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Especialistas discordam sobre idade adequada para alfabetização das crianças em debate sobre novo PNE

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Especialistas ouvidos pela Comissão Especial da Câmara dos Deputados sobre o Plano Nacional de Educação (PNE) para o decênio 2024-2034 (PL 2614/24) discordaram sobre a idade adequada para a alfabetização de crianças, sobre os critérios para um aluno ser considerado alfabetizado e até sobre a eficiência de um plano.

A comissão discutiu, nesta quarta-feira (14), o Objetivo 3 do PNE – assegurar a alfabetização ao final do 2º segundo ano do ensino fundamental para todas as crianças. 

A meta é que até 2030, 80% das crianças brasileiras estejam alfabetizadas e, até o final do plano, 100%.  A Meta 5 do Plano Nacional de Educação anterior (2014-2024, estendido até 2025) previa a alfabetização de todas as crianças até o final do 3º ano do ensino fundamental.

Diretor de Políticas e Diretrizes da Educação Integral Básica do Ministério da Educação, Aleksandro Santos, acredita que o Brasil quer que as crianças sejam alfabetizadas o quanto antes. Ele considera importante, porém, delimitar a expectativa de aprendizagem ao final de cada ano escolar para organizar as práticas pedagógicas da escola. 

Ele informou que o MEC lançou em 2023 o Compromisso Nacional Criança Alfabetizada, nova política de alfabetização, que institui a colaboração entre União, estados e municípios com esse fim. “A educação infantil e os anos iniciais são tarefas do município, mas 3 mil municípios brasileiros são muito pequenos e muito pobres”, apontou. Conforme o diretor, o novo PNE tem esse pressuposto e também foca na equidade – ou seja, na redução das desigualdades. 

Definição de alfabetização
O diretor do MEC disse que o Brasil pela primeira vez tem uma definição explícita de criança alfabetizada, com três elementos: “Ela é capaz de ler palavras, frases e textos curtos, ela é capaz de localizar uma informação explícita num texto curto, ela é capaz de fazer inferências de leitura, juntando a linguagem verbal e a não verbal num determinado texto”, resumiu. 

Aleksandro Santos observa, porém, que a alfabetização segue ao longo da vida, com a aquisição de novas habilidades para a compreensão de textos,  mas que o Brasil consegue medir hoje, ao final do 2º ano, se uma criança está alfabetizada. Segundo ele, o MEC desenvolveu uma avaliação censitária – o indicador Criança Alfabetizada -, já que o Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb – Alfabetização) tem uma limitação: ele é amostral, e não censitário, impedindo o monitoramento de municípios específicos ou escolas. 

Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados
Alfabetização - objetivo 3 do Plano Nacional de Educação 2024-2034. Fundador do Instituto Alfa e Beto, João Batista de Oliveira
João Batista Oliveira defendeu a alfabetização no 1º ano

Alfabetização no 1º ano
Fundador do Instituto Alfa e Beto, João Batista Oliveira forneceu outra definição de alfabetização: “Uma criança alfabetizada lê palavras e pseudopalavras, por exemplo, vuvuzela – uma palavra que não existiria, lê sem silabar, sem gaguejar e ler no tempo previsto, que é, pelo menos, na língua portuguesa, 80 palavras por minuto. Se ela não lê nesse tempo, com esses critérios, ela não foi alfabetizada e ponto final”, disse. Na visão dele, não são necessários testes de compreensão de texto para saber que uma criança foi alfabetizada, já que ler e compreender são atributos diferentes – compreender é uma tarefa para a vida inteira.

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“Quanto mais tarde a criança ler, mais difícil será recuperar o atraso”, observou. “No segundo ano do ensino fundamental, o aluno que chega no primeiro dia e não lê o que o professor escrever no quadro, o dever de casa, é um analfabeto funcional, quer dizer, o  analfabetismo funcional começa dentro da escola quando a escola renuncia sua obrigação de alfabetizar quando deve”, completou. 

Para ele, o que funciona na alfabetização: “Adotar um currículo baseado na ciência cognitiva da leitura, usar materiais estruturados, testados, eficazes, avaliar corretamente, quando? No final do primeiro ano”. Na opinião dele, basta uma amostra, não é necessária uma avaliação cara, para todos os alunos. “Se é para fazer plano, que seja: toda criança deve ser alfabetizada até o final do 1º  ano. Isso é simples, possível, factível e inadiável”, concluiu. 

