar formas de melhorar os sistemas de avaliação brasileiros. “O futuro do sistema de avaliação aqui no Brasil, os aprimoramentos necessários, como o Brasil pode se adequar aos novos padrões internacionais que estão sendo estabelecidos”, enumerou. Mitraud sugeriu, por exemplo, a informatização desses exames para que os resultados sejam mais céleres.

A presidente da Associação Nacional das Universidades Particulares, Elizabeth Guedes, lamenta que atualmente o Enem não sirva como indicador dos níveis educacionais. Ela compara a prova a um grande vestibular, no qual os alunos mais bem preparados, normalmente em escolas particulares, conseguem os melhores cursos, nas melhores universidades.

O defensor público André Porciúncula concorda e defende uma reformulação do exame do ensino médio, que foi criado para democratizar o acesso à educação, o que não ocorreu na prática, segundo ele. O defensor sugeriu que o governo federal disponibilize Internet e conteúdos preparatórios para os alunos de escolas públicas, como forma de diminuir a desigualdade na preparação para o Enem.

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Representante da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), Paulo Burmann lembrou que o Enem deve ser uma avaliação contínua, mas devido à pandemia os estudantes já estão no segundo ano de uma educação atípica, e antes de qualquer mudança é preciso tentar recuperar os prejuízos educacionais, principalmente dos alunos das escolas públicas.

Pandemia
Devido à pandemia de Covid-19, o Enem do ano passado teve índice recorde de abstenção, o que, segundo especialistas ligados à educação, pode se repetir neste ano, se a prova não for feita com regras rígidas de segurança sanitária.

Elizabeth Guedes espera que sejam adotadas normas para segurança sanitária de todos os envolvidos. Ela acredita que o medo e a insegurança foram responsáveis pelos recordes de abstenção. “Eu espero que as vacinas tenham sido dadas e que nós possamos ter regras sanitárias que não poderão ser abandonadas: distanciamento, máscara, álcool em gel”, defendeu.

Saeb
O presidente do Conselho Nacional dos Secretários de Educação (Consed), Cláudio Furtado, afirmou que a realização do Saeb a cada dois anos é muito importante, mas ele avalia que o exame também pode ser afetado pela pandemia. “Como fazer uma avaliação em redes que estão passando por uma pandemia nesses dois anos e fazer um comparativo com números que foram obtidos em 2019?”, indagou.

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Para o representante da Associação Brasileira de Avaliação Educacional, Reinaldo Fernandes, apesar dos seus problemas, o Saeb se mostrou uma ferramenta importante na avaliação da qualidade do ensino. Ele defende, entretanto, que a metodologia seja ampliada para incluir também a evasão escolar e a desigualdade de desempenho.

Atualmente só são avaliados o aprendizado através de provas de português e matemática e o tempo que os alunos levam para concluir cada etapa da educação básica. As médias de desempenho dos estudantes, apuradas no Saeb, juntamente com as taxas de aprovação, reprovação e abandono, apuradas no Censo Escolar, compõem o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb).

Reportagem – Karla Alessandra
Edição – Geórgia Moraes

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ALMT – Campanha Fake News II

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