Mato Grosso
Duplas classificadas para as Olímpiadas de Tóquio jogam em Cuiabá
Ao entrarem em quadra na etapa de Cuiabá (MT) do Circuito Brasileiro Open, nesta semana, Ana Patrícia/Rebecca (MG/CE) e Alison/Álvaro Filho (ES/PB) já serão atletas selecionados pela Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) aos Jogos Olímpicos de Tóquio. A confirmação veio na última semana e os dois times serão um dos atrativos da disputa que ocorre de quarta-feira (23.10) a domingo (27.10), na arena montada no estacionamento do ginásio Aecim Tocantins, no bairro Verdão. A entrada aos torcedores é franca durante todos os dias.
Além de reunir diversos medalhistas olímpicos, pan-americanos e mundiais em evento gratuito, o torneio também conta com transmissão ao vivo de todos os duelos para os fãs que estiverem distantes. As partidas da fase de grupos até as semifinais serão exibidas no site voleidepraiatv.cbv.com.br e no Facebook da Confederação Brasileira de Voleibol (CBV). As finais serão exibidas exclusivamente pelos canais SporTV, na manhã de domingo.
Além de Ana/Rebecca e Alison/Álvaro Filho, as duplas Ágatha/Duda (PR/SE) e Evandro/Bruno Schmidt (RJ/DF) também garantiram o direito de estar em Tóquio, mas, por conta da disputa dos Jogos Mundiais Militares, na China, não presentes estarão em Cuiabá. Rebecca, que recentemente também conquistou medalha de prata nos Jogos Mundiais de Praia, no formato 4×4, comentou a expectativa por estar em Cuiabá após a definição da vaga.
“Estou muito feliz com a confirmação da vaga olímpica, tenho certeza que vamos jogar mais soltas, tentando apresentar um bom voleibol e nos divertirmos. Até pelo fato de ser nossa última competição neste ano, vamos antecipar um pouco as férias, já que começamos o ano um pouco antes que as demais duplas, disputando a etapa da Holanda na primeira semana de janeiro. Vamos dar nosso melhor, nosso ‘gás’ final no ano. Foi uma temporada muito especial e esperamos encerrar em Cuiabá lá no alto do pódio”, disse Rebecca.
Alison, que já possui medalhas de ouro e prata olímpicas, também comentou a classificação para sua terceira participação nos Jogos e a importância dos eventos até Tóquio para afinar ainda mais a parceria com Álvaro Filho. Em Cuiabá, inclusive, defenderá o título, já que venceu a etapa de 2012, com Emanuel, na última vez que a capital mato-grossense recebeu o Open.
“Agora, com a confirmação da vaga, começamos um novo planejamento para nosso time. Nós temos dez meses até os Jogos de Tóquio e é tempo suficiente para nos prepararmos da melhor maneira possível. Nosso primeiro objetivo era garantir essa vaga e agora queremos garantir que vamos fazer tudo que pudermos para jogar da melhor maneira no próximo ano”, disse.
O Circuito Brasileiro conta com 24 duplas em cada gênero, sendo que as 16 equipes mais bem colocadas no ranking de entradas já entram direto na fase de grupos, a partir de quinta-feira (masculino) e sexta-feira (feminino). As outras oito vagas restantes para completar os 24 times ficam abertas para serem disputadas entre até 32 duplas no torneio classificatório (qualifying), que acontece na quarta (masculino) e quinta (feminino).
As 24 equipes classificadas são divididas em seis grupos de quatro e jogam entre si, com os dois melhores times de cada grupo e os quatro melhores terceiros colocados avançando às oitavas de final. A competição segue no formato eliminatório tradicional, com quartas de final, semifinais e disputas de bronze e ouro.
Os 16 times já garantidos no naipe masculino são Alison/Álvaro Filho (ES/PB), Ricardo/Vitor Felipe (BA/PB), Arthur Lanci/Thiago (PR/SC), André/George (ES/PB), Pedro Solberg/Oscar (RJ), Hevaldo/Vinícius (CE/ES), Luciano/Fernandão (ES), Léo Vieira/Jô (DF/PB), Moisés/Harley (BA/DF), Matheus Maia/Eduardo Davi (RJ/PR), Ramon Gomes/Bernardo Lima (RJ/CE), Marcus/Averaldo (RJ/TO), Léo Gomes/Bruno (RJ/AM), Arthur/Adrielson (MS/PR), Anderson Melo/Felipe Cavazin (RJ/PR) e Rafael/Renato (PB).
Já pelo torneio feminino, as 16 equipes que entram direto na fase de grupos, pela posição no ranking de entradas são: Ana Patrícia/Rebecca (MG/CE), Fernanda/Bárbara Seixas (RJ), Talita/Taiana (AL/CE), Tainá/Victoria (SE/MS), Carol Horta/Ângela (CE/DF), Juliana/Josi (CE/SC), Neide/Andrezza (AL/AM), Vivian/Vitoria (PA/RJ), Andressa/Diana (PB/RJ), Aline/Juliana Simões (SC/PR), Rafaela/Jéssica (PA), Val/Érica Freitas (RJ/MG), Izabel/Thati (PA/PB), Thamela/Ingridh (ES/PR), Solange/Teresa (DF/CE) e Naiana/Rosimeire Lima (CE/AL).
