Mato Grosso
Escola de Saúde Pública de MT acolhe 36 residentes em semana de integração profissional

A Escola de Saúde Pública (ESP-MT), vinculada à Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT), iniciou nesta segunda-feira (2.3), a Semana de Acolhimento dos Programas de Residência Multiprofissional e Uniprofissional. A abertura foi no auditório do Conselho Regional de Medicina, em Cuiabá.
A programação vai até sexta-feira (6) para acolher 36 residentes, sendo 28 alunos matriculados em cinco programas de residência em Área Profissional da Saúde e oito matriculados em três residências médicas. As residências serão oferecidas nos municípios de Cáceres, Cuiabá, Sorriso e Várzea Grande.
A ESP promove as residências multiprofissionais em Atenção em Oncologia em Cáceres; Atenção Básica – Saúde da Família, em Cáceres e em Várzea Grande; Saúde Mental – Atenção Psicossocial, em Cuiabá e Várzea Grande; Atenção à Saúde da Mulher – Saúde Integral da Mulher, em Cuiabá e Várzea Grande; além da residência uniprofissional em Enfermagem Obstétrica, no município de Sorriso.
Há profissionais formados em enfermagem, farmácia, fisioterapia, nutrição, odontologia, psicologia e serviço social. São cursos de pós-graduação lato sensu, com bolsa no valor bruto de R$ 4.106,09. As residências terão duração de 24 meses, sendo a carga horária total de 5.760 horas, distribuídas em 60 horas semanais.
Também estão sendo acolhidos oito residentes médicos, sendo quatro do Programa de residência médica em Psiquiatria (Ciaps Adauto Botelho), três do Programa de residência médica em Ortopedia e Traumatologia (Hospital Metropolitano) e um do Programa de residência médica em Cirurgia Geral (Hospital Regional de Cáceres).
“Estes são os primeiros programas de residência multiprofissional na área da saúde. É um momento de festa para a gestão por entregarmos mais qualidade no ensino no Sistema Único de Saúde (SUS). As residências vão contribuir diretamente para a melhoria da assistência e para a qualificação dos serviços de saúde no Estado”, afirmou a secretária adjunta Executiva da SES, Kelluby Oliveira.
A superintendente da Escola de Saúde Pública, Silvia Tomaz, destacou que a intenção da Secretaria é de ter mais 14 programas de residência em Saúde da Família no Estado até agosto deste ano para estar presente em municípios dos 16 Escritórios Regionais de Saúde (ERS).
“Este momento é histórico para a Secretaria de Estado de Saúde e para o SUS [Sistema Único de Saúde] por ser algo inédito. E os municípios estão recebendo incentivo. O representante da gestão de Várzea Grande já fez até os cálculos: vai receber quase R$ 800 mil por ano com os residentes que estão recebendo hoje”, explicou.
Durante a semana, a equipe da Escola de Saúde Pública vai apresentar as diretrizes das residências e tratar sobre a ética no exercício profissional.
“Vamos ter a presença de todos os Conselhos de Classe, onde nós vamos trabalhar a ética de cada profissão porque o foco é a interprofissionalidade, mas é importante que cada um traga a sua essência da ética profissional. E quem recebe o retorno disso é a população. Além disso, o evento terá uma mesa-redonda sobre a Rede de Atenção à Saúde, que eu penso ser significativo, e nós vamos estar conhecendo os residentes”, avaliou.
A enfermeira Taína Almeida, 38 anos, que vai começar a residência em Saúde Mental, estava animada para o início da capacitação.
“A residência é uma oportunidade não só de nos capacitar, mas de fazer essa interação multiprofissional super positiva. E, principalmente, porque a gente está indo para o SUS, que é onde a demanda da nossa população precisa de pessoas capacitadas pra atuar nessas áreas”, analisou.
O médico Luiz Henrique Rocha, 26 anos, veio de Gurupi, em Tocantins, há cerca de duas semanas para Cuiabá com a expectativa de aproveitar bem a residência em psiquiatria da ESP-MT para aprender e também para servir à população de Cuiabá e à sociedade como um todo.
“Aprender, principalmente, aprender, afinal de contas na medicina a gente passa por todas as especialidades, mas nós não nos aprofundamos em nada. Então, ter a oportunidade de me aprofundar na área que realmente eu quero me especializar, que é a psiquiatria, formar amizades aqui também, afinal eu sou recém-chegado na cidade”, contou.
