Mato Grosso
Falta de Efetivo leva Categoria Penitenciária a suspender atividades não essenciais a partir do dia 02 em MT
Em assembleia realizada ontem 25/09 a categoria do sistema Penitenciário deliberou quanto à suspensão dos serviços considerados não essenciais a partir dessa terça feira dia 02/10, caso persista a protelação em relação ao Termo de Ajustamento de Conduta firmado entre MP e administração Pública, com o fim de realizar a convocação dos classificados em concurso público realizado para o Sistema Penitenciário. Entenda:
O TAC proposto pelo MP no dia 28/06, se arrastou em negociação com a PGE, SEJUDH, SEFAZ, SEPLAN, Casa Civil até o dia 12/09, quando se iniciou a fase de coletar assinaturas, onde incluíram até mesmo do Secretário de Saúde e do Procurador do Ministério Público o Dr. Mauro Curvo. Na noite do dia 24/09 a fase de coleta de assinaturas foi superada, e agora se necessita da homologação do TAC junto ao TJ e a convocação pela Secretaria de Gestão – SEGES.
Diante dessa situação a categoria se manteve em Estado de Assembleia e se vê obrigada a realizar a suspensão de alguns serviços considerados não essenciais a partir do dia 02/10.
“A necessidade de efetivo é extremamente urgente, companheiros de serviço, pais e mães de famílias que comprometidos com a profissão tem arriscado suas vidas num jugo desigual. Essa situação precisa ser resolvida ou ao menos amenizada. Esperamos com todo respeito que o Governo e as autoridades sejam mais sensíveis e céleres quanto a essa condição de trabalho que é precípua para a mantença de nossa profissão.” Afirma o Presidente Amaury.
Nessa Assembleia também foi esclarecido a categoria quanto as deliberações feitas em assembleia unificada das categorias de servidores do poder executivo do Estado realizada no dia 24.
Quanto a RGA, no dia 17/09 o Fórum Sindical encaminhou ofício para a Casa Civil solicitando resposta quanto à aplicação da Lei 10.572/2017 que trata do parcelamento da RGA dos anos de 2017 e 2018, que o TCE declarou impossibilidade de realização do cumprimento do acordo.
Diante disso a Casa Civil propôs recurso dia 20/09 (quinta) junto ao TCE para que antecipe o julgamento do mérito da decisão que suspende o pagamento da parcela de 2.20 da RGA de 2017, referente a folha de pagamento do mês de setembro que é paga em Outubro, bem como tornar essa decisão sem efeito. O governo afirma também que recorrerá ao STJ se necessário e argumenta que:
A Lei 10.572 é vigente, eficaz e que atravessou todas as fases de legalidade. Inclusive superando etapas com equipe econômica, CONDES e COGEP além de ter sido emanada pela assembleia legislativa.
O TCE teria desrespeitado a sua própria lei orgânica pois, antes de declarar a inconstitucionalidade da lei 10.572, o TCE deveria declarar a improbidade do governo, o que não ocorreu.
Existe decisão do STF que torna a decisão do TCE nesse sentido sem efeito.
O Governo afirma que não há ilegalidade da lei 10.572/2017 perante a lei 8.278/2004 e que o calendário de pagamento da RGA será feito feito com planejamento. Esse recurso tem a pretensão de defesa com sustentação oral entre os dias 25 e 26 de Setembro.
Como a folha de pagamento do servidor público para questões de aplicação como é elaborada entre os dias 21 a 27 de cada mês, o Secretário das SEGES deliberou ordem de serviço de número 30 para a implantação da RGA. Isso foi feito no dia 21/09 (sexta).
“Diante dessas considerações podemos afirmar que administrativamente a RGA está garantida, porém precisa ser superada juridicamente.” Declarou o presidente. Assim, o Fórum Sindical diante desse cenário e em assembleia com todas as categorias no dia 24/09, deliberou por permanecer em estado de assembleia permanente e caso não ocorra de forma fática a implantação da última parcela da RGA de 2017, equivalente ao percentual de 2.20 na folha de pagamento do mês de Setembro, está marcada nova assembleia unificada para o dia 27/09 às 14:00 horas em frente à SEGES ficando suspensa caso haja a implantação do percentual na folha.
