Saúde

Veja o que já está definido ou não sobre a vacinação no Brasil; saiba detalhes

Publicado


source

BBC News Brasil

undefined
Paula Adamo Idoeta – Da BBC News Brasil em São Paulo

Anvisa aprova vacinas de Oxford e Sinovac

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) autorizou neste domingo (17/1), por unanimidade, o uso das duas primeiras vacinas contra o coronavírus disponíveis em território brasileiro: a da Sinovac, produzida pelo Instituto Butantan em parceria com a China, e a da Oxford-AstraZeneca, cujo pedido de uso emergencial foi feito pela Fiocruz — e cujo primeiro carregamento deve ser trazido da Índia por um avião fretado pelo Ministério da Saúde.

Na prática, quando os laboratórios forem informados oficialmente (e o Butantan assinar um termo de compromisso sobre a eficácia), a vacinação com os dois imunizantes estará autorizada a começar no Brasil.

O governo federal não estabeleceu uma data oficial para o início da vacinação no Brasil, mas o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, tem dito que a previsão é começar a imunização na quarta-feira (20/1), simultaneamente em todo o país — um plano colocado em dúvida por especialistas em imunização.

Em São Paulo, o governador João Doria havia planejado iniciar a vacinação no Estado em 25 de janeiro, mas afirmou que poderia antecipar a campanha de imunização a depender do aval da Anvisa. A Anvisa determinou que o Butantan precisava assinar um termo de compromisso antes de iniciar as aplicações.

“O Instituto Butantan – ligado ao Governo de São Paulo – informa que a decisão da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) emitida neste domingo, 17 de janeiro, comprova mais uma vez, e de forma inequívoca, a segurança e a eficácia da vacina contra o novo coronavírus desenvolvida pela instituição em parceria com a biofarmacêutica Sinovac”, disse o Butatan em nota.

Em um momento de alta nas infecções e mortes por covid-19 no Brasil e de caos no sistema de saúde em cidades como Manaus, veja a seguir o que é certo ou duvidoso no processo de vacinação previsto até o momento para o país:

Quantas e quais vacinas já temos?

A decisão da Diretoria Colegiada da Anvisa se referiu às vacinas para as quais houve pedido formal de uso emergencial: a CoronaVac, produzida pela chinesa Sinovac em parceria com o Instituto Butantan, e a Oxford-AstraZeneca, cujo pedido foi feito pela Fiocruz.

A Anvisa destaca que, por enquanto, o que está em avaliação é o uso emergencial de vacinas ainda consideradas experimentais — portanto, os imunizantes, ao serem aprovados, ainda seriam usados em “caráter temporário, até que a vacina receba o registro definitivo no país”.

Uma tentativa de trazer 2 milhões de doses da vacina da AstraZeneca fabricadas na Índia fracassou na sexta-feira. Com um avião fretado pronto para trazer o imunizante, o governo brasileiro esbarrou em uma negativa do governo indiano e ainda aguardava, até o sábado, uma definição sobre a compra.

O governo federal diz contar com 6 milhões de doses da CoronaVac, a serem entregues pelo Instituto Butantan. Na sexta, o governo federal cobrou a “entrega imediata” das doses, mas o governo paulista resistiu a repassar todas as doses, mantendo parte do estoque para iniciar sua campanha.

Dose da Sinovac sendo aplicada na Turquia

Reuters
Por enquanto, as vacinas mais próximas da aplicação no Brasil são a da Sinovac (acima) e a da AstraZeneca

No total, o Butantan diz já dispor de 10,8 milhões de doses da CoronaVac em solo brasileiro. “No final de março, a carga total de imunizantes disponibilizados pelo instituto é estimada em 46 milhões de doses”, diz o órgão.

Dá para vacinar em todos os Estados ao mesmo tempo?

A CoronaVac está justamente no centro de uma disputa entre o governador João Doria e o presidente Jair Bolsonaro, potenciais adversários políticos na corrida presidencial de 2022.

Veja Mais:  Dois a cada três pacientes intubados morrem durante o tratamento contra a Covid

Doria programou a campanha de vacinação estadual por conta própria e pediu à Anvisa “senso de urgência” na aprovação das vacinas. Já o governo federal tem dito que “todos os Estados receberão as doses ao mesmo tempo, garantindo a imunização gratuita e não obrigatória para todos os brasileiros e brasileiras”.

Para alguns especialistas em imunização, tanto o projeto federal quanto o projeto paulista podem ser problemáticos.

Considerando que os primeiros grupos prioritários (veja mais detalhes abaixo) totalizam cerca de 15 milhões de brasileiros, e inicialmente o governo federal espera contar com 8 milhões de doses nos primeiros dias, “é claro que a conta não fecha”, diz Carla Domingues, epidemiologista que coordenou o Programa Nacional de Imunizações (PNI) do Brasil de 2011 a 2019.

