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Distribuição de sementes híbridas de cacau produzidas pela Ceplac mobiliza produtores no Pará

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Um dos principais resultados das sementes desenvolvidas pela equipe de melhoramento genético da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac) é o aumento da produtividade de cacau no estado do Pará. É na Amazônia, especificamente no Pará, que está hoje a maior produtividade de cacau do país e até do mundo.

“A produtividade do cacaueiro aqui na Amazônia, atualmente, é o triplo da produtividade da Bahia, em termos de rendimento médio por hectare. Aqui na Amazônia, a colheita nunca é menor do que 900 quilos por hectare. Tem regiões aqui na transamazônica que a produtividade média ultrapassa 1,5 mil quilos por hectare”, informou Fernando Mendes, chefe do Serviço de Pesquisa na Superintendência da Ceplac no Pará.

As novas lavouras estão se estabelecendo nos chamados pólos cacaueiros, em áreas que foram objeto de estudos científicos e levantamentos sistemáticos sobre condições de clima e solo por estudiosos da Ceplac e outras instituições. Atualmente, a produção de cacau se concentra em cinco regiões do estado: desde o sudoeste, por onde passa a transamazônica, o oeste, o sudeste, nordeste, até o chamado baixo Tocantins.

“O Pará se coloca como um estado altamente estratégico para garantir uma expansão forte da produção de cacau no país. Nós plantamos todo ano cerca de 8 a 10 mil hectares de cacau. O nosso rendimento por unidade de área é superior à Costa do Marfim e Gana, que são países do continente africano, maior produtor de cacau do mundo”, disse Raul Guimarães, engenheiro agrônomo da Ceplac, especialista em desenvolvimento agroambiental.

Segundo a Ceplac, o estado do Pará tem incorporado uma média de mil a 1,5 mil novos agricultores por ano na cadeia produtiva de cacau. O pesquisador explica que um dos principais insumos que garante o sucesso da lavoura de cacau no Pará é a semente híbrida produzida na Ceplac há mais de 30 anos.

Semente da esperança

“Abençoado dinheiro que fornece uma bebida doce e proveitosa para a humanidade”, disse o historiador italiano Pedro Martyr da Algeria, em 1530, sobre o uso do cacau como moeda para comprar, vender mercadorias e pagar tributos na América Central.  

Naquela época, as amêndoas de cacau também eram usadas pelos povos Maias em cerimônias de nascimento, como presente de casamento, e eram associadas ao poder divino, conforme relato do livro “A cacauicultura na Amazônia”, escrito por pesquisadores da Ceplac.

Alguns séculos depois, o cacau ainda está associado à riqueza e prosperidade. No interior do Pará, a procura por semente do cacaueiro aumentou muito nos últimos anos e promoveu o avanço da cultura do cacau na região. No bioma considerado berço do cacau, o plantio com sementes híbridas tem gerado transformação social.

Em diferentes regiões do estado, principalmente nas pequenas cidades do entorno da Transamazônica, os técnicos da Ceplac que atuam na extensão rural relatam que é possível ver a mudança no padrão de vida dos habitantes depois do crescimento das lavouras de cacau.

Nilson Rossy, coordenador do Serviço de Extensão Rural da Ceplac no Pará e Amazonas

“Quem plantou cacau teve sucesso, prosperou, melhorou a vida. Os outros municípios que veem onde tem cacau, onde tem Ceplac, querem também pegar essa semente da esperança que mudou a vida de muita gente. Os cacauicultores não chegam na porta da prefeitura pedindo auxílio. O que eles pedem é melhoria na estrada para escoar a produção”, comenta Nilson Rossy, coordenador do Serviço de Extensão Rural da Ceplac no Pará e Amazonas.

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Assim como eu outras regiões amazônicas da América, onde a cacauicultura influenciou no processo civilizatório desde o século 16, o plantio do cacau foi incentivado no interior do Pará, já no século 20, com o objetivo de preencher o vazio demográfico e ser uma fonte de renda viável para as áreas de assentamento. 

“Inicialmente, o foco foi ocupar estes vazios e se observava a cultura do cacau como uma alternativa, porque é uma cultura permanente”, relata Rossy.  “A conclusão que chegamos é plantar com sementes híbridas, porque nós cruzamos plantas produtivas com plantas resistentes e hoje temos 20 materiais nas estações para distribuir para os produtores. Dessa mistura, tem cacau de todo tamanho, rugoso, liso, roxo, amarelo, de todo tipo”, acrescenta Rossy.