Mato Grosso
Júri é remarcado depois que defesa abandona plenário em julgamento de filho de ex-deputado

A sessão de julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, acusado pelo feminicídio de Thays Machado e pelo homicídio qualificado de Willian Cesar Moreno, foi remarcada para o dia 31 de julho, às 9h, após a defesa abandonar o plenário nesta terça-feira (21). Mais uma vez, os advogados tentaram o adiamento do julgamento, o que foi indeferido pela juíza Monica Catarina Perri Siqueira, presidente da sessão, sob o argumento de que não havia justificativa plausível para a redesignação da data.
Segundo a magistrada, os advogados tiveram um prazo de 15 dias para analisar os documentos juntados aos autos. Ela ressaltou que a maior parte dessas informações já constava no processo e que a alegada falta de acesso a um despacho específico sobre prisão domiciliar não acarretaria prejuízo real, uma vez que a decisão sobre o tema também integra os autos.
“O advogado, quando assume a substituição no processo, o recebe no estágio em que ele se encontra. O processo não recua, ele tem que andar para a frente”, afirmou Monica Perri. Após anunciar a nova data do júri, a magistrada determinou que, caso não haja um advogado constituído apto para atuar na sessão, a Defensoria Pública deverá estar preparada para assumir a defesa na data prevista. Todos os presentes saíram intimados do plenário.
A acusação seria conduzida pelos promotores de Justiça Vinicius Gahyva Martins e Élide Manzini de Campos, integrantes do Núcleo de Defesa da Vida do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O réu era defendido pelos advogados Elson Marcelino da Silva Júnior, Larice Cristine, Melissa de Oliveira Machado e Gabriel Gouvea Neno Reiff.
Manobra – Ainda no plenário, o promotor de Justiça Vinicius Gahyva Martins sustentou que o acesso a processos externos é responsabilidade da defesa e que as questões relacionadas ao habeas corpus e à prisão domiciliar já foram resolvidas, não havendo justificativa para o adiamento do júri. Ele destacou o papel do Ministério Público como fiscal da lei, com a missão de assegurar direitos e preservar a imagem das vítimas perante a coletividade. Também se posicionou contra o abandono do plenário, ressaltando que a realização de um Tribunal do Júri exige o empenho e a presença de diversos envolvidos, inclusive pessoas que se deslocaram de outros estados, e que a “ritualística do tribunal” deve ser respeitada em busca da verdade.
Vinicius Gahyva disse ainda que o abandono do plenário é uma estratégia que acaba por arranhar a imagem do Tribunal do Júri. “Isso tem se tornado, de certo modo, frequente nos julgamentos do Tribunal do Júri, especialmente naqueles que afligem de forma intensa o interesse da coletividade, como é o caso concreto de um feminicídio e de um homicídio de dois jovens. São duas pessoas que, efetivamente, traduzem a necessidade de reafirmarmos o nosso papel social de não banalização da vida humana. Nós sabemos que o Tribunal do Júri envolve uma série de providências que devem ser adotadas para que o ato processual seja realizado, e lamentamos muito que esse tipo de estratégia esteja sendo adotada”, afirmou.
A promotora de Justiça Élide Manzini de Campos lembrou que o julgamento já deveria ter ocorrido no dia 7 de julho. Segundo ela, naquela ocasião, a defesa solicitou o adiamento para análise de provas, pedido que foi deferido pela magistrada responsável pelo caso, com a remarcação da sessão para 21 de julho. “É um absurdo uma medida protelatória após mais de três anos do fato, com a família aguardando o julgamento. A defesa admite alegações de nulidades que não existem e que já foram completamente afastadas. É uma estratégia utilizada para tentar postergar, prorrogar e até abrir outro incidente de sanidade, ou qualquer outra medida, para que esse julgamento não ocorra. Tudo isso já foi afastado, e não há motivo algum para que esse julgamento não aconteça”, afirmou.
Sobre o caso de feminicídio, a promotora destacou que a reação da sociedade demonstra uma rejeição cada vez mais firme a esse tipo de crime. Segundo ela, a população tem se posicionado de forma clara contra a violência de gênero e em defesa do enfrentamento aos feminicídios, cobrando respostas efetivas do sistema de Justiça para coibir esse tipo de violência.
Fotos: Josi Dias | TJMT
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