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Gilmar e Toffoli se colocam acima da lei, diz senador da CPI da Lava Toga

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IstoÉ

O senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) está no Congresso há apenas onze meses, depois de ter sido eleito em 2018 enfrentando velhas raposas de seu estado — Sergipe —, como o ex-governador Jackson Barreto (MDB) e o ex-senador Antônio Carlos Valadares (PSB), que mantinha cadeira cativa na Casa há 24 anos. Como delegado da Polícia Civil de Aracaju, Vieira sintetiza a vontade popular de combater no Congresso os corruptos e os que se opõem às boas práticas da ética. Logo, tornou-se destaque no grupo de senadores que criou o movimento Muda Senado, que, entre outras coisas, defende a reintrodução da prisão após condenação em segunda instância. Para Vieira, de 44 anos, a medida do STF de só permitir a prisão após o trânsito em julgado “favorece a impunidade”. Em sua ótica, a Justiça brasileira ressuscita “a possibilidade de o Brasil voltar a ter processos intermináveis para aqueles que possuem recursos financeiros e podem contratar grandes bancas de advocacia”. O senador está empenhado ainda na criação da CPI da Lava Toga para investigar ministros dos tribunais superiores, especialmente os do STF.

O que o senhor achou da decisão do STF de voltar atrás na questão da segunda instância?
A decisão do STF favorece a impunidade. Ressuscita no Brasil a possibilidade de processos intermináveis para aqueles que têm recursos financeiros e podem contratar caros advogados.

Foi um grande retrocesso?
Sem dúvida alguma, foi injustificável e prejudica em muito o andamento da Justiça no Brasil.

O senhor acha que a mudança objetivou libertar Lula e outros réus importantes da Lava Jato?
Muito menos o Lula. Ele já tinha cumprido uma parte da pena e tinha direito ao semiaberto. Na verdade, a decisão preparou caminho para diversos outros presos poderosos que estão na fila para serem condenados. Tem muita gente que ainda deve prestar contas à Justiça criminal.

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MARCELO CAMARGO/AGÊNCIA BRASIL

O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles


A saída desses presos pode acirrar o clima nas ruas?
A possibilidade de ter acirramento é grande, mas as pessoas em geral já compreenderam que a corrupção está ligada aos problemas do seu dia a dia e que ela drena recursos da saúde, educação, saneamento básico. A corrupção viabiliza a eleição de incompetentes e descompromissados com a população e por isso a sociedade não aceita mais que os corruptos retornem à cena política.

A CCJ do Senado, da qual o senhor faz parte, vinha discutindo mudanças no Código de Processo Penal para que a prisão em segunda instância retorne, mas houve um acordo de lideranças que vai suspender esse processo?
Tínhamos o compromisso por escrito da maioria dos senadores da CCJ no sentido da aprovação. Os presidentes das duas Casas se reuniram e a prioridade será a defesa de uma nova Proposta de Emenda Constitucional (PEC) na Câmara para resolver a questão. Qualquer que seja o formato, a segunda instância será restabelecida no Congresso.

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O Senado vinha discutindo mudar o artigo 283 do CPP para se restituir a prisão em segunda instância, enquanto a Câmara analisava a aprovação da PEC. Qual seria o melhor caminho?
Os dois caminhos são factíveis. O grande diferencial é o tempo de tramitação. Um projeto de lei para mudar o CPP, que vinha sendo analisado no Senado, tramitaria com maior rapidez do que uma PEC, mas as lideranças decidiram dar prioridade aoprojeto da Câmara.

Os dois caminhos indicam que a segunda instância será retomada?
A sociedade já se manifestou e o Congresso, de forma bastante consistente, tem se colocado favorável à mudança, a não ser por parte de grupos isolados que ainda resistem e insistem em fazer confusão. Não queremos mudar a presunção de inocência ou o trânsito em julgado. O que está se modificando é a possibilidade de execução da pena depois de uma decisão de tribunal colegiado.

O Senado aprovará a prisão em segunda instância mesmo que muitos senadores sejam acusados de corrupção?
Mesmo esses senadores têm de prestar contas aos seus eleitores. E quando se tem uma questão que ganha as ruas, a tendência é do Congresso atender os apelos da população. É verdade que temos senadores investigados, em situação jurídica complicada, mas mesmo assim acredito na aprovação.