Segundo ela, iniciar uma campanha de vacinação de um dia para o outro, simultaneamente em todo o país, é virtualmente impossível. “Se marco uma campanha para o dia 15, é porque no dia 1 eu já havia começado a distribuir as vacinas”, que precisam ser transportadas para centrais diferentes em cada Estado e, de lá, levadas tanto para os grandes centros urbanos quanto para locais remotos e de difícil acesso.

Sendo assim, o mais factível seria começar a vacinação em alguns hospitais específicos ou em locais onde a situação epidemiológica é mais crítica, afirma Domingues.

“É como está sendo feito no mundo: escolhe-se um lugar, um marco”, diz.

Ao mesmo tempo, ela também considera prejudicial que Estados façam seus planos de vacinação próprios, independentemente da coordenação nacional do PNI.

“Se cada um (Estado) faz uma coisa, deixa de ser o SUS e voltamos a como era antes dos anos 1970, quando só Estados e municípios que tinham capacidade compravam vacina. Foi a organização e a pactuação (do PNI) que permitiram ao Brasil acabar com doenças endêmicas”, defende.

O Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação Contra a Covid-19, elaborado em dezembro pelo governo Bolsonaro sob exigência do Supremo Tribunal Federal (e criticado por incluir inicialmente a assinatura de especialistas que não deram seu aval), diz que o país está em negociações para obter 350 milhões de doses de diferentes vacinas.

Parte significativa desse montante, porém, se refere a memorandos de entendimento com fabricantes para as quais ainda não há pedidos de aprovação na Anvisa, como a Pfizer e a Janssen.

Vacina de Oxford-AstraZeneca

Reuters
Avião fretado pelo Ministério da Saúde tinha agendada viagem à Índia buscar 2 milhões de doses da vacina de Oxford-AstraZeneca, mas planos foram adiados

Segundo o plano, há também encomenda à Fiocruz de 100,4 milhões de doses da vacina da AstraZeneca até julho deste ano, mais 110 milhões de vacinas que seriam produzidas nacionalmente até dezembro. E, também, encomenda de 42,5 milhões de doses em negociação com a Covax Facility, mecanismo internacional criado em defesa da distribuição igualitária de vacinas contra a covid-19.

Quem vai ter prioridade na vacinação?

O Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação prevê alguns grupos prioritários para receber a vacina, listados nesta ordem:

Primeira fase

trabalhadores da área da saúde

pessoas de 60 anos ou mais institucionalizadas

população idosa a partir dos 75 anos

indígenas

comunidades tradicionais ribeirinhas e quilombolas

Segunda fase

população idosa em geral, de 60 a 74 anos

Terceira fase

população em situação de rua

pessoas com comorbidades (diabetes, hipertensão arterial grave, doenças pulmonares, renais e cardiovasculares, transplantados, com câncer ou obesidade grau III)

trabalhadores da educação

pessoas com deficiência permanente severa

Você viu?

membros das forças de segurança e salvamento

funcionários do sistema de privação de liberdade

trabalhadores do transporte coletivo

transportadores rodoviários de carga

população carcerária.

Pazuello e Bolsonaro no lançamento do Plano de Imunização, em 16 de dezembro

Isac Nobrega/PR
Pazuello e Bolsonaro no lançamento do Plano de Imunização, em 16 de dezembro; governo não definiu data específica para iniciar a campanha, mas ministro tem dito que pretende começá-la em 20 de janeiro

“Optou-se pela seguinte ordem de priorização: preservação do funcionamento dos serviços de saúde, proteção dos indivíduos com maior risco de desenvolvimento de formas graves e óbitos, seguido da preservação do funcionamento dos serviços essenciais e proteção dos indivíduos com maior risco de infecção”, diz o plano.

Veja Mais:  Com média móvel de mortes recorde, 46 entidades médicas pedem o uso de máscaras

Até agora, pedidos de determinados grupos para “passar na frente” da fila, como o feito em documento do STF enviado à Fiocruz e ao Butantan, têm sido rejeitados.

O Brasil tem capacidade logística para a vacinação?

Segundo o plano do governo federal, as vacinas serão “enviadas aos Estados brasileiros por via terrestre e daí distribuídas aos municípios”. Isso ocorreria, de acordo com o Ministério da Saúde, no máximo até cinco dias após a aprovação das vacinas pela Anvisa.

Embora o início da campanha ainda esteja cercado de dúvidas, especialistas com conhecimento do modelo brasileiro de imunização pelo SUS (Sistema Único de Saúde) defendem que o Brasil tem ampla capacidade técnica em levar a cabo uma vacinação rápida e eficaz.

