Saúde

Varíola dos macacos: o que se sabe sobre a vacinação contra a doença

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Alguns países já iniciaram a vacinação contra a varíola dos macacos
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Alguns países já iniciaram a vacinação contra a varíola dos macacos

Nesta semana, a Organização Mundial da Saúde (OMS) emitiu um alerta sobre a situação da varíola dos macacos (monkeypox) no Brasil e afirmou que o cenário do país é “muito preocupante” . No último sábado (23), a agência já havia declarado a doença como uma emergência de saúde global .

Em meio ao alto número de casos, alguns países iniciaram a vacinação contra a doença, pertence à mesma família (poxvírus) e gênero (ortopoxvírus) da varíola humana.

Ao iG , a Dra. Lorena de Castro Diniz, Coordenadora do Departamento Científico de Imunização da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI), esclareceu algumas dúvidas sobre a vacinação contra a varíola dos macacos e como se proteger.

Confira:

Existe uma vacina contra a varíola dos macacos?

R: “Sim. A vacina contra a varíola dos macacos foi aprovada em 2019. Agora, ela está recebendo o aval das agências regulatórias para que uma produção em maior escala seja iniciada e os imunizantes sejam distribuídos nos países que autorizarem a aplicação.

Depois disso, a agência reguladora de cada região vai determinar o público-alvo a ser vacinado.”

Quais vacinas estão sendo aplicadas contra a doença?

R: “Atualmente, há duas vacinas sendo utilizadas para tentar conter a doença, a desenvolvida pelo laboratório Sanofi [ACAM2000] — que hoje é produzida pelo Emergent BioSolutions — e a do laboratório Bavarian Nordic [MVA-BN, também chamada de Imvanex, Jynneos e Imvamune].

A primeira é uma vacina de vírus vivo, então é contraindicada para a população com algum problema de imunidade, que usa medicamentos imunossupressores — como pacientes em tratamento de tumores, doenças autoimunes e vivendo com HIV —, ou que usa corticoide por tempo prolongado. Ela também não é indicada para pacientes com doenças de pele extremamente graves, já que o imunizante é aplicado como se fosse a vacina BCG, com um ‘carimbinho’ na pele, o que pode levar a uma piora da doença no local da aplicação da vacina.

Os eventos adversos geralmente são febre, dores no corpo, calafrios e, se aplicados inadvertidamente em pacientes imunossuprimidos, pode levar ao desenvolvimento da doença e não à proteção.

Já a vacina da dinamarquesa Bavarian Nordic, é um vírus atenuado, então ela também pode ser aplicada nas pessoas que têm imunodeficiências. A única contraindicação desse imunizante é a pacientes que têm alergia a ovo grave ou a algum dos componentes da vacina.”

Quantas doses são necessárias?

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R: “A vacina do Emergent BioSolutions, por ser uma vacina viva, é feita de uma única dose. Na da Bavarian Nordic, são necessárias duas doses para conferir a proteção.”

Em que países essas vacinas estão sendo aplicadas?

A aplicação da MVA-BN já começou no Canadá, nos Estados Unidos, em alguns países da União Europeia, como Espanha, Alemanha, Holanda e Portugal, e no Reino Unido.

A agência reguladora de cada país determinou o público-alvo para iniciar a imunização. No Canadá, por exemplo, a vacinação começou por adultos com 18 anos ou mais que tenham alto risco de exposição.

Há vacinas no Brasil?

Ainda não. Em nota ao iG , o Ministério da Saúde informou que “tem articulado com a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) / OMS as tratativas para aquisição da vacina contra a varíola dos macacos, de forma que o Programa Nacional de Imunizações (PNI) possa definir a estratégia de imunização para o Brasil”.

De acordo com a pasta, as primeiras doses do imunizante devem chegar ao país em setembro e o restante, em novembro.

Quando elas chegarem, qual deve ser o grupo prioritário?

R: “Toda a população está vulnerável à varíola dos macacos, mas é uma doença que não é de tão fácil contágio. O grupo de maior risco, neste momento, são os profissionais de saúde, que vão lidar com os casos suspeitos diretamente.

Claro que como em toda e qualquer doença, as pessoas que estiverem com o sistema imunológico mais deprimido têm maior probabilidade de pegar e evoluir de uma maneira mais grave.”

