Mato Grosso
Balanço aponta 8,8 toneladas de pescado apreendidas durante período de defeso
Durante o período de defeso da Piracema, entre os dias 1º de outubro de 2018 e 31 de janeiro deste ano, foram apreendidos 8,8 toneladas de pescado em Mato Grosso. Conforme Balanço da Superintendência de Fiscalização da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema-MT), o total de multas aplicadas chegou R$ 962 mil.
O mês que teve o maior número de ocorrências foi dezembro, com mais de 4 toneladas apreendidas e R$ 470 mil em multas aplicadas. A quantidade de pescado vistoriado foi acima de 16 toneladas nos quatros meses em que a pesca ficou proibida. Foram apreendidos ainda 1.013 petrechos de pesca.
Em uma das maiores operações do ano, a equipe da fiscalização da Sema, em parceria com o Batalhão da Polícia Militar Ambiental (BPMPA), apreendeu, em novembro, 1,3 tonelada de pescado ilegal em Santo Antônio de Leverger. A maior parte dos peixes estava descaracterizada (sem cabeça e carcaça) e a apreensão aconteceu após denúncia anônima, recebida pela secretaria. O pescado foi doado para 16 instituições sociais.
Abordagens
Um total de 8.050 pessoas foram abordadas e orientadas pelas equipes de fiscalização, durante o período de defeso. Após a abertura da pesca, no dia 1º de fevereiro, os técnicos seguiram com o trabalho preventivo e de educação ambiental. Por patrulhamento terrestre e fluvial, servidores da fiscalização percorreram municípios da baixada cuiabana abordando pescadores amadores e donos de pousada onde se pratica a pesca esportiva para falar sobre seus direitos e deveres estabelecidos na lei da pesca.
Na avaliação do Coordenador de Fiscalização de Pesca, Jean Holz, o período de defeso 2018/2019 teve um número bem maior de abordagens e apreensões do que nos anos anteriores, tanto pelo fortalecimento das equipes de fiscalização como pelos equipamentos recebidos e que permitiram melhores condições de trabalho.
“As Operações de fiscalização continuarão a ser realizadas durante o ano todo, com ações preventivas e fiscalizatórias, como forma de coibir as práticas que estão em desacordo com as leis da pesca, mesmo com o fim do defeso, ainda há regras da pesca a serem seguidas pelos cidadãos”, afirmou Jean Holz.
Equipamentos
Em 2018, a Sema recebeu oito veículos náuticos que auxiliaram a equipe de fiscalização e intensificaram os trabalhos, durante o período de defeso no patrulhamento fluvial. São quatro lanchas, duas de motor 90 Hp e duas de 60 Hp, quatro barcos com motores de 30 e 15 Hp e oito motores. Os equipamentos foram adquiridos por meio do Programa MT Sustentável, financiado pelo Fundo Amazônia/BNDES.
Regras da Pesca
Com a liberação da pesca, algumas regras precisam ser seguidas, entre elas: estar habilitado com a carteira de pesca, não usar petrechos proibidos e respeitar a cota e tamanho mínimo do pescado, que para amadores é de cinco quilos e um exemplar, e para profissionais é de 125 kg por semana. Nos trechos dos rios federais que fazem divisa com outros estados, a pesca continua proibida até o dia 28 de fevereiro, seguindo normas federais. Em áreas de unidade de Conservação a pesca é proibida durante todo o ano.
Denúncias
A pesca depredatória e outros crimes ambientais podem ser denunciadas por meio da Ouvidoria Setorial da Sema: 0800-65-3838, pelo site do órgão ou pelo aplicativo MT Cidadão.
Mato Grosso
Júri é remarcado depois que defesa abandona plenário em julgamento de filho de ex-deputado

A sessão de julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, acusado pelo feminicídio de Thays Machado e pelo homicídio qualificado de Willian Cesar Moreno, foi remarcada para o dia 31 de julho, às 9h, após a defesa abandonar o plenário nesta terça-feira (21). Mais uma vez, os advogados tentaram o adiamento do julgamento, o que foi indeferido pela juíza Monica Catarina Perri Siqueira, presidente da sessão, sob o argumento de que não havia justificativa plausível para a redesignação da data.