Capacitação

É o trabalho da extensão rural que garante a distribuição das sementes híbridas entre os cacauicultores do Pará e do Amazonas. Hoje, a Superintendência da Ceplac no Pará atende cerca de 26 mil famílias cacauicultoras, situadas em diferentes áreas do estado. É por meio de acordos de cooperação técnica firmados com as prefeituras que a Ceplac distribui as sementes híbridas de cacau para os produtores.

“Por exemplo, o município do Xingu solicitou para a Ceplac dois milhões de sementes e a nossa representante lá criou um grupo para ajudar na mobilização dos produtores. Eles preenchem uma ficha com dados pessoais e assinam um recibo”, explica Rossy.

A técnica responsável pela distribuição das sementes no município de São Félix do Xingu, Katiuscia Guimarães, relata que o perfil de solicitantes de sementes é variada, desde cacauicultores iniciantes até aqueles mais experientes que já estão plantando cacau de qualidade e querem expandir a área de produção.

“A demanda por semente aumentou do ano passado pra cá mais ou menos uns 30%, porque hoje eles estão buscando alternativas de recuperação de áreas degradadas para não fazer novas aberturas. E a vida deles mudou com o cacau, porque é uma renda que eles podem contar”, disse Katiuscia.

Cerca de 80% dos produtores que recebem as sementes híbridas são pequenos e estão em áreas de difícil acesso. Muitos deles nunca plantaram cacau ou ainda têm pouca experiência com o manejo da planta, por isso demandam muita atenção da assistência, cada vez mais escassa na região.

Segundo os pesquisadores da Ceplac, se o produtor receber assistência técnica com regularidade, esse material genético tem potencial para produzir até três toneladas de cacau por hectare, o que equivale ao triplo da produtividade atual.

A entrega das sementes é gratuita. Como a Ceplac está com número reduzido de técnicos, os produtores inscritos recorrem às associações, sindicatos ou cooperativas para buscar as sementes produzidas nas estações experimentais.

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No ano passado, foram entregues, 13,1 milhões de sementes. Este ano, os produtores que se inscreveram no primeiro semestre pediram 11,5 milhões de sementes, mas, a distribuição pode atingir a marca de 14 milhões até o fim do ano. “Eles plantam todas as sementes que recebem. Nós temos a semente da esperança, que tem mudado a vida dos agricultores. Melhorou a nossa qualidade de vida,  por isso continuamos aqui, precisando passar adiante esse conhecimento para a cacauicultura”, comenta Rossy.

Além das sementes híbridas, o estado tem várias características ambientais e institucionais que o colocam em condição de vantagem em relação a outras regiões produtoras.

“Temos o maior banco de germoplasma de cacau do mundo, clima e solo altamente propícios para cultivo do cacau em sistemas agroflorestais, temos o produtor muito interessado em plantar cacau, dadas as vantagens técnicas, econômicas e ambientais que a cultura oferece ao produtor”, ressaltou Guimarães. 

O servidor acrescenta que o Pará tem uma quantidade expressiva de áreas degradadas ou alteradas que podem servir para expansão da cacauicultura, além de apresentar um dos programas de incentivo à mais exitosos para agricultura tropical e perene.

“Hoje, as discussões sobre desenvolvimento agroambiental no mundo sempre tratam da conservação dos recursos naturais e a cacauicultura se encaixa muito bem neste cenário, porque possibilita a recuperação de áreas alteradas e a sua reincorporação ao sistema produtivo”, comentou Guimarães.

Os pesquisadores ressaltam que, desde 1996, a Ceplac não distribui sementes híbridas para plantios de cacau que tenham origem no desmatamento e assiste somente cacauicultores que cultivam em áreas alteradas que estão em recuperação. Os especialistas calculam que só na Amazônia, as lavouras de cacau são responsáveis pelo armazenamento de 124 toneladas de carbono.

“O estado do Pará, de 1996 para cá, recuperou 142 mil hectares de áreas que estavam alteradas, porque é uma política do órgão não dar assistência nem distribuir semente para plantios que suprimem a mata original. É uma contribuição do Ministério da Agricultura, a partir da Ceplac, para recuperar o meio ambiente. Quem faz na essência é o produtor, mas se não fosse uma diretriz, alguns produtores ainda estariam derrubando área”, destacou Fernando Mendes.

