Mato Grosso
Conselho de Enfermagem publica nota em apoio a “lockdown” em cidades com alto risco

Foto: Assessoria
O Conselho Regional de Enfermagem de Mato Grosso (Coren-MT) publicou nesta sexta-feira (19) uma nota com pedido às prefeituras das cidades classificadas como de “alto risco de contágio” pelo novo Coronavírus para que decretem fechamento total, o chamado “lockdown”, como medida contra a propagação da Covid-19.
O Conselho considerou a notificação que a Secretaria de Estado de Saúde anunciou que fará a estes municípios, entre eles Cuiabá e Várzea Grande, e também a ação proposta pelo Ministério Público Estadual solicitando o fechamento, ambas divulgadas nas últimas horas.
A nota do Coren-MT cita os percentuais de ocupação das UTIs e os índices de contágio entre profissionais de enfermagem no Estado. Segundo o Observatório da Enfermagem (http://observatoriodaenfermagem.cofen.gov.br/), a doença já atinge 302 profissionais da enfermagem em Mato Grosso, com cinco óbitos registrados.
“As denúncias acerca das precárias condições de trabalho e cuidado de enfermagem são constantes, o que ganha proporções inimagináveis frente à situação de contaminação e adoecimento crescentes”, diz um trecho do documento.
Leia a nota na íntegra (baixe o arquivo em anexo):
NOTA ÀS PREFEITURAS DE MATO GROSSO E À SOCIEDADE MATO-GROSSENSE
Nas últimas semanas, o Conselho Regional de Enfermagem de Mato Grosso (Coren-MT) tem acompanhado, com preocupação, o acelerado avanço da transmissão do novo Coronavírus, o conseqüente adoecimento na forma grave da Covid-19 e os óbitos, que têm atingido faixas etárias variadas, com ou sem comorbidades.
Frente ao novo cenário sanitário, o Coren-MT tem intensificado suas ações de fiscalização em duplo sentido: 1) garantir a continuidade e manutenção do cuidado de enfermagem à sociedade, primando por sua qualificação permanente; 2) proteger os trabalhadores de enfermagem frente ao risco de contágio durante o processo de cuidar.
Por seu canal de ouvidoria, as denúncias acerca das precárias condições de trabalho e cuidado de enfermagem são constantes, o que ganha proporções inimagináveis frente à situação de contaminação e adoecimento crescentes.
Diante desta realidade, considerando a notificação anunciada pela Secretaria Estadual de Saúde aos municípios que se encontram com “alto risco de contágio” do novo Coronavírus, alertando para que se adotem quarentena de 15 dias, conforme as recomendações do decreto que estabelece os níveis de risco no Estado.
Considerando também que há mais de 10 municípios nesta condição (Cuiabá, Alta Floresta, Cáceres, Nova Mutum, Nossa Senhora do Livramento, Porto Esperidião, Pontes e Lacerda, Primavera do Leste, Rondonópolis, Sorriso, Sinop, Tangará da Serra e Várzea Grande), o que demonstra o risco de colapso do sistema de saúde;
Considerando ainda a ação do Ministério Público Estadual que pede o “fechamento total” em Cuiabá e Várzea Grande, anunciada nesta quinta-feira (18);
Considerando que o Sistema de Saúde já alcançou o índice de 80% na taxa de ocupação das UTI´s e 295 óbitos e considerando o avanço da doença entre os profissionais da enfermagem em Mato Grosso, onde já são registrados cinco óbitos e 302 infectados;
O Coren-MT vem a público solicitar aos gestores dos municípios retro mencionados que adotem, em regime de urgência, a quarentena de 15 dias, o chamado lockdown, mantendo apenas serviços essenciais, além da instalação de barreiras sanitárias em seus municípios.
Cuiabá (MT), 19 de junho de 2020.