Saiba mais sobre a Semana de Acolhimento
Na tarde desta segunda-feira (2), em atividade no auditório da Vigilância Sanitária, os residentes puderam se apresentar aos colegas de residência, coordenadores, preceptores e tutores.
Nesta terça-feira (3), aconteceu a mesa-redonda “Redes de Atenção à Saúde em MT: Desafios e Tecimentos Possíveis” e apresentados os programas, com os detalhes da proposta pedagógica, grade curricular, cenários de prática, atividades de tutoria, preceptoria e avaliação.
O doutor José Alves, da ESP, tratou sobre “O Saber da Experiência com a Interprofissionalidade”. Houve ainda as rodas de conversa “Interprofissionalidade e o Cuidado Integral no SUS” e “Preceptores e Residentes: Experiências dos Cenários de Prática”, além da atividade “Construindo a Cartografia dos Programas de Residência”.
Na quarta-feira (4), serão feitas a mesa-redonda com representantes dos Conselhos Profissionais sobre o tema “Ética Profissional no SUS”, a atividade “Itinerário Formativo da Residência – Mapa Aeroespacial”, a oficina “Trabalho em Equipe: Construção de um PTS [Projeto Terapêutico Singular] Fictício”. Haverá ainda uma atividade para a criação do “Guia do Residente coletivo”, com acordos de convivência e cuidado.
O regimento do Coremu (Comissão de Residência Multiprofissional em Saúde) será apresentado aos residentes na quinta-feira (5). Já na sexta-feira, haverá um Seminário Integrador com a Coordenação-geral dos Programas de Residência do Ministério da Saúde e o Codemu-MT (Comissão Descentralizada Multiprofissional de Residência em Mato Grosso).
Fonte: Governo MT – MT
Mato Grosso
Circuito do Varejo promove capacitação sobre atendimento e vendas digitais em Lucas do Rio Verde, Alta Floresta, Colíder e Água Boa

Mato Grosso
Leis aprovadas por Câmaras são declaradas inconstitucionais em MT

Foto- Assessoria
Leis aprovadas em câmaras municipais que avançam sobre atribuições típicas do Poder Executivo continuam sendo alvo de questionamentos no Judiciário, com reiterado reconhecimento de inconstitucionalidade por vícios formais. Em decisões recentes envolvendo municípios mato-grossenses, a exemplo de Sinop e Rondonópolis, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) reafirmou os parâmetros que delimitam a atuação do Legislativo local.
Nesse contexto, o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) tem se manifestado em ações diretas de inconstitucionalidade apontando irregularidades em leis de iniciativa parlamentar que tratam da execução de políticas públicas. Foi o que ocorreu nos casos das Leis Municipais nº 3.599/2025, que instituiu a denominada Escola Ambiental, e nº 3.641/2026, que criou o Programa Oftalmologia nas Escolas, ambas no município de Sinop.
As análises jurídicas indicam que essas normas apresentaram vício formal de iniciativa, uma vez que trataram de matérias cuja proposição é reservada ao chefe do Poder Executivo. A Constituição Federal e a Constituição do Estado de Mato Grosso estabelecem que cabe privativamente ao Executivo propor leis que disponham sobre organização administrativa, funcionamento de órgãos públicos e implementação de políticas governamentais, entendimento que se aplica aos municípios por simetria constitucional.
Nos casos analisados, as leis não se limitaram à criação de diretrizes gerais, mas passaram a disciplinar a execução das políticas públicas. Entre os pontos identificados estão a definição de periodicidade de serviços, a imposição de atividades específicas por secretarias e a vinculação direta de ações à estrutura administrativa do município. Esse tipo de previsão normativa caracteriza ingerência indevida na esfera do Executivo, ao restringir a margem de decisão administrativa quanto à conveniência, oportunidade e viabilidade das medidas.
Situação semelhante foi verificada em Rondonópolis, onde a Lei Municipal nº 14.224/2025 instituiu o projeto “Bem-Estar Rural”, determinando a realização de atividades físicas e de lazer para a população, com frequência mínima semanal e execução a cargo de secretaria municipal. O entendimento consolidado foi de que a norma, também de iniciativa parlamentar, impôs obrigações concretas ao Executivo, interferindo na gestão administrativa, no planejamento de políticas públicas e na alocação de recursos humanos, além de exigir contratação de profissionais.
Nessa hipótese, assim como em Sinop, o Ministério Público apontou que, embora a iniciativa legislativa tenha sido orientada por finalidade social relevante, a forma adotada acabou por invadir a esfera de competência do Executivo, comprometendo o equilíbrio entre os poderes e retirando do gestor público a possibilidade de avaliar a melhor forma de execução da política pública.
