Mato Grosso
Crianças são operadas por hérnia e fimose no Hospital Estadual Santa Casa
A poucas semanas do Dia Das Crianças, celebrado em 12 de outubro, o Hospital Estadual Santa Casa realizou um mutirão de cirurgias pediátricas. Com o objetivo de descontrair os pequenos, a unidade hospitalar preparou um ambiente lúdico com carrinhos, personagens animados, enfeites e uma equipe de pedagogas especialmente capacitada para apoiar os pacientes e seus familiares.
Maria Eunice dos Santos, técnica em Desenvolvimento Infantil de uma creche em Sapezal, explicou que o cenário criado pelo hospital foi essencial no atendimento de seu filho, João Gabriel Rodrigues de Souza, de 5 anos. Ele passou pela cirurgia de fimose durante a etapa do mutirão que aconteceu neste sábado (28.09).

Foto por: Tchélo Figueiredo – Secom/MT
Maria confessa que estava nervosa antes do procedimento; já o filho se encantou pelos “super-heróis” voluntários da Companhia do Sorriso e distribuía sorrisos ao pilotar um carro de brinquedo conduzido pelo Batman. “Eu estava nervosa porque é a primeira cirurgia dele, enquanto ele estava com uma bateria de 10 mil volts brincando e se divertindo. Para ele, está em uma colônia de férias”, contou Maria.
João aguardava há um ano e meio na fila de espera pelo procedimento. Graças ao plano estratégico de atendimentos do Hospital Estadual, foi possível realizar a cirurgia dele e de outras 39 crianças que também esperavam pela cirurgia de fimose ou hérnia.

Foto por: Tchélo Figueiredo – Secom/MT
O secretário de Estado de Saúde, Gilberto Figueiredo, explica que objetivo do mutirão é reduzir de forma significativa a fila de espera e, com isso, proporcionar mais qualidade de vida àqueles que aguardam há anos por uma cirurgia.
“Este é um projeto piloto. Estamos desenhando um programa para todos os nossos hospitais regionais, que inclui cirurgia eletiva para atingir um número substancial de cidadãos que estão aguardando na fila de regulação. Em breve, outros serviços do Hospital Estadual Santa Casa também estarão ativos, como as cirurgias pediátricas neurológicas”, informou o gestor.
O mutirão foi dividido em duas etapas. Dez crianças foram operadas na última sexta-feira (27.09) e as outras 30 passaram pelo procedimento neste sábado. Elas são dos municípios de Barra do Bugres, Carlinda, Chapada dos Guimarães, Sapezal, Cuiabá, Nobres, Nossa Senhora do Livramento, Nova Bandeirantes, Poconé, Santo Antônio do Leveger, Tapurah e Várzea Grande.

Foto por: Tchélo Figueiredo – Secom/MT
Conforme a diretora da unidade e secretária adjunta executiva da SES, Danielle Carmona, os pacientes estavam na lista de espera do sistema de regulação desde 2018 e já aguardavam pelos procedimentos desde antes do fechamento da Santa Casa de Misericórdia de Cuiabá. Ela explica que o cenário lúdico foi criado porque crianças têm diversas particularidades.
“Criança tem medo, inclusive da injeção, então foi preparado um ambiente bem lúdico, com balões ao alto. Os pacientes foram encaminhados para o centro cirúrgico em carrinhos de briquedo e uma equipe de pedagogas do hospital ficou na ante sala do centro cirúrgico para distrair as crianças, para elas entrarem mais calmas na sala de cirurgia”.
Cirurgias adultas
Além das cirurgias pediátricas, a equipe do hospital atendeu, ainda neste sábado, 80 pacientes adultos que passaram por consultas ambulatoriais protocolares para a realização de cirurgias gerais. Os pacientes que estiverem aptos, farão exames cardiológicos na segunda-feira (30.09) e, se o resultado do exame não apontar nenhuma complicação, eles serão operados no decorrer da próxima semana.
Serviço
O Hospital Estadual presta atendimentos aos pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), via Central de Regulação, nas áreas de Oncologia (tratamento de câncer), Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Adulto, Pediátrica e Neonatal, Pronto Atendimento Infantil, cirurgias pediátricas e cirurgia geral. A unidade possui em seu quadro de servidores uma equipe de aproximadamente 315 pessoas, distribuídas nas áreas administrativa, de enfermagem, fisioterapia, nutrição clínica, maqueiros, psicologia e assistência social.
O Hospital Estadual Santa Casa fica localizado na Rua Clóvis Hugueney, número 141, no bairro Dom Aquino, próximo à Praça do Seminário.
Mato Grosso
Júri é remarcado depois que defesa abandona plenário em julgamento de filho de ex-deputado

