Mato Grosso
Forças Estaduais e Federais definem próximas ações; mais 16 equipes entrarão em campo
Representantes dos órgãos de proteção ao meio ambiente e das forças de segurança que atuam em Mato Grosso se reuniram na segunda-feira (26.08) para definir as próximas ações no combate aos incêndios florestais na Amazônia. O Exército Brasileiro irá integrar as ações já em curso no Estado, por meio de infraestrutura para logística e disponibilização de tropa para realizar a segurança dos agentes.
Durante a reunião, a secretária de Estado de Meio Ambiente, Mauren Lazzaretti, expôs aos participantes a distribuição das ações em andamento em sete regiões da Amazônia mato-grossense. Ao longo desta semana, dezesseis novas equipes irão se juntar aos times já em campo para atuar tanto no combate aos incêndios, quanto na autuação por queimadas ilegais.
“Todos os entes públicos que de alguma forma podem atuar no combate às queimadas e aos incêndios florestais já estavam articulados por meio do Comitê Estadual de Gestão do Fogo. O que estamos fazendo agora é intensificar essa operação, aumentando nossos efetivos, reunindo todos os esforços das secretarias de Meio Ambiente, com todas as suas unidades regionais, e Segurança Pública, por meio do Batalhão da Polícia Militar de Proteção Ambiental e Corpo de Bombeiros Militar, e com as equipes da superintendência do Ibama e do ICMBio”, enumera Mauren.
A gestora do órgão ambiental estadual enfatiza o reforço do exército e o esforço será para que o Estado esteja presente em todas as regiões, podendo ampliar o combate aos incêndios e promover a responsabilização dos ilícitos cometidos, sejam eles atrelados às queimadas ilegais ou não.
De acordo com o Tenente Coronel do Exército Brasileiro, Velton Marcondes Leite, já foi dada a autorização para que a instituição atue em conjunto com o Governo de Mato Grosso no combate às queimadas.
“A partir de agora vamos manter contato com os órgãos estaduais e dentro das nossas possibilidades e expertise, que nesse caso se refere à logística e segurança, vamos auxiliar no que for possível”, reforça.
A parceria atende ao decreto federal que determina que as Forças Armadas poderão ser empregadas em ações preventivas e repressivas contra delitos ambientais e no levantamento e combate a focos de incêndio, especialmente em regiões de fronteira, terras indígenas e unidades de conservação.
A parceria com o governo federal para ações de combate a incêndios florestais e ações de comando e controle já existe por meio da Superintendência do Ibama em Mato Grosso. Gibson Almeida, gestor do órgão, explica que já estão em curso ações para cuidar das áreas nacionais, especialmente Terras Indígenas e Unidades de Conservação Federais.
“Operações de comando e controle já estão ativas, especialmente no Noroeste do Estado. Somando esforços com o Estado conseguimos otimizar recursos e aumentar a capilaridade de atuação, garantindo mais efetividade nas ações de prevenção e repressão”, completa.
Atenção redobrada ao Pantanal
Diante da onda de incêndios que acomete a Bolívia, o Governo de Mato Grosso irá enviar ao país vizinho uma equipe para avaliar a situação dos incêndios na região. Além de verificar as possibilidades de ajuda humanitária, os especialistas em incêndios florestais irão atuar para evitar que os incêndios cheguem ao Pantanal Mato-Grossense.
De acordo com o coronel Alessandro Borges, comandante do Corpo de Bombeiros Militar, há uma atenção redobrada ao caso, uma vez que os ventos podem trazer os incêndios para o Estado.
Mato Grosso
Júri é remarcado depois que defesa abandona plenário em julgamento de filho de ex-deputado

A sessão de julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, acusado pelo feminicídio de Thays Machado e pelo homicídio qualificado de Willian Cesar Moreno, foi remarcada para o dia 31 de julho, às 9h, após a defesa abandonar o plenário nesta terça-feira (21). Mais uma vez, os advogados tentaram o adiamento do julgamento, o que foi indeferido pela juíza Monica Catarina Perri Siqueira, presidente da sessão, sob o argumento de que não havia justificativa plausível para a redesignação da data.
