Mato Grosso
Desafios e problemas na fronteira são discutidos pelas forças de segurança, Justiça e MP
O risco de extinção da 2ª Vara Federal em Cáceres, reativação do Posto do Limão do Grupo Especial de Fronteira (Gefron), projeto de implantação da base no Centro Integrado de Operações Aéreas (Ciopaer) na região de Cáceres, expansão de câmeras de videomonitoramento nos 22 municípios da fronteira, a nova estrutura do Ministério da Justiça e da Segurança Pública, além do balanço da Operação Vigia, foram as pautas discutidas na primeira reunião do Gabinete de Gestão Integrada (GGI) Fronteira, no auditório da Unemat, em Cáceres, na tarde de terça-feira (13.08).
O secretário de Estado de Segurança Pública, Alexandre Bustamante, coordenou a reunião e destacou os desafios de monitorar mais de 700 km de fronteira seca e outros 200 km de área alagada, no Pantanal, onde há dificuldade de se fazer o patrulhamento.
“Precisamos de operações permanentes, o Gefron fecha parte da fronteira, mas há muito a ser feito. Estamos em uma guerra e não se vence todas as batalhas, mas nesse momento estamos ganhando mais do que perdendo. Contudo, precisamos de mais apoio do governo federal nessa luta”, destacou.
Bustamante visitou as obras do Posto do Limão, na BR-070, principal via de ligação entre o Brasil e a Bolívia em Mato Grosso. O terreno e a obra foram frutos de doação de produtores rurais da região. Além deles, também ajudaram na obra e no fortalecimento do Gefron, Prefeitura de Cáceres, Ministério Público Estadual, Poder Judiciário de Cáceres e Poconé, além da Justiça do Trabalho.

O produtor rural e vice-presidente da Associação de Criadores de Mato Grosso (Acrimat), Amarildo Merotti, disse que a fronteira pode ser dividida no período de antes e pós o Gefron.
“Quando começou o Gefron, eu era presidente do sindicato e dei muito apoio para eles para fazer a base em Porto Esperidião, porque a gente entendia que as nossas terras não valiam nada nessa fronteira. Todos os coronéis passaram por aqui sempre com uma vontade de produzir, de fazer essa fronteira ser séria. Isso valorizou nossas terras e hoje a gente não mede esforços para ajudar o Gefron, porque a gente sabe que é uma corporação que vem aqui para somar na fronteira”, afirmou.
Varas Federais
Outro ponto debatido foi o risco de fechamento de Varas Federais em Mato Grosso, conforme informou a titular da 2ª Vara Federal de Cáceres, Ana Lya Ferraz da Gama Ferreira. Cáceres passaria a ter apenas uma vara federal para tramitar processos complexos, como as grandes apreensões de drogas e crimes típicos de fronteira, como tráfico de pessoas, armas, entorpecentes, contrabando, por exemplo.
Ela explicou que há um parecer do Tribunal Regional Federal sugerindo a extinção da 2ª Vara Federal de Cáceres, além das varas em Tangará da Serra e Juína. Estas últimas podem ser transferidas para Piauí e Maranhão.
“Ainda não está nada definido. Nós estamos trabalhando justamente para evitar que isso aconteça. Há um parecer no tribunal sugerindo a extinção, mas nós estamos trabalhando justamente para derrubar esse parecer e pedir que seja considerada a localização estratégica da nossa vara”, pontuou.
A juíza comentou ainda que busca apoio de todas instituições para manutenção da 2ª Vara Federal de Cáceres pelas peculiaridades de uma região de fronteira.
Ciosp e Ciopaer
Também foi discutida a possibilidade de aumentar em mais câmeras de videomonitoramento na fronteira, passando de cinco para 78 pontos de câmeras OCR, em parceria com a sociedade civil organizada e demais poderes, que devem atender 22 municípios da região de fronteira. As câmeras fariam um ‘cerco virtual’ nos municípios. Também seria instalados aparelhos cabeceiras de pontes, evitando que os veículos trafeguem de forma irregular por estradas vicinais ou outros desvios.
O Ciopaer apresentou projeto junto ao Ministério da Justiça e da Segurança Pública para construção de um hangar em Cáceres, além da aquisição de um helicóptero, um caminhão tanque e dois veículos para apoio em solo. A ideia da base é atender toda região, dando apoio nas operações contra o tráfico de drogas.