“Conseguimos, em quase cinco décadas do PNI, uma capacidade de produção única no mundo, só (comparável às de) Índia, China e Rússia, que nos permite produzir a maior parte das vacinas aqui”, diz à BBC News Brasil José Gomes Temporão, que foi ministro da Saúde entre 2007 e 2011 e hoje integra o Centro de Estudos Estratégicos da Fiocruz.

“Não temos autonomia absoluta (de produção de vacinas), mas temos bastante autonomia. E o SUS também desenvolveu uma grande capilaridade e logística e virou um exemplo global de vacinação”, diz.

Como exemplo, ele afirma que “em três meses (de 2010) conseguimos vacinar 80 milhões de pessoas contra a H1N1”.

“O lado negativo é o que vemos de tenebroso em omissão e incompetência do governo federal”, critica Temporão.

“Temos 35 milhões de pessoas vacinadas no mundo já, e até agora nenhum brasileiro. Isso poderia ter sido diferente. O governo o tempo todo dá uma sinalização errática. Então não basta ter vacina. É preciso ter organização e liderança e uma campanha (de conscientização da população) que já deveria ter começado”, argumenta.

Ao contrário de líderes de outros países, que se vacinaram logo no início da campanha, Jair Bolsonaro afirmou em dezembro: “não vou me vacinar e ponto final. Minha vida está em risco? É problema meu”.

Presidente turco Recep Tayyip Erdogan recebendo uma dose da vacina da Sinovac na Turquia em 14 de janeiro

Reuters
Presidente turco Recep Tayyip Erdogan recebendo uma dose da vacina da Sinovac na Turquia em 14 de janeiro; no Brasil, Bolsonaro afirmou que não pretende se vacinar

Qual a segurança das vacinas?

Na última semana, o Instituto Butantan apresentou os resultados referentes à fase 3 de estudos sobre a eficácia da vacina no Brasil: a proteção é, de modo geral, de 50,38%.

Embora o resultado esteja perto do limiar mínimo exigido pela Organização Mundial da Saúde, isso na prática é visto como positivo em termos de saúde coletiva. Como explicou à BBC News Brasil o médico Marcio Sommer Bittencourt, do Hospital Universitário da USP, “isso significa que quem não tomar a vacina terá o dobro de chances de desenvolver a covid-19 caso pegue o vírus”.

“A conta simplificada é: quantas pessoas estão protegidas e quanto protejo toda a população. Se vacinar 1 milhão com uma vacina que reduz 95% (a chance de covid-19), o máximo que você protegeu foram 950 mil pessoas. Se vacinar 200 milhões com uma vacina que reduz 50% você protege até 100 milhões de pessoas. Comparado com esperar um ano para ter, por exemplo, a vacina da Pfizer, a melhor alternativa que temos é essa (CoronaVac).”

A vacina também diminuiu muito a necessidade de atendimento médico entre os infectados e, embora o número seja estatisticamente insignificante, não houve casos graves ou de morte entre as pessoas vacinadas no teste.

dados da coronavac

BBC

Segundo o Butantan, tampouco foram observados efeitos colaterais graves à vacina, e reações alérgicas ocorreram em apenas 0,3% dos casos.

A vacina da AstraZeneca, por sua vez, teve eficácia global de 70,4% nos testes da fase 3. Segundo o governo britânico, também não houve efeitos colaterais graves observados durante os estudos. O que pode acontecer é, ao tomar a vacina, a pessoa sentir, temporariamente, dor no local da aplicação, febre, cansaço, náusea ou dor de cabeça, por exemplo.

Veja Mais:  Butantan vai entregar 20 milhões de doses da Coronavac em março, diz Dimas Covas

E, como as vacinas foram testadas apenas em adultos, ainda não se sabe qual seu efeito em crianças – por enquanto, a vacinação infantil não está em um horizonte próximo.

É importante lembrar, porém, que será preciso tomar duas doses da vacina (qualquer que ela seja), com intervalo de algumas semanas, para que o imunizante de fato proteja contra o coronavírus.

Portanto, José Gomes Temporão diz que é crucial que o governo federal prepare uma logística para isso – o modo mais simples seria via um aplicativo que notifique a pessoa vacinada quando ela deve voltar para a segunda dose, e de qual vacina (quem for vacinado com a CoronaVac, por exemplo, terá obrigatoriamente que tomar uma segunda dose também da CoronaVac).

“Isso vai ser importante também para que as pessoas possam comprovar que foram vacinadas, por exemplo ao viajar”, diz o ex-ministro.

Com a vacina, poderemos voltar à vida normal?

Especialistas advertem que a vacina, quando começar a ser aplicada, não pode ser encarada pela população como um “passe livre” para aglomerar e deixar de lado cuidados básicos, como a máscara. Isso ainda vai demorar muito tempo para acontecer.