Mato Grosso
Júri é remarcado depois que defesa abandona plenário em julgamento de filho de ex-deputado

A sessão de julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, acusado pelo feminicídio de Thays Machado e pelo homicídio qualificado de Willian Cesar Moreno, foi remarcada para o dia 31 de julho, às 9h, após a defesa abandonar o plenário nesta terça-feira (21). Mais uma vez, os advogados tentaram o adiamento do julgamento, o que foi indeferido pela juíza Monica Catarina Perri Siqueira, presidente da sessão, sob o argumento de que não havia justificativa plausível para a redesignação da data.
Segundo a magistrada, os advogados tiveram um prazo de 15 dias para analisar os documentos juntados aos autos. Ela ressaltou que a maior parte dessas informações já constava no processo e que a alegada falta de acesso a um despacho específico sobre prisão domiciliar não acarretaria prejuízo real, uma vez que a decisão sobre o tema também integra os autos.
“O advogado, quando assume a substituição no processo, o recebe no estágio em que ele se encontra. O processo não recua, ele tem que andar para a frente”, afirmou Monica Perri. Após anunciar a nova data do júri, a magistrada determinou que, caso não haja um advogado constituído apto para atuar na sessão, a Defensoria Pública deverá estar preparada para assumir a defesa na data prevista. Todos os presentes saíram intimados do plenário.
A acusação seria conduzida pelos promotores de Justiça Vinicius Gahyva Martins e Élide Manzini de Campos, integrantes do Núcleo de Defesa da Vida do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O réu era defendido pelos advogados Elson Marcelino da Silva Júnior, Larice Cristine, Melissa de Oliveira Machado e Gabriel Gouvea Neno Reiff.
Manobra – Ainda no plenário, o promotor de Justiça Vinicius Gahyva Martins sustentou que o acesso a processos externos é responsabilidade da defesa e que as questões relacionadas ao habeas corpus e à prisão domiciliar já foram resolvidas, não havendo justificativa para o adiamento do júri. Ele destacou o papel do Ministério Público como fiscal da lei, com a missão de assegurar direitos e preservar a imagem das vítimas perante a coletividade. Também se posicionou contra o abandono do plenário, ressaltando que a realização de um Tribunal do Júri exige o empenho e a presença de diversos envolvidos, inclusive pessoas que se deslocaram de outros estados, e que a “ritualística do tribunal” deve ser respeitada em busca da verdade.
Vinicius Gahyva disse ainda que o abandono do plenário é uma estratégia que acaba por arranhar a imagem do Tribunal do Júri. “Isso tem se tornado, de certo modo, frequente nos julgamentos do Tribunal do Júri, especialmente naqueles que afligem de forma intensa o interesse da coletividade, como é o caso concreto de um feminicídio e de um homicídio de dois jovens. São duas pessoas que, efetivamente, traduzem a necessidade de reafirmarmos o nosso papel social de não banalização da vida humana. Nós sabemos que o Tribunal do Júri envolve uma série de providências que devem ser adotadas para que o ato processual seja realizado, e lamentamos muito que esse tipo de estratégia esteja sendo adotada”, afirmou.
A promotora de Justiça Élide Manzini de Campos lembrou que o julgamento já deveria ter ocorrido no dia 7 de julho. Segundo ela, naquela ocasião, a defesa solicitou o adiamento para análise de provas, pedido que foi deferido pela magistrada responsável pelo caso, com a remarcação da sessão para 21 de julho. “É um absurdo uma medida protelatória após mais de três anos do fato, com a família aguardando o julgamento. A defesa admite alegações de nulidades que não existem e que já foram completamente afastadas. É uma estratégia utilizada para tentar postergar, prorrogar e até abrir outro incidente de sanidade, ou qualquer outra medida, para que esse julgamento não ocorra. Tudo isso já foi afastado, e não há motivo algum para que esse julgamento não aconteça”, afirmou.
Sobre o caso de feminicídio, a promotora destacou que a reação da sociedade demonstra uma rejeição cada vez mais firme a esse tipo de crime. Segundo ela, a população tem se posicionado de forma clara contra a violência de gênero e em defesa do enfrentamento aos feminicídios, cobrando respostas efetivas do sistema de Justiça para coibir esse tipo de violência.
Fotos: Josi Dias | TJMT
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