Ineficácia de planos
João Batista Oliveira acredita que os planos de educação são ineficazes, não só no Brasil como em outros países. “Por que o Brasil não alfabetiza suas crianças? A resposta é simples e cruel: porque não quer”, disse, enfatizando que se trata de uma questão de prioridade política. “Nenhuma escola poderia funcionar se não conseguir alfabetizar seus alunos no primeiro ano. Se ela não fizer isso, ela tem que ser fechada, tem que haver uma intervenção”, opinou. “Nenhuma prefeitura poderia receber recursos do Fundeb se ela falha nesse ponto”, acrescentou. 

Ex-Secretário da Alfabetização do Ministério da Educação, Carlos Nadalin concorda que a meta deve ser alfabetizar as crianças até o fim do 1º ano e, para isso, devem ser preparadas antes, na educação infantil, com atividades de consciência fonológica, entre outras atividades. Segundo ele, o desempenho e a fluência em leitura das crianças deve ser avaliado do 1º ao 9º ano do ensino fundamental. 

Antecipação da alfabetização
Professor da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo e coordenador da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, articulada por 18 entidades, Daniel Cara citou dados consolidados da Avaliação Nacional de Alfabetização (Ana) demonstrando que a situação da alfabetização das crianças até o 3º ano está estagnada. 

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Para Daniel Cara, o debate adequado não é se a alfabetização deve se dar até o 2º ou 3º ano,  mas a pergunta fundamental é qual o critério para uma criança ser considerada alfabetizada. O debate, na visão dele, deve ser sobre a consistência da alfabetização e deve-se procurar superar as desigualdades dos resultados da alfabetização existentes, por exemplo, entre crianças de diferentes níveis socioeconômico ou raça.

“O Brasil tem tomado uma decisão em algumas redes públicas de acelerar a alfabetização para o segundo ano, e isso não tem resultado depois numa consistência no desenvolvimento dos indicadores de aprendizados nos anos finais do ensino fundamental – ou seja, você acelera a alfabetização e isso não significa aprendizado”, apontou.

Alfabetização até 3º ano
Professora de Pedagogia da Universidade de São Paulo, Bianca Cristina Corrêa acredita que os professores têm sido colocados à mercê de políticas equivocadas. Na visão dela, um erro é justamente antecipar a alfabetização para a etapa da educação infantil, quando a brincadeira deveria ser a atividade principal das crianças nessa etapa da vida. 

“Exigir agora que as crianças aos 6 anos passem a ser stricto sensu alfabetizadas é uma exigência um pouco severa demais, e em um ano, dois anos, ao final do 2º ano exigir que estejam plenamente alfabetizadas, de modo consolidado, é exigir um pouco demais, principalmente se a gente considerar as desigualdades que a gente tem no nosso País”, opinou. Para ela, essa exigência deve ocorrer só ao final do 3º ano. 

Bianca Corrêa acredita que o que considera excesso de avaliações existentes leva as crianças e aos professores a um nível alto de estresse e chama a atenção, para a falta de condições adequadas, por exemplo, para a dificuldade de se fazer alfabetização com turmas superlotadas. 

Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados
Alfabetização - objetivo 3 do Plano Nacional de Educação 2024-2034. Presidente Emérita da Associação Brasileira de Alfabetização - ABALF, Isabel Cristina.
Isabel Frade criticou a formação de professores por educação a distância

Formação de professores
Presidente Emérita da Associação Brasileira de Alfabetização, Isabel Frade lembrou que a não alfabetização e a desigualdade social estão relacionadas e que as políticas para a alfabetização devem ser associadas às políticas para a redução da desigualdade. Ela chamou a atenção para a questão da formação dos professores. 

“A formação tem se dado, por volta de 80% em instituições privadas, e mais recentemente com precários cursos de educação a distância”, ressaltou. “Há muitos professores que chegam às escolas e não tiveram condições de fazer um estágio em seu sentido pleno e formativo”, acrescentou. Ela recomenda o monitoramento da qualidade das instituições de ensino superior. 

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Diretor do Centro de alfabetização, leitura e escrita (Ceale), Gilcinei Carvalho abordou as condições necessárias para a alfabetização, destacando a valorização dos professores e a formação contínua deles. Além disso, ele considera a formação de leitores como relevante para o sucesso do percurso da escolarização.  

