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Autoridades e especialistas cobram atuação dos partidos no combate à violência política contra mulheres

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Autoridades e especialistas ouvidas no seminário “Prevenção da Violência Política de Gênero e Raça”, na Câmara dos Deputados, cobraram maior atuação dos partidos políticos contra o problema. Segundo as debatedoras, a violência política ocorre dentro dos próprios partidos e das casas legislativas. 

Coordenadora do grupo de trabalho sobre enfrentamento de prevenção e combate à violência política de gênero da Procuradoria-Geral Eleitoral do Ministério Público Federal (MPF), a procuradora Raquel Branquinho destacou que esse tipo de violência é um dos grandes fatores que afastam a mulher da política, não importa a vertente ideológica.  “Compete aos partidos políticos operacionalizar a legislação, dar apoio financeiro, porque eles são detentores do monopólio da democracia representativa no nosso País e são financiados hoje com recursos públicos”, destacou.

Ela foi uma das debatedoras que cobraram mais responsabilidade dos partidos políticos.  “Ao longo dos últimos 30 anos, temos tido boicotes à maior integração feminina na aplicação da legislação aprovada pelo próprio Parlamento brasileiro, seja por interpretações que vão de encontro à finalidade da lei, seja por sucessivas anistias”, acrescentou. 

Ampliação da lei
A lei
que tornou crime a violência política de gênero (14.192/21) pune com reclusão de um a quatro anos e multa os atos de assediar, constranger, humilhar, perseguir ou ameaçar, por qualquer meio, candidata a cargo eletivo ou detentora de mandato eletivo, utilizando-se de menosprezo ou discriminação à condição de mulher ou à sua cor, raça ou etnia.

Conforme Raquel Branquinho, a lei serve para defender a candidata e as detentoras de mandato eletivo, mas ela defende que seja ampliada para abarcar outras possíveis vítimas que estão dentro do contexto político, como pré-candidatas.

Renato Araujo/Câmara dos Deputados
Seminário - Prevenção da Violência Política de Gênero e Raça. Presidenta - Instituto E Se Fosse Você?, Manuela Davila.
Manuela D’Ávila: “Ser forte não pode ser condição para ocupar o Parlamento”

Violência nos partidos
“A mulher que sofre violência política dentro do partido, ela denuncia onde?”, questionou a coordenadora do Fórum de Mulheres de Instâncias Partidárias, Anne Moura. Segundo ela, a violência dentro dos partidos não é exclusividade de nenhum campo ideológico. “Acontece de ponta a ponta o silenciamento, a tentativa de desconstrução, aliás, a desconstrução deixa as mulheres devastadas, muitas desistem de disputar eleitoralmente, são arrancadas de processo políticos”, denunciou. 

Anne Moura lembrou que toda legenda é obrigada a investir parte do fundo partidário na formação e organização de mulheres, e muitas dentro dos partidos não sabem sequer para onde vai esse recurso. Para ela, a saída é instalar uma câmara técnica no Tribunal Superior Eleitoral para fiscalizar isso. 

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Já a deputada Gisela Simona (União-MT) defendeu maior participação das mulheres nas direções partidárias. “Nós poderíamos tratar em projeto de lei da obrigatoriedade de termos um percentual de mulheres nas direções partidárias”, disse. Segundo ela, alguns partidos adotam isso em estatuto, mas isso poderia ser uma imposição legal. 

Agravamento do problema
Presidenta do Instituto E Se Fosse Você?, a ex-deputada Manuela D’Ávila lembra que, em 2005, quando foi ameaçada pela primeira vez após ser eleita vereadora, foi um grande escândalo e ela recebeu apoio de parlamentares da esquerda e da direita na Câmara Municipal de Porto Alegre (RS) – situação bem diferente da atual. 

“Hoje, quase todas as nossas parlamentares andam com escolta. Todas as nossas parlamentares refletem em algum momento sobre a possibilidade de andarem com carros blindados, aquelas com condições de pensar em alternativas para a sua segurança”, apontou . Muitas de nós, que somos mães, temos não só os nossos corpos ameaçados, como os de nossas filhas, nossas crianças, nossos familiares”, alertou. 

