Mato Grosso
Despesas com pessoal e dívida com fornecedores superaram crescimento econômico em MT
O que aconteceu em Mato Grosso nos últimos 15 anos, que levou o Estado a atrasar o salário dos servidores públicos e a ter uma dívida de R$ 3,6 bilhões? Essa análise foi feita pelo governador Mauro Mendes, durante a abertura do Fórum de Governo e Prefeituras, que ocorre até a tarde desta sexta-feira (05), na sede da Fatec/Senai, em Cuiabá.
Durante os últimos 15 anos, o Estado demonstrou um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) superior à média nacional. Em Mato Grosso, o crescimento registrado foi de 411%, sendo que no país o resultado chegou a apenas 297%.
Além disso, o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) também registrou um resultado positivo no Estado. No acumulado dos últimos 15 anos foi marcado um crescimento de 331% na arrecadação.
Os números são muito positivos, contudo, o crescimento da despesa de pagamento com servidores públicos foi acima de todos esses indicadores. A folha total dos servidores públicos, seja do Executivo, do Judiciário, Legislativo, Tribunal de Contas, Defensoria Pública e Ministério Público, cresceu 678%, ou seja, mais que o dobro da arrecadação do ICMS. E se separar o crescimento da folha apenas do Executivo, o número é ainda maior, 705%. Nesse mesmo período, de 2003 a 2018, a inflação acumulada foi de 94%.
No balanço apresentado pelo governador, ele ponderou que, além do crescimento do custo da folha, o Governo registrou um aumento de 2.382% nos restos a pagar, ou seja, despesas contratadas e não pagas.
O reflexo de tudo isso é que hoje o Estado tem uma dívida com 11.424 fornecedores, também com prefeituras e Poderes, somando restos a pagar de R$ 3,575 bilhões. Esse desequilíbrio econômico também refletiu em todas as secretarias. Somente na Educação e Infraestrutura são 335 obras paralisadas. Ou seja, estradas precisando de manutenção e reparos e escolas em péssimas condições.
Balanço de governo
Mauro Mendes apresentou o balanço dos últimos 15 anos de gestão do Governo de Mato Grosso na tarde de quinta-feira (4). O evento está sendo realizado com o intuito de anunciar todas as ações desenvolvidas pela atual gestão que já permitiram a retomada dos investimentos. Na ocasião, o governador também autorizou a retomada de 114 obras, em 90 municípios do Estado, que irão movimentar quase R$ 1 bilhão.
Mato Grosso
Júri é remarcado depois que defesa abandona plenário em julgamento de filho de ex-deputado

A sessão de julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, acusado pelo feminicídio de Thays Machado e pelo homicídio qualificado de Willian Cesar Moreno, foi remarcada para o dia 31 de julho, às 9h, após a defesa abandonar o plenário nesta terça-feira (21). Mais uma vez, os advogados tentaram o adiamento do julgamento, o que foi indeferido pela juíza Monica Catarina Perri Siqueira, presidente da sessão, sob o argumento de que não havia justificativa plausível para a redesignação da data.
Segundo a magistrada, os advogados tiveram um prazo de 15 dias para analisar os documentos juntados aos autos. Ela ressaltou que a maior parte dessas informações já constava no processo e que a alegada falta de acesso a um despacho específico sobre prisão domiciliar não acarretaria prejuízo real, uma vez que a decisão sobre o tema também integra os autos.
“O advogado, quando assume a substituição no processo, o recebe no estágio em que ele se encontra. O processo não recua, ele tem que andar para a frente”, afirmou Monica Perri. Após anunciar a nova data do júri, a magistrada determinou que, caso não haja um advogado constituído apto para atuar na sessão, a Defensoria Pública deverá estar preparada para assumir a defesa na data prevista. Todos os presentes saíram intimados do plenário.
A acusação seria conduzida pelos promotores de Justiça Vinicius Gahyva Martins e Élide Manzini de Campos, integrantes do Núcleo de Defesa da Vida do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O réu era defendido pelos advogados Elson Marcelino da Silva Júnior, Larice Cristine, Melissa de Oliveira Machado e Gabriel Gouvea Neno Reiff.
Manobra – Ainda no plenário, o promotor de Justiça Vinicius Gahyva Martins sustentou que o acesso a processos externos é responsabilidade da defesa e que as questões relacionadas ao habeas corpus e à prisão domiciliar já foram resolvidas, não havendo justificativa para o adiamento do júri. Ele destacou o papel do Ministério Público como fiscal da lei, com a missão de assegurar direitos e preservar a imagem das vítimas perante a coletividade. Também se posicionou contra o abandono do plenário, ressaltando que a realização de um Tribunal do Júri exige o empenho e a presença de diversos envolvidos, inclusive pessoas que se deslocaram de outros estados, e que a “ritualística do tribunal” deve ser respeitada em busca da verdade.
Vinicius Gahyva disse ainda que o abandono do plenário é uma estratégia que acaba por arranhar a imagem do Tribunal do Júri. “Isso tem se tornado, de certo modo, frequente nos julgamentos do Tribunal do Júri, especialmente naqueles que afligem de forma intensa o interesse da coletividade, como é o caso concreto de um feminicídio e de um homicídio de dois jovens. São duas pessoas que, efetivamente, traduzem a necessidade de reafirmarmos o nosso papel social de não banalização da vida humana. Nós sabemos que o Tribunal do Júri envolve uma série de providências que devem ser adotadas para que o ato processual seja realizado, e lamentamos muito que esse tipo de estratégia esteja sendo adotada”, afirmou.
A promotora de Justiça Élide Manzini de Campos lembrou que o julgamento já deveria ter ocorrido no dia 7 de julho. Segundo ela, naquela ocasião, a defesa solicitou o adiamento para análise de provas, pedido que foi deferido pela magistrada responsável pelo caso, com a remarcação da sessão para 21 de julho. “É um absurdo uma medida protelatória após mais de três anos do fato, com a família aguardando o julgamento. A defesa admite alegações de nulidades que não existem e que já foram completamente afastadas. É uma estratégia utilizada para tentar postergar, prorrogar e até abrir outro incidente de sanidade, ou qualquer outra medida, para que esse julgamento não ocorra. Tudo isso já foi afastado, e não há motivo algum para que esse julgamento não aconteça”, afirmou.
Sobre o caso de feminicídio, a promotora destacou que a reação da sociedade demonstra uma rejeição cada vez mais firme a esse tipo de crime. Segundo ela, a população tem se posicionado de forma clara contra a violência de gênero e em defesa do enfrentamento aos feminicídios, cobrando respostas efetivas do sistema de Justiça para coibir esse tipo de violência.
Fotos: Josi Dias | TJMT
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