Mato Grosso
Governo busca parcerias para cursos de qualificação profissional
Com a proposta de viabilizar cursos de qualificação profissional e outras ações com foco no desenvolvimento econômico e geração de emprego, a primeira-dama de Mato Grosso, Virginia Mendes, reuniu-se, nesta terça-feira (27), com o presidente da Federação das Indústrias no Estado de Mato Grosso (Fiemt), Gustavo Oliveira.
A reunião ocorreu na sede da Federação, em Cuiabá, e contou com a participação da secretária de Estado de Cidadania e Assistência Social (Setasc), Rosamaria Carvalho, e da diretora regional do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai-MT), Lélia Brun.
Conforme a secretária Rosamaria, há, em Mato Grosso, mais de 49 mil jovens entre 16 e 24 anos com defasagem escolar e fora do mercado de trabalho, de acordo com dados do Cadastro Único das Políticas Sociais (CADÚnico), do mês de novembro de 2018.
“E este é apenas um recorte, pois existem ainda as mulheres chefes de família. Nosso objetivo ao buscar a parceria com o Senai é exatamente atender a este público com cursos de qualificação e, com isso, fazer a inserção no mercado de trabalho”, pontou Rosamaria.
A primeira-dama Virginia Mendes destacou que o mercado de trabalho está cada vez mais exigente e quando o trabalhador se apresenta para a vaga com um certificado emitido pelo Senai as chances aumentam.
“Quando se fala em educação profissional a primeira palavra que vêm à mente é o nome do Senai. E as avaliações, tanto dos empresários quanto da população, são sempre ótimas em relação aos cursos ofertados. É impossível que o Governo atue neste assunto sem a parceria do Senai”, ressaltou.
O presidente da Fiemt, Gustavo Oliveira, reforçou que a Federação e as demais instituições que compõem o Sistema estão de portas abertas para uma parceira com o Estado, especialmente quando as ações são voltadas ao social.
“Temos como foco auxiliar as indústrias e parte da alavancagem econômica do segmento passa pela mão de obra qualificada. Observamos que há muitos setores com carência de profissionais e a nossa intenção é ajudar nas duas pontas: a quem precisar contratar e não encontra o trabalhador qualificado e também a quem precisa trabalhar, mas não tem a qualificação devida”, frisou Oliveira.
Sobre o Senai
A instituição é um dos cinco maiores complexos de educação profissional do mundo e o maior da América Latina. Seus cursos preparam trabalhadores para 28 áreas da indústria brasileira, desde a iniciação profissional até a graduação e pós-graduação tecnológica.
Desde 1942, quando iniciou suas atividades, já formou mais de 73 milhões de trabalhadores. Apenas em 2017, a entidade realizou 2,3 milhões matrículas. Em Mato Grosso, foram 80 mil, em 2018, nas 13 unidades do Estado, número 7% superior ao ano anterior. O trabalho junto às indústrias alcançou um índice de satisfação de 9,18 no quesito Educação Profissional.
Mato Grosso
Júri é remarcado depois que defesa abandona plenário em julgamento de filho de ex-deputado

A sessão de julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, acusado pelo feminicídio de Thays Machado e pelo homicídio qualificado de Willian Cesar Moreno, foi remarcada para o dia 31 de julho, às 9h, após a defesa abandonar o plenário nesta terça-feira (21). Mais uma vez, os advogados tentaram o adiamento do julgamento, o que foi indeferido pela juíza Monica Catarina Perri Siqueira, presidente da sessão, sob o argumento de que não havia justificativa plausível para a redesignação da data.
Segundo a magistrada, os advogados tiveram um prazo de 15 dias para analisar os documentos juntados aos autos. Ela ressaltou que a maior parte dessas informações já constava no processo e que a alegada falta de acesso a um despacho específico sobre prisão domiciliar não acarretaria prejuízo real, uma vez que a decisão sobre o tema também integra os autos.
“O advogado, quando assume a substituição no processo, o recebe no estágio em que ele se encontra. O processo não recua, ele tem que andar para a frente”, afirmou Monica Perri. Após anunciar a nova data do júri, a magistrada determinou que, caso não haja um advogado constituído apto para atuar na sessão, a Defensoria Pública deverá estar preparada para assumir a defesa na data prevista. Todos os presentes saíram intimados do plenário.
A acusação seria conduzida pelos promotores de Justiça Vinicius Gahyva Martins e Élide Manzini de Campos, integrantes do Núcleo de Defesa da Vida do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O réu era defendido pelos advogados Elson Marcelino da Silva Júnior, Larice Cristine, Melissa de Oliveira Machado e Gabriel Gouvea Neno Reiff.
Manobra – Ainda no plenário, o promotor de Justiça Vinicius Gahyva Martins sustentou que o acesso a processos externos é responsabilidade da defesa e que as questões relacionadas ao habeas corpus e à prisão domiciliar já foram resolvidas, não havendo justificativa para o adiamento do júri. Ele destacou o papel do Ministério Público como fiscal da lei, com a missão de assegurar direitos e preservar a imagem das vítimas perante a coletividade. Também se posicionou contra o abandono do plenário, ressaltando que a realização de um Tribunal do Júri exige o empenho e a presença de diversos envolvidos, inclusive pessoas que se deslocaram de outros estados, e que a “ritualística do tribunal” deve ser respeitada em busca da verdade.
Vinicius Gahyva disse ainda que o abandono do plenário é uma estratégia que acaba por arranhar a imagem do Tribunal do Júri. “Isso tem se tornado, de certo modo, frequente nos julgamentos do Tribunal do Júri, especialmente naqueles que afligem de forma intensa o interesse da coletividade, como é o caso concreto de um feminicídio e de um homicídio de dois jovens. São duas pessoas que, efetivamente, traduzem a necessidade de reafirmarmos o nosso papel social de não banalização da vida humana. Nós sabemos que o Tribunal do Júri envolve uma série de providências que devem ser adotadas para que o ato processual seja realizado, e lamentamos muito que esse tipo de estratégia esteja sendo adotada”, afirmou.
A promotora de Justiça Élide Manzini de Campos lembrou que o julgamento já deveria ter ocorrido no dia 7 de julho. Segundo ela, naquela ocasião, a defesa solicitou o adiamento para análise de provas, pedido que foi deferido pela magistrada responsável pelo caso, com a remarcação da sessão para 21 de julho. “É um absurdo uma medida protelatória após mais de três anos do fato, com a família aguardando o julgamento. A defesa admite alegações de nulidades que não existem e que já foram completamente afastadas. É uma estratégia utilizada para tentar postergar, prorrogar e até abrir outro incidente de sanidade, ou qualquer outra medida, para que esse julgamento não ocorra. Tudo isso já foi afastado, e não há motivo algum para que esse julgamento não aconteça”, afirmou.
Sobre o caso de feminicídio, a promotora destacou que a reação da sociedade demonstra uma rejeição cada vez mais firme a esse tipo de crime. Segundo ela, a população tem se posicionado de forma clara contra a violência de gênero e em defesa do enfrentamento aos feminicídios, cobrando respostas efetivas do sistema de Justiça para coibir esse tipo de violência.
Fotos: Josi Dias | TJMT
Mato Grosso
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