“Nós nos acostumamos a dizer que faz parte e que somos fortes, mas não é normal, não faz parte da democracia uma mulher ser submetida cotidianamente a ameaças à sua vida por dizer o que pensa, por apresentar as suas ideais”, acrescentou. “Ser forte não pode ser condição para ocupar o Parlamento. Eu não aguento mais ser forte e acho que nenhuma de vocês precisava aguentar”, completou.

Combate incipiente
Presidenta da Comissão de Direitos Humanos, Minorias e Igualdade Racial e coordenadora do Observatório Nacional da Mulher na Política, a deputada Daiana Santos (PCdoB-RS), que é negra e primeira deputada assumidamente lésbica na Casa, disse que, entre todos os ataques e ameaças que recebe, o que mais a abala e toca é a de estupro corretivo. “É preciso nomear isso: é racismo, misoginia e lesbofobia política”, afirmou. 

Daiana Santos citou dados do Monitor da Violência Política de Gênero e Raça, realizado pelo Instituto Alziras, que analisou 175 casos monitorados pelo grupo de trabalho de prevenção e combate à violência política de gênero do Ministério Público Federal. Os resultados mostram que apenas 7% das representações resultaram em ações penais eleitorais até janeiro de 2024. “Isso demonstra o quanto nosso sistema de justiça ainda engatinha no combate à violência e o quanto isso nos afeta politicamente”, frisou. 

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“Não estamos falando de ameaças isoladas. Estamos falando de um projeto que tenta nos excluir, de uma violência que busca minar as nossas forças coletivas e que, principalmente, tenta calar para perpetuar um privilégio branco, masculino e heteronormativo”, complementou. Na avaliação da deputada, o recado dado pelo assassinato vereadora do Rio de Janeiro Marielle Franco é claro: “Vocês não podem entrar nem estar aqui”. “Mas nós não aceitamos os limites impostos”, reiterou. 

Arquivamento de casos
Codiretora do Instituto Alziras, Tauá Pires acrescentou que uma em cada quatro representações de violência política de gênero entre 2021 e 2023 foi arquivada ou encerrada. Ela lembra que 50% dos casos ocorrem em ambiente parlamentar, que também seria lugar de violência, assim como os partidos políticos. 

A deputada Natália Bonavides (PT-RN) contou que recentemente conseguiu mandado de segurança para reverter o arquivamento, pedido pelo Ministério Público Eleitoral,  de processo relativo à fala do apresentador Carlos Roberto Massa, o “Ratinho”, que sugeriu na Rádio Massa FM que ela fosse eliminada com o uso de uma “metralhadora”. 

“Pode ser que esse seja o primeiro, ou um dos primeiros casos que vá levar mesmo ao julgamento e condenação por violência política de gênero”, observou. Segundo ela, no processo, Ratinho alegou que pedir para ela ser metralhada era uso da liberdade de expressão. Ela frisou que isso não pode ser naturalizado.

Renato Araujo/Câmara dos Deputados
Seminário - Prevenção da Violência Política de Gênero e Raça. Dep. Reginete Bispo (PT-RS)
Reginete Bispo lembra que deputadas que enfrentaram o marco temporal tiveram os mandatos ameaçados

Violência na Câmara
A deputada Reginete Bispo (PT-RS) lembrou dos processos disciplinares instaurados no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara dos Deputados, no ano passado, contra seis deputadas acusadas de quebrar o decoro parlamentar durante a aprovação do projeto do marco temporal de terras indígenas (PL 490/07) no Plenário da Câmara. 

“Vocês não sabem o quanto é difícil chegar a esta Casa aqui, de homens de paletó, e fazer o enfrentamento contra o marco temporal e ser levada ao Conselho de Ética em tempo recorde, assim como levou o nosso mandato, o mandato das deputadas Fernanda Melchionna (Psol-RS), Sâmia Bomfim (Psol-SP), Talíria Petrone (Psol-RJ) e Juliana Cardoso (PT-SP), por estarmos defendendo nosso direito”, afirmou Célia Xakriabá (Psol-MG), que foi uma das acusadas de quebra de decoro, além de Erika Kokay (PT-DF).