Capacitação de produtores no Pará

Cacau amazônico

A Transamazônica se transformou em uma espécie de rota da prosperidade e foi lá que emergiu a chamada capital do cacau: Medicilândia. O município recebeu este título depois de atingir a produtividade média superior a de muitos países produtores de cacau.

O cacau produzido na Amazônia está se destacando além das fronteiras da região Norte. Segundo a Ceplac, das sete amostras que foram selecionadas pelo Brasil para concorrer à premiação que selecionará a melhor amêndoa de chocolate no mundo, durante o Salão de Chocolate de Paris, duas são do município paraense de Uruará, situado na transamazônica.

As outras amêndoas são da Bahia e do Espírito Santo. O festival será realizado no final de outubro.

“Isso é fruto do banco de germoplasma, das coletas que foram feitas, do experimento de competição de híbridos, de onde nós tiramos aqueles 20, 22 mil genótipos que, hoje, estão nas mãos dos produtores que foram capazes de fazer uma amêndoa de cacau que concorreu no Brasil e vão concorrer em Paris”, comemorou Mendes.

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Em Medicilândia, também foi criada uma das primeiras fábricas de chocolate fino produzido a partir das amêndoas cultivadas na Amazônia e com apoio do Funcacau (Fundo de Desenvolvimento da Cacauicultura do Pará).

A produção é da Cooperativa Agroindustrial da Transamazônica (Coopatrans), que seleciona o cacau de seus cooperados, todos da agricultura familiar.  A marca produzida com o cacau da transamazônica é vendida em lojas próprias no Pará e em franquias de outros estados do país.

Mudança de cultura

Um dos produtores de cacau da região que estendeu o negócio para a produção de chocolate e comercializa por meio da cooperativa é Ivan Dantas. Depois de desistir do plantio de arroz e feijão, o produtor começou a cultivar cacau no início da década de 80, incentivado por técnicos da Ceplac e da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater).

“A Ceplac chegando aqui falou o que o cacau significaria pra gente em termos de produção. Aí, resolvemos plantar cacau. Graças a Deus, foi a saída pra gente né, essa esperança, porque não tinha opção. A gente abandonou o arroz e a economia de Medicilândia hoje está voltada para o cacau”, relatou Dantas.

Dantas relata que os produtores da região têm mantido uma boa produtividade e garantido o sustento das famílias. “Quando se fala em agricultura, não tem nada melhor que o cacau. É uma planta que trabalha na sombra e te dá uma renda todo mês”, destaca Dantas.

O produtor acrescenta ainda os benefícios da produção de cacau tanto para o meio ambiente quanto para os trabalhadores e consumidores. “A gente mora na Amazônia e o que o pessoal mais cobra aqui é em relação ao desmatamento. E quando você planta cacau, você protege o meio ambiente, porque o cacau necessita da sombra. Se você ver uma lavoura de cacau aqui, não é uma lavoura, é uma selva. É uma lavoura abençoada em todos os sentidos”, conclui.

O cacauicultor lamenta que ainda falta mão-de-obra para trabalhar na lavoura. Ele quer investir mais esforços na produção de amêndoas de qualidade para agregar valor no produto final. O produtor espera que o estado ofereça mais oportunidades de qualificação sobre a produção de cacau de qualidade. “Quando isso for incentivado, vai aumentar demais o consumo de cacau e as pessoas vão consumir o verdadeiro chocolate, que é sem misturas, excesso de leite e açúcar”.

Dantas conta que depois que decidiu produzir cacau fino, “começou a andar pelo mundo”, se dedicou a melhorar o nível de acidez do produto e os chocolates feitos a partir de suas amêndoas já ganharam prêmios de qualidade, inclusive internacionais.

“A gente fica feliz da vida. Somos muito gratos ao pessoal da Ceplac que sempre nos orientou em relação a isso aí. É muito gratificante”, disse.

