Mato Grosso
Com parcerias, unidade prisional leva qualificação profissional a reeducandos
Uma parceria entre a cadeia pública de Jaciara, Secretaria de Assistência Social do município, Sine e Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai-MT) possibilitou a qualificação profissional em pintura de obras a 18 reeducandos. Os certificados foram entregues nesta semana na unidade prisional.
Lizeu Dutra é um dos beneficiados com a qualificação e agradece a oportunidade recebida. “Todos estão sempre aqui dando oportunidade para nós. Foi muito bom aprender uma profissão a mais. A gente só tem a agradecer por tudo que vocês têm feito, estão acreditando na mudança do reeducando”.
O diretor da unidade prisional, Ricardo Simplício, afirma que sempre busca parcerias para ofertar qualificação e capacitação, proporcionando ensino e trabalho aliados à disciplina, e a Prefeitura Municipal apoia as ações na cadeia, com demais parceiros como o Senai, que oferta gratuitamente os cursos de qualificação. “Cobramos bom comportamento e respeito às regras e em contrapartida vamos atrás de cursos, de oportunidades de aprendizagem para que ao sair daqui eles possam seguir um novo rumo em suas vidas, buscar uma segunda chance. Para alguns deles acaba sendo a primeira chance, alguns nunca tiveram a oportunidade, nem uma chance de emprego”, explica o agente penitenciário, acrescentando que um dos reeducandos que fez os cursos de pintura e de marcenaria e saiu da unidade, hoje está empregado.
O reeducando Hermes Ferreira destaca a importância da qualificação diante da perspectiva de sair da unidade prisional após cumprir a pena. “Durante o curso de pintura nós aprendemos muitas coisas. E é um meio de vida para quem está aqui dentro saber que vai sair com uma profissão. Uma nova vida para quem quer renovar a vida para o lado de fora”.
A secretária de Assistência Social de Jaciara, Luciana Cristina dos Santos, falou da necessidade do município em trabalhar pela inclusão social dos reeducandos. “”É uma junção da Assistência Social, Sine e Senai, para fazer a inclusão social. Agradeço ao Simplício que nos atende muito bem, sempre que possível estaremos viabilizando esses cursos na Cadeia Pública de Jaciara”, ressaltou.
Como parte das aulas do curso profissionalizante, os reeducandos fizeram a pintura do prédio da unidade prisional.
Oficinas laborais
A cadeia pública de Jaciara abriga aproximadamente 74 presos da região. No local, a direção e servidores penitenciários coordenam atividades educativas e laborais com os reeducandos, como oficina de marcenaria e horta. A venda dos móveis fabricados no local é revertida na compra de insumos para a marcenaria e também em melhorias na unidade.
Neste ano, os reeducandos já receberam três cursos profissionalizantes de marcenaria, pintor de obras e aproveitamento de resíduos de madeira.
Com informações da Prefeitura de Jaciara
Mato Grosso
Júri é remarcado depois que defesa abandona plenário em julgamento de filho de ex-deputado

A sessão de julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, acusado pelo feminicídio de Thays Machado e pelo homicídio qualificado de Willian Cesar Moreno, foi remarcada para o dia 31 de julho, às 9h, após a defesa abandonar o plenário nesta terça-feira (21). Mais uma vez, os advogados tentaram o adiamento do julgamento, o que foi indeferido pela juíza Monica Catarina Perri Siqueira, presidente da sessão, sob o argumento de que não havia justificativa plausível para a redesignação da data.
Segundo a magistrada, os advogados tiveram um prazo de 15 dias para analisar os documentos juntados aos autos. Ela ressaltou que a maior parte dessas informações já constava no processo e que a alegada falta de acesso a um despacho específico sobre prisão domiciliar não acarretaria prejuízo real, uma vez que a decisão sobre o tema também integra os autos.
“O advogado, quando assume a substituição no processo, o recebe no estágio em que ele se encontra. O processo não recua, ele tem que andar para a frente”, afirmou Monica Perri. Após anunciar a nova data do júri, a magistrada determinou que, caso não haja um advogado constituído apto para atuar na sessão, a Defensoria Pública deverá estar preparada para assumir a defesa na data prevista. Todos os presentes saíram intimados do plenário.
A acusação seria conduzida pelos promotores de Justiça Vinicius Gahyva Martins e Élide Manzini de Campos, integrantes do Núcleo de Defesa da Vida do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O réu era defendido pelos advogados Elson Marcelino da Silva Júnior, Larice Cristine, Melissa de Oliveira Machado e Gabriel Gouvea Neno Reiff.
Manobra – Ainda no plenário, o promotor de Justiça Vinicius Gahyva Martins sustentou que o acesso a processos externos é responsabilidade da defesa e que as questões relacionadas ao habeas corpus e à prisão domiciliar já foram resolvidas, não havendo justificativa para o adiamento do júri. Ele destacou o papel do Ministério Público como fiscal da lei, com a missão de assegurar direitos e preservar a imagem das vítimas perante a coletividade. Também se posicionou contra o abandono do plenário, ressaltando que a realização de um Tribunal do Júri exige o empenho e a presença de diversos envolvidos, inclusive pessoas que se deslocaram de outros estados, e que a “ritualística do tribunal” deve ser respeitada em busca da verdade.
Vinicius Gahyva disse ainda que o abandono do plenário é uma estratégia que acaba por arranhar a imagem do Tribunal do Júri. “Isso tem se tornado, de certo modo, frequente nos julgamentos do Tribunal do Júri, especialmente naqueles que afligem de forma intensa o interesse da coletividade, como é o caso concreto de um feminicídio e de um homicídio de dois jovens. São duas pessoas que, efetivamente, traduzem a necessidade de reafirmarmos o nosso papel social de não banalização da vida humana. Nós sabemos que o Tribunal do Júri envolve uma série de providências que devem ser adotadas para que o ato processual seja realizado, e lamentamos muito que esse tipo de estratégia esteja sendo adotada”, afirmou.
A promotora de Justiça Élide Manzini de Campos lembrou que o julgamento já deveria ter ocorrido no dia 7 de julho. Segundo ela, naquela ocasião, a defesa solicitou o adiamento para análise de provas, pedido que foi deferido pela magistrada responsável pelo caso, com a remarcação da sessão para 21 de julho. “É um absurdo uma medida protelatória após mais de três anos do fato, com a família aguardando o julgamento. A defesa admite alegações de nulidades que não existem e que já foram completamente afastadas. É uma estratégia utilizada para tentar postergar, prorrogar e até abrir outro incidente de sanidade, ou qualquer outra medida, para que esse julgamento não ocorra. Tudo isso já foi afastado, e não há motivo algum para que esse julgamento não aconteça”, afirmou.
Sobre o caso de feminicídio, a promotora destacou que a reação da sociedade demonstra uma rejeição cada vez mais firme a esse tipo de crime. Segundo ela, a população tem se posicionado de forma clara contra a violência de gênero e em defesa do enfrentamento aos feminicídios, cobrando respostas efetivas do sistema de Justiça para coibir esse tipo de violência.
Fotos: Josi Dias | TJMT
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