Mato Grosso
MT planeja empregar uso controlado do fogo para prevenção de incêndios
O Estado de Mato Grosso, por meio do Comitê do Fogo, Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) e Corpo de Bombeiros Militar, estuda aplicar a técnica de Manejo Integrado do Fogo (MIF) para diminuição de material combustível, prevenindo incêndios florestais de grandes proporções. A técnica será aplicada, inicialmente, na Área de Proteção Ambiental (APA) de Chapada dos Guimarães por profissionais da Sema, CBM-MT e Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) com o acompanhamento de professores e respectivos alunos da graduação e pós-graduação da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT).
Para planejar o emprego da técnica na unidade de conservação estadual, o grupo se reuniu na sede da UFMT em Cuiabá nesta quarta-feira (12.06). O acompanhamento da instituição de ensino irá garantir o desenvolvimento das pesquisas necessárias a fim de avaliar a aplicação do MIF no cerrado mato-grossense. A prescrição de uso do fogo controlado é uma técnica aplicada em diversos países, cuja utilização em áreas pré-determinadas e autorizadas, diminui quantidade de material combustível e previne os grandes incêndios florestais que podem ocorrer na época de seca.
“O fogo controlado é prescrito assim como uma receita médica. Então, são indicadas as áreas para queima, fragmentando a vegetação para dificultar a propagação dos incêndios que causam grandes danos ambientais e prejuízos econômicos”, explica o secretário Executivo do Comitê Estadual de Gestão do Fogo, coronel BM Paulo Barroso. De acordo com ele, o projeto-piloto que será realizado na APA Chapada dos Guimarães fornecerá as informações e subsídios necessários para a definição da aplicação da técnica em projetos de média e larga escala.

Capacitação
Para trocar experiências e melhorar os planejamentos e as técnicas do uso do fogo, 40 profissionais em gestão de fogo em áreas protegidas dos Estados Unidos, Portugal, Espanha e do Brasil participaram do III Intercâmbio Internacional de Manejo Integrado do Fogo (XFire). O encontro foi organizado pela Coordenação de Prevenção e Combate a Incêndios (COIN) do ICMBio e ocorreu no Parque Nacional de Chapada dos Guimarães entre 02 e 10 de junho.
Participaram do evento servidores do ICMBio, Ibama, Funai, Comitê Estadual de Gestão do Fogo/SEMA-MT, CBM-MT e representantes internacionais dos Serviços Florestal Americano, Português e Espanhol. Os profissionais mato-grossenses tiveram a oportunidade de aprender técnicas como gestão da fumaça nas queimas prescritas, direcionando a fumaça de forma que não impacte negativamente a segurança e a população como aeroportos, estradas e cidades. Os especialistas internacionais também compartilharam boas práticas sobre a prescrição de uso do fogo controlado.
A técnica já é utilizada pelo ICMBio no bioma cerrado desde 2012 em um projeto desenvolvido na região do Jalapão, Tocantins. De acordo com projeções do órgão federal, a cada dois dólares investidos na prevenção dos incêndios, a economia para combater o fogo pode chegar a até 80 dólares.
Mato Grosso
Júri é remarcado depois que defesa abandona plenário em julgamento de filho de ex-deputado

A sessão de julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, acusado pelo feminicídio de Thays Machado e pelo homicídio qualificado de Willian Cesar Moreno, foi remarcada para o dia 31 de julho, às 9h, após a defesa abandonar o plenário nesta terça-feira (21). Mais uma vez, os advogados tentaram o adiamento do julgamento, o que foi indeferido pela juíza Monica Catarina Perri Siqueira, presidente da sessão, sob o argumento de que não havia justificativa plausível para a redesignação da data.
Segundo a magistrada, os advogados tiveram um prazo de 15 dias para analisar os documentos juntados aos autos. Ela ressaltou que a maior parte dessas informações já constava no processo e que a alegada falta de acesso a um despacho específico sobre prisão domiciliar não acarretaria prejuízo real, uma vez que a decisão sobre o tema também integra os autos.
“O advogado, quando assume a substituição no processo, o recebe no estágio em que ele se encontra. O processo não recua, ele tem que andar para a frente”, afirmou Monica Perri. Após anunciar a nova data do júri, a magistrada determinou que, caso não haja um advogado constituído apto para atuar na sessão, a Defensoria Pública deverá estar preparada para assumir a defesa na data prevista. Todos os presentes saíram intimados do plenário.
A acusação seria conduzida pelos promotores de Justiça Vinicius Gahyva Martins e Élide Manzini de Campos, integrantes do Núcleo de Defesa da Vida do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O réu era defendido pelos advogados Elson Marcelino da Silva Júnior, Larice Cristine, Melissa de Oliveira Machado e Gabriel Gouvea Neno Reiff.
Manobra – Ainda no plenário, o promotor de Justiça Vinicius Gahyva Martins sustentou que o acesso a processos externos é responsabilidade da defesa e que as questões relacionadas ao habeas corpus e à prisão domiciliar já foram resolvidas, não havendo justificativa para o adiamento do júri. Ele destacou o papel do Ministério Público como fiscal da lei, com a missão de assegurar direitos e preservar a imagem das vítimas perante a coletividade. Também se posicionou contra o abandono do plenário, ressaltando que a realização de um Tribunal do Júri exige o empenho e a presença de diversos envolvidos, inclusive pessoas que se deslocaram de outros estados, e que a “ritualística do tribunal” deve ser respeitada em busca da verdade.
Vinicius Gahyva disse ainda que o abandono do plenário é uma estratégia que acaba por arranhar a imagem do Tribunal do Júri. “Isso tem se tornado, de certo modo, frequente nos julgamentos do Tribunal do Júri, especialmente naqueles que afligem de forma intensa o interesse da coletividade, como é o caso concreto de um feminicídio e de um homicídio de dois jovens. São duas pessoas que, efetivamente, traduzem a necessidade de reafirmarmos o nosso papel social de não banalização da vida humana. Nós sabemos que o Tribunal do Júri envolve uma série de providências que devem ser adotadas para que o ato processual seja realizado, e lamentamos muito que esse tipo de estratégia esteja sendo adotada”, afirmou.
A promotora de Justiça Élide Manzini de Campos lembrou que o julgamento já deveria ter ocorrido no dia 7 de julho. Segundo ela, naquela ocasião, a defesa solicitou o adiamento para análise de provas, pedido que foi deferido pela magistrada responsável pelo caso, com a remarcação da sessão para 21 de julho. “É um absurdo uma medida protelatória após mais de três anos do fato, com a família aguardando o julgamento. A defesa admite alegações de nulidades que não existem e que já foram completamente afastadas. É uma estratégia utilizada para tentar postergar, prorrogar e até abrir outro incidente de sanidade, ou qualquer outra medida, para que esse julgamento não ocorra. Tudo isso já foi afastado, e não há motivo algum para que esse julgamento não aconteça”, afirmou.
Sobre o caso de feminicídio, a promotora destacou que a reação da sociedade demonstra uma rejeição cada vez mais firme a esse tipo de crime. Segundo ela, a população tem se posicionado de forma clara contra a violência de gênero e em defesa do enfrentamento aos feminicídios, cobrando respostas efetivas do sistema de Justiça para coibir esse tipo de violência.
Fotos: Josi Dias | TJMT
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