A sessão de julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, acusado pelo feminicídio de Thays Machado e pelo homicídio qualificado de Willian Cesar Moreno, foi remarcada para o dia 31 de julho, às 9h, após a defesa abandonar o plenário nesta terça-feira (21). Mais uma vez, os advogados tentaram o adiamento do julgamento, o que foi indeferido pela juíza Monica Catarina Perri Siqueira, presidente da sessão, sob o argumento de que não havia justificativa plausível para a redesignação da data.
Segundo a magistrada, os advogados tiveram um prazo de 15 dias para analisar os documentos juntados aos autos. Ela ressaltou que a maior parte dessas informações já constava no processo e que a alegada falta de acesso a um despacho específico sobre prisão domiciliar não acarretaria prejuízo real, uma vez que a decisão sobre o tema também integra os autos.
“O advogado, quando assume a substituição no processo, o recebe no estágio em que ele se encontra. O processo não recua, ele tem que andar para a frente”, afirmou Monica Perri. Após anunciar a nova data do júri, a magistrada determinou que, caso não haja um advogado constituído apto para atuar na sessão, a Defensoria Pública deverá estar preparada para assumir a defesa na data prevista. Todos os presentes saíram intimados do plenário.
A acusação seria conduzida pelos promotores de Justiça Vinicius Gahyva Martins e Élide Manzini de Campos, integrantes do Núcleo de Defesa da Vida do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O réu era defendido pelos advogados Elson Marcelino da Silva Júnior, Larice Cristine, Melissa de Oliveira Machado e Gabriel Gouvea Neno Reiff.
Manobra – Ainda no plenário, o promotor de Justiça Vinicius Gahyva Martins sustentou que o acesso a processos externos é responsabilidade da defesa e que as questões relacionadas ao habeas corpus e à prisão domiciliar já foram resolvidas, não havendo justificativa para o adiamento do júri. Ele destacou o papel do Ministério Público como fiscal da lei, com a missão de assegurar direitos e preservar a imagem das vítimas perante a coletividade. Também se posicionou contra o abandono do plenário, ressaltando que a realização de um Tribunal do Júri exige o empenho e a presença de diversos envolvidos, inclusive pessoas que se deslocaram de outros estados, e que a “ritualística do tribunal” deve ser respeitada em busca da verdade.
Vinicius Gahyva disse ainda que o abandono do plenário é uma estratégia que acaba por arranhar a imagem do Tribunal do Júri. “Isso tem se tornado, de certo modo, frequente nos julgamentos do Tribunal do Júri, especialmente naqueles que afligem de forma intensa o interesse da coletividade, como é o caso concreto de um feminicídio e de um homicídio de dois jovens. São duas pessoas que, efetivamente, traduzem a necessidade de reafirmarmos o nosso papel social de não banalização da vida humana. Nós sabemos que o Tribunal do Júri envolve uma série de providências que devem ser adotadas para que o ato processual seja realizado, e lamentamos muito que esse tipo de estratégia esteja sendo adotada”, afirmou.
A promotora de Justiça Élide Manzini de Campos lembrou que o julgamento já deveria ter ocorrido no dia 7 de julho. Segundo ela, naquela ocasião, a defesa solicitou o adiamento para análise de provas, pedido que foi deferido pela magistrada responsável pelo caso, com a remarcação da sessão para 21 de julho. “É um absurdo uma medida protelatória após mais de três anos do fato, com a família aguardando o julgamento. A defesa admite alegações de nulidades que não existem e que já foram completamente afastadas. É uma estratégia utilizada para tentar postergar, prorrogar e até abrir outro incidente de sanidade, ou qualquer outra medida, para que esse julgamento não ocorra. Tudo isso já foi afastado, e não há motivo algum para que esse julgamento não aconteça”, afirmou.
Sobre o caso de feminicídio, a promotora destacou que a reação da sociedade demonstra uma rejeição cada vez mais firme a esse tipo de crime. Segundo ela, a população tem se posicionado de forma clara contra a violência de gênero e em defesa do enfrentamento aos feminicídios, cobrando respostas efetivas do sistema de Justiça para coibir esse tipo de violência.
Fotos: Josi Dias | TJMT
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