Mato Grosso
Servidora do Detran comemora aniversário no dia das mulheres
O Dia Internacional da Mulher, comemorado em 8 de março, tem um significado diferente para a servidora do Departamento Estadual de Trânsito (Detran), Eneide Souza Coelho Alencar. Ela completa 55 anos de idade nesta data e tem muito a comemorar: seus 38 anos de dedicação ao serviço público lhe trouxeram alegrias e muito aprendizado.
Todos os dias, às 08h, Eneide começa o dia em sua mesa de trabalho, repleta de envelopes de papel pardo, onde faz serviços administrativos dentro do setor de Habilitação do departamento. Já atuou como secretária assessora em diversos órgãos como Casa Civil, Educação e Segurança Pública, e atualmente está lotada no Detran, local que escolheu para trabalhar até se aposentar.
Cuiabana, vem de uma geração de trabalhadores do serviço público. Pai e mãe funcionários públicos foram o exemplo dentro de casa para que ela escolhesse a carreira que seguiu. Ingressou com apenas 16 anos no Executivo.
“Servidor público trabalha muito sim! Por muito tempo como secretária chegava muito cedo e não tinha horário para sair, sempre com muita dedicação, e tendo que conciliar a vida de mãe, dona de casa e servidora pública”, comenta Eneide sobre a sua trajetória e rotina do funcionalismo.
Ela avalia que na época que ingressou no serviço público, havia mais homens nas repartições, principalmente nos cargos de chefia. “Antigamente havia muito machismo, as mulheres hoje estão mais independentes. Minha filha com 21 anos é líder onde ela trabalha, imagina se naquela época que eu entrei no serviço isso poderia acontecer? Jamais.”, conta.
Um marco na sua trajetória de vida foi a chegada dos filhos. A dedicação que era integral ao trabalho, passou a ser dividida com os cuidados ao casal de gêmeos, que hoje têm 21 anos. Seus filhos foram os primeiros bebês de proveta de Mato Grosso, o que lhe rendeu reportagens na época.
“Não tenho do que reclamar, cada lugar que passei deixei a minha contribuição e levei o principal que foi o aprendizado e a experiência”, comemora, realizada após quase quatro décadas de serviço prestado.
Mulheres no Estado
Durante o mês em que se comemora o Dia Internacional da Mulher, contaremos a história de algumas das milhares de servidoras públicas que, cada uma com sua contribuição, levam serviços ao cidadão e fazem o Estado de Mato Grosso.
Mato Grosso
Júri é remarcado depois que defesa abandona plenário em julgamento de filho de ex-deputado

A sessão de julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, acusado pelo feminicídio de Thays Machado e pelo homicídio qualificado de Willian Cesar Moreno, foi remarcada para o dia 31 de julho, às 9h, após a defesa abandonar o plenário nesta terça-feira (21). Mais uma vez, os advogados tentaram o adiamento do julgamento, o que foi indeferido pela juíza Monica Catarina Perri Siqueira, presidente da sessão, sob o argumento de que não havia justificativa plausível para a redesignação da data.
Segundo a magistrada, os advogados tiveram um prazo de 15 dias para analisar os documentos juntados aos autos. Ela ressaltou que a maior parte dessas informações já constava no processo e que a alegada falta de acesso a um despacho específico sobre prisão domiciliar não acarretaria prejuízo real, uma vez que a decisão sobre o tema também integra os autos.
“O advogado, quando assume a substituição no processo, o recebe no estágio em que ele se encontra. O processo não recua, ele tem que andar para a frente”, afirmou Monica Perri. Após anunciar a nova data do júri, a magistrada determinou que, caso não haja um advogado constituído apto para atuar na sessão, a Defensoria Pública deverá estar preparada para assumir a defesa na data prevista. Todos os presentes saíram intimados do plenário.
A acusação seria conduzida pelos promotores de Justiça Vinicius Gahyva Martins e Élide Manzini de Campos, integrantes do Núcleo de Defesa da Vida do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O réu era defendido pelos advogados Elson Marcelino da Silva Júnior, Larice Cristine, Melissa de Oliveira Machado e Gabriel Gouvea Neno Reiff.
Manobra – Ainda no plenário, o promotor de Justiça Vinicius Gahyva Martins sustentou que o acesso a processos externos é responsabilidade da defesa e que as questões relacionadas ao habeas corpus e à prisão domiciliar já foram resolvidas, não havendo justificativa para o adiamento do júri. Ele destacou o papel do Ministério Público como fiscal da lei, com a missão de assegurar direitos e preservar a imagem das vítimas perante a coletividade. Também se posicionou contra o abandono do plenário, ressaltando que a realização de um Tribunal do Júri exige o empenho e a presença de diversos envolvidos, inclusive pessoas que se deslocaram de outros estados, e que a “ritualística do tribunal” deve ser respeitada em busca da verdade.
Vinicius Gahyva disse ainda que o abandono do plenário é uma estratégia que acaba por arranhar a imagem do Tribunal do Júri. “Isso tem se tornado, de certo modo, frequente nos julgamentos do Tribunal do Júri, especialmente naqueles que afligem de forma intensa o interesse da coletividade, como é o caso concreto de um feminicídio e de um homicídio de dois jovens. São duas pessoas que, efetivamente, traduzem a necessidade de reafirmarmos o nosso papel social de não banalização da vida humana. Nós sabemos que o Tribunal do Júri envolve uma série de providências que devem ser adotadas para que o ato processual seja realizado, e lamentamos muito que esse tipo de estratégia esteja sendo adotada”, afirmou.
A promotora de Justiça Élide Manzini de Campos lembrou que o julgamento já deveria ter ocorrido no dia 7 de julho. Segundo ela, naquela ocasião, a defesa solicitou o adiamento para análise de provas, pedido que foi deferido pela magistrada responsável pelo caso, com a remarcação da sessão para 21 de julho. “É um absurdo uma medida protelatória após mais de três anos do fato, com a família aguardando o julgamento. A defesa admite alegações de nulidades que não existem e que já foram completamente afastadas. É uma estratégia utilizada para tentar postergar, prorrogar e até abrir outro incidente de sanidade, ou qualquer outra medida, para que esse julgamento não ocorra. Tudo isso já foi afastado, e não há motivo algum para que esse julgamento não aconteça”, afirmou.
Sobre o caso de feminicídio, a promotora destacou que a reação da sociedade demonstra uma rejeição cada vez mais firme a esse tipo de crime. Segundo ela, a população tem se posicionado de forma clara contra a violência de gênero e em defesa do enfrentamento aos feminicídios, cobrando respostas efetivas do sistema de Justiça para coibir esse tipo de violência.
Fotos: Josi Dias | TJMT
Mato Grosso
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