Mato Grosso
Dia do Auditor Interno é comemorado com debate sobre desafios profissionais
As tendências e os desafios profissionais dos auditores internos foram debatidos na última sexta-feira (22.11) na Controladoria Geral do Estado (CGE-MT). O assunto esteve em discussão no I Encontro de Auditoria Interna promovido pela Associação dos Auditores da CGE-MT (Assae), em comemoração ao Dia do Auditor Interno, celebrado na data de 20 de novembro.
Ao iniciar a palestra sobre os desafios do auditor interno na atualidade, o superintendente da Controladoria Geral da União no Estado de Mato Grosso (CGU), auditor federal de finanças e controle Daniel Gontijo Motta, afirmou que é equivocada a ideia de que o controle interno é responsabilidade do auditor interno e do órgão onde ele atua.
Motta ressaltou que a literatura da área e a jurisprudência entendem que a instituição de controles internos é atribuição de todos os servidores, desde as chefias até os níveis de execução. Ao auditor interno cabe avaliar e testar se os controles instituídos pelos auditados são satisfatórios ou não.
Depois de fazer essa ressalva, o superintendente da CGU pontuou que o papel do auditor interno na atualidade não deve se limitar à geração de diagnósticos, mas sim agregar valor à gestão pública. Não somente no sentido do que já aconteceu, mas do que está por vir.
“O auditor precisa ter foco no gerenciamento de riscos, numa visão para o futuro, pois isso é fundamental para agregar valor à gestão e melhorar o atingimento dos resultados para a sociedade”, disse Motta.
Para o superintendente da CGU, além de ter foco no gerenciamento de risco, a atuação do auditor interno deve envolver ousadia, planejamento apurado das atividades para uma execução mais acertada, pensar “fora da caixa”, diálogo com os vários setores dos órgãos para identificar problemas, propor soluções factíveis e monitorar as ações implementadas.
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Essa forma de atuação já é uma realidade na CGE-MT, conforme destacou o secretário-controlador geral do Estado, Emerson Hideki Hayashida. Somando a condições adequadas de trabalho e a importantes resultados obtidos nos últimos anos nas atividades de Ouvidoria, Controle Preventivo, Auditoria e Corregedoria, Hideki comentou que os auditores do Estado têm motivos para comemorar.
“Avançamos no uso da tecnologia e em nossa forma de atuação, o que tem despertado o interesse de órgãos de controle interno de outros estados. Nossa metodologia tem se destacado pela maturidade técnica e porque passamos a não somente identificar os problemas, mas a reconhecer as causas e recomendar soluções para os órgãos estaduais. Nossas auditorias têm se destacado a ponto de embasarem importantes inquéritos civis e criminais no enfrentamento à corrupção”, argumentou o titular da CGE-MT.
Entretanto, muito ainda precisa feito pela melhoria na prestação dos serviços públicos. “Vamos valorizar os pontos positivos da nossa carreira, a estrutura de trabalho e a forma de atuação, pois precisamos ir além, ouvir e ter mais proximidade com os órgãos auditados. Precisamos que os órgãos enxerguem os auditores internos como parceiros, nem que para isso a gente precise se reinventar”, conclamou.
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O evento foi realizado pela Associação dos Auditores da CGE-MT como parte das ações de intercâmbio de conhecimentos e experiências objetivando o aperfeiçoamento profissional. Para o ano de 2020, a Assae planeja promover mais encontros dessa natureza, sobre outros assuntos da carreira, com a própria CGU e com as Controladorias-Gerais dos Estados.
“É um momento para conhecermos a experiência de outras instituições, verificar o nosso nível de conhecimento e interagir com nossos próprios auditores”, finalizou o presidente da Assae, André Luiz Costa Ferreira.
Confira AQUI a galeria de fotos do I Encontro de Auditoria Interna.
