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Ômicron: por que as novas subvariantes são tão transmissíveis?

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Cientistas de Hong Kong revelam imagem de microscópio da variante Ômicron
Reprodução/ Universidade de Hong Kong

Cientistas de Hong Kong revelam imagem de microscópio da variante Ômicron

Um estudo feito por pesquisadores do Gladstone Institutes, da UC Berkeley, do Innovative Genomics Institute e da Curative Inc descobriu alguns traços que fizeram as novas variantes se tornarem mais transmissíveis que as anteriores. Os resultados foram publicados na revista Proceedings of the National Academy of Sciences.

No artigo, os cientistas apontam quais partes do vírus são responsáveis pelo aumento da infectividade e disseminação. Além disso, eles confirmaram que os anticorpos gerados contra variantes anteriores do coronavírus são menos eficazes contra a Ômicron. Mas pessoas que receberam recentemente uma dose de reforço da vacina apresentam uma resposta imunológica mais eficaz. .

Para analisar as mutações que tornaram as novas variantes mais transmissíveis, os cientistas usaram partículas semelhantes a vírus. Essas partículas são compostas pela membrana, envelope, nucleocapsídeo e proteínas spike que compõem a estrutura do “vírus real”.

No entanto, elas não possuem o genoma do vírus. Por isso, não podem infectar pessoas, tornando a pesquisa mais segura. Os cientistas também podem projetar novas partículas semelhantes a vírus muito mais rápido do que conseguem cultivar novas variantes do vírus vivo. Portanto, usar partículas semelhantes a vírus, além de mais seguro, acelera o estudo.

Em seu trabalho anterior, os pesquisadores mostraram que quanto mais rápido uma partícula semelhante a vírus formasse novas partículas virais, mais infeccioso seria o “vírus real” representado por aquela partícula, com base em experimentos de cultura de células.

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Para o novo estudo, os cientistas analisaram atributos de quatro partículas semelhantes a vírus de variantes notáveis ​​do coronavírus: Ômicron, Delta, B.1.1 e B.1 (a cepa original).

Os pesquisadores observaram as partículas semelhantes a vírus que carregavam mutações da Ômicron na proteína Spike eram duas vezes mais infecciosas do que as partículas com a proteína Spike da cepa original. Além disso, o protótipo que tinha as mutações da Ômicron na proteína do nucleocapsídeo eram 30 vezes mais infecciosos do que o ancestral.

Quando a equipe fez partículas semelhantes a vírus carregando mutações da Ômicron na membrana ou nas proteínas do envelope, eles descobriram que as partículas tinha apenas metade da capacidade infecciosa da cepa original.

“Tem havido muito foco na proteína Spike, mas estamos vendo em nosso sistema que, tanto para Delta quanto para Ômicron, o nucleocapsídeo é realmente mais importante para aumentar a propagação desse vírus”, diz em comunicado Melanie Ott, diretora do Gladstone Institute of Virology e autora sênior do novo estudo. “Acho que, se quisermos gerar vacinas melhores ou bloquear a transmissão da Covid-19, podemos pensar em outros alvos além da Spike”.

Como Ômicron escapa dos anticorpos Os pesquisadores também testaram a capacidade dos anticorpos de neutralizar as partículas semelhantes ao coronavírus. A equipe usou soro de 38 pessoas que foram vacinadas contra a Covid-19 ou não foram vacinadas, mas se recuperaram do vírus, bem como 8 pessoas que receberam uma vacina de reforço nas 3 semanas anteriores. Em seguida, os pesquisadores expuseram as partículas semelhantes a vírus que criaram a essas amostras de soro para testar sua capacidade de neutralizar as partículas.

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Os soros de pessoas vacinadas com Pfizer/BioNTech ou Moderna nas últimas 4 a 6 semanas mostraram altos níveis de neutralização contra partículas semelhantes a vírus do Sars-CoV-2 original, mas os níveis de neutralização foram 3 vezes menores para partículas da variante Delta, e cerca de 15 vezes menor para partículas semelhantes à Ômicron.

As pessoas vacinadas com a vacina da Janssen ou que se recuperaram da Covid-19 apresentaram baixos níveis de neutralização contra as partículas semelhantes a vírus ancestrais, e pouca diferença foi aparente para as variantes Delta e Ômicron.