E a CPI da Lava Toga, pela qual o senhor batalha, por que ela não é instalada no Senado?
É uma proposta inovadora. Até agora ninguém conseguiu colocar de pé as condições para fazê-la funcionar, obter as assinaturas necessárias. É indispensável fazer um pente fino nos tribunais superiores. Há dezenas de denúncias engavetadas no Senado e é preciso garantir que a Justiça seja igual para todos. Os ministros dos tribunais precisam passar por esse processo de depuração.

Quem não quer a CPI da Lava Toga?
A resistência maior parte do MDB mais antigo, de Renan Calheiros, e do PT.

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E o governo Bolsonaro também trabalha contra a CPI?
A partir do momento em que o ministro Dias Toffoli deu a liminar favorável ao senador Flávio no caso da investigação no Rio, o governo Bolsonaro passou a se alinhar ao ministro contra a CPI da Lava Toga, inclusive trabalhando contra.

O próprio Flávio pressionou integrantes do PSL a retirarem as assinaturas no pedido de CPI…
Isso, de forma ostensiva. A senadora juíza Selma teve que deixar o PSL, indo para o Podemos, por não aceitar as pressões de Flávio. Foi público isso.

O que os ministros do STF temem nessa investigação?
Entre as dezenas de denúncias engavetadas no Senado, inúmeras devem ser procedentes. E elas são contra ministros do STF, como os ministros Gilmar Mendes e o próprio Dias Toffoli. Tem muita coisa na vida deles, pessoal, financeira, que precisa ser investigada. Se eles fossem cidadãos comuns, já estariam sendo investigados. Eles se colocam acima da lei. Não é isso que está na Constituição. Por conta responsabilidade que têm, deveriam estar submetidos ao escrutínio público.

O senhor criticou o ministro da Educação, Abraham Weintraub, em suas redes sociais, por conta de ele ter dito que as universidades plantam maconha. O senhor chegou a defender sua demissão?
O ministro é lamentável, de baixíssimo desempenho. Na sua área, não se conhece um único projeto pela educação no Brasil, algum programa destinado à redução do analfabetismo, para a melhoria do nosso desempenho dos testes nacionais e internacionais de conhecimento. Ele se dedica o tempo todo a polêmicas na internet, frases ofensivas e à produção de fake news. Não se pode pegar uma situação eventual, pontual, de algum campus, e dizer que essa é a realidade do nosso sistema universitário. É um demérito para a nossa universidade, que, na verdade, é um centro de produção de conhecimento.

O próprio presidente Jair Bolsonaro apóia esses desatinos do ministro?
Todos os indicadores do ministério são negativos e o presidente tem interesses políticos eleitorais. E essa pasta vai acabar puxando sua avaliação para baixo. Tem outros ministérios que estão trabalhando bem, como é o caso do ministro Tarcísio (Infraestrutura), o próprio Guedes (Economia), Sergio Moro (Justiça) e Bento (Minas e Energia), mas Weintraub é um dos piores ministros que já passaram pela Esplanada.

Qual é sua avaliação do governo do presidente Bolsonaro?
O presidente foi deputado por 28 anos, mas nunca foi ativo no Congresso. Sempre foi outsider mesmo dentro do parlamento. A política demanda um processo de negociação. E isso não significa corrupção. Na Reforma da Previdência, ele ficou ausente e a aprovação foi por uma grande margem de votos, o que mostra que não houve corrupção no processo.

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Falando em ministros fracos, esse também seria o caso do ministro do Meio Ambiente, o Ricardo Salles? O senhor disse que ele foi incompetente no combate às manchas de óleo no Nordeste?
O óleo já chegou a praias do Rio de Janeiro. O Salles assumiu para desmontar os órgãos de fiscalização e proteção ambiental. É um antiministro. A sua atuação está focada em diminuir a capacidade que o Estado tem de fiscalizar e induzir boas condutas. No caso do óleo nas praias do Nordeste, especialmente de Sergipe, que eu acompanhei como senador, o ministro foi inoperante. As coisas só melhoraram quando a Marinha e o Ministério da Defesa começaram a tomar providências.