Produtor de cacau Ivan Dantas

Mais informações à Imprensa:
Coordenação-geral de Comunicação Social
Débora Brito
[email protected]

 

Agro News

Com safrinha sob risco, produtor de MT encontrou no sorgo uma solução para rentabilidade e manejo de plantas daninhas

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Além de reduzir a exposição aos desafios do calendário da segunda safra, a mudança de estratégia ajudou a controlar o avanço de invasoras de folhas estreitas, um problema recorrente na propriedade

Foto- Assessoria

As mudanças no comportamento do clima têm obrigado produtores rurais a rever estratégias que, até pouco tempo atrás, pareciam consolidadas. Com a janela da safrinha cada vez mais apertada em algumas regiões, culturas mais adaptadas às condições de estresse hídrico vêm ganhando espaço no planejamento das propriedades.

Em Mato Grosso, por exemplo, essa realidade levou o produtor, Ernesto Vasques Júnior, sócio proprietário da Fazenda Santa Luzia, em Poxoréu (MT), a reformular o planejamento da propriedade, que possui 500 hectares de área cultivada. Segundo ele, o atraso das chuvas no início da temporada comprometeu o calendário da safra e reduziu significativamente a janela para o plantio do milho safrinha. “Demorou muito para chover e, quando as águas vieram, já era tarde para a semeadura do milho. Até daria para plantar, mas sob risco alto”, relata.

Diante desse cenário, o agricultor buscou orientação técnica para definir uma alternativa mais segura. “Conversando com o consultor da fazenda, ele sugeriu o sorgo por ser uma cultura de ciclo mais curto e mais tolerante ao déficit hídrico. Como já havíamos comprado adubos e defensivos, fomos em busca das sementes. Paralelamente, para reduzir os riscos da operação, firmei contrato para vender parte da produção para um aviário da região”, explica.

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A mudança foi cuidadosamente planejada. Além de encontrar uma alternativa rentável para substituir parte da área destinada ao milho, o produtor buscava uma solução para outro desafio da propriedade: o controle de plantas daninhas de folhas estreitas, cada vez mais resistentes aos herbicidas.

Diante desse cenário, a escolha foi pelo sorgo da Advanta Seeds com tecnologia igrowth®, que alia alto potencial produtivo a uma ferramenta eficiente para o manejo dessas invasoras. “Escolhemos esse híbrido pelos bons resultados que já conhecíamos e, principalmente, pela tecnologia embarcada, que permite controlar muito bem as plantas daninhas de folhas estreitas. Esse era um problema que enfrentávamos havia anos, porque elas estão cada vez mais resistentes”, afirma o titular da Fazenda Santa Luzia.

A primeira colheita, em andamento, confirma as expectativas, com bom desenvolvimento da cultura e resultados positivos no campo. “A produtividade está muito boa e tivemos uma excelente resposta no controle das plantas daninhas de folhas estreitas, justamente o que mais chamou nossa atenção na escolha do híbrido”, destaca o produtor.

Tecnologia amplia opções de manejo

A tecnologia Igrowth®, desenvolvida pela Advanta Seeds, é a primeira tecnologia comercial do mundo a conferir ao sorgo tolerância a herbicidas da família das imidazolinonas. Obtida por meio de melhoramento genético convencional, via mutagênese, a tecnologia não é transgênica e amplia significativamente as opções de manejo de plantas daninhas na cultura.

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Entre os principais benefícios estão o controle mais eficiente de plantas daninhas de folhas estreitas, maior flexibilidade para a aplicação de herbicidas registrados em pré e pós-emergência, redução da matocompetição por água, luz e nutrientes e maior expressão do potencial produtivo dos híbridos.

A tecnologia também promove maior uniformidade da lavoura, facilita a colheita, reduz perdas operacionais e contribui para uma área mais limpa para a cultura seguinte, diminuindo o banco de sementes de plantas invasoras e os custos com dessecação. Além disso, proporciona melhor aproveitamento da água e dos fertilizantes, favorece o desenvolvimento inicial das plantas e reduz a pressão de infestação nas culturas subsequentes, fortalecendo os sistemas de rotação e sucessão. “Estamos satisfeitos e a intenção é plantar sorgo no próximo ano. A cultura pode se consolidar como uma terceira alternativa importante e acredito que também seja uma boa opção para outros produtores da região”, finaliza Vasques Júnior.