Além disso, os pesquisadores mostraram que dentro de 2 a 3 semanas após receber uma terceira dose de Pfizer/BioNTech, todos os 8 indivíduos tinham níveis detectáveis ​​de anticorpos capazes de neutralizar todas as variantes do coronavírus. No entanto, os níveis de anticorpos contra a Ômicron ainda eram 8 vezes menores do que a proteção contra o vírus ancestral.

“Nossas descobertas apoiam a ideia de que o Omicron é muito mais capaz de escapar de nossa imunidade induzida por vacinas do que as cepas anteriores de SARS-CoV-2”, diz Ott. “Isso também ressalta que as doses de reforço das vacinas de mRNA parecem fornecer algum grau de proteção adicional, mesmo contra a Ômicron”.

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Além disso, quando a equipe testou os anticorpos monoclonais casirivimab e imdevimab (conhecidos comercialmente como REGEN-Cov), eles descobriram que os medicamentos apresentavam altos níveis de neutralização contra variantes ancestrais e Delta do coronavírus, mas nenhuma neutralização detectável contra as partículas do tipo Ômicron.

Fonte: IG SAÚDE

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Cachorro é diagnosticado com varíola dos macacos na França

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Micrografia eletrônica de transmissão colorida de partículas do vírus da varíola dos macacos (amarelo) encontradas dentro de uma célula infectada (verde), cultivadas em laboratório
Reprodução/NIAD 13.08.2022

Micrografia eletrônica de transmissão colorida de partículas do vírus da varíola dos macacos (amarelo) encontradas dentro de uma célula infectada (verde), cultivadas em laboratório

Um cachorro foi infectado pela varíola dos macacos na França. Um estudo publicado na revista científica “The Lancet” apresentou o caso e informou que o animal provavelmente contraiu a doença de seus donos, que também testaram positivo para o vírus.

Os tutores do cachorro são um casal homossexual que não tem uma relação monogâmica, ou seja, tem um relacionamento aberto. O animal dormia com os donos e começou a ter as lesões cutâneas 12 dias após o casal. Os sintomas foram feridas no abdômen e uma ulceração anal fina.

Segundo os cientistas, o animal macho de quatro anos de idade foi realmente infectado pelo vírus dos donos. A análise deu 100% de compatibilidade com o vírus dos humanos.

Além do cachorro, apenas animais selvagens (roedores e primatas) foram vetores de transmissão do vírus monkeypox e, até então, o vírus não havia sido identificado em um animal doméstico.

Segundo a Lancet, os donos não deixaram que o cão tivesse contato com outros animais ou pessoas desde quando eles testaram positivo para a varíola.

O estudo concluiu que “a cinética do início dos sintomas em ambos os pacientes e, subsequentemente, em seu cão sugere a transmissão do vírus da varíola do macaco de humano para cão”.

“Nossas descobertas devem estimular o debate sobre a necessidade de isolar animais de estimação de indivíduos positivos para o vírus da varíola do macaco”, finalizam os cientistas.




Fonte: IG SAÚDE

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Anvisa desobriga uso de máscaras em voos e aeroportos

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Obrigatoriedade de máscaras é retirada pela Anvisa
Reprodução: Flickr – 17/08/2022

Obrigatoriedade de máscaras é retirada pela Anvisa

Em vigência desde 2020, a obrigatoriedade do uso de máscaras em aeroportos e aeronaves foi retirada pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), nesta quarta-feira (17). O uso da medida não farmacológica, no entanto, segue sendo recomendado nesses ambientes.

A retirada da obrigatoriedade será aplicada assim que a resolução da Anvisa for publicada no Diário Oficial da União. A votação dos diretores da agência para a retirada da medida foi unânime.

“Diante do atual cenário, o uso de máscaras, adotado até então como medida de saúde coletiva, é convertido em medida de proteção individual”, diz o documento da Anvisa.

Segundo a agência, o cenário atual da  Covid-19 no país permite que algumas medidas sanitárias sejam atualizadas, como o uso obrigatório das máscaras. Contudo, o órgão de saúde enfatiza que o uso de máscaras e o distanciamento físico são medidas eficientes para a não transmissão da doença e continuarão a ser recomendadas.

Medidas ainda em vigor:

  • Desembarque por fileiras

  • Álcool em gel nos voos

  • Higienização dos aviões

  • Sistemas de filtros de ventilação

Segundo o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), aais de 680 mil pessoas já morreram por Covid-19 no Brasil. Os casos confirmados já passam dos 35 milhões. No mundo, já ocorreram 6,4 milhões de óbitos e 590 milhões de casos.

