Mato Grosso
Coren-MT notifica prefeituras de Rondonópolis e Barra do Garças por problemas nos EPIs

Foto: Assessoria
O Conselho Regional de Enfermagem de Mato Grosso (Coren-MT) notificou as Prefeituras de Rondonópolis e de Barra do Garças, onde a fiscalização do órgão encontrou profissionais de enfermagem trabalhando sem itens básicos do equipamento de proteção individual (EPI).
Vistoria feita pelo Coren no Centro de Especialidades Albert Sabin (Ceadas) constatou que não havia máscaras cirúrgicas em quantidade suficiente, o que obrigou muitos trabalhadores a reaproveitar o material, o que é proibido pelas autoridades sanitárias. Uma das profissionais abordadas pelo conselho relatou que usava a mesma máscara há dias. No local, não havia também exemplares do modelo N95.
falta destes produtos foi constatada ainda em outras oito unidades básicas de saúde da cidade. Em alguns casos, estavam sendo usadas máscaras de tecido, indicadas para uso doméstico.
As denúncias ao Coren-MT sobre problemas com EPI em Rondonópolis atingiram o pico no último domingo (18), quando a fiscalização recebeu diversas reclamações pelo telefone e pelas redes sociais. Procurado, o Departamento de Atenção à Saúde da Prefeitura Municipal alegou atraso na entrega dos produtos, que teriam sido já adquiridos por meio licitação. A mesma resposta foi dada pela Prefeitura ao conselho na manhã desta segunda (20), após a notificação.
Sem proteção
Outra Prefeitura notificada foi a de Barra do Garças, onde o conselho identificou insuficiência de EPIs na Unidade Básica de Saúde (UBS) Jardim Araguaia, onde também foram encontradas máscaras de confecção artesanal em tecido sendo distribuídas para profissionais em atendimento a pacientes de Covid-19.
O avental com gorro disponibilizado estava fora dos padrões recomendados pela Anvisa, apresentando material de baixa qualidade e sem condições de verificação quanto à sua gramatura e condições de impermeabilidade, entre outras características.
Também foram encontrados aventais inadequados no PSFs Jardim Nova Barra e Vila Maria. Neste último também não havia EPI em quantidade suficiente para a equipe, o que está levando profissionais envolvidos com pacientes de Covid-19 a reaproveitarem máscaras, atentando contra a própria vida. Uma das máscaras de fabricação caseira encontrada era tão fina que chegava a ser transparente e não possuía qualquer tipo de elemento filtrante.
Orientações
Segundo dados do Observatório da Enfermagem, coordenado pelo Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), há mais de 16 mil profissionais da enfermagem (técnicos, enfermeiros e auxiliares) contaminados e 137 óbitos no país. Em Mato Grosso, são 147 casos em observação e duas mortes.
Desde março, o Coren-MT fiscaliza as unidades especificamente para levantar os riscos à saúde dos profissionais no contexto da pandemia do novo coronavírus. Ao todo, 40 notificações por irregularidade já foram emitidas e a baixa qualidade dos EPIs está entre os principais problemas.
Segundo as Notas Técnicas 04/2020 e 07/2020, da Anvisa, as máscaras cirúrgicas são obrigatórias na triagem de pacientes com sintomas respiratórios, na triagem preliminar de profissionais da saúde e em áreas de assistência, como quartos, consultórios e Centro de Material e Esterilização (CME).
Máscaras de modelo N95/PFF2, juntamente com óculos de proteção, gorro descartável, avental e luvas, são indicadas para áreas como os quartos e boxes onde há contato direto com pacientes confirmados ou suspeitos de Covid-19. Máscaras de tecido não devem ser utilizadas por profissionais que estejam em assistência a pacientes.
