Saúde

Escola 1h mais tarde melhora saúde mental e rendimento, diz estudo

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Relatos de uma noite mal dormida entre os jovens estão ligados à quebra de rotina, aumento de dispositivos eletrônicos e piora da saúde mental, explicam especialistas
Governo do Estado de São Paulo

Relatos de uma noite mal dormida entre os jovens estão ligados à quebra de rotina, aumento de dispositivos eletrônicos e piora da saúde mental, explicam especialistas

É comum ouvir queixas de adolescentes que precisam acordar até mesmo antes das 7h para chegar à escola a tempo. O horário de início das  aulas no ensino médio é geralmente às 7h30 no Brasil, o que é considerado muito cedo por especialistas e com consequências danosas para a saúde da faixa etária, em que o cérebro ainda está em formação. Por isso, neurocientistas brasileiros decidiram avaliar os impactos de se adiar esse cronograma por apenas uma hora, com o início do dia letivo às 8h30. Os resultados mostraram não apenas um aumento na duração do sono, como uma melhora no perfil emocional, redução da sonolência durante as aulas e um potencial para aumentar o rendimento escolar dos estudantes .

O estudo, publicado na revista científica Sleep Health, envolveu 48 alunos de uma escola da cidade de Palotina, no Paraná. Os adolescentes, de 15 a 18 anos, foram monitorados por três semanas em critérios como duração do sono, sonolência ao chegar e a sair da escola e o perfil emocional, como manifestações de raiva, estresse e sintomas de depressão. Nos primeiros sete dias, eles foram à escola no horário normal, às 7h30. Na semana seguinte, as aulas começaram uma hora mais tarde, às 8h30. E na última, o dia letivo voltou a ter início às 7h30.

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“Nós observamos que, durante a semana de intervenção, os alunos aumentaram em média 38 minutos na duração do sono em cada dia. Foi muito importante observar que eles não mudaram o horário em que começavam a dormir porque podiam acordar mais tarde, então o que mudou foi apenas a hora de se levantar. Isso diminuiu os níveis de sonolência na escola, o que é muito importante para o desempenho escolar”, conta o pesquisador e um dos autores do estudo Felipe Beijamini, professor da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) e do programa de pós-graduação em biociências da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila).

Beijamini, que também é conselheiro da Associação Brasileira do Sono (ABS), destaca ainda que o aumento na quantidade de horas dormidas entre os adolescentes levou a benefícios no estado emocional dos estudantes, e acrescenta que outros estudos já comprovaram a influência a longo prazo para o rendimento acadêmico.

“Em nosso trabalho, eles tiveram resultados melhores em avaliações de comportamento de tensão, de raiva, de fadiga, de vigor, de sintomas de depressão, entre outros. Especialmente no ambiente educacional, essas são características muito importantes. Existe um estudo americano, de 2018, que avaliou o efeito da mudança do horário em diversas escolas no período de um ano, e de fato observaram um ganho no rendimento escolar dos alunos”, cita o especialista.

Para ele e os demais autores do novo estudo, que foi conduzido em 2018, mas publicado apenas no último mês, a série de evidências científicas são suficientes para embasar o debate sobre uma possível alteração no horário das aulas no ensino médio do Brasil.

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“Nós de fato acreditamos que seria importante a alteração desses horários, e isso é um movimento do mundo inteiro. Na Califórnia, recentemente proibiram o início das aulas no ensino médio antes das 8h30. No Brasil, acreditamos que é preciso conversar sobre isso em cada região, levando em consideração as suas especificidades. A longo prazo podemos pensar até em modelos flexíveis”, defende Beijamini.

Apenas esforço não resolve

Embora muitos argumentem que uma solução mais simples para o problema seria os adolescentes passarem a dormir mais cedo, o neurocientista explica que não é bem assim. Ele chama a atenção para características naturais da faixa etária que levam a um quadro chamado de atraso de fase do sono.

“É natural dessa faixa etária a pessoa atrasar um pouco o sono, é um comportamento que faz parte do desenvolvimento da puberdade, que envolve mudanças no cérebro do adolescente, que ainda está em formação nessa fase da vida. Nós observamos isso em todas as culturas ao redor do mundo, não é algo restrito ao Brasil”, explica Beijamini.

Portanto, métodos como reduzir o uso de telas à noite ou tentar ir para a cama mais cedo, embora de fato ajudem, não conseguiriam resolver sozinhos o problema de baixa qualidade do sono enfrentado hoje pelos jovens.