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Fonte: IG SAÚDE

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Transmissão da varíola dos macacos pode ser assintomática – diz estudo

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Micrografia eletrônica de transmissão colorida de partículas do vírus da varíola dos macacos (amarelo) encontradas dentro de uma célula infectada (verde), cultivadas em laboratório
Reprodução/NIAD 13.08.2022

Micrografia eletrônica de transmissão colorida de partículas do vírus da varíola dos macacos (amarelo) encontradas dentro de uma célula infectada (verde), cultivadas em laboratório


Um relatório publicado na revista científica Journal of Emerging Infectious Diseases, do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC), relata o caso de um homem de 20 e poucos anos diagnosticado com a varíola dos macacos sem contato recente com outras pessoas que apresentaram sintomas ou tiveram confirmação para a doença, nem mesmo sexual.

Nesta semana, um outro estudo publicado no periódico Annals of Internal Medicine, que testou 200 pacientes num hospital na França, já havia encontrado que, de 13 pessoas infectadas, 11 não desenvolveram sinais da doença depois. As evidências intrigam especialistas, que investigam a possibilidade de o vírus monkeypox estar sendo transmitido de forma assintomática, isto é, por pessoas que não sabem que contraíram a doença por não manifestarem os sinais.

As informações vêm na contramão do perfil da maioria dos casos registrados no surto atual. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), 91% dos eventos de disseminação do vírus são relacionados a encontros sexuais. O contato prolongado pele com pele já era de fato considerado a principal forma de contaminação. Porém, normalmente era associado à interação com as lesões provocadas pelo vírus, o que não é o caso do paciente relatado nos EUA.

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O homem não tinha histórico de relações sexuais nos últimos três meses, e contou ter presenciado locais fechados apenas durante viagens em aviões e trens. O mais próximo de contato de pele com outras pessoas foi 14 dias antes de os sintomas aparecerem, quando o paciente foi a um show.

“Ele disse que muitos participantes estavam usando blusas e shorts sem mangas. Ele usava calças e uma blusa de manga curta. (Porém), ele não notou nenhuma lesão de pele em ninguém presente, nem notou ninguém que parecia doente”, diz o relatório.

Além disso, outra característica fora do comum no caso é que o infectado não apresentou sintomas além das erupções cutâneas, nem mesmo febre ou inchaço dos linfonodos. As lesões foram relatadas no peitoral, nas costas, nas mãos e no lábio, mas não nas regiões genitais – área que tem sido associada à contaminação durante encontros sexuais, comprovando que o meio não foi o de transmissão.

“Este caso destaca a distinção das manifestações clínicas, pois indica possíveis rotas de transmissão durante o surto de varíola dos macacos em 2022. O caso destaca o potencial de propagação em aglomerações, o que pode ter implicações para o controle da epidemia”, escreveram os pesquisadores.

Isso porque as lesões na pele e o contato com elas eram considerados os principais sintomas e vias de contaminação da doença. Porém, no caso, o homem teria sido contaminado por alguém que não apresentou erupções ou que ao menos não esteve em contato com ele. Há a possibilidade de o vírus permanecer em superfícies, como lençóis e toalhas, porém os casos do surto atual não têm sido associados a esse modo de contaminação.

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Um outro estudo, publicado na revista científica British Medical Journal (BMJ), conduzido por cientistas do Reino Unido, já havia analisado 197 pacientes e chamado atenção para a possibilidade de transmissão entre pessoas sem sintomas. Uma das conclusões do trabalho foi de que apenas 25% dos infectados relataram ter tido contato com uma pessoa que teve a doença confirmada, “levantando a possibilidade de transmissão assintomática ou paucissintomática (que apresenta poucos sintomas)”.

“A compreensão dessas descobertas terá grandes implicações para o rastreamento de contatos, conselhos de saúde pública e medidas contínuas de controle e isolamento de infecções”, defenderam os autores.

Além disso, o estudo francês publicado nesta semana testou 200 pessoas e, das 13 que tiveram o resultado positivo, 11 foram casos de pacientes infectados pelo monkeypox sem manifestações clínicas. Esse é também um indicativo da possibilidade de haver casos da doença assintomáticos – e potencialmente transmissíveis. Porém, mais estudos são necessários para compreender melhor as especificidades da disseminação incomum do vírus pelo mundo.

Fonte: IG SAÚDE

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