Segundo a magistrada, os advogados tiveram um prazo de 15 dias para analisar os documentos juntados aos autos. Ela ressaltou que a maior parte dessas informações já constava no processo e que a alegada falta de acesso a um despacho específico sobre prisão domiciliar não acarretaria prejuízo real, uma vez que a decisão sobre o tema também integra os autos.
“O advogado, quando assume a substituição no processo, o recebe no estágio em que ele se encontra. O processo não recua, ele tem que andar para a frente”, afirmou Monica Perri. Após anunciar a nova data do júri, a magistrada determinou que, caso não haja um advogado constituído apto para atuar na sessão, a Defensoria Pública deverá estar preparada para assumir a defesa na data prevista. Todos os presentes saíram intimados do plenário.
A acusação seria conduzida pelos promotores de Justiça Vinicius Gahyva Martins e Élide Manzini de Campos, integrantes do Núcleo de Defesa da Vida do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O réu era defendido pelos advogados Elson Marcelino da Silva Júnior, Larice Cristine, Melissa de Oliveira Machado e Gabriel Gouvea Neno Reiff.
Manobra – Ainda no plenário, o promotor de Justiça Vinicius Gahyva Martins sustentou que o acesso a processos externos é responsabilidade da defesa e que as questões relacionadas ao habeas corpus e à prisão domiciliar já foram resolvidas, não havendo justificativa para o adiamento do júri. Ele destacou o papel do Ministério Público como fiscal da lei, com a missão de assegurar direitos e preservar a imagem das vítimas perante a coletividade. Também se posicionou contra o abandono do plenário, ressaltando que a realização de um Tribunal do Júri exige o empenho e a presença de diversos envolvidos, inclusive pessoas que se deslocaram de outros estados, e que a “ritualística do tribunal” deve ser respeitada em busca da verdade.
Vinicius Gahyva disse ainda que o abandono do plenário é uma estratégia que acaba por arranhar a imagem do Tribunal do Júri. “Isso tem se tornado, de certo modo, frequente nos julgamentos do Tribunal do Júri, especialmente naqueles que afligem de forma intensa o interesse da coletividade, como é o caso concreto de um feminicídio e de um homicídio de dois jovens. São duas pessoas que, efetivamente, traduzem a necessidade de reafirmarmos o nosso papel social de não banalização da vida humana. Nós sabemos que o Tribunal do Júri envolve uma série de providências que devem ser adotadas para que o ato processual seja realizado, e lamentamos muito que esse tipo de estratégia esteja sendo adotada”, afirmou.
A promotora de Justiça Élide Manzini de Campos lembrou que o julgamento já deveria ter ocorrido no dia 7 de julho. Segundo ela, naquela ocasião, a defesa solicitou o adiamento para análise de provas, pedido que foi deferido pela magistrada responsável pelo caso, com a remarcação da sessão para 21 de julho. “É um absurdo uma medida protelatória após mais de três anos do fato, com a família aguardando o julgamento. A defesa admite alegações de nulidades que não existem e que já foram completamente afastadas. É uma estratégia utilizada para tentar postergar, prorrogar e até abrir outro incidente de sanidade, ou qualquer outra medida, para que esse julgamento não ocorra. Tudo isso já foi afastado, e não há motivo algum para que esse julgamento não aconteça”, afirmou.
Sobre o caso de feminicídio, a promotora destacou que a reação da sociedade demonstra uma rejeição cada vez mais firme a esse tipo de crime. Segundo ela, a população tem se posicionado de forma clara contra a violência de gênero e em defesa do enfrentamento aos feminicídios, cobrando respostas efetivas do sistema de Justiça para coibir esse tipo de violência.
Fotos: Josi Dias | TJMT
Mato Grosso
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