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Fim da moratória da soja pode aumentar a destruição da Amazônia em 1,4 milhões de hectares nos próximos 10 anos, mostra artigo da Science

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Fim do acordo pode levar a um aumento de 17% no desmatamento na Amazônia em dez anos, com emissões equivalentes às do Canadá, sem trazer ganhos aos produtores de soja

A Amazônia registrou nos últimos anos uma tendência de redução do desmatamento, resultado de diferentes esforços de controle, fiscalização e políticas públicas. Nesse contexto, um artigo publicado na revista Science sobre o legado da Moratória da Soja alerta que seu fim pode resultar em aproximadamente 1,4 milhão de hectares adicionais de desmatamento na Amazônia nos próximos dez anos, um aumento de 17% em relação às taxas históricas analisadas. As emissões associadas a essa perda florestal são estimadas em cerca de 745 milhões de toneladas de CO₂ equivalente, volume semelhante às emissões anuais do Canadá.

Intitulado The Rise and Fall of the Amazon Soy Moratorium, o artigo analisa os resultados de quase duas décadas da Moratória da Soja, e principalmente os impactos esperados para os próximos 10 anos com o fim deste acordo, criado em 2006 entre empresas do setor, organizações da sociedade civil e governo para impedir a comercialização de soja produzida em áreas desmatadas após julho de 2008 na Amazônia. A publicação mostra que o mecanismo reduziu significativamente o desmatamento associado à expansão da soja, sem impedir o crescimento da produção agrícola, e também que seu fim levará a um aumento expressivo do desmatamento direto para a soja.

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Desde a implementação da Moratória, a área cultivada com soja na Amazônia mais que triplicou, enquanto a expansão ocorreu principalmente sobre áreas já abertas. O estudo aponta que havia entre 9,7 milhões e 15 milhões de hectares previamente desmatados disponíveis para expansão agrícola. A publicação também estima que, nos primeiros dez anos, a Moratória reduziu em cerca de 35% o desmatamento em áreas de risco para expansão da soja, evitando aproximadamente 1,8 milhão de hectares de perda florestal.

O que muda sem a Moratória
Segundo o artigo, o risco associado ao fim do acordo não está apenas na conversão direta de áreas para produção de soja, mas também no aumento da pressão sobre regiões com potencial de expansão agrícola e vulnerabilidade à especulação fundiária.

O estudo identificou que 9,1 milhões de hectares de florestas em propriedades privadas têm alta aptidão para a soja e podem ser legalmente desmatados segundo o Código Florestal. Também aponta que até 28,7 milhões de hectares de florestas públicas não destinadas podem ficar mais vulneráveis à especulação, especialmente em áreas com potencial futuro de expansão da infraestrutura.

Para o WWF-Brasil, a experiência da Moratória demonstra a importância de mecanismos que atuam nas cadeias produtivas para reduzir incentivos econômicos associados ao desmatamento. “A Moratória da Soja mostrou que é possível ampliar a produção agrícola mantendo critérios de conservação. O desafio agora é garantir que instrumentos capazes de reduzir o desmatamento continuem fazendo parte da estratégia brasileira de desenvolvimento”, afirma Tiago.

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Produção pode crescer em áreas já abertas
Os autores analisaram o argumento de que a Moratória teria limitado oportunidades econômicas para produtores. Os dados indicam que os impactos econômicos diretos são restritos: apenas cerca de 739 mil hectares de áreas aptas à soja foram desmatados legalmente após 2008, e a maior parte não está localizada em propriedades produtoras de soja. Nas fazendas que já cultivam soja, a área de floresta com possibilidade legal de conversão é estimada em cerca de 60 mil hectares. Ao mesmo tempo, a pesquisa identifica cerca de 1,7 milhão de hectares de áreas já abertas e aptas para soja na Amazônia, o que permitiria ampliar a produção sem conversão de novas áreas de floresta.

Além disso, os autores avaliaram uma das principais críticas dirigidas à Moratória da Soja: a de que o acordo teria provocado distorções de mercado ou funcionado como um cartel entre compradores. A análise comparou os preços pagos aos produtores em municípios abrangidos pela Moratória e em regiões vizinhas não submetidas ao acordo, sem identificar diferenças sistemáticas nos valores recebidos pelos agricultores. A evidência indica que o mecanismo não afetou a remuneração dos produtores nem provocou distorções de mercado, contrariando a tese de que haveria formação de cartel entre as empresas participantes.