Segundo a última pesquisa da Associação Brasileira do Sono (ABS), as dificuldades no sono atingem 65% da população do país. O dado foi corroborado recentemente por um estudo publicado na revista científica Sleep Epidemiology, que ressalta ainda a maior propensão a um sono ruim entre os mais jovens.

O neurocientista acredita que o adiamento do início das aulas é uma das ferramentas disponíveis hoje para reverter esse cenário. No entanto, admite que se trata de um problema complexo, que demanda ainda medidas de orientação nas comunidades escolares, tanto para alunos como para os pais, sobre a importância de um sono de qualidade e medidas capazes de atuar para isso.

“Nós dormimos porque precisamos de uma limpeza metabólica no nosso cérebro que acontece apenas durante o sono. É também quando consolidamos nossa memória, o que é importante para nosso processo de aprendizado, além de regular nossas emoções. É difícil pensar numa característica da saúde humana que não tenha relação com o sono. E na adolescência, como nós temos um amadurecimento de áreas do cérebro, o sono tem um papel ainda mais fundamental. Ele regula, por exemplo, comportamentos de impulso e de risco. Então a privação de sono pode comprometer esse desenvolvimento e consequentemente até favorecer situações arriscadas”, explica Beijamini.

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Fonte: IG SAÚDE

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Cachorro é diagnosticado com varíola dos macacos na França

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Micrografia eletrônica de transmissão colorida de partículas do vírus da varíola dos macacos (amarelo) encontradas dentro de uma célula infectada (verde), cultivadas em laboratório
Reprodução/NIAD 13.08.2022

Micrografia eletrônica de transmissão colorida de partículas do vírus da varíola dos macacos (amarelo) encontradas dentro de uma célula infectada (verde), cultivadas em laboratório

Um cachorro foi infectado pela varíola dos macacos na França. Um estudo publicado na revista científica “The Lancet” apresentou o caso e informou que o animal provavelmente contraiu a doença de seus donos, que também testaram positivo para o vírus.

Os tutores do cachorro são um casal homossexual que não tem uma relação monogâmica, ou seja, tem um relacionamento aberto. O animal dormia com os donos e começou a ter as lesões cutâneas 12 dias após o casal. Os sintomas foram feridas no abdômen e uma ulceração anal fina.

Segundo os cientistas, o animal macho de quatro anos de idade foi realmente infectado pelo vírus dos donos. A análise deu 100% de compatibilidade com o vírus dos humanos.

Além do cachorro, apenas animais selvagens (roedores e primatas) foram vetores de transmissão do vírus monkeypox e, até então, o vírus não havia sido identificado em um animal doméstico.

Segundo a Lancet, os donos não deixaram que o cão tivesse contato com outros animais ou pessoas desde quando eles testaram positivo para a varíola.

O estudo concluiu que “a cinética do início dos sintomas em ambos os pacientes e, subsequentemente, em seu cão sugere a transmissão do vírus da varíola do macaco de humano para cão”.

“Nossas descobertas devem estimular o debate sobre a necessidade de isolar animais de estimação de indivíduos positivos para o vírus da varíola do macaco”, finalizam os cientistas.




Fonte: IG SAÚDE

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Anvisa desobriga uso de máscaras em voos e aeroportos

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Obrigatoriedade de máscaras é retirada pela Anvisa
Reprodução: Flickr – 17/08/2022

Obrigatoriedade de máscaras é retirada pela Anvisa

Em vigência desde 2020, a obrigatoriedade do uso de máscaras em aeroportos e aeronaves foi retirada pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), nesta quarta-feira (17). O uso da medida não farmacológica, no entanto, segue sendo recomendado nesses ambientes.

A retirada da obrigatoriedade será aplicada assim que a resolução da Anvisa for publicada no Diário Oficial da União. A votação dos diretores da agência para a retirada da medida foi unânime.

“Diante do atual cenário, o uso de máscaras, adotado até então como medida de saúde coletiva, é convertido em medida de proteção individual”, diz o documento da Anvisa.

Segundo a agência, o cenário atual da  Covid-19 no país permite que algumas medidas sanitárias sejam atualizadas, como o uso obrigatório das máscaras. Contudo, o órgão de saúde enfatiza que o uso de máscaras e o distanciamento físico são medidas eficientes para a não transmissão da doença e continuarão a ser recomendadas.

Medidas ainda em vigor:

  • Desembarque por fileiras

  • Álcool em gel nos voos

  • Higienização dos aviões

  • Sistemas de filtros de ventilação

Segundo o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), aais de 680 mil pessoas já morreram por Covid-19 no Brasil. Os casos confirmados já passam dos 35 milhões. No mundo, já ocorreram 6,4 milhões de óbitos e 590 milhões de casos.

