Mato Grosso
Governo busca atrair novos investidores em evento internacional de inovação e tecnologia
O secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação de Mato Grosso (Seciteci), Maurício Munhoz, participou, ao longo da semana, do South Summit Brazil, um dos maiores eventos mundiais de inovação e tecnologia, com o objetivo de fortalecer o relacionamento com representantes da área e atrair novos investidores para Mato Grosso. O encontro, que encerra nesta sexta-feira (06.05), é realizado no Centro de Empreendedorismo e Inovação (IE University), no Cais Mauá, em Porto Alegre (RS).
“É network puro. São três dias de relacionamento com representantes do mundo inteiro. Estamos falando de uma das maiores redes de conexão cientifica, inovadora e tecnológica do mundo, e Porto Alegre não foi escolhida por acaso para sediar esse turbilhão de inovações. Aqui [Porto Alegre] estão localizados mais de 15 parques tecnológicos reconhecidos internacionalmente e que obedecem a conceitos globais de prospecção, conexão e de aceleração de negócios. Eles se relacionam com o mundo, simplesmente reunidos em uma sala e conectados à rede. Isso é se adaptar às novas tendências mundiais”, pontua Maurício Munhoz.
A proposta do Governo do Estado é conhecer um novo perfil de relacionamento para aplicar nas ações que envolvem o Parque Tecnológico Mato Grosso. Muito além de um conglomerado de empresas e instituições, o conceito do empreendimento é avançar na interlocução entre os diferentes atores e suas demandas, em nível global. Entre as propostas do parque estão a atração de empresas ligadas à tecnologia, a formação profissional e a prospecção de agentes catalisadores de inovação.
Lançado oficialmente em 2018, o Parque Tecnológico teve a ordem de serviço para a construção assinada em 2020 pelo governador Mauro Mendes. A obra, estimada em R$ 8,7 milhões, está localizada no bairro Chapéu do Sol, em Várzea Grande, em uma área total de 16 hectares.

Segundo Maurício Munhoz, uma agenda com a presença do diretor de Empreendedorismo Inovador do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Marcos Rogério Pinto, será definida para os próximos dias em Cuiabá, quando serão discutidas novas perspectivas para atuação do Parque Tecnológico.
“Existe um simbolismo e a expectativa de muitos pela conclusão do parque, mas precisamos ‘sair da caixinha’. A ausência de um espaço físico não pode inviabilizar ou limitar a capacidade humana de se relacionar, e de se adaptar. O Parque Tecnológico precisa ter o conceito dos grandes centros de negócios, de uma bolsa de valores, enfim, o conceito precisa ultrapassar os limites da estrutura física”, frisa Munhoz.
Outros temas, como a implantação de espaços maker nas Escolas Técnicas Estaduais (ETEs), o relançamento do Projeto Centelha desenvolvido em parceria com a Fundação de Amparo à Pesquisa de Mato Grosso (Fapemat) e as possibilidades de aquisições governamentais facilitadas a partir do Marco Legal da Ciência e Tecnologia (C&T) também serão discutidos durante a agenda com o diretor do MCTI.
O evento
O South Summit é reconhecido como uma plataforma global para inovação e conexões entre os principais participantes do ecossistema internacional, startups, corporações e investidores para gerar resultados e negócios. Com sede em Madrid, na Espanha, o South Summit Brasil é a primeira edição sulamericana realizada fora da Europa.
A edição brasileira espera reunir, até o final do evento nesta sexta-feira, mais de mil startups, 500 palestrantes e visitantes de mais de 70 países, todos imersos na busca por ideias inovadoras e agentes financiadores para novos projetos.
Atualmente, com mais de mil startups, o Rio Grande do Sul é um dos líderes da transição para a economia digital na América do Sul. Também saiu de Porto Alegre o primeiro unicórnio brasileiro, vendido para o Banco Santander em 2014. Unicórnio é uma startup que possui avaliação de preço de mercado no valor de mais de 1 bilhão de dólares americanos. Entre alguns exemplos de empresas unicórnio brasileiras estão a Loggi, Nubank, 99, TFG e PagSeguro.
Mato Grosso
Circuito do Varejo promove capacitação sobre atendimento e vendas digitais em Lucas do Rio Verde, Alta Floresta, Colíder e Água Boa

