Mato Grosso
Agroindustrialização é caminho para o desenvolvimento de MT, defendem lideranças em mesa-redonda

O futuro do desenvolvimento econômico de Mato Grosso passa, inevitavelmente, pela agroindustrialização. Essa foi a principal conclusão da mesa-redonda realizada na noite de segunda-feira (14.7), durante o Fórum do Setor Produtivo, na 57ª Expoagro. O debate reuniu o vice-governador Otaviano Pivetta, o secretário de Desenvolvimento Econômico, César Miranda, o prefeito de Cuiabá, Abílio Brunini, e o ex-senador e empresário Cidinho Santos, com foco no potencial da transformação da produção agrícola em emprego, renda e riqueza dentro do próprio estado.
Atualmente, Mato Grosso conta com 3.115 agroindústrias, responsáveis por 86 mil empregos diretos — 45% da força de trabalho industrial — com uma média salarial de R$ 2,6 mil. Essas empresas geraram R$ 3,57 bilhões em ICMS em 2023. O estado é líder na produção de etanol de milho, e deve alcançar 7 milhões de m³ na safra 2025/2026, um crescimento de quase 5% em relação à safra anterior.
Para o vice-governador Otaviano Pivetta, a experiência de Lucas do Rio Verde, onde ele já foi prefeito, e Nova Mutum é prova concreta de que agregar valor à produção primária transforma não só a economia, mas toda a realidade social dos municípios. Juntos, os dois municípios produzem entre 5,5 e 6 milhões de toneladas de grãos, mas industrializam 7 milhões de toneladas por ano, incluindo produtos vindos de municípios vizinhos
“Verticalizamos 100% da produção e isso abriu espaço para que 150 mil a 160 mil brasileiros tivessem uma oportunidade ao sol, com educação pública de qualidade, boa saúde e salários dignos. Nenhum país se desenvolve vendendo matéria-prima. Temos a obrigação de verticalizar nossa produção para distribuir riqueza aqui dentro”, afirmou.
O secretário César Miranda reforçou que o avanço da agroindustrialização em Mato Grosso só foi possível após uma reestruturação profunda do Estado, que hoje ostenta nota A em gestão fiscal pelo Tesouro Nacional.
“Antes, tínhamos escolas de lata e estradas precárias. Hoje temos escolas novas, seis grandes hospitais em construção e 6 mil km de asfalto sendo entregues até 2025. Isso gera confiança para o investidor e atrai indústrias”, afirmou. Ele destacou ainda que os incentivos fiscais estão mais acessíveis e transparentes, e que políticas como a retomada da Zona de Processamento de Exportação de Cáceres e a internacionalização do Aeroporto Marechal Rondon, em Várzea Grande, fortalecem a indústria local. “Nosso foco é o coletivo: do grande investidor ao pequeno empreendedor”, completou.
Com trajetória marcada pela superação, o ex-senador e empresário Cidinho Santos contou como transformou Nova Marilândia e a região de Arenápolis por meio da instalação de granjas, fábricas de ração e um frigorífico próprio, hoje com capacidade para abater 200 mil aves por dia e exportações para 14 países.
“Somos os maiores produtores de soja, milho e algodão, mas arrecadamos R$ 25 bilhões em ICMS por ano. O Paraná, que já industrializou sua produção, arrecada R$ 89 bilhões. A diferença está aí”, comparou Cidinho, citando conversa recente com o governador do Paraná, Ratinho Júnior. Segundo ele, Mato Grosso já iniciou sua virada com o etanol de milho e o esmagamento da soja, mas o próximo salto é consolidar a agroindustrialização da proteína animal.
O prefeito de Cuiabá, Abílio Brunini, aproveitou a mesa para chamar atenção aos riscos da reforma tributária para os municípios do interior, ao concentrar a arrecadação no consumo e não mais na produção. Ele alertou que cidades pequenas, com pouca população e baixo consumo, sofrerão perdas severas de receita.
“É uma corrida contra o tempo. Precisamos planejar o crescimento urbano e econômico para não afundar quando os efeitos da reforma forem sentidos”, afirmou. Abílio defendeu medidas como o alvará automático, o fim da outorga onerosa para prédios altos e a liberação de condomínios fechados como forma de estimular novas indústrias e ocupar áreas de forma organizada.
O consenso entre os participantes foi claro: a agroindustrialização é mais que um modelo econômico — é uma solução para o desenvolvimento sustentável e social de Mato Grosso. Além de garantir empregos qualificados e aumento da arrecadação, ela reduz desigualdades regionais, fortalece os municípios e prepara o estado para um novo ciclo de crescimento.
