Mato Grosso
Gestão da Jucemat recebe destaque nacional após modernizar e desburocratizar serviços
A gestão e informatização da Junta Comercial de Mato Grosso (Jucemat) está servindo de exemplo para outros Estados do país. Nesta quarta e quinta-feira (19 e 20), a autarquia recebe a visita de uma delegação do Amazonas que veio conhecer o processo de implantação da Junta Digital. Há um ano os processos e serviços da Jucemat são todos digitais, realizados pela internet.
Com a Junta Digital, o Estado reduziu o tempo médio para a entrega de serviços, desburocratizando processos e, consequentemente, melhorando a vida do cidadão. Em 2016, o tempo médio para abertura de uma empresa era de 30 dias. Com a modernização do sistema, o empresário pode abrir uma empresa em duas horas.
A presidente da Jucemat, Gercimira Rezende, destaca que a adoção do novo sistema foi um divisor de águas para a instituição, que era acostumada a trabalhar com papeis e atendimentos presenciais. O processo envolveu toda a equipe, que precisou de treinamento e aceitção da mudança da rotina de trabalho.
“Tivemos a coragem de fazer essa mudança, com trabalho em equipe e servidores da casa empenhados, hoje somos 100% digitais. Receber colegas de outros estados e mostrar nossas práticas é motivo de orgulho para todos nós, estamos muito contentes em poder contribuir”, disse a presidente.
Roberta Veras Antonio, vice-presidente da Junta Comercial do Estado do Amazonas, afirmou que a visita técnica está sendo produtiva e destacou a gestão e a liderança no processo de transformação da Junta Digital. “Às vezes você tem a melhor ferramenta do mundo, mas se não tiver liderança e gestão, o trabalho pode não funcionar bem. Nós já estamos em processo para sermos 100% digitais também, mas é sempre relevante conhecer as boas práticas dos lugares que já deram certo”.
Gercimira relatou que também já esteve no Acre, a convite daquele Estado e sem ônus para Mato Grosso, apresentando a Junta Digital. Hoje apenas nove estados brasileiros têm os processos 100% digitais.
Com apoio do Sebrae, foi desenvolvido um software que integra todos os órgãos envolvidos na abertura de uma empresa e esse serviço foi oferecido às instituições de registro de comércio. Dessa maneira, Mato Grosso não teve custo para o processo de transformação digital.
Outra mudança importante com a implantação da Junta Digital foi no custeio da autarquia, reduzindo o consumo de papel, impressões e que também otimizou o espaço do prédio onde funciona a autarquia, já que não produz mais processos físicos.
Chat Online melhora atendimento
Além do sistema de cadastro digital, outra importante ferramenta que foi apresentada à equipe do Amazonas foi o atendimento ao cliente por meio do Chat. Em funcionamento desde janeiro deste ano, diminuiu o número de telefonemas e visitas presenciais de usuários.

O serviço tem o objetivo de sanar dúvidas na hora de abrir e dar baixa nas empresas. A equipe de atendimento online é composta por cinco pessoas que atende em média 400 pessoas por dia.
Conforme o secretário-geral da Jucemat, Julio Müller, com o atendimento por este canal online, a qualidade dos processos melhorou, pois o cidadão entra com pedido de algum serviço já ciente de todas as exigências. “Também otimizamos o trabalho da Jucemat, que consegue atender mais pessoas e entregar um produto de melhor qualidade”.
Serviço
Qualquer informação sobre a autarquia pode ser acessada no site da Junta Comercial, por meio da página www.jucemat.mt.gov.br. Dúvidas na utilização do sistema podem ser sanadas pelo chat, no site e também pelo telefone: (65) 3613-9545/ 3613 9505.
Mato Grosso
Circuito do Varejo promove capacitação sobre atendimento e vendas digitais em Lucas do Rio Verde, Alta Floresta, Colíder e Água Boa