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Segunda-secretária da Mesa Diretora da Câmara, Maria do Rosário (PT-RS) disse que a violência política, para as mulheres, ocorre todos os dias. “Um país que não supera isso está fadado a ser um país sem democracia”, avaliou.

Presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher, a deputada Ana Pimentel (PT-MG) defendeu a união entre as mulheres para formar uma rede de proteção, de cuidado e acolhimento contra a violência política de gênero.

Sociedade civil
O seminário contou com a participação de representantes de diversos institutos da sociedade civil que atuam para coibir a violência política. 

Brenda Espindula, do Instituto E Se Fosse Você?, chamou a atenção para a necessidade de apoio às mulheres que fazem política nos pequenos municípios, que não sabem o que fazer quando enfrentam violência política. 

Coordenadora de Incidência Política da Terra de Direitos, Giseli Barbieri lembrou que o número de casos cresce em anos eleitorais. Em 2024, a organização mapeou 558 casos de violência política, sendo que 212 casos ocorreram em setembro, um mês antes das eleições, e 78 vítimas são mulheres. Ela destaca ainda que a maior parte dos ataques ocorre em ambiente virtual e pede a aprovação de lei para combater notícias falsas e regular as plataformas digitais. 

Coordenadora de pesquisa do InternetLab, Clarice Tavares apresentou dados do MonitorA, observatório de violência política nas redes sociais, e salientou a diferença dos ataques proferidos a homens e mulheres: enquanto eles são mais atacados por posicionamentos políticos, elas sofrem ofensas a seus corpos.

Diretora-Executiva do Instituto Marielle Franco, Lígia Batista saudou a condenação em outubro deste ano dos assassinos da ex-vereadora, seis anos após a morte dela. E pediu mobilização da sociedade brasileira para a condenação dos mandantes do crime, de forma que o caso se torne exemplar. Ela lembrou ainda do assassinato este mês de uma cantora trans em Sinop (MT), candidata à vereadora pelo PSDB que ficou na suplência da Câmara Municipal nas eleições de 2024.

Reportagem – Lara Haje
Edição – Geórgia Moraes

Fonte: Câmara dos Deputados

Nacional

A categoria petroleira reage a novo tarifaço dos EUA imposto unilateralmente ao Brasil

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Foto- Divulgação

A Federação Única dos Petroleiros (FUP) manifesta repúdio ao novo tarifaço anunciado pelos Estados Unidos sobre cerca de quatro mil produtos brasileiros, medida que atinge aproximadamente US$ 15 bilhões em exportações. Para a entidade, a decisão representa um ataque à soberania nacional, compromete a competitividade da indústria brasileira, ameaça empregos e reforça a necessidade de fortalecer o mercado interno, a soberania energética e a Petrobras como empresa estratégica para o desenvolvimento do país.

“A Federação Única dos Petroleiros (FUP) repudia o anúncio do novo aumento de tarifas imposto pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. A medida é mais um ataque à soberania nacional. Ela fere acordos comerciais, desestabiliza cadeias produtivas e ameaça milhares de empregos, especialmente na indústria e no setor de energia”, afirmou a coordenadora-geral da FUP, Cibele Vieira.

“Apoiamos postura firme do governo brasileiro, e a reafirmação da soberania de cada país.  A defesa da indústria nacional, dos empregos de qualidade, da agregação de valor às riquezas produzidas no país e da diversificação das relações comerciais deve orientar a resposta brasileira a medidas dessa natureza, sempre com base na defesa da soberania nacional e dos interesses do povo brasileiro”, ressalta a dirigente da FUP.

O especialista no setor de óleo, gás e energia Deyvid Bacelar avalia que o tarifaço terá impactos diretos sobre a produção nacional, setores estratégicos e o mercado de trabalho. “Tarifaço dos EUA contra o Brasil é um ataque à soberania e ao trabalhador. O anúncio do novo tarifaço dos Estados Unidos contra cerca de quatro mil 4 produtos brasileiros, equivalentes a aproximadamente US$ 15 bilhões em exportações, é mais um ataque à soberania nacional e aos empregos do nosso país”, explica Bacelar.