Proteção da floresta e competitividade do setor
O artigo destaca que a redução do desmatamento está relacionada à competitividade de longo prazo do setor agrícola. A perda de floresta pode afetar serviços ecossistêmicos importantes para a agricultura, como a disponibilidade de chuvas e a regulação do clima regional. Além disso, cadeias produtivas sem mecanismos de controle de desmatamento podem enfrentar desafios diante de mercados que ampliam exigências ambientais e de rastreabilidade.

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Segundo Tiago Reis, especialista em Conservação do WWF-Brasil, “a Moratória da Soja mostra que empresas têm um papel estratégico na construção de uma cadeia produtiva mais sustentável e competitiva. Ao adotar compromissos de controle do desmatamento e rastreabilidade, o setor contribui para proteger a floresta, preservar serviços ecossistêmicos essenciais para a própria agricultura e responder às crescentes demandas dos mercados nacionais e internacionais. Produzir mais e conservar a Amazônia são objetivos que podem caminhar juntos, desde que haja transparência, responsabilidade compartilhada e mecanismos capazes de orientar a expansão produtiva para áreas já abertas”.

Sobre o WWF-Brasil
O WWF-Brasil é uma ONG brasileira que há 29 anos atua coletivamente com parceiros da sociedade civil, academia, governos e empresas em todo país para combater a degradação socioambiental e defender a vida das pessoas e da natureza. Estamos conectados numa rede interdependente que busca soluções urgentes para a emergência climática.

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Fundação MT promove discussões sobre a cultura do algodão

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O 18º Encontro Técnico de Algodão acontece em Cuiabá nos dias 5 e 6 de agosto

Foto-Assesoria

A cotonicultura no Brasil será destaque no 18º Encontro Técnico do Algodão, promovido pela Fundação de Apoio à Pesquisa Agropecuária de Mato Grosso (Fundação MT). O evento reunirá pesquisadores, produtores rurais, consultores, técnicos, profissionais da indústria e de toda a cadeia produtiva do algodão e tem como objetivo transformar informações relevantes em soluções e decisões, com o formato de painéis será realizado entre os dias 5 e 6 de agosto, no Hotel Gran Odara, em Cuiabá (MT).

O gerente de Pesquisa, Serviços e Operações da Fundação MT, Luís Carlos de Oliveira, explica que a cultura do algodão é extremamente estratégica para o estado de Mato Grosso, uma cultura de alta relevância também para a Fundação Mato Grosso. “Nós temos pesquisas nas diversas áreas de conhecimento voltadas para a cultura do algodão. Neste 18º Encontro Técnico de Algodão, teremos a oportunidade de mostrar grande parte dessas pesquisas. Por exemplo, nós temos pesquisas na área de solos, ensaios que envolvem adubação, nitrogênio, potássio, ensaios de longa duração de mais de 12 anos”, disse.

Os temas da programação serão distribuídos em oito painéis voltados para a difusão de conhecimento e debate em torno dos desafios da cotonicultura de alta produtividade, como detalha Luís Carlos. “Apresentaremos projetos na área de plantas daninhas, que envolve o controle de plantas daninhas de difícil controle, como caruru, pé-de-galinha, vassourinha-de-botão. Toda a parte fitossanitária da cultura: entomologia, o controle das principais pragas, mosca-branca, ácaros e um cenário da situação do bicudo no estado de Mato Grosso. Toda a parte de nematologia, como um panorama de ocorrências de nematoides na cultura do algodão, além da área fitossanitária no que diz respeito ao controle de doenças, fungicidas, onde apresentaremos informações atualizadas sobre os resultados e performance dos produtos nesses segmentos”, finalizou.

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Ao longo dos dois dias, haverá ainda o painel de retrospectiva da safra de Mato Grosso e Bahia, geopolítica e desafios na tomada de decisão na cotonicultura, além de espaços dedicados às empresas parceiras, apresentação de resultados de pesquisa da Fundação MT, debates técnicos, momentos de networking e coquetéis de encerramento ao fim de cada dia. As inscrições ainda estão abertas e podem ser feitas pelo site da Fundação MT.

Programação Oficial

05 de agosto de 2026

08h — Abertura oficial

Painel 1: Retrospectiva da Safra 2025/2026

Moderador: Eduardo Kawakami (head de Pesquisa, Melhoramento Genético e Plantas – TMG).