Segundo a magistrada, os advogados tiveram um prazo de 15 dias para analisar os documentos juntados aos autos. Ela ressaltou que a maior parte dessas informações já constava no processo e que a alegada falta de acesso a um despacho específico sobre prisão domiciliar não acarretaria prejuízo real, uma vez que a decisão sobre o tema também integra os autos.
“O advogado, quando assume a substituição no processo, o recebe no estágio em que ele se encontra. O processo não recua, ele tem que andar para a frente”, afirmou Monica Perri. Após anunciar a nova data do júri, a magistrada determinou que, caso não haja um advogado constituído apto para atuar na sessão, a Defensoria Pública deverá estar preparada para assumir a defesa na data prevista. Todos os presentes saíram intimados do plenário.
A acusação seria conduzida pelos promotores de Justiça Vinicius Gahyva Martins e Élide Manzini de Campos, integrantes do Núcleo de Defesa da Vida do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O réu era defendido pelos advogados Elson Marcelino da Silva Júnior, Larice Cristine, Melissa de Oliveira Machado e Gabriel Gouvea Neno Reiff.
Manobra – Ainda no plenário, o promotor de Justiça Vinicius Gahyva Martins sustentou que o acesso a processos externos é responsabilidade da defesa e que as questões relacionadas ao habeas corpus e à prisão domiciliar já foram resolvidas, não havendo justificativa para o adiamento do júri. Ele destacou o papel do Ministério Público como fiscal da lei, com a missão de assegurar direitos e preservar a imagem das vítimas perante a coletividade. Também se posicionou contra o abandono do plenário, ressaltando que a realização de um Tribunal do Júri exige o empenho e a presença de diversos envolvidos, inclusive pessoas que se deslocaram de outros estados, e que a “ritualística do tribunal” deve ser respeitada em busca da verdade.
Vinicius Gahyva disse ainda que o abandono do plenário é uma estratégia que acaba por arranhar a imagem do Tribunal do Júri. “Isso tem se tornado, de certo modo, frequente nos julgamentos do Tribunal do Júri, especialmente naqueles que afligem de forma intensa o interesse da coletividade, como é o caso concreto de um feminicídio e de um homicídio de dois jovens. São duas pessoas que, efetivamente, traduzem a necessidade de reafirmarmos o nosso papel social de não banalização da vida humana. Nós sabemos que o Tribunal do Júri envolve uma série de providências que devem ser adotadas para que o ato processual seja realizado, e lamentamos muito que esse tipo de estratégia esteja sendo adotada”, afirmou.
A promotora de Justiça Élide Manzini de Campos lembrou que o julgamento já deveria ter ocorrido no dia 7 de julho. Segundo ela, naquela ocasião, a defesa solicitou o adiamento para análise de provas, pedido que foi deferido pela magistrada responsável pelo caso, com a remarcação da sessão para 21 de julho. “É um absurdo uma medida protelatória após mais de três anos do fato, com a família aguardando o julgamento. A defesa admite alegações de nulidades que não existem e que já foram completamente afastadas. É uma estratégia utilizada para tentar postergar, prorrogar e até abrir outro incidente de sanidade, ou qualquer outra medida, para que esse julgamento não ocorra. Tudo isso já foi afastado, e não há motivo algum para que esse julgamento não aconteça”, afirmou.
Sobre o caso de feminicídio, a promotora destacou que a reação da sociedade demonstra uma rejeição cada vez mais firme a esse tipo de crime. Segundo ela, a população tem se posicionado de forma clara contra a violência de gênero e em defesa do enfrentamento aos feminicídios, cobrando respostas efetivas do sistema de Justiça para coibir esse tipo de violência.
Fotos: Josi Dias | TJMT
Mato Grosso
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