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“Essa medida protecionista penaliza diretamente setores estratégicos, como a indústria de máquinas e equipamentos e energia. Quem paga a conta é o trabalhador brasileiro, com menos produção, menos salário e desemprego. O Brasil não vai aceitar chantagem comercial. Os investimentos do setor produtivo, feitos ao longo de décadas, são patrimônio do povo brasileiro. Defendemos uma resposta firme do governo brasileiro. É hora de fortalecer o mercado interno, diversificar parceiros comerciais e garantir que a riqueza do Brasil fique no Brasil”, conclui.

Na mesma linha, a diretora da FUP e do Sindipetro-NF, Bárbara Bezerra, afirma que o episódio reforça a necessidade de fortalecer a política energética nacional e preservar o papel estratégico da Petrobras. “A decisão do governo dos Estados Unidos de impor novas tarifas sobre produtos brasileiros é uma medida unilateral que afeta a competitividade da indústria nacional e impõe desafios adicionais à economia do país. Trata-se de uma iniciativa sem justificativa econômica, sobretudo diante do histórico da balança comercial entre os dois países”.

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Pressão por resultados no Enem gera síndrome do desempenho e compromete a saúde de estudantes

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 Especialista da Rede Enem aponta como a rotina exaustiva de estudos e a comparação nas redes sociais reduzem o rendimento cognitivo e afetam a saúde de jovens de 17 e 18 anos

A preparação para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) tem gerado um quadro de adoecimento crônico entre jovens. O impacto é comprovado pela Fundação Getulio Vargas (FGV), na ‘Pesquisa sobre Escolha Profissional e Ansiedade’, que aponta que 63% dos estudantes de Ensino Médio relatam sentir ansiedade severa ao pensar no futuro profissional e no exame. O cenário é classificado por especialistas como “síndrome do desempenho”, fenômeno que ocorre quando o candidato atrela o seu valor pessoal exclusivamente à sua nota, transformando o aprendizado em uma busca por métricas irreais.

“A exigência por uma rotina de estudos intensa, somada ao processo de construção de identidade característico dessa faixa etária, resulta em uma sensação constante de insuficiência. O estudante é bombardeado com a ideia de que precisa ser o melhor o tempo todo, o que transforma a preparação em um fardo”, explica Juliana Evelyn, Coordenadora Pedagógica Rede Enem, uma das principais plataformas de educação digital no Brasil, marca da Vitru Educação, líder do segmento.

Esse cenário de sobrecarga, no entanto, ganha proporções ainda maiores no ambiente digital. Ao buscar referências de organização na internet, o candidato frequentemente encontra gatilhos que potencializam o sentimento de inadequação.

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O papel das redes sociais e o impacto cognitivo

A pressão é agravada pela exposição a comunidades de estudo em plataformas como Instagram e TikTok. A exibição de cronômetros marcando 12 horas de estudo diárias e rotinas ininterruptas cria um padrão artificial. Segundo Juliana, há uma romantização do sofrimento e a capitalização do estudo. “O estudante compara os seus bastidores reais, cansados e cheios de dúvidas, com um recorte editado da realidade. O resultado é a percepção destrutiva de que ele nunca está fazendo o suficiente”.

Esse contexto gera um paradoxo: o excesso de autocobrança diminui a eficiência cerebral. O estado de alerta constante e o estresse prejudicam a retenção de conteúdos complexos, resultando em bloqueios emocionais e “brancos” durante as provas. O esforço deixa de se traduzir em resultados devido à exaustão cognitiva. Sinais físicos indicam quando a ansiedade deixa de ser um nervosismo natural e passa a ser prejudicial. Insônia crônica, isolamento social extremo e dores psicossomáticas (como dores de cabeça e problemas estomacais) são os principais alertas de que o vestibular passou a atuar como um agente adoecedor.

Recorte socioeconômico e a urgência da aprovação

A pressa por resultados rápidos também reflete a desigualdade social. Para alunos de escolas públicas, a aprovação imediata é muitas vezes a única forma de evitar que a necessidade de trabalhar inviabilize a continuidade dos estudos. “O ano de cursinho, que deveria ser um período de amadurecimento, passa a ser visto como fracasso. O cenário é impulsionado pela lógica do imediatismo digital, que distorce a percepção do tempo e aumenta a cobrança por resultados em uma prova que exige, além de conhecimento, resistência física e inteligência emocional”, afirma Juliana Evelyn.