Mato Grosso
Leis aprovadas por Câmaras são declaradas inconstitucionais em MT

Foto- Assessoria
Leis aprovadas em câmaras municipais que avançam sobre atribuições típicas do Poder Executivo continuam sendo alvo de questionamentos no Judiciário, com reiterado reconhecimento de inconstitucionalidade por vícios formais. Em decisões recentes envolvendo municípios mato-grossenses, a exemplo de Sinop e Rondonópolis, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) reafirmou os parâmetros que delimitam a atuação do Legislativo local.
Nesse contexto, o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) tem se manifestado em ações diretas de inconstitucionalidade apontando irregularidades em leis de iniciativa parlamentar que tratam da execução de políticas públicas. Foi o que ocorreu nos casos das Leis Municipais nº 3.599/2025, que instituiu a denominada Escola Ambiental, e nº 3.641/2026, que criou o Programa Oftalmologia nas Escolas, ambas no município de Sinop.
As análises jurídicas indicam que essas normas apresentaram vício formal de iniciativa, uma vez que trataram de matérias cuja proposição é reservada ao chefe do Poder Executivo. A Constituição Federal e a Constituição do Estado de Mato Grosso estabelecem que cabe privativamente ao Executivo propor leis que disponham sobre organização administrativa, funcionamento de órgãos públicos e implementação de políticas governamentais, entendimento que se aplica aos municípios por simetria constitucional.
Nos casos analisados, as leis não se limitaram à criação de diretrizes gerais, mas passaram a disciplinar a execução das políticas públicas. Entre os pontos identificados estão a definição de periodicidade de serviços, a imposição de atividades específicas por secretarias e a vinculação direta de ações à estrutura administrativa do município. Esse tipo de previsão normativa caracteriza ingerência indevida na esfera do Executivo, ao restringir a margem de decisão administrativa quanto à conveniência, oportunidade e viabilidade das medidas.
Situação semelhante foi verificada em Rondonópolis, onde a Lei Municipal nº 14.224/2025 instituiu o projeto “Bem-Estar Rural”, determinando a realização de atividades físicas e de lazer para a população, com frequência mínima semanal e execução a cargo de secretaria municipal. O entendimento consolidado foi de que a norma, também de iniciativa parlamentar, impôs obrigações concretas ao Executivo, interferindo na gestão administrativa, no planejamento de políticas públicas e na alocação de recursos humanos, além de exigir contratação de profissionais.
Nessa hipótese, assim como em Sinop, o Ministério Público apontou que, embora a iniciativa legislativa tenha sido orientada por finalidade social relevante, a forma adotada acabou por invadir a esfera de competência do Executivo, comprometendo o equilíbrio entre os poderes e retirando do gestor público a possibilidade de avaliar a melhor forma de execução da política pública.
Outro ponto comum nos casos analisados é a violação ao princípio da separação dos poderes. Embora o Legislativo tenha papel essencial na formulação de normas e na representação da sociedade, sua atuação encontra limites constitucionais. Quando a lei estabelece comandos operacionais específicos, substitui a discricionariedade administrativa por obrigações previamente definidas, caracterizando interferência indevida na gestão pública.
Além disso, foi constatada a ausência de estimativa de impacto orçamentário e financeiro em leis que criavam despesas públicas obrigatórias e continuadas. A exigência constitucional de apresentação desse estudo busca garantir o equilíbrio das contas públicas e a compatibilidade com o planejamento orçamentário. A inobservância desse requisito tem sido considerada vício suficiente para invalidar as normas.
A atuação do Ministério Público nesses casos busca assegurar que o processo legislativo observe os parâmetros constitucionais, contribuindo para a produção de normas eficazes e juridicamente válidas, sempre reconhecendo o importante papel das câmaras municipais na elaboração de leis que estabeleçam diretrizes gerais e políticas públicas em sentido amplo.
Mato Grosso
Estado é condenado a reformar Cadeia Pública feminina de Cáceres
A pedido da 1ª Promotoria de Justiça Cível de Cáceres (a 225 km de Cuiabá), a Justiça determinou que o Estado de Mato Grosso apresente, no prazo de até 90 dias, um plano completo para sanar irregularidades estruturais, sanitárias e de segurança na Cadeia Pública Feminina de Cáceres, sob pena de multa diária em caso de descumprimento. A 4ª Vara Cível da comarca julgou procedente a Ação Civil Pública (ACP) ajuizada pelo Ministério Público de Mato Grosso. A sentença foi proferida em 21 de maio.
A decisão judicial estabelece que o Estado deve elaborar, apresentar e implementar um Plano de Adequação Estrutural e Funcional, no qual deverão constar, de forma detalhada, todas as intervenções necessárias para a regularização da unidade, incluindo obras, reparos e medidas voltadas ao cumprimento das normas de segurança contra incêndio, das condições sanitárias e das exigências estruturais. O cronograma deverá indicar, ainda, os prazos de início e conclusão de cada etapa, a estimativa de custos, as fontes de financiamento e os órgãos responsáveis pela execução.
Além disso, o Estado deverá comprovar periodicamente o andamento das ações por meio da apresentação de relatórios técnicos e registros fotográficos a cada 60 dias, evidenciando a evolução das medidas adotadas. Na sentença, o juízo também fixou multa diária de R$ 2 mil, limitada inicialmente a R$ 100 mil, em caso de descumprimento dos prazos estabelecidos.
De acordo com a ação, a investigação teve início após a 1ª Promotoria de Justiça Criminal identificar irregularidades relevantes na unidade durante fiscalizações de rotina, especialmente relacionadas à estrutura física, à segurança e ao funcionamento, com risco à integridade de custodiadas e servidores. Diante desse cenário, a 1ª Promotoria de Justiça Cível instaurou procedimento para acompanhar a situação e cobrar providências do Estado, responsável pela gestão do sistema prisional.
As apurações revelaram um quadro crônico de precariedade estrutural, com edificações deterioradas, problemas nas instalações elétricas, ausência de sistemas adequados de prevenção a incêndios e falhas nas condições sanitárias. Relatórios técnicos e vistorias realizadas por órgãos como o Corpo de Bombeiros, a Vigilância Sanitária e o Centro de Apoio Operacional do Ministério Público (CAO-MP) confirmaram os riscos. Na cadeia feminina, foram registrados, entre outros problemas, fiação exposta e sobrecarga elétrica, fatores que motivaram, inclusive, pedido de interdição parcial.
“As irregularidades estruturais constatadas pelo Centro de Apoio Operacional do Ministério Público expõem de forma permanente pessoas privadas de liberdade, servidores e demais usuários das unidades prisionais a riscos concretos à vida e à integridade física, especialmente em razão da precariedade das edificações, da ausência de manutenção preventiva e da deficiência das instalações elétricas e estruturais.”, narra a ação.
Segundo o MPMT, as medidas adotadas pelo Estado ao longo da investigação foram pontuais e insuficientes para solucionar as irregularidades. O Ministério Público também buscou uma solução extrajudicial, por meio da proposta de celebração de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), mas não obteve resposta do poder público.
Foto: Reprodução.
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