O Circuito Brasileiro 19/20 conta com sete etapas, três realizadas no segundo semestre deste ano, e quatro que acontecem no primeiro semestre de 2020. A estreia do tour aconteceu em Vila Velha (ES), em setembro, com ouro para Ágatha/Duda (PR/SE) e André Stein/George (ES/PB). Após Cuiabá, o torneio segue para Ribeirão Preto (SP), em novembro. Já as etapas de 2020 passarão por João Pessoa (PB), Maceió (AL), Aracaju (SE) e Rio de Janeiro (RJ).
Além das duplas campeãs de cada etapa, também existem os campeões gerais da temporada, somando a pontuação obtida nos sete eventos. A competição distribui R$ 46 mil às duplas campeãs dos dois naipes, e todos os times na fase de grupos são premiados. Ao todo, são distribuídos mais de R$ 500 mil por etapa.
Serviço
Circuito Brasileiro Open de Vôlei de Praia
Local: estacionamento do ginásio Aecim Tocantins
Programação (horário local):
23/10, quarta: 8h30 às 15h30
24/10, quinta: 8h30 às 13h30, e 17h30 às 21h
25/10, sexta: 8h30 às 13h, e 16h30 às 21h30
26/10, sábado: 8h às 13h30, e 16h30 às 21h
27/10, domingo*: 9h30 às 12h
*Entrega das premiações após os duelos finais
Mato Grosso
Júri é remarcado depois que defesa abandona plenário em julgamento de filho de ex-deputado

A sessão de julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, acusado pelo feminicídio de Thays Machado e pelo homicídio qualificado de Willian Cesar Moreno, foi remarcada para o dia 31 de julho, às 9h, após a defesa abandonar o plenário nesta terça-feira (21). Mais uma vez, os advogados tentaram o adiamento do julgamento, o que foi indeferido pela juíza Monica Catarina Perri Siqueira, presidente da sessão, sob o argumento de que não havia justificativa plausível para a redesignação da data.
Segundo a magistrada, os advogados tiveram um prazo de 15 dias para analisar os documentos juntados aos autos. Ela ressaltou que a maior parte dessas informações já constava no processo e que a alegada falta de acesso a um despacho específico sobre prisão domiciliar não acarretaria prejuízo real, uma vez que a decisão sobre o tema também integra os autos.
“O advogado, quando assume a substituição no processo, o recebe no estágio em que ele se encontra. O processo não recua, ele tem que andar para a frente”, afirmou Monica Perri. Após anunciar a nova data do júri, a magistrada determinou que, caso não haja um advogado constituído apto para atuar na sessão, a Defensoria Pública deverá estar preparada para assumir a defesa na data prevista. Todos os presentes saíram intimados do plenário.
A acusação seria conduzida pelos promotores de Justiça Vinicius Gahyva Martins e Élide Manzini de Campos, integrantes do Núcleo de Defesa da Vida do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O réu era defendido pelos advogados Elson Marcelino da Silva Júnior, Larice Cristine, Melissa de Oliveira Machado e Gabriel Gouvea Neno Reiff.
Manobra – Ainda no plenário, o promotor de Justiça Vinicius Gahyva Martins sustentou que o acesso a processos externos é responsabilidade da defesa e que as questões relacionadas ao habeas corpus e à prisão domiciliar já foram resolvidas, não havendo justificativa para o adiamento do júri. Ele destacou o papel do Ministério Público como fiscal da lei, com a missão de assegurar direitos e preservar a imagem das vítimas perante a coletividade. Também se posicionou contra o abandono do plenário, ressaltando que a realização de um Tribunal do Júri exige o empenho e a presença de diversos envolvidos, inclusive pessoas que se deslocaram de outros estados, e que a “ritualística do tribunal” deve ser respeitada em busca da verdade.
Vinicius Gahyva disse ainda que o abandono do plenário é uma estratégia que acaba por arranhar a imagem do Tribunal do Júri. “Isso tem se tornado, de certo modo, frequente nos julgamentos do Tribunal do Júri, especialmente naqueles que afligem de forma intensa o interesse da coletividade, como é o caso concreto de um feminicídio e de um homicídio de dois jovens. São duas pessoas que, efetivamente, traduzem a necessidade de reafirmarmos o nosso papel social de não banalização da vida humana. Nós sabemos que o Tribunal do Júri envolve uma série de providências que devem ser adotadas para que o ato processual seja realizado, e lamentamos muito que esse tipo de estratégia esteja sendo adotada”, afirmou.
A promotora de Justiça Élide Manzini de Campos lembrou que o julgamento já deveria ter ocorrido no dia 7 de julho. Segundo ela, naquela ocasião, a defesa solicitou o adiamento para análise de provas, pedido que foi deferido pela magistrada responsável pelo caso, com a remarcação da sessão para 21 de julho. “É um absurdo uma medida protelatória após mais de três anos do fato, com a família aguardando o julgamento. A defesa admite alegações de nulidades que não existem e que já foram completamente afastadas. É uma estratégia utilizada para tentar postergar, prorrogar e até abrir outro incidente de sanidade, ou qualquer outra medida, para que esse julgamento não ocorra. Tudo isso já foi afastado, e não há motivo algum para que esse julgamento não aconteça”, afirmou.
Sobre o caso de feminicídio, a promotora destacou que a reação da sociedade demonstra uma rejeição cada vez mais firme a esse tipo de crime. Segundo ela, a população tem se posicionado de forma clara contra a violência de gênero e em defesa do enfrentamento aos feminicídios, cobrando respostas efetivas do sistema de Justiça para coibir esse tipo de violência.
Fotos: Josi Dias | TJMT
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