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Para combater esse cenário, a Rede Enem atua com a oferta de conteúdo pedagógico 100% gratuito, eliminando o peso financeiro da preparação. A plataforma estrutura trilhas de aprendizado fracionadas, baseadas na realidade do candidato. “Mostramos ao estudante que é possível se preparar com qualidade sem abdicar da saúde mental ou passar noites em claro. Os erros cometidos nos simulados são tratados como ferramentas de diagnóstico para o crescimento, e não como sentenças de incapacidade”, afirma a coordenadora pedagógica. Os planejamentos da instituição incluem obrigatoriamente horas de descanso.

A orientação central para os candidatos nesta reta final é o acolhimento do próprio limite. “O Enem é apenas uma prova, e não um atestado sobre a inteligência do aluno. O futuro não cabe em um gabarito de 90 questões. O descanso é parte fundamental da preparação e nenhum curso vale o sacrifício da saúde”, conclui Juliana.

Sobre a Rede Enem: democratização do acesso à educação

Fundada em 2013, com o propósito de democratizar o acesso à educação de qualidade, por meio da oferta de conteúdos preparatórios para os exames Enem, Encceja e vestibulares, e considerado uma das principais plataformas gratuitas de educação digital do Brasil, preparatória para o exame, o programa segue com o compromisso de fornecer recursos educacionais gratuitos e relevantes para milhões de estudantes de todo o país. Em 2015, nasceu o Curso Enem Gratuito, considerado hoje o maior curso preparatório online e 100% gratuito do país, com milhares de estudantes inscritos todos os anos. Desde 2022, a plataforma digital é integrante da Vitru, grupo líder em EAD no mercado de educação digital no Brasil, ampliando ainda mais o seu alcance e impacto. Para saber mais acesse o site.

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Com a força do El Niño, especialistas alertam para impactos das alterações climáticas na saúde humana

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Fenômeno impõe novos desafios à rotina hospitalar e aumenta o risco de epidemias e da disseminação de superbactérias

Foto-Assessoria

Segundo a pesquisa Clima, trabalho e transição justa, realizada pelo Aurora Lab em parceria com a More in Common Brasil entre maio e setembro de 2025 em nove capitais brasileiras, 85% dos participantes afirmam que as mudanças climáticas já influenciam suas atividades diárias. Entre os principais reflexos percebidos no cotidiano estão o aumento do custo de vida (53%), problemas de saúde física (45%), dificuldades de acesso ao trabalho (40%) e deterioração da saúde mental (32%).

A preocupação aumenta com a confirmação do El Niño, fenômeno climático caracterizado pela elevação anormal da temperatura das águas do Oceano Pacífico. No Brasil, seus efeitos costumam variar entre as regiões e podem intensificar chuvas intensas, enchentes e ondas de calor, ampliando os impactos sobre a saúde pública. No Sul do país, o principal efeito associado ao fenômeno é o excesso de chuva, que favorece enchentes, alagamentos e deslizamentos de terra.

O alerta está alinhado à análise mais recente da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), que recomenda o fortalecimento da vigilância epidemiológica e da capacidade operacional dos serviços de saúde para garantir a continuidade da assistência durante eventos climáticos extremos.

A infectologista dos hospitais São Marcelino Champagnat e Universitário Cajuru, Viviane Hessel, explica que eventos como esse, além dos prejuízos materiais, favorecem a transmissão de doenças infecciosas, como leptospirose, hepatite A e infecções gastrointestinais. “No caso da leptospirose, a bactéria pode penetrar pela pele durante o contato com a água contaminada. Quando as famílias precisam deixar suas casas e buscar abrigo temporário, aumentam também os desafios referentes ao acesso à água potável, alimentação, a medicamentos e ao atendimento de saúde. Ambientes coletivos facilitam a transmissão de doenças respiratórias e podem contribuir para a ocorrência de surtos, especialmente em populações mais vulneráveis”, ressalta.