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Agência Brasil

Gilmar Mendes


O senhor defende também que os crimes ambientais sejam considerados inafiançáveis. Como funcionaria isso?
É necessário. A consciência ambiental está ligada inclusive à atividade econômica. Os grandes mercados consumidores exigem o selo verde dos produtos brasileiros. O bom agronegócio brasileiro está plenamente adaptado à questão da preservação e do manejo adequado do meio ambiente. Infelizmente, uma pequena porção que faz barulho e tem espaço no governo é a que defende essa política da grilagem e desmatamento. Isso é muito negativo e a gente tem de reverter esse quadro.

O Senado aprovou um projeto seu, tornando o feminicídio crime inafiançável. Por que se mata tantas mulheres?
Precisamos tomar medidas firmes de repressão aos homens agressores, mas também temos de que adotar projetos na parte da educação, para que o homem compreenda o espaço da mulher. Tornar imprescritíveis os crimes como estupro e feminicídio tem uma consequência poderosa. Traz a perspectiva de punição do agressor e isso ajuda a se criar uma sociedade mais igualitária no Brasil.

Por que o grupo Muda Senado, do qual o senhor faz parte, prepara uma candidatura alternativa a Davi Alcolumbre na presidência da Casa em 2021?
Ele adota posturas que retardam o avanço que a gente quer, um Senado mais transparente e mais moderno. A gente tem uma pauta de combate à corrupção e resgate da ética que precisa ser acelerada. Ele atua de forma conservadora, aproximando-se do velho MDB.

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Seu empréstimo acompanha a inflação? Entenda o que muda quando a taxa é pré-fixada

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Em operações de longo prazo, escolher entre uma taxa atrelada ao IPCA ou uma taxa pré-fixada pode mudar a previsibilidade do orçamento

 Ao contratar um empréstimo, é comum olhar primeiro para o percentual de juros. Mas, em operações de longo prazo, existe outra pergunta que pode ser tão importante quanto: o que acontece com essa taxa depois que o contrato é assinado?

A resposta depende do indexador da operação. Segundo, Ugo Roveda, Head Comercial do Banco Bari, em um empréstimo atrelado ao IPCA, por exemplo, a inflação influencia a evolução do crédito. Já em uma operação com taxa pré-fixada, o percentual de juros é definido no momento da contratação e não acompanha as oscilações futuras do IPCA.

A diferença ganha importância em períodos de incerteza econômica. O IPCA registrou deflação de 0,32% em agosto e acumula alta de 4,22% em 12 meses. Para 2026, o Boletim Focus, do Banco Central, projeta inflação de 4,99%, acima do teto da meta de 4,5%.

“Em um crédito de longo prazo, o cliente não deveria olhar apenas para a taxa anunciada. É preciso entender como ela é composta e quais fatores podem fazer o custo da operação variar ao longo do tempo. A taxa pré-fixada é uma alternativa para quem valoriza maior previsibilidade e quer retirar o IPCA dessa equação”, explica Ugo.

O que significa, na prática, contratar uma taxa pré-fixada?

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O executivo destaca dois exemplos. Na primeira operação, os juros são compostos por uma taxa + IPCA. Se a inflação variar, ela terá impacto sobre a operação. Isso pode fazer com que o custo do crédito acompanhe as condições econômicas ao longo do contrato.

Na segunda, a taxa de juros é pré-fixada. O percentual de juros é estabelecido na contratação e não muda em função da inflação.

“Não significa que uma modalidade seja necessariamente melhor que a outra. A questão é a previsibilidade. Para quem tem um orçamento mais sensível a oscilações ou precisa planejar um compromisso financeiro de vários anos, saber como o custo do crédito pode se comportar é parte importante da decisão”, afirma.

A taxa mais baixa é sempre a melhor escolha?

Para Roveda, não necessariamente a taxa mais baixa será sempre a melhor. “Uma taxa nominal menor não conta toda a história de um empréstimo. Em uma operação de longo prazo, o consumidor precisa considerar indexador, prazo, custo efetivo total, valor das parcelas e sua própria capacidade de pagamento. Uma diferença aparentemente pequena na taxa pode ter efeitos relevantes ao longo dos anos, e o comportamento do indexador também precisa entrar nessa conta”.

O executivo ainda ressalta que é justamente por isso que a modalidade de empréstimo com garantia de imóvel, ou home equity, exige uma análise diferente de linhas de crédito de curto prazo. Ou seja, como o prazo pode chegar a 20 anos, a previsibilidade passa a ter um peso maior na organização financeira.