Outro ponto comum nos casos analisados é a violação ao princípio da separação dos poderes. Embora o Legislativo tenha papel essencial na formulação de normas e na representação da sociedade, sua atuação encontra limites constitucionais. Quando a lei estabelece comandos operacionais específicos, substitui a discricionariedade administrativa por obrigações previamente definidas, caracterizando interferência indevida na gestão pública.
Além disso, foi constatada a ausência de estimativa de impacto orçamentário e financeiro em leis que criavam despesas públicas obrigatórias e continuadas. A exigência constitucional de apresentação desse estudo busca garantir o equilíbrio das contas públicas e a compatibilidade com o planejamento orçamentário. A inobservância desse requisito tem sido considerada vício suficiente para invalidar as normas.
A atuação do Ministério Público nesses casos busca assegurar que o processo legislativo observe os parâmetros constitucionais, contribuindo para a produção de normas eficazes e juridicamente válidas, sempre reconhecendo o importante papel das câmaras municipais na elaboração de leis que estabeleçam diretrizes gerais e políticas públicas em sentido amplo.
Mato Grosso
Estado é condenado a reformar Cadeia Pública feminina de Cáceres
A pedido da 1ª Promotoria de Justiça Cível de Cáceres (a 225 km de Cuiabá), a Justiça determinou que o Estado de Mato Grosso apresente, no prazo de até 90 dias, um plano completo para sanar irregularidades estruturais, sanitárias e de segurança na Cadeia Pública Feminina de Cáceres, sob pena de multa diária em caso de descumprimento. A 4ª Vara Cível da comarca julgou procedente a Ação Civil Pública (ACP) ajuizada pelo Ministério Público de Mato Grosso. A sentença foi proferida em 21 de maio.
A decisão judicial estabelece que o Estado deve elaborar, apresentar e implementar um Plano de Adequação Estrutural e Funcional, no qual deverão constar, de forma detalhada, todas as intervenções necessárias para a regularização da unidade, incluindo obras, reparos e medidas voltadas ao cumprimento das normas de segurança contra incêndio, das condições sanitárias e das exigências estruturais. O cronograma deverá indicar, ainda, os prazos de início e conclusão de cada etapa, a estimativa de custos, as fontes de financiamento e os órgãos responsáveis pela execução.
Além disso, o Estado deverá comprovar periodicamente o andamento das ações por meio da apresentação de relatórios técnicos e registros fotográficos a cada 60 dias, evidenciando a evolução das medidas adotadas. Na sentença, o juízo também fixou multa diária de R$ 2 mil, limitada inicialmente a R$ 100 mil, em caso de descumprimento dos prazos estabelecidos.
De acordo com a ação, a investigação teve início após a 1ª Promotoria de Justiça Criminal identificar irregularidades relevantes na unidade durante fiscalizações de rotina, especialmente relacionadas à estrutura física, à segurança e ao funcionamento, com risco à integridade de custodiadas e servidores. Diante desse cenário, a 1ª Promotoria de Justiça Cível instaurou procedimento para acompanhar a situação e cobrar providências do Estado, responsável pela gestão do sistema prisional.
As apurações revelaram um quadro crônico de precariedade estrutural, com edificações deterioradas, problemas nas instalações elétricas, ausência de sistemas adequados de prevenção a incêndios e falhas nas condições sanitárias. Relatórios técnicos e vistorias realizadas por órgãos como o Corpo de Bombeiros, a Vigilância Sanitária e o Centro de Apoio Operacional do Ministério Público (CAO-MP) confirmaram os riscos. Na cadeia feminina, foram registrados, entre outros problemas, fiação exposta e sobrecarga elétrica, fatores que motivaram, inclusive, pedido de interdição parcial.
“As irregularidades estruturais constatadas pelo Centro de Apoio Operacional do Ministério Público expõem de forma permanente pessoas privadas de liberdade, servidores e demais usuários das unidades prisionais a riscos concretos à vida e à integridade física, especialmente em razão da precariedade das edificações, da ausência de manutenção preventiva e da deficiência das instalações elétricas e estruturais.”, narra a ação.
Segundo o MPMT, as medidas adotadas pelo Estado ao longo da investigação foram pontuais e insuficientes para solucionar as irregularidades. O Ministério Público também buscou uma solução extrajudicial, por meio da proposta de celebração de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), mas não obteve resposta do poder público.
Foto: Reprodução.
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