Mato Grosso
“O Hospital do Araguaia vai trazer dignidade para as pessoas que precisam de atendimento na região”, afirma moradora de Confresa

A construção do Hospital Regional do Araguaia, em Confresa (a 1.020 km de Cuiabá), é um dos principais investimentos do Governo de Mato Grosso para melhorar a saúde pública no Estado. Com um aporte de R$ 124 milhões, as obras já alcançaram 36% de execução, com a previsão de entrega a partir de 2025. A unidade será referência e atenderá outros 14 municípios da região do Araguaia.
Para Cléo Pereira, moradora do município há 15 anos, a construção da unidade representa um avanço importante para a saúde na região.
“Na época da pandemia, eu não consegui levar minha mãe para Cuiabá porque ela não tinha condições de atravessar a estrada e também não podia viajar de avião. Então, para muitas pessoas que precisam de atendimento, esse hospital vai facilitar e trazer dignidade”, afirma.
Atualmente, o hospital está em fase final de estruturação, com a instalação de sistemas de suporte de baixa tensão, hidrossanitários, estrutura do telhado, ar-condicionado e de incêndio.
Com 111 leitos de enfermaria e 40 leitos de UTI, distribuídos entre adulto, pediátrico e neonatal, a unidade vai proporcionar mais conforto e segurança para os pacientes, além de reduzir a necessidade de deslocamentos para a capital mato-grossense.
Para Patrícia da Silva, mãe de uma criança de 8 anos diagnosticada com a síndrome de Guillain-Barré, a construção do hospital representa alívio e esperança. A doença rara exige acompanhamento médico constante, e ela, há anos, enfrenta o desafio de viajar para fora de Confresa para realizar exames e tratamentos.
“Desde 2021, quando minha filha adoeceu, sou obrigada a viajar constantemente para fora de Confresa, às vezes a cada três meses, para fazer os exames e o acompanhamento. Isso é muito difícil. Imagina viajar com uma criança e enfrentando essa estrada. Quando o hospital ficar pronto, vai ser uma maravilha, vou poder cuidar dela sem esse sofrimento,” afirma Patrícia.
Segundo o secretário de Saúde de Mato Grosso, Juliano Melo, as obras de grande porte, como o Hospital Regional de Confresa, são prioridade para o Governo, com o objetivo de garantir acessibilidade, agilidade e qualidade nos serviços prestados à população, especialmente nas regiões mais afastadas do Estado.
“Estamos enfrentando um grande desafio, que é o vazio assistencial nas regiões mais distantes de Mato Grosso. A construção desse hospital é um passo importante para garantir que os mato-grossenses, especialmente os moradores do interior do Estado, tenham acesso a um atendimento médico de qualidade sem precisar se deslocar para a capital”, explica o secretário.
Seis novos hospitais em MT
O Hospital Regional do Araguaia, em Confresa, é um dos seis novos hospitais em construção pelo Governo de Mato Grosso. A iniciativa visa atender à crescente demanda por serviços médicos de qualidade em diversas regiões.
Em Alta Floresta, a obra está com 63% de execução e recebeu R$ 144 milhões em investimentos. O novo hospital vai substituir a atual unidade, que já não atende à demanda da região.
Em Juína, o hospital está com 38% de obra concluída e o investimento é de R$ 125 milhões. A nova unidade de saúde ampliará a oferta de serviços médicos na região, sobretudo em alta complexidade.
Em Tangará da Serra, a construção está com 34% de execução, com investimento de R$ 127 milhões. A unidade oferecerá uma infraestrutura robusta para a população da região central de Mato Grosso.
Vale destacar que as novas unidades seguirão o mesmo padrão de qualidade, com UTIs, pronto atendimento, centros cirúrgicos, exames especializados e outros serviços essenciais de saúde.
Além das unidades regionais, o Governo do Estado também está investindo em grandes hospitais na capital de Mato Grosso. O Hospital Central, que estava abandonado há 34 anos, já está 95% executado e terá capacidade para oferecer 1.990 internações, 652 cirurgias, 3 mil consultas especializadas e 1,4 mil exames por mês. Com um investimento de R$ 221,8 milhões, a unidade será um centro de alta complexidade para todo o Estado.
O novo Hospital Universitário Júlio Muller, construído em parceria com a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), já está 70% concluído. Com 58,3 mil metros quadrados de área construída, a unidade está sendo edificada por meio de um convênio entre o Governo de Mato Grosso e a União, com um total de R$ 221,1 milhões em investimentos.