Embora ache “factível vacinar metade da população brasileira até meados do ano”, caso haja doses suficientes da CoronaVac e da AstraZeneca e logística eficaz, Temporão diz que ainda levará meses até que a imunização se traduza em menor circulação do vírus e queda no número de mortes.

Comparação entre vacinas contra o coronavírus

BBC

Carla Domingues é ainda mais cautelosa: acha que, neste semestre, ainda não dá para pensar em retomar a normalidade.

“Acho que (mesmo iniciada a vacinação) teremos um ano muito difícil. Estudos apontam que precisamos de ao menos 70% de população vacinada (para o vírus arrefecer). Minha preocupação é de que, quando começar a vacina, venha a falsa sensação de que as pessoas podem fazer festa ou andar sem máscara”, adverte.

“Qualquer previsão dependerá da nossa capacidade de produção nacional das vacinas. E são processos complexos, que exigem vários controles de qualidade por parte da Anvisa para ajustes de máquinas e para evitar contaminação. Não sabemos ainda qual será a velocidade da produção nacional. Então, as medidas preventivas ainda durarão um longo tempo.”

Como está a vacinação pelo mundo?

Existe uma espécie de corrida global tanto para adquirir vacinas quanto para imunizar rapidamente suas populações. Por enquanto, proporcionalmente a suas populações, essa corrida tem na dianteira Israel, Emirados Árabes Unidos e Reino Unido.

gráfico da vacinação pelo mundo

BBC
gráfico da vacinação pelo mundo

BBC

Ao mesmo tempo, organizações humanitárias temem que essa corrida impeça a imunização de pessoas nos países mais pobres do mundo, particularmente na Ásia e na África.

Em dezembro, a coalizão People’s Vaccine Alliance (Aliança da Vacina do Povo, em tradução livre, grupo que reúne organizações como Oxfam, Anistia Internacional e Global Justice Now) estimou que quase 70 países de baixa renda só conseguirão vacinar 1 em cada 10 de seus cidadãos.

Enquanto isso, países ricos estão reservando para si mais doses do que de fato vão necessitar. O Canadá, por exemplo, tinha encomendado na época número de doses o bastante para imunizar seus cidadãos cinco vezes.


Já assistiu aos nossos novos vídeos no YouTube ? Inscreva-se no nosso canal!

Fonte: IG SAÚDE

Comentários Facebook

Saúde

Epidemiologistas alertam que Brasil pode viver cenário de guerra em duas semanas

Publicado


source

Olhar Digital

Para os medicos, o crescimento no índice de transmissão foi o principal responsável pelo agravamento da crise
Foto: Olhar Digital

Para os medicos, o crescimento no índice de transmissão foi o principal responsável pelo agravamento da crise

Após o  recorde de mortes em 24 horas com as 1.541 da última quinta-feira (25), a pandemia da Covid-19 não dá sinais de que vai dar trégua para o Brasil.

O cenário é tão grave que epidemiologistas e infectologistas alertam que o país pode viver um cenário de guerra nas próximas duas semanas se nada for feito.

Thaís Guimarães, médica infectologista do Hospital das Clínicas de São Paulo teme que o Brasil entre em colapso caso medidas coordenadas não sejam tomadas e contem com a adesão da população.

 “Vamos ter pessoas morrendo em casa ou morrendo na porta dos hospitais, porque não vamos ter onde interná-las. Vamos ter um cenário de guerra “, disse a especialista à  CNN Brasil .

Para os medicos, o crescimento no índice de transmissão foi o principal responsável pelo agravamento da crise. Somado a isso, está a diminuição na faixa de idade das pessoas internadas, que já está abaixo dos 50 anos, o que preocupa, já que os mais jovens tendem a se aglomerar mais.

“O que foi vivenciado em Manaus é o que devemos ter no resto do país nas próximas semanas”, afirma Raquel Stucchi, consultora da Sociedade Brasileira de Infectologia.

Espalhamento das variantes

variante P1 , também conhecida como variante brasileira, que foi identificada pela primeira vez em Manaus, se espalha mais rápido que as demais, o que aumenta o temor dos especialistas sobre o tamanho que a crise pode atingir.

“O que podemos supor é que a P1 vai se tornar dominante e se espalhar rapidamente”, alerta Ethel Maciel, da Universidade Federal do Espírito Santo. Entretanto, ela alerta que os estados não devem colapsar ao mesmo tempo, o que pode dar uma margem de ação aos governos estaduais e federal.

“É possível que a gente arraste essa pandemia no pior nível por mais tempo. Eu acredito que março vai ser muito ruim”, lamenta. “Se o país inteiro chegar ao nível de Manaus, com pessoas esperando tratamento de UTI, não é nem colapso, é tragédia”, diz a médica.