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Além disso, Viviane alerta que já existem evidências de que o aumento das temperaturas pode facilitar a disseminação de genes de resistência entre bactérias, tanto na comunidade quanto em ambientes hospitalares. “Dependendo do perfil de resistência, a bactéria deixa de responder aos antibióticos habitualmente utilizados, reduzindo as opções terapêuticas disponíveis e dificultando o manejo clínico do paciente”, salienta.
Como exemplo, um estudo publicado em maio de 2026 na revista científica The Lancet Planetary Health identificou um aumento global de 10% nos genes de resistência a antibióticos, associado às mudanças climáticas, com base na análise de mais de 480 mil genomas de Salmonella coletados em 139 países entre 1940 e 2023.

Diante desse cenário, a médica destaca que o fenômeno representa um desafio crescente para os sistemas de saúde, uma vez que “infecções causadas por microrganismos resistentes costumam exigir tratamentos mais complexos e podem ter desfechos mais graves”. Para reduzir os riscos na rotina hospitalar, a especialista reforça a importância de medidas preventivas, como a higiene das mãos, a limpeza e a desinfecção corretas de equipamentos e superfícies e o cumprimento rigoroso dos protocolos de controle de infecção.

Ondas extremas de calor ampliam os desafios para a saúde
Em contrapartida, nas regiões Norte e Nordeste, o El Niño tende a provocar redução significativa das chuvas e aumento das temperaturas. Mais de 120 mil mortes foram associadas ao calor extremo no Brasil entre 2000 e 2019, segundo o estudo Saúde e ondas de calor: mortalidade, morbidade e implicações para o SUS no Brasil, divulgado em junho de 2026. Realizada por pesquisadores da Fiocruz e da Universidade Federal da Bahia (UFBA), a análise utilizou dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade do DataSUS. Dos óbitos atribuíveis às ondas de calor, 80% ocorreram entre idosos com 65 anos ou mais, totalizando cerca de 97 mil mortes. Entre as principais causas associadas estão as doenças cardiovasculares e respiratórias.

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Para a infectologista, os efeitos do calor intenso também são observados na rotina dos serviços de saúde. “Os períodos prolongados de temperaturas elevadas favorecem tanto o agravamento de problemas respiratórios relacionados à piora da qualidade do ar quanto o aumento das internações por desidratação, principalmente entre idosos. São situações que tendem a se tornar mais comuns à medida que os episódios de calor extremo se intensificam”, afirma.

A pesquisa também apontou riscos mais elevados entre mulheres e pessoas com menor escolaridade, o que reforça a influência dos determinantes sociais na distribuição dos impactos das mudanças climáticas sobre a saúde. De acordo com a especialista, as condições sociais de uma população influenciam diretamente a capacidade de enfrentamento desses eventos. “Além dos extremos de idade, como é o caso dos idosos e recém-nascidos, as pessoas com comorbidades, desnutrição e em maior vulnerabilidade socioeconômica tendem a sofrer consequências mais severas, com mais necessidade de hospitalização e risco de complicações”, completa.

Sobre o Hospital São Marcelino Champagnat

O Hospital São Marcelino Champagnat faz parte do Grupo Marista e nasceu com o compromisso de atender seus pacientes de forma completa e com princípios médicos de qualidade e segurança. É referência em procedimentos cirúrgicos de média e alta complexidade. Nas especialidades destacam-se: cardiologia, neurocirurgia, ortopedia, cirurgia robótica e cirurgia geral e bariátrica, além de serviços diferenciados de check-up. Planejado para atender a todos os quesitos internacionais de qualidade assistencial, é o único do Paraná certificado pela Joint Commission International (JCI).

Sobre o Hospital Universitário Cajuru

O Hospital Universitário Cajuru é uma instituição filantrópica com atendimento 100% SUS e com a certificação de qualidade da Organização Nacional de Acreditação (ONA) nível 3. Está orientado pelos princípios éticos, cristãos e valores do Grupo Marista. Vinculado às escolas de Medicina e Ciências da Vida da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), preza pelo atendimento humanizado, com destaque para procedimentos cirúrgicos, transplante renal, urgência, emergência, traumas e atendimento de retaguarda a Pronto Atendimentos e UPAs de Curitiba e cidades da Região Metropolitana.

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