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Fonte: IG SAÚDE

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Transmissão da varíola dos macacos pode ser assintomática – diz estudo

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Micrografia eletrônica de transmissão colorida de partículas do vírus da varíola dos macacos (amarelo) encontradas dentro de uma célula infectada (verde), cultivadas em laboratório
Reprodução/NIAD 13.08.2022

Micrografia eletrônica de transmissão colorida de partículas do vírus da varíola dos macacos (amarelo) encontradas dentro de uma célula infectada (verde), cultivadas em laboratório


Um relatório publicado na revista científica Journal of Emerging Infectious Diseases, do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC), relata o caso de um homem de 20 e poucos anos diagnosticado com a varíola dos macacos sem contato recente com outras pessoas que apresentaram sintomas ou tiveram confirmação para a doença, nem mesmo sexual.

Nesta semana, um outro estudo publicado no periódico Annals of Internal Medicine, que testou 200 pacientes num hospital na França, já havia encontrado que, de 13 pessoas infectadas, 11 não desenvolveram sinais da doença depois. As evidências intrigam especialistas, que investigam a possibilidade de o vírus monkeypox estar sendo transmitido de forma assintomática, isto é, por pessoas que não sabem que contraíram a doença por não manifestarem os sinais.

As informações vêm na contramão do perfil da maioria dos casos registrados no surto atual. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), 91% dos eventos de disseminação do vírus são relacionados a encontros sexuais. O contato prolongado pele com pele já era de fato considerado a principal forma de contaminação. Porém, normalmente era associado à interação com as lesões provocadas pelo vírus, o que não é o caso do paciente relatado nos EUA.

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O homem não tinha histórico de relações sexuais nos últimos três meses, e contou ter presenciado locais fechados apenas durante viagens em aviões e trens. O mais próximo de contato de pele com outras pessoas foi 14 dias antes de os sintomas aparecerem, quando o paciente foi a um show.

“Ele disse que muitos participantes estavam usando blusas e shorts sem mangas. Ele usava calças e uma blusa de manga curta. (Porém), ele não notou nenhuma lesão de pele em ninguém presente, nem notou ninguém que parecia doente”, diz o relatório.

Além disso, outra característica fora do comum no caso é que o infectado não apresentou sintomas além das erupções cutâneas, nem mesmo febre ou inchaço dos linfonodos. As lesões foram relatadas no peitoral, nas costas, nas mãos e no lábio, mas não nas regiões genitais – área que tem sido associada à contaminação durante encontros sexuais, comprovando que o meio não foi o de transmissão.

“Este caso destaca a distinção das manifestações clínicas, pois indica possíveis rotas de transmissão durante o surto de varíola dos macacos em 2022. O caso destaca o potencial de propagação em aglomerações, o que pode ter implicações para o controle da epidemia”, escreveram os pesquisadores.

Isso porque as lesões na pele e o contato com elas eram considerados os principais sintomas e vias de contaminação da doença. Porém, no caso, o homem teria sido contaminado por alguém que não apresentou erupções ou que ao menos não esteve em contato com ele. Há a possibilidade de o vírus permanecer em superfícies, como lençóis e toalhas, porém os casos do surto atual não têm sido associados a esse modo de contaminação.

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Um outro estudo, publicado na revista científica British Medical Journal (BMJ), conduzido por cientistas do Reino Unido, já havia analisado 197 pacientes e chamado atenção para a possibilidade de transmissão entre pessoas sem sintomas. Uma das conclusões do trabalho foi de que apenas 25% dos infectados relataram ter tido contato com uma pessoa que teve a doença confirmada, “levantando a possibilidade de transmissão assintomática ou paucissintomática (que apresenta poucos sintomas)”.

“A compreensão dessas descobertas terá grandes implicações para o rastreamento de contatos, conselhos de saúde pública e medidas contínuas de controle e isolamento de infecções”, defenderam os autores.

Além disso, o estudo francês publicado nesta semana testou 200 pessoas e, das 13 que tiveram o resultado positivo, 11 foram casos de pacientes infectados pelo monkeypox sem manifestações clínicas. Esse é também um indicativo da possibilidade de haver casos da doença assintomáticos – e potencialmente transmissíveis. Porém, mais estudos são necessários para compreender melhor as especificidades da disseminação incomum do vírus pelo mundo.

Fonte: IG SAÚDE

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ALMT – Campanha Fake News II

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