Fonte: Governo MT – MT
Mato Grosso
Júri é remarcado depois que defesa abandona plenário em julgamento de filho de ex-deputado

A sessão de julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, acusado pelo feminicídio de Thays Machado e pelo homicídio qualificado de Willian Cesar Moreno, foi remarcada para o dia 31 de julho, às 9h, após a defesa abandonar o plenário nesta terça-feira (21). Mais uma vez, os advogados tentaram o adiamento do julgamento, o que foi indeferido pela juíza Monica Catarina Perri Siqueira, presidente da sessão, sob o argumento de que não havia justificativa plausível para a redesignação da data.
Segundo a magistrada, os advogados tiveram um prazo de 15 dias para analisar os documentos juntados aos autos. Ela ressaltou que a maior parte dessas informações já constava no processo e que a alegada falta de acesso a um despacho específico sobre prisão domiciliar não acarretaria prejuízo real, uma vez que a decisão sobre o tema também integra os autos.
“O advogado, quando assume a substituição no processo, o recebe no estágio em que ele se encontra. O processo não recua, ele tem que andar para a frente”, afirmou Monica Perri. Após anunciar a nova data do júri, a magistrada determinou que, caso não haja um advogado constituído apto para atuar na sessão, a Defensoria Pública deverá estar preparada para assumir a defesa na data prevista. Todos os presentes saíram intimados do plenário.
A acusação seria conduzida pelos promotores de Justiça Vinicius Gahyva Martins e Élide Manzini de Campos, integrantes do Núcleo de Defesa da Vida do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O réu era defendido pelos advogados Elson Marcelino da Silva Júnior, Larice Cristine, Melissa de Oliveira Machado e Gabriel Gouvea Neno Reiff.
Manobra – Ainda no plenário, o promotor de Justiça Vinicius Gahyva Martins sustentou que o acesso a processos externos é responsabilidade da defesa e que as questões relacionadas ao habeas corpus e à prisão domiciliar já foram resolvidas, não havendo justificativa para o adiamento do júri. Ele destacou o papel do Ministério Público como fiscal da lei, com a missão de assegurar direitos e preservar a imagem das vítimas perante a coletividade. Também se posicionou contra o abandono do plenário, ressaltando que a realização de um Tribunal do Júri exige o empenho e a presença de diversos envolvidos, inclusive pessoas que se deslocaram de outros estados, e que a “ritualística do tribunal” deve ser respeitada em busca da verdade.
Vinicius Gahyva disse ainda que o abandono do plenário é uma estratégia que acaba por arranhar a imagem do Tribunal do Júri. “Isso tem se tornado, de certo modo, frequente nos julgamentos do Tribunal do Júri, especialmente naqueles que afligem de forma intensa o interesse da coletividade, como é o caso concreto de um feminicídio e de um homicídio de dois jovens. São duas pessoas que, efetivamente, traduzem a necessidade de reafirmarmos o nosso papel social de não banalização da vida humana. Nós sabemos que o Tribunal do Júri envolve uma série de providências que devem ser adotadas para que o ato processual seja realizado, e lamentamos muito que esse tipo de estratégia esteja sendo adotada”, afirmou.
A promotora de Justiça Élide Manzini de Campos lembrou que o julgamento já deveria ter ocorrido no dia 7 de julho. Segundo ela, naquela ocasião, a defesa solicitou o adiamento para análise de provas, pedido que foi deferido pela magistrada responsável pelo caso, com a remarcação da sessão para 21 de julho. “É um absurdo uma medida protelatória após mais de três anos do fato, com a família aguardando o julgamento. A defesa admite alegações de nulidades que não existem e que já foram completamente afastadas. É uma estratégia utilizada para tentar postergar, prorrogar e até abrir outro incidente de sanidade, ou qualquer outra medida, para que esse julgamento não ocorra. Tudo isso já foi afastado, e não há motivo algum para que esse julgamento não aconteça”, afirmou.
Sobre o caso de feminicídio, a promotora destacou que a reação da sociedade demonstra uma rejeição cada vez mais firme a esse tipo de crime. Segundo ela, a população tem se posicionado de forma clara contra a violência de gênero e em defesa do enfrentamento aos feminicídios, cobrando respostas efetivas do sistema de Justiça para coibir esse tipo de violência.
Fotos: Josi Dias | TJMT
Mato Grosso
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