Alfabetização até 2º ano
Já a gerente de Alfabetização da Fundação Lemann, Bárbara Panseri, considera factível a meta de alfabetizar 80% das crianças brasileiras até o final do 2º ano. A fundação defende que 100% das crianças sejam avaliadas. Segundo ela, é importante que os dados de monitoramento sejam públicos e englobem raça, sexo e escola. Ela chamou a atenção para a necessidade das políticas da alfabetização serem continuadas, sem interrupções, lembrando que na última década o Brasil já teve quatro políticas de alfabetização relevantes – daí a importância do PNE. 

Matemática
Gerente Executiva de Relações Governamentais do Instituto Ayrton Senna, Beatriz Alquéres destaca que mais de 40% das crianças não estão alfabetizadas até o segundo ano. Ela defendeu a manutenção dessa meta e lembrou que o período de alfabetização determina toda a trajetória do estudante. Na avaliação do instituto, é preciso inserir no plano estratégias claras para a recomposição das aprendizagens voltadas à alfabetização, de forma que essas crianças não sejam deixadas para trás. 

Ela destaca ainda que o desenvolvimento das competências matemáticas iniciais é parte da alfabetização plena, já que pensar matematicamente ajuda a compreender melhor os textos. Alfabetizar de verdade é integrar essas duas linguagens. “O PNE atual não menciona a palavra matemática em nenhuma meta ou estratégia da educação básica”, alertou. O instituto propõe essa inclusão. 

Opinião dos deputados
O deputado Pauderney Avelino (União-AM) destacou a importância da merenda escolar para que a alfabetização ocorra de forma adequada. O deputado Bruno Ganem (Pode-SP) ressaltou, por sua vez, a importância da cultura da educação, que engloba a vontade de a criança aprender e a valorização da educação pelos pais e pela sociedade, lembrando que influenciadores mirins alardeiam os ganhos financeiros mesmo sem estudo.  

Presidente da comissão, a deputada Tabata Amaral (PSB-SP) disse que foi alfabetizada muito cedo e que isso fez toda a diferença na sua trajetória. Para ela, é preciso sobretudo tratar das responsabilidades daqueles que falharam em garantir a alfabetização. 

Relator da proposta, o deputado Moses Rodrigues (União-CE) falou que o relatório sobre o projeto será feito por muitas mãos, em diálogo com a presidente, a Mesa Diretora da Câmara, a Comissão de Educação e os especialistas ouvidos nas audiências públicas na comissão e nas audiências nas assembleias legislativas nos estados.

Reportagem – Lara Haje
Edição – Roberto Seabra

Fonte: Câmara dos Deputados

Nacional

A categoria petroleira reage a novo tarifaço dos EUA imposto unilateralmente ao Brasil

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Foto- Divulgação

A Federação Única dos Petroleiros (FUP) manifesta repúdio ao novo tarifaço anunciado pelos Estados Unidos sobre cerca de quatro mil produtos brasileiros, medida que atinge aproximadamente US$ 15 bilhões em exportações. Para a entidade, a decisão representa um ataque à soberania nacional, compromete a competitividade da indústria brasileira, ameaça empregos e reforça a necessidade de fortalecer o mercado interno, a soberania energética e a Petrobras como empresa estratégica para o desenvolvimento do país.

“A Federação Única dos Petroleiros (FUP) repudia o anúncio do novo aumento de tarifas imposto pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. A medida é mais um ataque à soberania nacional. Ela fere acordos comerciais, desestabiliza cadeias produtivas e ameaça milhares de empregos, especialmente na indústria e no setor de energia”, afirmou a coordenadora-geral da FUP, Cibele Vieira.

“Apoiamos postura firme do governo brasileiro, e a reafirmação da soberania de cada país.  A defesa da indústria nacional, dos empregos de qualidade, da agregação de valor às riquezas produzidas no país e da diversificação das relações comerciais deve orientar a resposta brasileira a medidas dessa natureza, sempre com base na defesa da soberania nacional e dos interesses do povo brasileiro”, ressalta a dirigente da FUP.