Vacina
Para os especialistas, é necessário um Lockdown de 21 dias e aumentar o ritmo da vacinação. Crédito: Shutterstock

Lockdown e vacinação

Para Ethel Maciel, são necessárias ações do poder público que envolvam a adoção de medidas restritivas mais firmes, além da aceleração da vacinação. “Deveríamos fazer lockdown, fechar tudo por 21 dias para evitar as mortes”, alerta.

“O que poderia mudar esse cenário é uma vacinação rápida, com mais de 1 milhão de pessoas sendo vacinadas por dia”, diz ela.

Porém, Ethel Maciel se mostra cética de que tais medidas serão tomadas por conta da pressão de outros agentes. “Não é possível neste momento por conta das pressões sofridas pelas autoridades, mas a gente precisa de um pacto social para salvar vidas”, completa.

Veja Mais:  Epidemiologistas alertam que Brasil pode viver cenário de guerra em duas semanas
Fonte: IG SAÚDE

Comentários Facebook
Continue lendo

Saúde

Máscara transparente ou ‘M85’; o produto de vinil que não funciona

Publicado


source

BBC News Brasil

A N95, assim como a PFF2 (nomenclatura no Brasil), segue padrões estabelecidos por normas técnicas para garantir um nível alto de proteção
Laís Alegretti – @laisalegretti – Da BBC News Brasil em Londres

A N95, assim como a PFF2 (nomenclatura no Brasil), segue padrões estabelecidos por normas técnicas para garantir um nível alto de proteção

Se você buscar o termo M85 no Google, talvez encontre um tipo de metralhadora. Ou imagem de uma galáxia lenticular descoberta em 1781 que tem este nome. Ou até o código da Classificação Internacional de Doenças (CID) referente a “outros transtornos especificados da densidade e da estrutura ósseas”.

Mas esse também é o nome dado por vendedores brasileiros a um modelo de “máscara” transparente feita com policarbonato. Esse tipo de produto, com preço em torno de R$ 25 a R$ 30, vem sendo vendido para todas as regiões do Brasil, sob o argumento de que é inquebrável, não atrapalha a beleza e dá “liberdade para respirar”.

O problema é: esse produto e similares não são eficazes para reduzir os riscos de transmissão do coronavírus , segundo os especialistas em infectologia e saúde coletiva ouvidos pela BBC News Brasil.

A explicação, segundo eles, está em dois pontos: o primeiro é que o material não é capaz de filtrar o ar inspirado ou expirado. O segundo é que não há uma boa adesão ao rosto — característica essencial para aumentar a proteção.

Nesse produto, os espaços grandes entre o rosto e a máscara permitem a entrada e saída de ar sem nenhum tipo de filtragem. Por isso, assim como os escudos protetores ( face shield ), esse produto não deveria ser usado sozinho, sem uma máscara de fato por baixo.

“Essa máscara de vinil, transparente, isso não tem função nenhuma de máscara, não tem elemento filtrante absolutamente nenhum. Isso não deveria nem se chamar de máscara, e sim protetor facial. Máscaras mesmo, que temos hoje disponíveis, são de tecido, cirúrgica e PFF2 ou N95”, diz o infectologista Antonio Bandeira, diretor da Sociedade Brasileira de Infectologia.

Ao mesmo tempo em que é muito claro para o infectologista que a máscara não funciona no contexto da pandemia, ele conta que tem visto o produto em uso.

“Um dia desses entrou na academia em que faço exercício físico uma pessoa com isso, eu fui lá dizer para o dono da academia que não se pode permitir que alguém faça atividade física com um negócio desse. É gritante o vácuo de informação nessa área. Muita confusão.”

A professora da Unicamp Raquel Stucchi, que é infectologista e consultora da Sociedade Brasileira de Infectologia, também avaliou modelos de máscaras transparentes disponíveis para venda encaminhados pela reportagem e disse que nenhum deles é adequado.

Ela destacou principalmente a falta de adesão ao rosto. “Não cumpre a função que esperamos de uma máscara para proteção contra a covid.”

Silêncio dos órgãos oficiais

A página divulgada pelo Ministério da Saúde e pela Anvisa com recomendações sobre uso de máscaras não menciona esse tipo de material transparente entre as orientações para proteção contra o coronavírus.

Por isso, a BBC News Brasil procurou as assessorias de imprensa dos dois órgãos para questionar especificamente sobre esses produtos. Nenhum deles deu orientação em relação ao produto.

A Anvisa respondeu que “não regulamenta e não tem recomendações sobre o uso das máscaras de vinil ou similares”. E a assessoria do Ministério da Saúde respondeu que “a Anvisa deve ser procurada para falar deste tema”.

Bandeira, da Sociedade Brasileira de Infectologia, diz que sente “grande carência de posicionamento”.