Mato Grosso
Júri é remarcado depois que defesa abandona plenário em julgamento de filho de ex-deputado

A sessão de julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, acusado pelo feminicídio de Thays Machado e pelo homicídio qualificado de Willian Cesar Moreno, foi remarcada para o dia 31 de julho, às 9h, após a defesa abandonar o plenário nesta terça-feira (21). Mais uma vez, os advogados tentaram o adiamento do julgamento, o que foi indeferido pela juíza Monica Catarina Perri Siqueira, presidente da sessão, sob o argumento de que não havia justificativa plausível para a redesignação da data.
Segundo a magistrada, os advogados tiveram um prazo de 15 dias para analisar os documentos juntados aos autos. Ela ressaltou que a maior parte dessas informações já constava no processo e que a alegada falta de acesso a um despacho específico sobre prisão domiciliar não acarretaria prejuízo real, uma vez que a decisão sobre o tema também integra os autos.
“O advogado, quando assume a substituição no processo, o recebe no estágio em que ele se encontra. O processo não recua, ele tem que andar para a frente”, afirmou Monica Perri. Após anunciar a nova data do júri, a magistrada determinou que, caso não haja um advogado constituído apto para atuar na sessão, a Defensoria Pública deverá estar preparada para assumir a defesa na data prevista. Todos os presentes saíram intimados do plenário.
A acusação seria conduzida pelos promotores de Justiça Vinicius Gahyva Martins e Élide Manzini de Campos, integrantes do Núcleo de Defesa da Vida do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O réu era defendido pelos advogados Elson Marcelino da Silva Júnior, Larice Cristine, Melissa de Oliveira Machado e Gabriel Gouvea Neno Reiff.
Manobra – Ainda no plenário, o promotor de Justiça Vinicius Gahyva Martins sustentou que o acesso a processos externos é responsabilidade da defesa e que as questões relacionadas ao habeas corpus e à prisão domiciliar já foram resolvidas, não havendo justificativa para o adiamento do júri. Ele destacou o papel do Ministério Público como fiscal da lei, com a missão de assegurar direitos e preservar a imagem das vítimas perante a coletividade. Também se posicionou contra o abandono do plenário, ressaltando que a realização de um Tribunal do Júri exige o empenho e a presença de diversos envolvidos, inclusive pessoas que se deslocaram de outros estados, e que a “ritualística do tribunal” deve ser respeitada em busca da verdade.
Vinicius Gahyva disse ainda que o abandono do plenário é uma estratégia que acaba por arranhar a imagem do Tribunal do Júri. “Isso tem se tornado, de certo modo, frequente nos julgamentos do Tribunal do Júri, especialmente naqueles que afligem de forma intensa o interesse da coletividade, como é o caso concreto de um feminicídio e de um homicídio de dois jovens. São duas pessoas que, efetivamente, traduzem a necessidade de reafirmarmos o nosso papel social de não banalização da vida humana. Nós sabemos que o Tribunal do Júri envolve uma série de providências que devem ser adotadas para que o ato processual seja realizado, e lamentamos muito que esse tipo de estratégia esteja sendo adotada”, afirmou.
A promotora de Justiça Élide Manzini de Campos lembrou que o julgamento já deveria ter ocorrido no dia 7 de julho. Segundo ela, naquela ocasião, a defesa solicitou o adiamento para análise de provas, pedido que foi deferido pela magistrada responsável pelo caso, com a remarcação da sessão para 21 de julho. “É um absurdo uma medida protelatória após mais de três anos do fato, com a família aguardando o julgamento. A defesa admite alegações de nulidades que não existem e que já foram completamente afastadas. É uma estratégia utilizada para tentar postergar, prorrogar e até abrir outro incidente de sanidade, ou qualquer outra medida, para que esse julgamento não ocorra. Tudo isso já foi afastado, e não há motivo algum para que esse julgamento não aconteça”, afirmou.
Sobre o caso de feminicídio, a promotora destacou que a reação da sociedade demonstra uma rejeição cada vez mais firme a esse tipo de crime. Segundo ela, a população tem se posicionado de forma clara contra a violência de gênero e em defesa do enfrentamento aos feminicídios, cobrando respostas efetivas do sistema de Justiça para coibir esse tipo de violência.
Fotos: Josi Dias | TJMT
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