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A modalidade, no entanto, vem ganhando espaço no país. Segundo a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), as concessões de home equity chegaram a R$ 6,67 bilhões no primeiro semestre de 2026, alta de 30,9% sobre o mesmo período de 2025. A carteira atingiu R$ 34,1 bilhões, crescimento de 27% em 12 meses.

Quando o indexador vira uma decisão financeira?

A escolha entre IPCA e uma estrutura pré-fixada não deve ser feita olhando apenas para o cenário econômico de hoje. Ugo Roveda explica que o consumidor precisa considerar também quanto tempo pretende permanecer com a dívida e quão confortável está em assumir uma parcela cujo comportamento pode sofrer influência da inflação.

O ponto é especialmente relevante em um cenário de endividamento elevado. Em agosto, a Serasa contabilizou 83,9 milhões de inadimplentes, maior número da série histórica. Ao mesmo tempo, modalidades de crédito sem garantia permanecem caras: o rotativo do cartão chegou a 444,9% ao ano, segundo o Banco Central, enquanto o empréstimo pessoal registrou taxa média de 8,23% ao mês, de acordo com o Procon-SP.

Nesse contexto, o home equity pode ser utilizado para diferentes finalidades, como reorganizar dívidas, financiar uma reforma ou obter recursos para um negócio. Mas, independentemente do objetivo, entender como a dívida vai se comportar ao longo do tempo é tão importante quanto conseguir o dinheiro.

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“Crédito não deveria ser uma decisão baseada apenas no número que aparece na propaganda. O consumidor precisa entender o que está por trás daquela taxa e escolher a estrutura que conversa com sua realidade financeira. Quanto maior o prazo, mais importante fica essa análise”, conclui Roveda.

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MJSP e Ministério da Fazenda determinam derrubada de 5.209 sites de apostas ilegais

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Operação também solicitou remoção de 300 páginas do Facebook e 90 perfis do Instagram

O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) e o Ministério da Fazenda intensificaram as ações para impedir a continuidade da oferta de apostas irregulares no ambiente digital. Até esta terça-feira (29/9), foi solicitada a derrubada de 5.209 domínios relacionados à exploração de apostas, sendo 1.386 indicados pela Secretaria Nacional de Direitos Digitais (Sedigi/MJSP) e 3.823 pela Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), do Ministério da Fazenda.

Desse total, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) já determinou a derrubada de 2.387 domínios relacionados à exploração de apostas.

As ações integram a implementação da Medida Provisória nº 1.394/2026, que proibiu a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade de loterias de apostas de quota fixa em território nacional.

O material está sendo consolidado em articulação com a Secretaria de Prêmios e Apostas para subsidiar novas medidas de bloqueio e responsabilização.

Além dos sites, a operação já resultou na remoção de 300 páginas do Facebook e 90 perfis do Instagram utilizados para divulgar, promover ou facilitar o acesso a apostas irregulares. O Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab), da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp/MJSP), também iniciou, nesta terça-feira, atuação voltada à remoção de conteúdos relacionados à divulgação de apostas irregulares no TikTok.

No Telegram, um total de 1.014.722 membros e usuários de canais, grupos e perfis de bets ilegais foram alcançados.

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Quanto às lojas de aplicativos, plataformas e operadoras, 186 aplicativos foram notificados para retirada das lojas da Apple e do Google até 6 de outubro. Ainda oito grandes plataformas foram notificadas para retirar a publicidade do ar em um prazo de dez dias: Google, Meta, Youtube, X, Telegram, TikTok, Kwai e Discord.

FISCALIZAÇÃO E COMBATE – A atuação conjunta do Ministério da Justiça e Segurança Pública e do Ministério da Fazenda busca ampliar a fiscalização do ambiente digital e garantir o cumprimento das regras estabelecidas pela Medida Provisória nº 1.394/2026.

Além do bloqueio de sites e da remoção de páginas, perfis e conteúdos em redes sociais, o trabalho envolve monitoramento contínuo de plataformas digitais, compartilhamento de informações entre órgãos públicos, identifi cação dos responsáveis pelas operações e adoção das medidas administrativas e investigativas cabíveis.