Mato Grosso
Júri é remarcado depois que defesa abandona plenário em julgamento de filho de ex-deputado

A sessão de julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, acusado pelo feminicídio de Thays Machado e pelo homicídio qualificado de Willian Cesar Moreno, foi remarcada para o dia 31 de julho, às 9h, após a defesa abandonar o plenário nesta terça-feira (21). Mais uma vez, os advogados tentaram o adiamento do julgamento, o que foi indeferido pela juíza Monica Catarina Perri Siqueira, presidente da sessão, sob o argumento de que não havia justificativa plausível para a redesignação da data.
Segundo a magistrada, os advogados tiveram um prazo de 15 dias para analisar os documentos juntados aos autos. Ela ressaltou que a maior parte dessas informações já constava no processo e que a alegada falta de acesso a um despacho específico sobre prisão domiciliar não acarretaria prejuízo real, uma vez que a decisão sobre o tema também integra os autos.
“O advogado, quando assume a substituição no processo, o recebe no estágio em que ele se encontra. O processo não recua, ele tem que andar para a frente”, afirmou Monica Perri. Após anunciar a nova data do júri, a magistrada determinou que, caso não haja um advogado constituído apto para atuar na sessão, a Defensoria Pública deverá estar preparada para assumir a defesa na data prevista. Todos os presentes saíram intimados do plenário.
A acusação seria conduzida pelos promotores de Justiça Vinicius Gahyva Martins e Élide Manzini de Campos, integrantes do Núcleo de Defesa da Vida do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O réu era defendido pelos advogados Elson Marcelino da Silva Júnior, Larice Cristine, Melissa de Oliveira Machado e Gabriel Gouvea Neno Reiff.
Manobra – Ainda no plenário, o promotor de Justiça Vinicius Gahyva Martins sustentou que o acesso a processos externos é responsabilidade da defesa e que as questões relacionadas ao habeas corpus e à prisão domiciliar já foram resolvidas, não havendo justificativa para o adiamento do júri. Ele destacou o papel do Ministério Público como fiscal da lei, com a missão de assegurar direitos e preservar a imagem das vítimas perante a coletividade. Também se posicionou contra o abandono do plenário, ressaltando que a realização de um Tribunal do Júri exige o empenho e a presença de diversos envolvidos, inclusive pessoas que se deslocaram de outros estados, e que a “ritualística do tribunal” deve ser respeitada em busca da verdade.
Vinicius Gahyva disse ainda que o abandono do plenário é uma estratégia que acaba por arranhar a imagem do Tribunal do Júri. “Isso tem se tornado, de certo modo, frequente nos julgamentos do Tribunal do Júri, especialmente naqueles que afligem de forma intensa o interesse da coletividade, como é o caso concreto de um feminicídio e de um homicídio de dois jovens. São duas pessoas que, efetivamente, traduzem a necessidade de reafirmarmos o nosso papel social de não banalização da vida humana. Nós sabemos que o Tribunal do Júri envolve uma série de providências que devem ser adotadas para que o ato processual seja realizado, e lamentamos muito que esse tipo de estratégia esteja sendo adotada”, afirmou.
A promotora de Justiça Élide Manzini de Campos lembrou que o julgamento já deveria ter ocorrido no dia 7 de julho. Segundo ela, naquela ocasião, a defesa solicitou o adiamento para análise de provas, pedido que foi deferido pela magistrada responsável pelo caso, com a remarcação da sessão para 21 de julho. “É um absurdo uma medida protelatória após mais de três anos do fato, com a família aguardando o julgamento. A defesa admite alegações de nulidades que não existem e que já foram completamente afastadas. É uma estratégia utilizada para tentar postergar, prorrogar e até abrir outro incidente de sanidade, ou qualquer outra medida, para que esse julgamento não ocorra. Tudo isso já foi afastado, e não há motivo algum para que esse julgamento não aconteça”, afirmou.
Sobre o caso de feminicídio, a promotora destacou que a reação da sociedade demonstra uma rejeição cada vez mais firme a esse tipo de crime. Segundo ela, a população tem se posicionado de forma clara contra a violência de gênero e em defesa do enfrentamento aos feminicídios, cobrando respostas efetivas do sistema de Justiça para coibir esse tipo de violência.
Fotos: Josi Dias | TJMT
Mato Grosso
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