Mato Grosso
Leis aprovadas por Câmaras são declaradas inconstitucionais em MT

Foto- Assessoria
Leis aprovadas em câmaras municipais que avançam sobre atribuições típicas do Poder Executivo continuam sendo alvo de questionamentos no Judiciário, com reiterado reconhecimento de inconstitucionalidade por vícios formais. Em decisões recentes envolvendo municípios mato-grossenses, a exemplo de Sinop e Rondonópolis, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) reafirmou os parâmetros que delimitam a atuação do Legislativo local.
Nesse contexto, o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) tem se manifestado em ações diretas de inconstitucionalidade apontando irregularidades em leis de iniciativa parlamentar que tratam da execução de políticas públicas. Foi o que ocorreu nos casos das Leis Municipais nº 3.599/2025, que instituiu a denominada Escola Ambiental, e nº 3.641/2026, que criou o Programa Oftalmologia nas Escolas, ambas no município de Sinop.
As análises jurídicas indicam que essas normas apresentaram vício formal de iniciativa, uma vez que trataram de matérias cuja proposição é reservada ao chefe do Poder Executivo. A Constituição Federal e a Constituição do Estado de Mato Grosso estabelecem que cabe privativamente ao Executivo propor leis que disponham sobre organização administrativa, funcionamento de órgãos públicos e implementação de políticas governamentais, entendimento que se aplica aos municípios por simetria constitucional.
Nos casos analisados, as leis não se limitaram à criação de diretrizes gerais, mas passaram a disciplinar a execução das políticas públicas. Entre os pontos identificados estão a definição de periodicidade de serviços, a imposição de atividades específicas por secretarias e a vinculação direta de ações à estrutura administrativa do município. Esse tipo de previsão normativa caracteriza ingerência indevida na esfera do Executivo, ao restringir a margem de decisão administrativa quanto à conveniência, oportunidade e viabilidade das medidas.
Situação semelhante foi verificada em Rondonópolis, onde a Lei Municipal nº 14.224/2025 instituiu o projeto “Bem-Estar Rural”, determinando a realização de atividades físicas e de lazer para a população, com frequência mínima semanal e execução a cargo de secretaria municipal. O entendimento consolidado foi de que a norma, também de iniciativa parlamentar, impôs obrigações concretas ao Executivo, interferindo na gestão administrativa, no planejamento de políticas públicas e na alocação de recursos humanos, além de exigir contratação de profissionais.
Nessa hipótese, assim como em Sinop, o Ministério Público apontou que, embora a iniciativa legislativa tenha sido orientada por finalidade social relevante, a forma adotada acabou por invadir a esfera de competência do Executivo, comprometendo o equilíbrio entre os poderes e retirando do gestor público a possibilidade de avaliar a melhor forma de execução da política pública.
Outro ponto comum nos casos analisados é a violação ao princípio da separação dos poderes. Embora o Legislativo tenha papel essencial na formulação de normas e na representação da sociedade, sua atuação encontra limites constitucionais. Quando a lei estabelece comandos operacionais específicos, substitui a discricionariedade administrativa por obrigações previamente definidas, caracterizando interferência indevida na gestão pública.
Além disso, foi constatada a ausência de estimativa de impacto orçamentário e financeiro em leis que criavam despesas públicas obrigatórias e continuadas. A exigência constitucional de apresentação desse estudo busca garantir o equilíbrio das contas públicas e a compatibilidade com o planejamento orçamentário. A inobservância desse requisito tem sido considerada vício suficiente para invalidar as normas.
A atuação do Ministério Público nesses casos busca assegurar que o processo legislativo observe os parâmetros constitucionais, contribuindo para a produção de normas eficazes e juridicamente válidas, sempre reconhecendo o importante papel das câmaras municipais na elaboração de leis que estabeleçam diretrizes gerais e políticas públicas em sentido amplo.
Mato Grosso
Estado é condenado a reformar Cadeia Pública feminina de Cáceres
A pedido da 1ª Promotoria de Justiça Cível de Cáceres (a 225 km de Cuiabá), a Justiça determinou que o Estado de Mato Grosso apresente, no prazo de até 90 dias, um plano completo para sanar irregularidades estruturais, sanitárias e de segurança na Cadeia Pública Feminina de Cáceres, sob pena de multa diária em caso de descumprimento. A 4ª Vara Cível da comarca julgou procedente a Ação Civil Pública (ACP) ajuizada pelo Ministério Público de Mato Grosso. A sentença foi proferida em 21 de maio.
A decisão judicial estabelece que o Estado deve elaborar, apresentar e implementar um Plano de Adequação Estrutural e Funcional, no qual deverão constar, de forma detalhada, todas as intervenções necessárias para a regularização da unidade, incluindo obras, reparos e medidas voltadas ao cumprimento das normas de segurança contra incêndio, das condições sanitárias e das exigências estruturais. O cronograma deverá indicar, ainda, os prazos de início e conclusão de cada etapa, a estimativa de custos, as fontes de financiamento e os órgãos responsáveis pela execução.
Além disso, o Estado deverá comprovar periodicamente o andamento das ações por meio da apresentação de relatórios técnicos e registros fotográficos a cada 60 dias, evidenciando a evolução das medidas adotadas. Na sentença, o juízo também fixou multa diária de R$ 2 mil, limitada inicialmente a R$ 100 mil, em caso de descumprimento dos prazos estabelecidos.
De acordo com a ação, a investigação teve início após a 1ª Promotoria de Justiça Criminal identificar irregularidades relevantes na unidade durante fiscalizações de rotina, especialmente relacionadas à estrutura física, à segurança e ao funcionamento, com risco à integridade de custodiadas e servidores. Diante desse cenário, a 1ª Promotoria de Justiça Cível instaurou procedimento para acompanhar a situação e cobrar providências do Estado, responsável pela gestão do sistema prisional.
As apurações revelaram um quadro crônico de precariedade estrutural, com edificações deterioradas, problemas nas instalações elétricas, ausência de sistemas adequados de prevenção a incêndios e falhas nas condições sanitárias. Relatórios técnicos e vistorias realizadas por órgãos como o Corpo de Bombeiros, a Vigilância Sanitária e o Centro de Apoio Operacional do Ministério Público (CAO-MP) confirmaram os riscos. Na cadeia feminina, foram registrados, entre outros problemas, fiação exposta e sobrecarga elétrica, fatores que motivaram, inclusive, pedido de interdição parcial.
“As irregularidades estruturais constatadas pelo Centro de Apoio Operacional do Ministério Público expõem de forma permanente pessoas privadas de liberdade, servidores e demais usuários das unidades prisionais a riscos concretos à vida e à integridade física, especialmente em razão da precariedade das edificações, da ausência de manutenção preventiva e da deficiência das instalações elétricas e estruturais.”, narra a ação.
Segundo o MPMT, as medidas adotadas pelo Estado ao longo da investigação foram pontuais e insuficientes para solucionar as irregularidades. O Ministério Público também buscou uma solução extrajudicial, por meio da proposta de celebração de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), mas não obteve resposta do poder público.
Foto: Reprodução.
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