De acordo com a OMS, a vacinação também deve ser avaliada, considerando riscos e benefícios, para grupos vulneráveis, como imunossuprimidos, crianças e mulheres grávidas.

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Segundo dados da OMS, a vacina produzida pelo Instituto Butantan na década de 1970 contra a varíola tem até 85% de eficácia contra a versão que circula agora. Esse imunizante poderia ser aplicado na população para evitar um surto da monkeypox?

R: “A vacina contra a varíola que nós tínhamos aqui até 1980 tem uma eficácia que chega a 80% na proteção contra a varíola dos macacos. Não seria o ideal, mas em caso de um surto maior, ela poderia ser utilizada em uma tentativa de contenção.

Podemos utilizar a vacina como prevenção, mas também em uma pós-exposição imediata para tentar evitar a infecção, de fato, com esse vírus.”

Ao iG , a assessoria do  Instituto Butantan afirmou que o imunizante poderia ser utilizado em caso de surto, porém, como a varíola humana foi erradicada na década de 1980, essa é uma vacina “com tecnologia um pouco mais antiga em comparação com as desenvolvidas a partir dos anos 1990”.

De acordo com o Instituto, a opção é avaliada pelo Comitê Contingencial Técnico de Especialistas do Butantan, instaurado em 30 de junho para acompanhar a disseminação da doença. Caso a vacina seja aprovada, no entanto, precisaria passar por uma espécie de “atualização”, devido a alguns fatores, como os efeitos colaterais que ela pode causar.

Como se proteger enquanto as vacinas ainda não estão disponíveis?

R: “A proteção contra a varíola dos macacos é feita com higiene pessoal, lavar as mãos, utilização de máscaras em ambientes fechados, não compartilhar utensílios como pratos, copos, talheres, toalhas, roupas, e a roupa de cama não deve ser reutilizada para mais de uma pessoa.

O contágio dela é por gotículas, contato direto com fluidos e secreções corporais, ou com a lesão da pele. Então, se o caso suspeito da doença se isolar, essa transmissibilidade é interrompida e a chance de surto é bem menor em comparação com outras doenças.”

Qual a importância da vacinação contra essa doença? Sem ela, é possível que enfrentemos um surto maior?

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R: “Como toda doença infectocontagiosa, a vacinação tem extrema importância na contenção de surtos, mas, neste momento, não podemos entrar em histeria ou em pânico, porque não é uma doença tão descontrolada, como a Covid-19 ou o sarampo, por exemplo.

Ela é transmissível, mas não tão transmissível quanto essas outras. Enquanto não houver a vacina disponível para toda a população, o cuidado não-farmacológico — como o distanciamento, o uso de máscara, a higiene pessoal, e o isolamento do paciente suspeito — é fundamental para conter o surto da doença.”


Casos no Brasil e no mundo

Devido ao número crescente de casos da doença no Brasil, o Ministério da Saúde instaurou o Centro de Operação de Emergências (COE) nessa sexta-feira (29) para acompanhar a situação epidemiológica e elaborar um plano de vacinação contra a doença no país.

No mesmo dia, também foi registrada a primeira morte em decorrência da varíola dos macacos no Brasil, segundo a pasta, na cidade de Uberlândia  (MG). Mais tarde, a Espanha confirmou as duas primeiras mortes pela enfermidade da Europa . Esses foram os três primeiros óbitos pelo vírus monkeypox fora do continente africano, onde a doença é endêmica.

Os casos no Brasil, segundo última atualização do Ministério da Saúde, chegam a 1176, sendo a maioria em São Paulo e no Rio de Janeiro, e outros 513 casos suspeitos.  Confira os números por estado:

No mundo, de acordo com a OMS, já foram reportados 19.143 casos da doença em 76 países, nessa sexta. Conforme a plataforma de dados da Universidade John Hopkins, Our World in Data, no último dia 28, o mundo já somava 21.067 casos da varíola dos macacos.

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Fonte: IG SAÚDE

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‘O perigo da pólio está em Nova York’, diz órgão de saúde dos EUA

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'Para cada caso de poliomielite detectado, centenas de pessoas podem estar infectadas', diz órgão de saúde dos EUA
Agência Brasil

‘Para cada caso de poliomielite detectado, centenas de pessoas podem estar infectadas’, diz órgão de saúde dos EUA

Um comunicado do Departamento de Saúde do Estado de Nova York faz um alerta: o caso de pólio diagnosticado nos Estados Unidos em julho pode ser a “ponta do iceberg”.

