Mato Grosso
Adolescentes socioeducandos conhecem Museu de História Natural de Mato Grosso
Um dos pontos culturais de Mato Grosso, o Museu de História Natural passou a ser conhecido também por adolescentes que cumprem medidas socioeducativas no Centro de Atendimento Socioeducativo de Internação Masculina (Case) de Cuiabá. Ao todo, quatro jovens visitaram o espaço cultural, nesta sexta-feira (25.02).
A ação é realizada pelo Núcleo Oficinas Socioeducativas (NOS), que está inserido no Projeto Político Pedagógico da unidade. A visita teve como objetivo proporcionar aos adolescentes a socialização e a oportunidade de conhecer um pouco mais sobre a história e cultura do Estado.
O Museu de História Natural de Mato Grosso é um espaço de memória e fomento da cultura de populações tradicionais, no qual, promove o conhecimento arqueológico, paleontológico e etnológico aos visitantes.
O coordenador do Núcleo Oficinas Socioeducativas (NOS), Jean Monteiro, relata a importância de mostrar e aproximar os jovens da cultura, proporcionando o conhecimento e uma nova perspectiva de futuro.
“O nosso intuito é promover a socialização desses jovens e ampliar a visão de mundo deles por meio da cultura, desenvolvendo, dessa forma, uma nova perspectiva de futuro. Muitos não têm acesso à cultura e esse contato que queremos proporcionar”, destacou Jean.
No museu, os adolescentes puderam conhecer e entender sobre o tempo geológico e pré-história, além de caminhar na exposição permanente que reúne fósseis de dinossauros, preguiças e tatus gigantes, assim como os fósseis marinhos do período em que toda a região de Cuiabá e Chapada dos Guimarães eram mar.
Além da visita, os adolescentes realizaram a oficina de Stencil, aprendendo a transformar os desenhos em moldes que serão utilizados para criar estampas e personalizar camisetas.

Oficinas
O Projeto Oficinas Socioeducativas (NOS), oferece também aos adolescentes, oficinas nas áreas de artes, letras e jogos recreativos, dentro do eixo de cultura e lazer, proposto pelo Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (Sinase).
São mais de 40 jovens que participam durante a semana na unidade de oficinas de informática, pintura, teatro, violão, culinária, dança, percussão e lazer desenvolvidas pelos socioeducadores e voluntários da unidade.
(Com supervisão de Julia Oviedo)
Mato Grosso
Júri é remarcado depois que defesa abandona plenário em julgamento de filho de ex-deputado

A sessão de julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, acusado pelo feminicídio de Thays Machado e pelo homicídio qualificado de Willian Cesar Moreno, foi remarcada para o dia 31 de julho, às 9h, após a defesa abandonar o plenário nesta terça-feira (21). Mais uma vez, os advogados tentaram o adiamento do julgamento, o que foi indeferido pela juíza Monica Catarina Perri Siqueira, presidente da sessão, sob o argumento de que não havia justificativa plausível para a redesignação da data.
Segundo a magistrada, os advogados tiveram um prazo de 15 dias para analisar os documentos juntados aos autos. Ela ressaltou que a maior parte dessas informações já constava no processo e que a alegada falta de acesso a um despacho específico sobre prisão domiciliar não acarretaria prejuízo real, uma vez que a decisão sobre o tema também integra os autos.
“O advogado, quando assume a substituição no processo, o recebe no estágio em que ele se encontra. O processo não recua, ele tem que andar para a frente”, afirmou Monica Perri. Após anunciar a nova data do júri, a magistrada determinou que, caso não haja um advogado constituído apto para atuar na sessão, a Defensoria Pública deverá estar preparada para assumir a defesa na data prevista. Todos os presentes saíram intimados do plenário.
A acusação seria conduzida pelos promotores de Justiça Vinicius Gahyva Martins e Élide Manzini de Campos, integrantes do Núcleo de Defesa da Vida do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O réu era defendido pelos advogados Elson Marcelino da Silva Júnior, Larice Cristine, Melissa de Oliveira Machado e Gabriel Gouvea Neno Reiff.
Manobra – Ainda no plenário, o promotor de Justiça Vinicius Gahyva Martins sustentou que o acesso a processos externos é responsabilidade da defesa e que as questões relacionadas ao habeas corpus e à prisão domiciliar já foram resolvidas, não havendo justificativa para o adiamento do júri. Ele destacou o papel do Ministério Público como fiscal da lei, com a missão de assegurar direitos e preservar a imagem das vítimas perante a coletividade. Também se posicionou contra o abandono do plenário, ressaltando que a realização de um Tribunal do Júri exige o empenho e a presença de diversos envolvidos, inclusive pessoas que se deslocaram de outros estados, e que a “ritualística do tribunal” deve ser respeitada em busca da verdade.
Vinicius Gahyva disse ainda que o abandono do plenário é uma estratégia que acaba por arranhar a imagem do Tribunal do Júri. “Isso tem se tornado, de certo modo, frequente nos julgamentos do Tribunal do Júri, especialmente naqueles que afligem de forma intensa o interesse da coletividade, como é o caso concreto de um feminicídio e de um homicídio de dois jovens. São duas pessoas que, efetivamente, traduzem a necessidade de reafirmarmos o nosso papel social de não banalização da vida humana. Nós sabemos que o Tribunal do Júri envolve uma série de providências que devem ser adotadas para que o ato processual seja realizado, e lamentamos muito que esse tipo de estratégia esteja sendo adotada”, afirmou.
A promotora de Justiça Élide Manzini de Campos lembrou que o julgamento já deveria ter ocorrido no dia 7 de julho. Segundo ela, naquela ocasião, a defesa solicitou o adiamento para análise de provas, pedido que foi deferido pela magistrada responsável pelo caso, com a remarcação da sessão para 21 de julho. “É um absurdo uma medida protelatória após mais de três anos do fato, com a família aguardando o julgamento. A defesa admite alegações de nulidades que não existem e que já foram completamente afastadas. É uma estratégia utilizada para tentar postergar, prorrogar e até abrir outro incidente de sanidade, ou qualquer outra medida, para que esse julgamento não ocorra. Tudo isso já foi afastado, e não há motivo algum para que esse julgamento não aconteça”, afirmou.
Sobre o caso de feminicídio, a promotora destacou que a reação da sociedade demonstra uma rejeição cada vez mais firme a esse tipo de crime. Segundo ela, a população tem se posicionado de forma clara contra a violência de gênero e em defesa do enfrentamento aos feminicídios, cobrando respostas efetivas do sistema de Justiça para coibir esse tipo de violência.
Fotos: Josi Dias | TJMT
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