Mato Grosso
Comitê recupera mais de R$ 456 milhões de ativos em 2018
As medidas e ações do Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos (Cira) em 2018 proporcionaram a recuperação de mais R$ 466 milhões, sendo R$ 441 milhões em crédito tributário e R$ 15 milhões referentes a ilícitos, ressarcimentos, danos morais e multa civil. Esse recurso recuperado é utilizado em ações como a compra de um sistema de hiperconvergência digital, que irá unificar os sistemas de processamento, armazenamento, backup e memória, melhorando a capacidade de processamento e também economizando energia.
O novo equipamento, que começou a chegar na Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp) nessa semana, irá substituir aparelhos com mais de cinco anos de uso e que estão obsoletos para as atividades da Sesp. Além de ocupar o mesmo espaço, o equipamento tem grande capacidade de armazenamento, é mais rápido e traz mais segurança no sistema de backup integrado.
Desde 2015, o Cira recuperou mais de R$ 1,3 bilhão em ativos, parte deles em bens imóveis que poderão ser utilizados pelo Estado ou comercializados para aumento da receita. Foram R$ 435 milhões em 2015, R$ 189 milhões em 2016, R$ 554 milhões em 2017 e R$ 456 milhões neste ano. Esses recursos são de natureza tributária e também fruto de prejuízo ao erário por prática de ilícitos civis e criminais, além de ganho criminoso.
“É importante ressaltar que esse resultado é consequência dos esforços e dedicação de cada membro dessa força-tarefa, que foi criada para defender os princípios da administração e receita públicas, em prol da sociedade mato-grossense”, afirma o secretário da Segurança Pública e presidente do Cira, Gustavo Garcia.
Cira
O Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos (Cira) foi criado em 2015, através do Decreto Estadual nº 28 e prevê a atuação conjunta do Poder Executivo com o Ministério Público. Compete ao Cira propor medidas técnicas, legais, administrativas e judiciais que permitam prevenir e reprimir ilícitos fiscais, e que defendam a ordem econômica e tributária. O Comitê também recupera bens e direitos obtidos ilegalmente, por meio de ações judiciais e administrativas, além daquelas que visem acautelar o patrimônio público. Assim como tem a responsabilidade de promover ações que resultem na responsabilização administrativa, civil e criminal dos envolvidos.
Mato Grosso
Júri é remarcado depois que defesa abandona plenário em julgamento de filho de ex-deputado

A sessão de julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, acusado pelo feminicídio de Thays Machado e pelo homicídio qualificado de Willian Cesar Moreno, foi remarcada para o dia 31 de julho, às 9h, após a defesa abandonar o plenário nesta terça-feira (21). Mais uma vez, os advogados tentaram o adiamento do julgamento, o que foi indeferido pela juíza Monica Catarina Perri Siqueira, presidente da sessão, sob o argumento de que não havia justificativa plausível para a redesignação da data.
Segundo a magistrada, os advogados tiveram um prazo de 15 dias para analisar os documentos juntados aos autos. Ela ressaltou que a maior parte dessas informações já constava no processo e que a alegada falta de acesso a um despacho específico sobre prisão domiciliar não acarretaria prejuízo real, uma vez que a decisão sobre o tema também integra os autos.
“O advogado, quando assume a substituição no processo, o recebe no estágio em que ele se encontra. O processo não recua, ele tem que andar para a frente”, afirmou Monica Perri. Após anunciar a nova data do júri, a magistrada determinou que, caso não haja um advogado constituído apto para atuar na sessão, a Defensoria Pública deverá estar preparada para assumir a defesa na data prevista. Todos os presentes saíram intimados do plenário.
A acusação seria conduzida pelos promotores de Justiça Vinicius Gahyva Martins e Élide Manzini de Campos, integrantes do Núcleo de Defesa da Vida do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O réu era defendido pelos advogados Elson Marcelino da Silva Júnior, Larice Cristine, Melissa de Oliveira Machado e Gabriel Gouvea Neno Reiff.
Manobra – Ainda no plenário, o promotor de Justiça Vinicius Gahyva Martins sustentou que o acesso a processos externos é responsabilidade da defesa e que as questões relacionadas ao habeas corpus e à prisão domiciliar já foram resolvidas, não havendo justificativa para o adiamento do júri. Ele destacou o papel do Ministério Público como fiscal da lei, com a missão de assegurar direitos e preservar a imagem das vítimas perante a coletividade. Também se posicionou contra o abandono do plenário, ressaltando que a realização de um Tribunal do Júri exige o empenho e a presença de diversos envolvidos, inclusive pessoas que se deslocaram de outros estados, e que a “ritualística do tribunal” deve ser respeitada em busca da verdade.
Vinicius Gahyva disse ainda que o abandono do plenário é uma estratégia que acaba por arranhar a imagem do Tribunal do Júri. “Isso tem se tornado, de certo modo, frequente nos julgamentos do Tribunal do Júri, especialmente naqueles que afligem de forma intensa o interesse da coletividade, como é o caso concreto de um feminicídio e de um homicídio de dois jovens. São duas pessoas que, efetivamente, traduzem a necessidade de reafirmarmos o nosso papel social de não banalização da vida humana. Nós sabemos que o Tribunal do Júri envolve uma série de providências que devem ser adotadas para que o ato processual seja realizado, e lamentamos muito que esse tipo de estratégia esteja sendo adotada”, afirmou.
A promotora de Justiça Élide Manzini de Campos lembrou que o julgamento já deveria ter ocorrido no dia 7 de julho. Segundo ela, naquela ocasião, a defesa solicitou o adiamento para análise de provas, pedido que foi deferido pela magistrada responsável pelo caso, com a remarcação da sessão para 21 de julho. “É um absurdo uma medida protelatória após mais de três anos do fato, com a família aguardando o julgamento. A defesa admite alegações de nulidades que não existem e que já foram completamente afastadas. É uma estratégia utilizada para tentar postergar, prorrogar e até abrir outro incidente de sanidade, ou qualquer outra medida, para que esse julgamento não ocorra. Tudo isso já foi afastado, e não há motivo algum para que esse julgamento não aconteça”, afirmou.
Sobre o caso de feminicídio, a promotora destacou que a reação da sociedade demonstra uma rejeição cada vez mais firme a esse tipo de crime. Segundo ela, a população tem se posicionado de forma clara contra a violência de gênero e em defesa do enfrentamento aos feminicídios, cobrando respostas efetivas do sistema de Justiça para coibir esse tipo de violência.
Fotos: Josi Dias | TJMT
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