O especialista no setor de óleo, gás e energia Deyvid Bacelar avalia que o tarifaço terá impactos diretos sobre a produção nacional, setores estratégicos e o mercado de trabalho. “Tarifaço dos EUA contra o Brasil é um ataque à soberania e ao trabalhador. O anúncio do novo tarifaço dos Estados Unidos contra cerca de quatro mil 4 produtos brasileiros, equivalentes a aproximadamente US$ 15 bilhões em exportações, é mais um ataque à soberania nacional e aos empregos do nosso país”, explica Bacelar.

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“Essa medida protecionista penaliza diretamente setores estratégicos, como a indústria de máquinas e equipamentos e energia. Quem paga a conta é o trabalhador brasileiro, com menos produção, menos salário e desemprego. O Brasil não vai aceitar chantagem comercial. Os investimentos do setor produtivo, feitos ao longo de décadas, são patrimônio do povo brasileiro. Defendemos uma resposta firme do governo brasileiro. É hora de fortalecer o mercado interno, diversificar parceiros comerciais e garantir que a riqueza do Brasil fique no Brasil”, conclui.

Na mesma linha, a diretora da FUP e do Sindipetro-NF, Bárbara Bezerra, afirma que o episódio reforça a necessidade de fortalecer a política energética nacional e preservar o papel estratégico da Petrobras. “A decisão do governo dos Estados Unidos de impor novas tarifas sobre produtos brasileiros é uma medida unilateral que afeta a competitividade da indústria nacional e impõe desafios adicionais à economia do país. Trata-se de uma iniciativa sem justificativa econômica, sobretudo diante do histórico da balança comercial entre os dois países”.

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Nacional

Pressão por resultados no Enem gera síndrome do desempenho e compromete a saúde de estudantes

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 Especialista da Rede Enem aponta como a rotina exaustiva de estudos e a comparação nas redes sociais reduzem o rendimento cognitivo e afetam a saúde de jovens de 17 e 18 anos

A preparação para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) tem gerado um quadro de adoecimento crônico entre jovens. O impacto é comprovado pela Fundação Getulio Vargas (FGV), na ‘Pesquisa sobre Escolha Profissional e Ansiedade’, que aponta que 63% dos estudantes de Ensino Médio relatam sentir ansiedade severa ao pensar no futuro profissional e no exame. O cenário é classificado por especialistas como “síndrome do desempenho”, fenômeno que ocorre quando o candidato atrela o seu valor pessoal exclusivamente à sua nota, transformando o aprendizado em uma busca por métricas irreais.

“A exigência por uma rotina de estudos intensa, somada ao processo de construção de identidade característico dessa faixa etária, resulta em uma sensação constante de insuficiência. O estudante é bombardeado com a ideia de que precisa ser o melhor o tempo todo, o que transforma a preparação em um fardo”, explica Juliana Evelyn, Coordenadora Pedagógica Rede Enem, uma das principais plataformas de educação digital no Brasil, marca da Vitru Educação, líder do segmento.

Esse cenário de sobrecarga, no entanto, ganha proporções ainda maiores no ambiente digital. Ao buscar referências de organização na internet, o candidato frequentemente encontra gatilhos que potencializam o sentimento de inadequação.

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O papel das redes sociais e o impacto cognitivo

A pressão é agravada pela exposição a comunidades de estudo em plataformas como Instagram e TikTok. A exibição de cronômetros marcando 12 horas de estudo diárias e rotinas ininterruptas cria um padrão artificial. Segundo Juliana, há uma romantização do sofrimento e a capitalização do estudo. “O estudante compara os seus bastidores reais, cansados e cheios de dúvidas, com um recorte editado da realidade. O resultado é a percepção destrutiva de que ele nunca está fazendo o suficiente”.

Esse contexto gera um paradoxo: o excesso de autocobrança diminui a eficiência cerebral. O estado de alerta constante e o estresse prejudicam a retenção de conteúdos complexos, resultando em bloqueios emocionais e “brancos” durante as provas. O esforço deixa de se traduzir em resultados devido à exaustão cognitiva. Sinais físicos indicam quando a ansiedade deixa de ser um nervosismo natural e passa a ser prejudicial. Insônia crônica, isolamento social extremo e dores psicossomáticas (como dores de cabeça e problemas estomacais) são os principais alertas de que o vestibular passou a atuar como um agente adoecedor.

