Mato Grosso
2ª etapa do projeto oferta curso de informática para reeducandos em VG
A partir desta semana, 10 reeducandos do Centro de Ressocialização Industrial Ahmenon Lemos Dantas, no município de Várzea Grande, terão aulas de informática duas vezes por semana, no período matutino e vespertino. A qualificação é resultado do projeto Reconstruindo Sonhos, desenvolvido pelo Ministério Público do Estado de Mato Grosso em parceria com várias instituições.
O grupo de participantes concluiu a primeira etapa do projeto no segundo semestre do ano passado. Na primeira fase eles tiveram 12 encontros, que abordaram temas como valores, humanização e espiritualidade, relações interpessoais, família, comunicação, trabalho, perspectiva de futuro, planejamento, entre outros.
G.A, 27 anos, é um dos participantes. Ele conta que está preso há oito meses e foi condenado a quase sete anos de prisão por tráfico. Animado com o início do curso, o jovem revela que além de ser uma oportunidade de aprendizagem, os encontros possibilitam pensar em outras coisas. Quando questionado sobre a primeira fase do projeto, o reeducando foi enfático: “Mudou meu modo de pensar em relação à vida, sobre o que vou fazer quando sair daqui”.
Na abertura do curso, a coordenadora do projeto, promotora de Justiça Josane de Fátima de Carvalho Guariente, destacou a importância do papel das pessoas que integram as instituições em proporcionar melhorias nas vidas daqueles que precisam de auxílio. “Cada um de nós que possuímos uma função, que temos um cargo público, temos que fazer sempre o nosso melhor, indo além do que se espera. O objetivo da nossa existência é pensar no próximo, como podemos implementar melhorias na vida das pessoas”, destacou a promotora de Justiça.
A oferta do curso de informática, segundo ela, foi viabilizada em parceria com a Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação (Seciteci). As aulas serão ministradas com equipamentos recuperados pelo projeto Recytec. “Estamos muito felizes em estar aqui, levando esperança e oportunidade dentro de um sistema que precisa do apoio de todos”, destacou o secretário adjunto de Educação Profissional e Superior da Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação (Seciteci), Dimorvan Alencar Brscancim.
O programa Recytec é uma parceria entre o Governo do Estado de Mato Grosso, por intermédio da Seciteci, com a organização da sociedade civil “Programando o Futuro”, que prevê a coleta e reciclagem de eletrônicos para a população, cursos e oficinas gratuitos nas áreas de tecnologia e sustentabilidade, doações de computadores para instituições, entre outras atividades. O trabalho busca transformar lixo eletrônico em oportunidades sustentáveis.
Os cidadãos e empresas que quiserem descartar e reciclar corretamente seus eletrônicos já podem usufruir dos serviços gratuitos do projeto, fazendo solicitações diretamente através do WhatsApp, pelo número: Whatsapp: (65) 99229-2675.
Parcerias – O Reconstruindo Sonhos conta ainda com o envolvimento da Secretaria Adjunta de Administração Penitenciária (SAAP), Defensoria Pública, Ordem dos Advogados do Brasil (Seccional MT), Instituto Ação Pela Paz, Fundação Nova Chance, Nova Acrópole Cuiabá e Concep de Cuiabá.
O projeto integra o rol de iniciativas estratégicas do Ministério Público do Estado de Mato Grosso e busca fortalecer a reinserção social das pessoas em privação de liberdade e a redução da reincidência criminal por meio de duas fases: a de ampliação da compreensão do sentido da vida e a de qualificação e habilitação profissional para o mercado de trabalho.
Fonte: MP MT
Mato Grosso
Júri é remarcado depois que defesa abandona plenário em julgamento de filho de ex-deputado

A sessão de julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, acusado pelo feminicídio de Thays Machado e pelo homicídio qualificado de Willian Cesar Moreno, foi remarcada para o dia 31 de julho, às 9h, após a defesa abandonar o plenário nesta terça-feira (21). Mais uma vez, os advogados tentaram o adiamento do julgamento, o que foi indeferido pela juíza Monica Catarina Perri Siqueira, presidente da sessão, sob o argumento de que não havia justificativa plausível para a redesignação da data.