Isso porque as autoridades de saúde encontraram sete amostras do vírus da poliomielite em águas residuais de dois condados geograficamente diferentes — Orange County e Rockland, onde um homem adulto não vacinado foi identificado com a doença, o primeiro caso em quase dez anos.

Por causa disso, as autoridades de saúde estão convocando todos aqueles que ainda não foram vacinados a serem imunizados o mais rápido possível.

“Com base em surtos anteriores de poliomielite, os nova-iorquinos devem saber que para cada caso de poliomielite paralítica observado, pode haver centenas de outras pessoas infectadas”, disse a comissária estadual de saúde, Mary T. Bassett, em um comunicado.

“Junto com as últimas descobertas de águas residuais, o Departamento está tratando o único caso de poliomielite como apenas a ponta do iceberg de propagação potencial muito maior. À medida que aprendemos mais, o que sabemos é claro: o perigo da poliomielite está presente em Nova York hoje. Devemos atender a este momento garantindo que adultos, incluindo grávidas e crianças de 2 meses de idade estejam em dia com sua imunização — a proteção segura contra esse vírus debilitante que todo nova-iorquino precisa.”

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Parte das amostras de esgoto foram coletadas em junho, antes do primeiro caso ser diagnosticado, o que mostra que o vírus já estava circulando pela comunidade pelo menos um mês antes de sua detecção.

No comunicado, o Departamento de Saúde do Estado de Nova York informou que a análise do sequenciamento genético feito pelos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) descobriu que as amostras estão geneticamente ligadas ao caso individual de poliomielite paralítica previamente identificada no residente do condado de Rockland.

“Essas descobertas fornecem mais evidências da transmissão local – não internacional – de um vírus da poliomielite que pode causar paralisia e potencial disseminação da comunidade, ressaltando a urgência de todos os adultos e crianças de Nova York serem imunizados, especialmente aqueles na área metropolitana de Nova York”, disseram as autoridades no comunicado.

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Fonte: IG SAÚDE

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Ômicron: BioNTech anuncia nova vacina contra a variante para outubro

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Empresa disse que pode lançar os imunizantes até outubro
Bruno Concha/Secom

Empresa disse que pode lançar os imunizantes até outubro

A farmacêutica BioNTech e seu parceiro americano  Pfizer informaram, nesta segunda-feira, que começaram a fabricar vacinas “bivalentes” de Covid-19 atualizada e projetada para proteger contra as mais recentes subvariantes BA.4 e BA.5 do coronavírus. A empresa disse que pode lançar os imunizantes até outubro se receber aprovação regulatória.

Elas se juntam a outros fabricantes de vacina como a Moderna, que tentam criar formas avançadas e atualizadas de vacinas para proteger contra as novas cepas do coronavírus. A ideia é que os dois novos imunizantes protejam contra as variantes mais recentes e as cepas variantes anteriores.

O primeiro imunizante tem como alvo a subvariante BA.1 da Ômicron . Os dados do estudo clínico sobre sua segurança e eficácia foram enviados em julho para a aprovação da Agência Europeia de Medicamentos (EMA). Os resultados do estudo foram satisfatórios ao mostrar a produção de anticorpos neutralizantes mais altos contra a variante. A segunda vacina, desenvolvida para atacar as subvariantes BA.4 e BA.5, começará a ser testada este mês.

A agência reguladora americana, Food and Drug Administration (FDA) , no intuito de agilizar e facilitar o processo de aprovação, afirmou que os fabricantes de vacina não precisam enviar dados atualizados de ensaios clínicos para as vacinas adaptadas BA.4/BA.5, pois ela aprovará as vacinas modificadas usando dados clínicos dos ensaios da vacina BA.1.

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Entretanto, a Agência Europeia de Medicamentos seguirá o contrário e disse que exigirá dos fabricantes de vacina todos os dados clínicos para cada uma das novas vacinas atualizadas.