Relato dos Produtores:

Cid Ricardo dos Reis (Grupo Bom Futuro – Região Sudeste e Vale do Araguaia).

André Lavezo (Amaggi – Região Oeste).

Fernando Piccinini (Grupo Bom Jesus – Região Médio Norte).

Vitor Paulo Vargas (SLC Agrícola – Região Bahia).

Análise da Safra 2025/2026 e Manejo Estratégico do Algodoeiro para Ajuste aos Cenários Climáticos e Econômicos: Fábio Echer (professor e pesquisador da Unoeste).

O Que Realmente Importa Sobre o Clima da Safra 2026/2027? Paulo Etchichury (meteorologista e consultor de Clima Aplicado à Agricultura).

Debate

Painel 2: Inovação

Inovação Transformadora nos Tempos Atuais: Júnior Borneli (fundador da StartSe).

Painel 3: Atualidade e Futuro no Manejo de Plantas Daninhas no Sistema Soja/Algodão

Banco de Sementes: Estratégias para Reduzir a Pressão de Seleção de Plantas Daninhas na Sucessão Soja-Algodão: Valter Vaz (pesquisador de Plantas Daninhas na Cooperativa Comigo – GO).

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Vassourinha-de-botão, Pé-de-galinha e Caruru: Resultados da Fundação MT: Vicente Pontes (Fundação MT).

Debate

Painel 4: Entomologia — Tecnologia e Manejo de Pragas Críticas

Mosca-branca e Ácaro-rajado: Pontos de Atenção para um Manejo Consistente: Marco Tamai (professor e pesquisador da Universidade do Estado da Bahia).

Lagartas — Status das Biotecnologias e Enfrentamento ao Bicudo-do-algodoeiro: Eduardo Barros (consultor Agronômico e pesquisador da Supera Soluções Agronômicas).

Situação do Bicudo no Estado de Mato Grosso: Márcio Souza (coordenador de Projetos e Difusão de Tecnologias no Instituto Mato-Grossense do Algodão).

Biotecnologia no Controle do Bicudo: Perspectivas Futuras: Anderson Meda (head de Pesquisa – TMG).

Debate

06 de agosto de 2026

08h — Abertura

Painel 5: A Base da Alta Produtividade do Algodão: Manejo e Desafios

Fertilidade do Solo no Algodão: Histórico de Pesquisa da Fundação MT: Leandro Zancanaro (pesquisador e Consultor da Origens Parcerias Agrícolas).

Compactação do Solo na Cultura do Algodão: Manejo em Ano de El Niño: Guilherme Anghinoni (pesquisador e consultor da Solo Raiz).

Adubação Potássica: Estratégias para Máxima Eficiência: Patrícia Matias (Fundação MT).

Debate

Painel 6: Nematoides no Algodoeiro: Resultados e Estratégias que Transformam Dados em Produtividade

Dinâmica Populacional de Nematoides no Algodoeiro: Evidências de Campo e Resultados da Fundação MT com Drª. Rosângela Silva.

Resistência Genética de Nematoides no Algodoeiro: Tania Santos (Fundação MT).

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Situação Atual de Meloidogyne enterolobii em Mato Grosso: Tania Santos (Fundação MT).

Debate

Painel 7: Cenário Fitossanitário da Cultura do Algodão: Desafios e Estratégias no Manejo de Doenças

Panorama Fitossanitário da Cultura do Algodão: Do Tombamento às Doenças Foliares: Mônica Müller (Fundação MT) e Amarildo Padilha (gerente técnico da ABC Agrícola).

Cenário de Doenças na Cotonicultura da Bahia: Desafios e Perspectivas de Manejo: Fabiano Perina (Embrapa Algodão).

Avanços e Resultados de Pesquisa no Manejo de Doenças do Algodão: Mônica Müller (Fundação MT) e Victor Porto (Fundação MT).

Debate

Painel 8 — Fechamento: Geopolítica e Desafios na Tomada de Decisão na Cotonicultura

Moderadora: Renata Maron (comunicadora e palestrante de agronegócios).

Debatedores: Marcos Jank (professor Sênior de Agronegócio Global do Insper) e Alexandre de Marco (vice-presidente da Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão – Ampa).

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ALMT Segurança nas Escolas

Rondonópolis

Polícia

Esportes

Famosos

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