“Como alguém coloca um protetor facial transparente, chama isso de máscara, e as autoridades, como Anvisa e Ministério da Saúde, não se posicionam sobre isso, especialmente para apontar que isso não é máscara?”

Veja Mais:  Butantan vai entregar 20 milhões de doses da Coronavac em março, diz Dimas Covas

Beatriz Klimeck, antropóloga e doutoranda em Saúde Coletiva pelo Instituto de Medicina Social da UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), aponta que, neste cenário, “as marcas usam a falta de diretrizes para vender”.

Mais bonitas

Klimeck, que criou o perfil @qualmascara nas redes sociais para divulgar informações sobre proteção contra a covid-19, diz que a volta às aulas levou a um aumento na quantidade de perguntas recebidas diariamente no início de 2021.

O que chamou atenção, segundo ela, foi o argumento das pessoas de que elas querem usar uma máscara com a qual possam se sentir mais bonitas.

“Até as propagandas dizem isso: você pode continuar linda usando a máscara transparente. E eu não tenho postura de achar isso ignorância. Isso faz parte de um desejo das pessoas neste momento, que vem uma medida de cima para baixo e ninguém explica muito.”

O problema, ela destaca, é a falta de informação de que esses produtos, na verdade, não funcionam no contexto da pandemia. “É um fluxo de informações tão grande que as pessoas não sabem em quem confiar.”

“São muitas dúvidas que recebemos todos os dias e essa de fato é a mais preocupante porque ela não é nem considerada uma máscara.”

No rosto de pessoas públicas

A situação é agravada pelo exemplo dado por pessoas públicas, segundo os especialistas.

Duas figuras que foram vistas usando diferentes máscaras transparentes foram Celso Russomanno e Joice Hasselmann, então candidatos à prefeitura de São Paulo em 2020.

Esse tipo de comportamento, diz Stucchi, deseduca e colabora para que a população fique mais confusa.

“A população está procurando alternativas para não usar máscara, para usar algo mais confortável ou para poder aglomerar. A partir do momento que pessoas públicas e autoridades fazem isso, elas passam a informação para a população de que essas máscaras protegem, sim. Isso só aumenta a dificuldade de controlar minimamente a pandemia”, diz a infectologista.

Klimeck diz que é possível perceber diariamente a influência do comportamento de pessoas famosas, como atores e atrizes, no público em geral. “Um dia sai uma pessoa na TV com a máscara e no dia seguinte a gente recebe perguntas sobre ela.”

M85 tem alguma coisa a ver com a N95?

O escudo facial que usa o nome M85 não tem nada a ver com a N95, que é uma máscara profissional.

A N95, assim como a PFF2 (nomenclatura no Brasil), segue padrões estabelecidos por normas técnicas para garantir um nível alto de proteção. É por isso que é possível saber a capacidade de filtragem dela: a N95 filtra pelo menos 95% das partículas de 0,3 mícron de diâmetro, as mais difíceis de se capturar.

Diferente desses produtos transparentes, a N95 é altamente eficaz exatamente pela alta capacidade de adesão ao rosto e pelo material do filtro.

A vedação faz com que todo o ar inspirado e expirado passe pelo filtro, que é composto por várias camadas que fazem filtragem mecânica (partículas colidem e ficam presas nas fibras) e eletrostática (partículas são atraídas por fibras com carga elétrica).

Especialistas apontam que o nome M85 acaba confundindo os consumidores, por se aproximar à nomenclatura da máscara de alta proteção N95, cujo nome se popularizou durante a pandemia.

“Do ponto de vista de utilização em área de saúde, elas não existem (M85). Acho que eles fizeram propositadamente para parecer que é algo técnico”, diz Stucchi.

Veja Mais:  Dois a cada três pacientes intubados morrem durante o tratamento contra a Covid

Klimeck afirma que é a “forma mais escrachada de tentar fazer associação com a N95”.

Você viu?

infografico

BBC

O que dizem os responsáveis

Ana Paula Lourenço, responsável pelas vendas por meio do site Máscara Cristal, disse à BBC News Brasil que o nome foi uma ideia do namorado dela, que produz as máscaras.

“O M é de máscara e 85 é de 85%, porque veda 85%, e 15% é aberta. Não é pra copiar N95, nunca foi.”

Ela conta que a ideia de desenvolver o produto veio do namorado, que já trabalhava com produção de capacetes, e pediu ajuda dela, que estava com o trabalho na área de decoração afetado pela pandemia.

“Começamos a pesquisar o que seria mais legal naquele momento, para que as pessoas pudessem se sentir felizes e não com o pano no rosto. Em maio, a gente já tava com o produto na mão.”

Desde então, o negócio cresceu. “A gente vende do norte até Uruguaiana, na divisa com Uruguai.”