Recorte socioeconômico e a urgência da aprovação

A pressa por resultados rápidos também reflete a desigualdade social. Para alunos de escolas públicas, a aprovação imediata é muitas vezes a única forma de evitar que a necessidade de trabalhar inviabilize a continuidade dos estudos. “O ano de cursinho, que deveria ser um período de amadurecimento, passa a ser visto como fracasso. O cenário é impulsionado pela lógica do imediatismo digital, que distorce a percepção do tempo e aumenta a cobrança por resultados em uma prova que exige, além de conhecimento, resistência física e inteligência emocional”, afirma Juliana Evelyn.

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Para combater esse cenário, a Rede Enem atua com a oferta de conteúdo pedagógico 100% gratuito, eliminando o peso financeiro da preparação. A plataforma estrutura trilhas de aprendizado fracionadas, baseadas na realidade do candidato. “Mostramos ao estudante que é possível se preparar com qualidade sem abdicar da saúde mental ou passar noites em claro. Os erros cometidos nos simulados são tratados como ferramentas de diagnóstico para o crescimento, e não como sentenças de incapacidade”, afirma a coordenadora pedagógica. Os planejamentos da instituição incluem obrigatoriamente horas de descanso.

A orientação central para os candidatos nesta reta final é o acolhimento do próprio limite. “O Enem é apenas uma prova, e não um atestado sobre a inteligência do aluno. O futuro não cabe em um gabarito de 90 questões. O descanso é parte fundamental da preparação e nenhum curso vale o sacrifício da saúde”, conclui Juliana.

Sobre a Rede Enem: democratização do acesso à educação

Fundada em 2013, com o propósito de democratizar o acesso à educação de qualidade, por meio da oferta de conteúdos preparatórios para os exames Enem, Encceja e vestibulares, e considerado uma das principais plataformas gratuitas de educação digital do Brasil, preparatória para o exame, o programa segue com o compromisso de fornecer recursos educacionais gratuitos e relevantes para milhões de estudantes de todo o país. Em 2015, nasceu o Curso Enem Gratuito, considerado hoje o maior curso preparatório online e 100% gratuito do país, com milhares de estudantes inscritos todos os anos. Desde 2022, a plataforma digital é integrante da Vitru, grupo líder em EAD no mercado de educação digital no Brasil, ampliando ainda mais o seu alcance e impacto. Para saber mais acesse o site.

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Com a força do El Niño, especialistas alertam para impactos das alterações climáticas na saúde humana

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Fenômeno impõe novos desafios à rotina hospitalar e aumenta o risco de epidemias e da disseminação de superbactérias

Foto-Assessoria

Segundo a pesquisa Clima, trabalho e transição justa, realizada pelo Aurora Lab em parceria com a More in Common Brasil entre maio e setembro de 2025 em nove capitais brasileiras, 85% dos participantes afirmam que as mudanças climáticas já influenciam suas atividades diárias. Entre os principais reflexos percebidos no cotidiano estão o aumento do custo de vida (53%), problemas de saúde física (45%), dificuldades de acesso ao trabalho (40%) e deterioração da saúde mental (32%).

A preocupação aumenta com a confirmação do El Niño, fenômeno climático caracterizado pela elevação anormal da temperatura das águas do Oceano Pacífico. No Brasil, seus efeitos costumam variar entre as regiões e podem intensificar chuvas intensas, enchentes e ondas de calor, ampliando os impactos sobre a saúde pública. No Sul do país, o principal efeito associado ao fenômeno é o excesso de chuva, que favorece enchentes, alagamentos e deslizamentos de terra.

O alerta está alinhado à análise mais recente da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), que recomenda o fortalecimento da vigilância epidemiológica e da capacidade operacional dos serviços de saúde para garantir a continuidade da assistência durante eventos climáticos extremos.

A infectologista dos hospitais São Marcelino Champagnat e Universitário Cajuru, Viviane Hessel, explica que eventos como esse, além dos prejuízos materiais, favorecem a transmissão de doenças infecciosas, como leptospirose, hepatite A e infecções gastrointestinais. “No caso da leptospirose, a bactéria pode penetrar pela pele durante o contato com a água contaminada. Quando as famílias precisam deixar suas casas e buscar abrigo temporário, aumentam também os desafios referentes ao acesso à água potável, alimentação, a medicamentos e ao atendimento de saúde. Ambientes coletivos facilitam a transmissão de doenças respiratórias e podem contribuir para a ocorrência de surtos, especialmente em populações mais vulneráveis”, ressalta.