PF INVESTIGA CRIMES RELACIONADOS – A Polícia Federal também atua no enfrentamento a crimes relacionados ao mercado de apostas, com investigações voltadas à responsabilização criminal dos envolvidos e à identifi cação de patrimônio vinculado às atividades ilícitas.

Entre março de 2023 e agosto de 2026, foram registradas 12 operações policiais em diferentes estados e no Distrito Federal. No período, foram expedidos pelo menos 73 mandados de busca e apreensão e 15 mandados de prisão.

Nas operações com valores registrados, os pedidos de sequestro de bens e recursos somam aproximadamente R$ 4,17 bilhões.

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Entre as ações realizadas estão as operações Narco Bet, Dark Bet, Dark Bet II, Véu de Maia, Última Aposta e Arena, que integram a estratégia da Polícia Federal para combater organizações criminosas relacionadas às apostas ilegais, à lavagem de dinheiro e a outros crimes associados ao setor.

Fonte: Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República

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Eleições 2026: regras do TSE sobre IA impactam as campanhas de 2026

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Resolução em vigor permite ao tribunal punir manipulação digital e amplia vigilância sobre campanhas e redes sociais

 


Enquanto a regulamentação geral da inteligência artificial segue represada no Congresso Nacional, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) assume o protagonismo ao fechar o cerco jurídico sobre o uso da tecnologia nas eleições de 2026. Amparada pela Resolução nº 23.732, em vigor desde 2024, a Justiça Eleitoral já dispõe de instrumentos normativos para banir deepfakes, exigir a identificação de materiais sintéticos e enquadrar estratégias digitais de partidos e candidatos.

De acordo com Renato Opice Blum, advogado, economista e professor de direito digital na ESPM, FAAP e Insper, as diretrizes do tribunal suprem uma lacuna crucial deixada pela lentidão do Legislativo na votação do Marco Legal da IA (PL 2338/2023). “O TSE exerce o poder de polícia, o que permite regulamentar e fiscalizar condutas no processo eleitoral de forma ágil. Na prática, mesmo com a tramitação da lei geral em curso, o pleito deste ano já conta com uma normatização plenamente válida e com eficácia de lei”, destaca o especialista.

Na avaliação do jurista, o arcabouço consegue delimitar a fronteira entre o uso legítimo da ferramenta nas campanhas, como a edição técnica de materiais e a automação de processos, e a criação de peças manipuladas para induzir o eleitor ao erro. A norma prevê sanções severas nos casos em que a irregularidade for comprovada.

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Um dos pontos centrais da norma é a exigência de rotulagem, onde todo material produzido por IA precisa trazer um sinal visual ou sonoro explícito, como marca d’água. O ônus de provar eventual falsificação, no entanto, cabe ao denunciante, cabendo à Justiça analisar cada representação individualmente, sob os critérios de contexto, finalidade e impacto do dano.

As resoluções também elevam o cerco sobre as plataformas digitais, exigindo credenciamento formal, transparência quanto aos financiadores de impulsionamentos e filtros rígidos para a promoção de anúncios. Em situações específicas, as próprias redes sociais poderão ser responsabilizadas pelo material pago que veiculam.

Para consolidar as diretrizes do pleito, a Justiça Eleitoral optou por atualizar mecanismos de remoção ágil de publicações nocivas sem alterar o texto-base de IA aprovado em 2024. A decisão sinaliza que a prioridade do TSE em 2026 não é expandir a regulamentação sobre as ferramentas, mas focar na fiscalização e na responsabilização prática dos infratores.

Apesar do rigor, Opice Blum pondera que o principal desafio dos magistrados será coibir a manipulação digital sem comprometer o debate público. “Não há uma solução binária. A avaliação será sempre contextual, ponderando se a manifestação está protegida pela liberdade de expressão ou se houve propósito ilícito”, conclui.

Sobre o Opice Blum

Opice Blum Advogados é sinônimo de inovação digital. Desde 1997, o escritório é parceiro de seus clientes, redefinindo os limites do possível e trazendo novas estratégias para novas necessidades. Com um time de advogados especialistas, o escritório está onde a transformação acontece e se destaca pela excelência em áreas capazes de impactar positivamente os setores em que atua, como Proteção de Dados, Segurança da Informação, Contencioso Digital e Legal Innovation, entre outras.

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