A reportagem também entrou em contato com Bruna Fernanda Carvalho, administradora das vendas do site Máscara Vinil Cristal, que contou trabalhar junto com Ana Paula. “Somos dois casais proprietários.”

Ela diz que há em torno de 130 revendedores do produto no Brasil.

Ambas relatam que procuraram a Anvisa no início do negócio para tirar dúvidas sobre certificação. “A Anvisa me informou que só precisa certificar lá se for pra vender pra uso profissional, como médicos e enfermeiros. Eu disse que não era meu foco”, disse Lourenço.

Carvalho diz que gostaria houvesse orientação e regulamentação (“tanto que procuramos a Anvisa”) e Lourenço diz que isso seria burocrático. “Todo mundo teria que aprovar, é burocrático. E como neste momento todo mundo precisa usar, é mais que certo que as pessoas possam fazer a máscara em casa.”

Questionada sobre a avaliação de infectologistas de que o produto vendido não funciona contra a covid-19, Lourenço disse que levou o produto “em alguns médicos que validaram a máscara”.

“Às vezes vejo médicos que eu nem conheço usando a minha máscara. Quando vejo médico usando, fico muito feliz porque eles estão validando.”

Gráfico de transmissão do vírus por gotículas ou aerossóis

BBC

Carvalho admitiu que o produto não protege contra a covid, sob o argumento de que nenhuma máscara protege. A reportagem perguntou por que, então, os consumidores compram o produto na pandemia.

“Porque é uma imposição da sociedade (usar máscara). Você pode entrar num mercado sem máscara? Então a pessoa usa uma máscara na qual vai se sentir melhor”, respondeu.

Não é correto afirmar que as máscaras recomendadas pelos órgãos de saúde não protejam contra o coronavírus, segundo cientistas e pesquisas. Eles apontam que o nível de proteção varia, com os respiradores N95 e PFF2 com maiores níveis de filtragem, e reforçam que as máscaras devem ser combinadas a outras medidas de proteção, como distanciamento e preferência por locais abertos.

Se por um lado os vendedores argumentam que a máscara não precisa de certificação da Anvisa porque não é para uso profissional, ao mesmo tempo dizem que boa parte das vendas é para fonoaudiólogos.

A BBC News Brasil procurou o Conselho Federal de Fonoaudiologia. A presidente da Comissão de Saúde do conselho, Andréa Lopes, disse que o uso de máscara cirúrgica ou respirador N95 é obrigatório no atendimento.

“O conselho recomendou, por meio do manual de biossegurança e duas resoluções, que o uso da máscara cirúrgica ou respirador N95 é obrigatório no atendimento dos pacientes, porque é nossa única forma de proteção, do profissional e do paciente”, disse.

Veja Mais:  Máscara transparente ou 'M85'; o produto de vinil que não funciona

“Em casos excepcionais, na necessidade de mostrar algum padrão para o paciente seguir, o profissional vai usar um face shield, manter o distanciamento e dar o modelo sem a máscara.”

Máscaras mais potentes

Com o avanço de novas variantes do coronavírus, alguns países europeus passaram a exigir o uso de máscaras cirúrgicas ou de padrão equivalente à PFF2 e N95.

Embora as orientações variem de país para país, cientistas e estudos apontam que as máscaras N95, PFF2 ou equivalente oferecem um grau maior de proteção do que as cirúrgicas ou de tecido e devem ser priorizadas em situações de maior risco. Veja aqui a explicação sobre o funcionamento dessas máscaras, além de dicas sobre como reutilizá-las em ambientes não hospitalares.

No Brasil, a Anvisa mantém a indicação de máscaras de tecido, limpas e secas, para a população em geral, enquanto as máscaras cirúrgicas e as N95, PFF2 e equivalentes devem ser usadas pelos profissionais que atendem pacientes com covid-19 nos serviços de saúde.

A OMS mantém a recomendação de uso de máscaras de tecido para o público em geral.

De forma geral, as entidades nacionais e internacionais pedem que as máscaras tenham duas ou três camadas e cubram bem o rosto, desde a parte superior do nariz até o queixo. Elas devem ser feitas com algodão ou poliéster, com uma trama de tecido mais densa.

Um estudo divulgado na Science Advances em 2020 testou mais de 10 tipos de máscara e apontou que a N95 apresentou maior grau de proteção. Depois dela, versões de máscaras cirúrgica e de algodão tiveram bom desempenho. Nos piores resultados, ficaram as bandanas e as golas de corredores usadas como máscara.

Esses testes são importantes, mas têm limitações. Especialistas dizem que é importante lembrar que se trata de um exercício em um ambiente controlado (e não na “vida real”) e que as máscaras têm diferentes níveis de proteção, dependendo do tecido e adesão.