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Além disso, Viviane alerta que já existem evidências de que o aumento das temperaturas pode facilitar a disseminação de genes de resistência entre bactérias, tanto na comunidade quanto em ambientes hospitalares. “Dependendo do perfil de resistência, a bactéria deixa de responder aos antibióticos habitualmente utilizados, reduzindo as opções terapêuticas disponíveis e dificultando o manejo clínico do paciente”, salienta.
Como exemplo, um estudo publicado em maio de 2026 na revista científica The Lancet Planetary Health identificou um aumento global de 10% nos genes de resistência a antibióticos, associado às mudanças climáticas, com base na análise de mais de 480 mil genomas de Salmonella coletados em 139 países entre 1940 e 2023.

Diante desse cenário, a médica destaca que o fenômeno representa um desafio crescente para os sistemas de saúde, uma vez que “infecções causadas por microrganismos resistentes costumam exigir tratamentos mais complexos e podem ter desfechos mais graves”. Para reduzir os riscos na rotina hospitalar, a especialista reforça a importância de medidas preventivas, como a higiene das mãos, a limpeza e a desinfecção corretas de equipamentos e superfícies e o cumprimento rigoroso dos protocolos de controle de infecção.

Ondas extremas de calor ampliam os desafios para a saúde
Em contrapartida, nas regiões Norte e Nordeste, o El Niño tende a provocar redução significativa das chuvas e aumento das temperaturas. Mais de 120 mil mortes foram associadas ao calor extremo no Brasil entre 2000 e 2019, segundo o estudo Saúde e ondas de calor: mortalidade, morbidade e implicações para o SUS no Brasil, divulgado em junho de 2026. Realizada por pesquisadores da Fiocruz e da Universidade Federal da Bahia (UFBA), a análise utilizou dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade do DataSUS. Dos óbitos atribuíveis às ondas de calor, 80% ocorreram entre idosos com 65 anos ou mais, totalizando cerca de 97 mil mortes. Entre as principais causas associadas estão as doenças cardiovasculares e respiratórias.

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Para a infectologista, os efeitos do calor intenso também são observados na rotina dos serviços de saúde. “Os períodos prolongados de temperaturas elevadas favorecem tanto o agravamento de problemas respiratórios relacionados à piora da qualidade do ar quanto o aumento das internações por desidratação, principalmente entre idosos. São situações que tendem a se tornar mais comuns à medida que os episódios de calor extremo se intensificam”, afirma.

A pesquisa também apontou riscos mais elevados entre mulheres e pessoas com menor escolaridade, o que reforça a influência dos determinantes sociais na distribuição dos impactos das mudanças climáticas sobre a saúde. De acordo com a especialista, as condições sociais de uma população influenciam diretamente a capacidade de enfrentamento desses eventos. “Além dos extremos de idade, como é o caso dos idosos e recém-nascidos, as pessoas com comorbidades, desnutrição e em maior vulnerabilidade socioeconômica tendem a sofrer consequências mais severas, com mais necessidade de hospitalização e risco de complicações”, completa.

Sobre o Hospital São Marcelino Champagnat

O Hospital São Marcelino Champagnat faz parte do Grupo Marista e nasceu com o compromisso de atender seus pacientes de forma completa e com princípios médicos de qualidade e segurança. É referência em procedimentos cirúrgicos de média e alta complexidade. Nas especialidades destacam-se: cardiologia, neurocirurgia, ortopedia, cirurgia robótica e cirurgia geral e bariátrica, além de serviços diferenciados de check-up. Planejado para atender a todos os quesitos internacionais de qualidade assistencial, é o único do Paraná certificado pela Joint Commission International (JCI).

Sobre o Hospital Universitário Cajuru

O Hospital Universitário Cajuru é uma instituição filantrópica com atendimento 100% SUS e com a certificação de qualidade da Organização Nacional de Acreditação (ONA) nível 3. Está orientado pelos princípios éticos, cristãos e valores do Grupo Marista. Vinculado às escolas de Medicina e Ciências da Vida da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), preza pelo atendimento humanizado, com destaque para procedimentos cirúrgicos, transplante renal, urgência, emergência, traumas e atendimento de retaguarda a Pronto Atendimentos e UPAs de Curitiba e cidades da Região Metropolitana.

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