Fonte: Governo MT – MT
Mato Grosso
Júri é remarcado depois que defesa abandona plenário em julgamento de filho de ex-deputado

A sessão de julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, acusado pelo feminicídio de Thays Machado e pelo homicídio qualificado de Willian Cesar Moreno, foi remarcada para o dia 31 de julho, às 9h, após a defesa abandonar o plenário nesta terça-feira (21). Mais uma vez, os advogados tentaram o adiamento do julgamento, o que foi indeferido pela juíza Monica Catarina Perri Siqueira, presidente da sessão, sob o argumento de que não havia justificativa plausível para a redesignação da data.
Segundo a magistrada, os advogados tiveram um prazo de 15 dias para analisar os documentos juntados aos autos. Ela ressaltou que a maior parte dessas informações já constava no processo e que a alegada falta de acesso a um despacho específico sobre prisão domiciliar não acarretaria prejuízo real, uma vez que a decisão sobre o tema também integra os autos.
“O advogado, quando assume a substituição no processo, o recebe no estágio em que ele se encontra. O processo não recua, ele tem que andar para a frente”, afirmou Monica Perri. Após anunciar a nova data do júri, a magistrada determinou que, caso não haja um advogado constituído apto para atuar na sessão, a Defensoria Pública deverá estar preparada para assumir a defesa na data prevista. Todos os presentes saíram intimados do plenário.
A acusação seria conduzida pelos promotores de Justiça Vinicius Gahyva Martins e Élide Manzini de Campos, integrantes do Núcleo de Defesa da Vida do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O réu era defendido pelos advogados Elson Marcelino da Silva Júnior, Larice Cristine, Melissa de Oliveira Machado e Gabriel Gouvea Neno Reiff.
Manobra – Ainda no plenário, o promotor de Justiça Vinicius Gahyva Martins sustentou que o acesso a processos externos é responsabilidade da defesa e que as questões relacionadas ao habeas corpus e à prisão domiciliar já foram resolvidas, não havendo justificativa para o adiamento do júri. Ele destacou o papel do Ministério Público como fiscal da lei, com a missão de assegurar direitos e preservar a imagem das vítimas perante a coletividade. Também se posicionou contra o abandono do plenário, ressaltando que a realização de um Tribunal do Júri exige o empenho e a presença de diversos envolvidos, inclusive pessoas que se deslocaram de outros estados, e que a “ritualística do tribunal” deve ser respeitada em busca da verdade.
Vinicius Gahyva disse ainda que o abandono do plenário é uma estratégia que acaba por arranhar a imagem do Tribunal do Júri. “Isso tem se tornado, de certo modo, frequente nos julgamentos do Tribunal do Júri, especialmente naqueles que afligem de forma intensa o interesse da coletividade, como é o caso concreto de um feminicídio e de um homicídio de dois jovens. São duas pessoas que, efetivamente, traduzem a necessidade de reafirmarmos o nosso papel social de não banalização da vida humana. Nós sabemos que o Tribunal do Júri envolve uma série de providências que devem ser adotadas para que o ato processual seja realizado, e lamentamos muito que esse tipo de estratégia esteja sendo adotada”, afirmou.
A promotora de Justiça Élide Manzini de Campos lembrou que o julgamento já deveria ter ocorrido no dia 7 de julho. Segundo ela, naquela ocasião, a defesa solicitou o adiamento para análise de provas, pedido que foi deferido pela magistrada responsável pelo caso, com a remarcação da sessão para 21 de julho. “É um absurdo uma medida protelatória após mais de três anos do fato, com a família aguardando o julgamento. A defesa admite alegações de nulidades que não existem e que já foram completamente afastadas. É uma estratégia utilizada para tentar postergar, prorrogar e até abrir outro incidente de sanidade, ou qualquer outra medida, para que esse julgamento não ocorra. Tudo isso já foi afastado, e não há motivo algum para que esse julgamento não aconteça”, afirmou.
Sobre o caso de feminicídio, a promotora destacou que a reação da sociedade demonstra uma rejeição cada vez mais firme a esse tipo de crime. Segundo ela, a população tem se posicionado de forma clara contra a violência de gênero e em defesa do enfrentamento aos feminicídios, cobrando respostas efetivas do sistema de Justiça para coibir esse tipo de violência.
Fotos: Josi Dias | TJMT
Mato Grosso
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