Fabricantes tentam atualizações

Moderna anunciou no mês passado que havia testado um reforço bivalente que produzia anticorpos neutralizantes mais altos contra as subvariantes BA.1 e BA.4/BA.5. Porém, ainda nenhum esforço contra as novas variantes foi aprovado.

Em junho, a FDA pediu, em comunicado, que as fabricantes de vacina mantivessem sua composição atual, ou seja, que previnem contra doenças graves da Covid-19, enquanto adicionavam componentes extras que pudessem proteger contra as cepas BA.4/BA.5.

Os receios são de que as empresas sempre tenham que ficar inovando os imunizantes contra cepas cada vez mais infecciosas e mais transmissíveis que se espalham e continuam a sofrer mutações.

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Fonte: IG SAÚDE

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Vasculite: conheça doença que levou Ashton Kutcher a perder a visão

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Ashton Kutcher
Reprodução/Instagram

Ashton Kutcher

O ator americano Ashton Kutcher contou nesta segunda-feira ter sido diagnosticado com uma rara doença há cerca de dois anos, que provocou a perda momentânea de sua visão e audição. Segundo o relato, que foi ao ar no episódio de ontem do programa “Running Wild With Bear Grylls: The Challenge”, do National Geographic, levou quase um ano para que Kutcher se recuperasse de um quadro de vasculite, problema que causa a inflamação dos vasos sanguíneos.

“Há dois anos, tive uma forma estranha e super rara de vasculite que derrubou minha visão, minha audição e meu equilíbrio. Demorei um ano para voltar tudo de novo. Você realmente não aprecia isso até que se vá, até que você diga: ‘Eu não sei se vou poder ver de novo, não sei se algum dia conseguirei ouvir de novo, eu não sei se vou conseguir andar de novo’, contou o ator.

As causas exatas da vasculite ainda não são totalmente claras, porém alguns fatores são associados ao desenvolvimento do quadro, entre eles problemas genéticos, doenças autoimunes, reações alérgicas ou outros problemas de saúde que provoquem a inflamação dos vasos sanguíneos de forma secundária.

É um quadro raro que, na maioria dos casos, leva as próprias células do sistema imunológico a invadirem as paredes dos vasos, causando um estreitamento da região chamado de estenose, o que restringe a passagem do fluxo sanguíneo. Com isso, as regiões irrigadas por aquele vaso podem sofrer com a falta de oxigenação, chamada de isquemia, e eventualmente predispor o paciente para quadros de aneurismas ou hemorragias.

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Além de febre, dores de cabeça, fraqueza e perda de peso, os sintomas variam de acordo com a região e o órgão que está sendo afetado pela inflamação. De acordo com o instituto de saúde Mayo Clinic, dos Estados Unidos, eles podem se apresentar das seguintes formas de acordo com o local do corpo onde ocorre o problema:

  • Sistema digestivo: Dores depois de comer, úlceras, perfurações e sangue nas fezes
  • Ouvidos: Tonturas, zumbidos e perda auditiva.
  • Olhos: Vermelhidão, coceira, queimação, cegueira temporária ou permanente.
  • Mãos ou pés: Dormência, fraqueza, inchaço e enrijecimento.
  • Pulmões: Falta de ar, tosse com sangue.
  • Pele: Sangramentos sob a pele, manchas vermelhas, caroços ou feridas abertas.

Em caso de sintomas, é preciso buscar um médico especialista, que fará a análise do histórico do paciente, das doenças associadas às vasculites e poderá pedir ainda exames laboratoriais que avaliam a presença de anticorpos no sangue ligados ao processo de inflamação.

O tratamento é direcionado à redução dos impactos decorrentes da inflamação nos vasos sanguíneos, podendo envolver medicamentos como esteroides ou corticoides. Ele varia de acordo com a gravidade da doença e a região impactada. Em alguns casos, pode ser passageira sem a necessidade de intervenções médicas. Quando é possível identificar a causa, ela pode ser o alvo da terapia.

Em situações mais graves, podem ser utilizadas drogas imunossupressoras, que diminuem a atuação do sistema imunológico e, portanto, da reação que está atacando as paredes dos vasos. Dependendo do quadro clínico, pode ser preciso também que o paciente seja hospitalizado para acompanhar o desenvolvimento da doença.


Fonte: IG SAÚDE

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ALMT – Campanha Fake News II

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