Segundo a magistrada, os advogados tiveram um prazo de 15 dias para analisar os documentos juntados aos autos. Ela ressaltou que a maior parte dessas informações já constava no processo e que a alegada falta de acesso a um despacho específico sobre prisão domiciliar não acarretaria prejuízo real, uma vez que a decisão sobre o tema também integra os autos.
“O advogado, quando assume a substituição no processo, o recebe no estágio em que ele se encontra. O processo não recua, ele tem que andar para a frente”, afirmou Monica Perri. Após anunciar a nova data do júri, a magistrada determinou que, caso não haja um advogado constituído apto para atuar na sessão, a Defensoria Pública deverá estar preparada para assumir a defesa na data prevista. Todos os presentes saíram intimados do plenário.
A acusação seria conduzida pelos promotores de Justiça Vinicius Gahyva Martins e Élide Manzini de Campos, integrantes do Núcleo de Defesa da Vida do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O réu era defendido pelos advogados Elson Marcelino da Silva Júnior, Larice Cristine, Melissa de Oliveira Machado e Gabriel Gouvea Neno Reiff.
Manobra – Ainda no plenário, o promotor de Justiça Vinicius Gahyva Martins sustentou que o acesso a processos externos é responsabilidade da defesa e que as questões relacionadas ao habeas corpus e à prisão domiciliar já foram resolvidas, não havendo justificativa para o adiamento do júri. Ele destacou o papel do Ministério Público como fiscal da lei, com a missão de assegurar direitos e preservar a imagem das vítimas perante a coletividade. Também se posicionou contra o abandono do plenário, ressaltando que a realização de um Tribunal do Júri exige o empenho e a presença de diversos envolvidos, inclusive pessoas que se deslocaram de outros estados, e que a “ritualística do tribunal” deve ser respeitada em busca da verdade.
Vinicius Gahyva disse ainda que o abandono do plenário é uma estratégia que acaba por arranhar a imagem do Tribunal do Júri. “Isso tem se tornado, de certo modo, frequente nos julgamentos do Tribunal do Júri, especialmente naqueles que afligem de forma intensa o interesse da coletividade, como é o caso concreto de um feminicídio e de um homicídio de dois jovens. São duas pessoas que, efetivamente, traduzem a necessidade de reafirmarmos o nosso papel social de não banalização da vida humana. Nós sabemos que o Tribunal do Júri envolve uma série de providências que devem ser adotadas para que o ato processual seja realizado, e lamentamos muito que esse tipo de estratégia esteja sendo adotada”, afirmou.
A promotora de Justiça Élide Manzini de Campos lembrou que o julgamento já deveria ter ocorrido no dia 7 de julho. Segundo ela, naquela ocasião, a defesa solicitou o adiamento para análise de provas, pedido que foi deferido pela magistrada responsável pelo caso, com a remarcação da sessão para 21 de julho. “É um absurdo uma medida protelatória após mais de três anos do fato, com a família aguardando o julgamento. A defesa admite alegações de nulidades que não existem e que já foram completamente afastadas. É uma estratégia utilizada para tentar postergar, prorrogar e até abrir outro incidente de sanidade, ou qualquer outra medida, para que esse julgamento não ocorra. Tudo isso já foi afastado, e não há motivo algum para que esse julgamento não aconteça”, afirmou.
Sobre o caso de feminicídio, a promotora destacou que a reação da sociedade demonstra uma rejeição cada vez mais firme a esse tipo de crime. Segundo ela, a população tem se posicionado de forma clara contra a violência de gênero e em defesa do enfrentamento aos feminicídios, cobrando respostas efetivas do sistema de Justiça para coibir esse tipo de violência.
Fotos: Josi Dias | TJMT
Mato Grosso
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