Mato Grosso
Júri é remarcado depois que defesa abandona plenário em julgamento de filho de ex-deputado

A sessão de julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, acusado pelo feminicídio de Thays Machado e pelo homicídio qualificado de Willian Cesar Moreno, foi remarcada para o dia 31 de julho, às 9h, após a defesa abandonar o plenário nesta terça-feira (21). Mais uma vez, os advogados tentaram o adiamento do julgamento, o que foi indeferido pela juíza Monica Catarina Perri Siqueira, presidente da sessão, sob o argumento de que não havia justificativa plausível para a redesignação da data.
Segundo a magistrada, os advogados tiveram um prazo de 15 dias para analisar os documentos juntados aos autos. Ela ressaltou que a maior parte dessas informações já constava no processo e que a alegada falta de acesso a um despacho específico sobre prisão domiciliar não acarretaria prejuízo real, uma vez que a decisão sobre o tema também integra os autos.
“O advogado, quando assume a substituição no processo, o recebe no estágio em que ele se encontra. O processo não recua, ele tem que andar para a frente”, afirmou Monica Perri. Após anunciar a nova data do júri, a magistrada determinou que, caso não haja um advogado constituído apto para atuar na sessão, a Defensoria Pública deverá estar preparada para assumir a defesa na data prevista. Todos os presentes saíram intimados do plenário.
A acusação seria conduzida pelos promotores de Justiça Vinicius Gahyva Martins e Élide Manzini de Campos, integrantes do Núcleo de Defesa da Vida do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O réu era defendido pelos advogados Elson Marcelino da Silva Júnior, Larice Cristine, Melissa de Oliveira Machado e Gabriel Gouvea Neno Reiff.
Manobra – Ainda no plenário, o promotor de Justiça Vinicius Gahyva Martins sustentou que o acesso a processos externos é responsabilidade da defesa e que as questões relacionadas ao habeas corpus e à prisão domiciliar já foram resolvidas, não havendo justificativa para o adiamento do júri. Ele destacou o papel do Ministério Público como fiscal da lei, com a missão de assegurar direitos e preservar a imagem das vítimas perante a coletividade. Também se posicionou contra o abandono do plenário, ressaltando que a realização de um Tribunal do Júri exige o empenho e a presença de diversos envolvidos, inclusive pessoas que se deslocaram de outros estados, e que a “ritualística do tribunal” deve ser respeitada em busca da verdade.
Vinicius Gahyva disse ainda que o abandono do plenário é uma estratégia que acaba por arranhar a imagem do Tribunal do Júri. “Isso tem se tornado, de certo modo, frequente nos julgamentos do Tribunal do Júri, especialmente naqueles que afligem de forma intensa o interesse da coletividade, como é o caso concreto de um feminicídio e de um homicídio de dois jovens. São duas pessoas que, efetivamente, traduzem a necessidade de reafirmarmos o nosso papel social de não banalização da vida humana. Nós sabemos que o Tribunal do Júri envolve uma série de providências que devem ser adotadas para que o ato processual seja realizado, e lamentamos muito que esse tipo de estratégia esteja sendo adotada”, afirmou.
A promotora de Justiça Élide Manzini de Campos lembrou que o julgamento já deveria ter ocorrido no dia 7 de julho. Segundo ela, naquela ocasião, a defesa solicitou o adiamento para análise de provas, pedido que foi deferido pela magistrada responsável pelo caso, com a remarcação da sessão para 21 de julho. “É um absurdo uma medida protelatória após mais de três anos do fato, com a família aguardando o julgamento. A defesa admite alegações de nulidades que não existem e que já foram completamente afastadas. É uma estratégia utilizada para tentar postergar, prorrogar e até abrir outro incidente de sanidade, ou qualquer outra medida, para que esse julgamento não ocorra. Tudo isso já foi afastado, e não há motivo algum para que esse julgamento não aconteça”, afirmou.
Sobre o caso de feminicídio, a promotora destacou que a reação da sociedade demonstra uma rejeição cada vez mais firme a esse tipo de crime. Segundo ela, a população tem se posicionado de forma clara contra a violência de gênero e em defesa do enfrentamento aos feminicídios, cobrando respostas efetivas do sistema de Justiça para coibir esse tipo de violência.
Fotos: Josi Dias | TJMT
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