A busca por formas de aumentar a adesão das máscaras ao rosto vem crescendo. Uma forma de fazer isso pode ser usar uma máscara cirúrgica com uma de tecido por cima, segundo estudo divulgado pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), órgão de saúde dos Estados Unidos. A lógica é que, se a máscara (ou as máscaras) estão bem ajustadas ao rosto, isso impede que o ar entre ou saia pelas laterais sem passar por filtragem.

Bandeira diz que tem orientado as pessoas a usarem os três tipos de máscaras, analisando as condições da ocasião em relação à proximidade com outras pessoas e tempos de exposição.

O infectologista diz que as de tecido devem ser usadas em locais mais abertos, em que a boa ventilação reduz riscos.

Para ambientes fechados, como um trabalho em escritório, ele recomenda a cirúrgica. Mas, se esse trabalho envolve reuniões mais longas, com mais pessoas, em locais fechados, recomenda a N95 ou PFF2.

Ele também recomenda os respiradores no transporte público, especialmente em viagens mais demoradas e ônibus mais lotados.

É importante sempre procurar modelos sem válvulas. Elas não são bem-vindas no contexto da pandemia, já que permitem saída de ar sem filtragem.

“Mesmo tendo iniciado a vacinação no país, ainda vamos precisar não fomentar aglomeração, manter distanciamento, higienizar as mãos e usar máscara correta e da forma correta durante todo este ano, no mínimo”, diz Raquel Stucchi.

Fonte: IG SAÚDE

Comentários Facebook
Continue lendo

Saúde

Recuperados de Covid podem desenvolver transtorno de estresse pós-traumático

Publicado


source

Olhar Digital

Cerca de 30,2% apresentaram sinais de delírio e agitação entre 30 e 120 dias depois de se recuperarem da doença
Foto: Olhar Digital

Cerca de 30,2% apresentaram sinais de delírio e agitação entre 30 e 120 dias depois de se recuperarem da doença

Pessoas que se recuperaram de casos graves de Covid-19 podem desenvolver sintomas de transtorno de estresse pós-traumático (TEPT). A conclusão é de um estudo feito por especialistas da ala psiquiátrica da Fondazione Policlinico Universitario Agostino Gemelli IRCCS, de Roma, na Itália, e publicado na revista Jama Psychiatry.

A pesquisa avaliou 381 pacientes tratados de Covid-19 e mostrou que aproximadamente um terço deles (30,2%) apresentaram sinais de delírio e agitação entre 30 e 120 dias depois de se recuperarem da doença. Além disso, alguns também tiveram outros sintomas, como episódios de depressão ou de hipomania condição associada ao transtorno bipolar tipo 2 e que pode ser desencadeada pelo uso excessivo de antidepressivos.

Delfina Janiri, especialista do departamento psiquiátrico da instituição e líder do estudo, explica que epidemias anteriores de [outros] coronavírus foram associadas a diagnósticos de TEPT em estágios pós-doença. “As conclusões meta-analíticas indicam uma prevalência de 32,2%”, diz. A pesquisadora ressalta, porém, que resultados específicos da Covid-19 eram fragmentados.

Os pacientes foram avaliados de abril a outubro de 2020. Todos eram brancos, sendo 56,4% homens com idade média de 55 anos, e deram entrada em prontos-socorros controlados pela fundação. Do total de atendidos, 309 foram hospitalizados por um período médio de 18,4 dias, diagnosticados como casos severos de Covid-19.

Veja Mais:  Variante de Manaus do coronavírus é detectada no Reino Unido

Depois de recuperados, 115 participantes apresentaram manifestações consistentes com TEPT. Entre eles, 55,7% eram mulheres. Outros sintomas identificados incluem:

Você viu?

  • episódios depressivos: 17,3%;
  • Distúrbio de Ansiedade Generalizada (DAG): 7%;
  • episódios de hipomania: 0,7%;
  • distúrbios e eventos psicóticos: 0,2%.

Comparados a grupos com Covid-19, mas sem dificuldades neurológicas, pacientes com TEPT apresentaram três ou mais sintomas persistentes do novo coronavírus em relação aos que não tiveram o transtorno. Os pesquisadores ressaltam que os números estão alinhados com pesquisas que analisaram outros eventos traumáticos, como soldados que retornaram da guerra, bem como sobreviventes do Furacão Katrina, de 2005, e do terremoto e tsunami no Japão, em 2011.

O estudo ressalta, porém, que o volume de participantes é pequeno para que seja concluída uma relação de causa e efeito entre a Covid-19 e o TEPT. Isso porque foram avaliados apenas casos confirmados de infecção pelo novo coronavírus e não houve um grupo de controle sem a doença.

Fonte: Jama Psychiatry

Fonte: IG SAÚDE

Comentários Facebook
Continue lendo

CAMPANHA COVID-19 ALMT

Rondonópolis

Polícia

Esportes

Famosos

Mais Lidas da Semana