Mato Grosso
Jucemat treina 75 profissionais da área contábil
Setenta e oito contadores e funcionário de escritório foram capacitados para utilizar o sistema de abertura de empresas via Internet, chamado Junta Digital, no último bimestre. Os treinamentos foram gratuitos e segundo a presidente da Junta Comercial de Mato Grosso (Jucemat), Gercimira Rezende, tiveram o objetivo de dar condições para que todos profissionais da área usufruam dos benefícios da nova tecnologia.
Desde que o sistema começou a funcionar, em fevereiro deste ano, as empresas passaram a gastar em média 48 horas para terem em mãos o número do Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ). Antes, quando os processos eram físicos, o prazo era de até 3 meses.
A técnica da Jucemat, Camila de Souza Bruno, afirma que as dúvidas frequentes estavam relacionadas com a montagem de processos, a forma de assinatura dos documentos e ainda como utilizar as procurações. Ela assegura que não existe previsão para novas turmas este ano, mas em 2019, as capacitações serão retomadas.
Para a contadora Adriana Fanaia, participante do curso, o processo digital é fácil e trará mais agilidade aos serviços dos escritórios contábeis. “Não há o que fazer, o mundo está se modernizando. Eu acho que no começo foi meio confuso, como sempre acontece em qualquer transição, mas atualmente está tranquilo”.
Outra vantagem, de acordo com o contador Lailton Dorf, de Paranaíta, é a igualdade com que todos são tratados. “Hoje, não existe diferença de prazo entre os empresários da capital e do interior”.
Ele lembra que antes, era necessário encaminhar o processo físico via Correios até Cuiabá e isto fazia com que as esperas fossem intermináveis.
Já a profissional Marlene Costa, que está há 20 anos no mercado, acredita que o principal benefício do sistema é a possibilidade de dar uma resposta rápida ao cliente, o que transmite eficiência e segurança.
Junta Digital
Além da redução do consumo de papel e fim dos arquivos, o novo sistema favorece a sobrevivência da empresa, uma vez que o empreendedor precisa do CNPJ para todos os passos, como compra de insumos e até mesmo acesso a financiamento e incentivos.
Para o secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico, Leopoldo Mendonça, todos os avanços foram favorecidos pelas parcerias feitas com Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz), Receita Federal, Prefeituras, Corpo de Bombeiros e Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) em Mato Grosso.
Mendonça ainda reforça que a entrada na era digital trouxe benefícios ao cidadão em outros pontos, como nos processos trabalhistas, uma vez que existe uma parceira com o Tribunal Regional do Trabalho e o órgão tem acesso as informações da Jucemat. “Deixamos de lado os ofícios que traziam morosidade a quem queria uma resposta”.
O compartilhamento de dados também acontece com as polícias e como os órgãos que coordenam os programas habitacionais. Já que todos beneficiados precisam ter as informações consultadas para confirmação da renda familiar.
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Mato Grosso
Servidora do Estado tem aposentadoria negada mesmo amparada por decisão por diferenciação de gênero do STF
Policial Penal feminina atende requisitos de contribuição e idade para pleitear aplicação dos 36 meses de abatimento determinados pelo Supremo

Foto- Divulgação
Uma servidora pública estadual policial penal recorreu administrativamente de uma decisão da Mato Grosso Previdência (MTPREV), que negou seu pedido de aposentadoria voluntária na carreira policial. Em despacho emitido no último dia 9 de junho, o órgão previdenciário estadual concluiu que a servidora ainda não preenche os requisitos para a inativação, projetando o direito ao benefício apenas para 4 de setembro de 2027.
Conforme o advogado responsável pelo jurídico do Sindicato dos Policiais Penais do Estado de Mato Grosso, Fábio Moreira Pereira, que faz a defesa da servidora, houve um equívoco jurídico fundamental na análise da autarquia. O recurso hierárquico protocolado argumenta que a simulação realizada pela MTPREV desconsiderou a jurisprudência vinculante do Supremo Tribunal Federal (STF) que garante critérios diferenciados de gênero para a aposentadoria de mulheres policiais. “Sim, surgiu uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) no STF questionando que as mulheres teriam menos 3 anos de contribuição para aposentar, no caso, as mulheres policiais. E essa decisão foi favorável a uma policial civil: o STF acatou a ADI e reduziu menos 3 anos para a aposentadoria. Porém o Estado não acata de plano a decisão do STF. No caso, a gente entra com recurso administrativo pedindo para aplicar a ADI, mas a MTPREV não vem aplicando. Nesse caminho, nós ingressamos com a ação judicial para que sejam acatados esses menos 3 anos para a servidora aposentar”, explicou.
A negação do pedido pela MTPREV baseou-se estritamente nas regras da Emenda Constitucional nº 103/2019 (Reforma da Previdência), que igualou os critérios de idade e tempo de contribuição entre homens e mulheres nas carreiras policiais.
Contudo, o recurso destaca que essa equiparação foi considerada inconstitucional pelo STF no julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 7727/DF. Na decisão, relatada pelo ministro Flávio Dino, a Suprema Corte reconheceu que a ausência de um redutor para mulheres policiais viola o princípio da isonomia e a proteção ao trabalho feminino em condições de risco.
O STF determinou a aplicação provisória de um redutor de 3 anos tanto na idade mínima quanto no tempo de contribuição para as mulheres policiais, por simetria ao regime geral, até que uma nova lei complementar discipline a matéria.
A defesa da policial penal sustenta que a aplicação dos 36 meses de abatimento determinados pelo STF é imperativa e de eficácia imediata para a Administração Pública.
Com o recurso, a servidora pede a aplicação compulsória do entendimento do STF e a consequente retificação dos cálculos da MTPREV. Segundo a argumentação, a revisão demonstrará que os requisitos para o repouso remunerado já foram atingidos ou estão em vias imediatas de cumprimento, o que viabilizaria a concessão imediata da aposentadoria.
CONSTRANGIMENTO
Além disso, a servidora que terá sua identidade preservada para não sofrer algum tipo de perseguição, ainda sofreu um constrangimento psicólogo, ao receber um e-mail dos canais da MTPREV agendando a assinatura na sede do Mato Grosso Previdência. Onde na sequência, a policial penal realizou alguns procedimentos técnicos, como o processo descautela (devolução) de sua arma, entrega de farda e coletes, mas em menos de 24 horas recebeu um outro e-mail vindo de um funcionário da MTPREV, pedindo para desconsiderar a primeira mensagem oficial do órgão e destacando que seu pedido de aposentadoria tinha sido indeferido.
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