Mato Grosso
Governo de MT avalia danos em municípios e auxilia famílias afetadas pelas fortes chuvas
Equipes integradas do Governo de Mato Grosso percorrem os municípios mato-grossenses afetados pelas fortes chuvas deste início de ano para avaliar possíveis danos e auxiliar as famílias. Uma das medidas é a homologação de situação de emergência, que permite acesso a recursos federais pelos municípios. Além disso, são distribuídos alimentos, colchões, cobertores e medicamentos.
Relatório da Defesa Civil confirma que 11 municípios já decretaram situação de emergência: Água Boa, Confresa, Diamantino, Gaúcha do Norte, Luciara, Nova Bandeirantes, Paranatinga, Porto Alegre do Norte, Santa Terezinha, São Félix do Araguaia, Vila Bela Santíssima Trindade e Vila Rica.
Os Planos de Respostas e de Trabalho, produzidos pelos agentes da Defesa Civil de Mato Grosso, já foram registrados no sistema para análise do Governo Federal com o intuito de assegurar recursos financeiros para essas localidades. O dinheiro deve ser utilizado pelas prefeituras para a recuperação de pontes e estradas.
Em Diamantino (a 208 km a médio-norte de Cuiabá), um dos municípios mais atingidos pelas fortes chuvas que caíram, entre janeiro e fevereiro deste ano, cerca de 80 famílias ficaram desalojadas e outras 5 desabrigadas por causa dos alagamentos. Coube à Defesa Civil Estadual encaminhá-las para o Centro Comunitário e hotéis na cidade.
Também foi feita a aquisição de colchões para entregar às famílias, com investimento de R$ 17 mil do Governo Estadual. A doação será entregue na próxima segunda-feira (28.02), com o apoio de servidores da prefeitura e da Secretaria de Estado de Assistência Social e Cidadania (Setasc).
As famílias das comunidades rurais de Vila Bela da Santíssima Trindade (a 527 km a oeste da Capital) que ficaram isoladas devido ao bloqueio das estradas cobertas pelas águas já estão recebendo o mesmo auxílio. Os técnicos destacam que durante o atendimento, não foi registrado nenhum caso grave de pessoas feridas ou de óbitos e apenas registro de danos materiais, como móveis e eletrodomésticos.

Somando as entregas para Diamantino e Vila Bela, serão doadas 400 cestas básicas por meio do Programa Ser Família Solidário e entregues 400 cobertores a partir do Ser Família Aconchego, ambos coordenados pela primeira-dama Virginia Mendes. O monitoramento aos municípios continua, assim como as ações de assistência às famílias durante todo período de chuvas intensas em Mato Grosso.

Corpo de Bombeiros e Ciopaer
Uma ação integrada entre Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso e Centro Integrado de Operações Aéreas (Ciopaer) levou medicamentos nas comunidades de Ritinha e Ricardo Franco, em Vila Bela da Santíssima Trindade, que estavam ilhadas.
O helicóptero do Ciopaer realizou sobrevoo nos locais para identificar a extensão do alagamento dentro da área urbana e rural e introduzir os agentes da Defesa Civil nos locais, além de fazer um panorama dos estragos em pontes e estradas na área rural.
Em Cáceres (a 250 km a oeste de Cuiabá), na Comunidade do Limão, os Bombeiros entregaram cestas básicas aos 30 moradores que tiveram suas casas inundadas pelas águas do rio que, que teve aumento do volume de água acima do nível normal.

Mato Grosso
Júri é remarcado depois que defesa abandona plenário em julgamento de filho de ex-deputado

A sessão de julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, acusado pelo feminicídio de Thays Machado e pelo homicídio qualificado de Willian Cesar Moreno, foi remarcada para o dia 31 de julho, às 9h, após a defesa abandonar o plenário nesta terça-feira (21). Mais uma vez, os advogados tentaram o adiamento do julgamento, o que foi indeferido pela juíza Monica Catarina Perri Siqueira, presidente da sessão, sob o argumento de que não havia justificativa plausível para a redesignação da data.
Segundo a magistrada, os advogados tiveram um prazo de 15 dias para analisar os documentos juntados aos autos. Ela ressaltou que a maior parte dessas informações já constava no processo e que a alegada falta de acesso a um despacho específico sobre prisão domiciliar não acarretaria prejuízo real, uma vez que a decisão sobre o tema também integra os autos.
“O advogado, quando assume a substituição no processo, o recebe no estágio em que ele se encontra. O processo não recua, ele tem que andar para a frente”, afirmou Monica Perri. Após anunciar a nova data do júri, a magistrada determinou que, caso não haja um advogado constituído apto para atuar na sessão, a Defensoria Pública deverá estar preparada para assumir a defesa na data prevista. Todos os presentes saíram intimados do plenário.
A acusação seria conduzida pelos promotores de Justiça Vinicius Gahyva Martins e Élide Manzini de Campos, integrantes do Núcleo de Defesa da Vida do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O réu era defendido pelos advogados Elson Marcelino da Silva Júnior, Larice Cristine, Melissa de Oliveira Machado e Gabriel Gouvea Neno Reiff.
Manobra – Ainda no plenário, o promotor de Justiça Vinicius Gahyva Martins sustentou que o acesso a processos externos é responsabilidade da defesa e que as questões relacionadas ao habeas corpus e à prisão domiciliar já foram resolvidas, não havendo justificativa para o adiamento do júri. Ele destacou o papel do Ministério Público como fiscal da lei, com a missão de assegurar direitos e preservar a imagem das vítimas perante a coletividade. Também se posicionou contra o abandono do plenário, ressaltando que a realização de um Tribunal do Júri exige o empenho e a presença de diversos envolvidos, inclusive pessoas que se deslocaram de outros estados, e que a “ritualística do tribunal” deve ser respeitada em busca da verdade.
Vinicius Gahyva disse ainda que o abandono do plenário é uma estratégia que acaba por arranhar a imagem do Tribunal do Júri. “Isso tem se tornado, de certo modo, frequente nos julgamentos do Tribunal do Júri, especialmente naqueles que afligem de forma intensa o interesse da coletividade, como é o caso concreto de um feminicídio e de um homicídio de dois jovens. São duas pessoas que, efetivamente, traduzem a necessidade de reafirmarmos o nosso papel social de não banalização da vida humana. Nós sabemos que o Tribunal do Júri envolve uma série de providências que devem ser adotadas para que o ato processual seja realizado, e lamentamos muito que esse tipo de estratégia esteja sendo adotada”, afirmou.
A promotora de Justiça Élide Manzini de Campos lembrou que o julgamento já deveria ter ocorrido no dia 7 de julho. Segundo ela, naquela ocasião, a defesa solicitou o adiamento para análise de provas, pedido que foi deferido pela magistrada responsável pelo caso, com a remarcação da sessão para 21 de julho. “É um absurdo uma medida protelatória após mais de três anos do fato, com a família aguardando o julgamento. A defesa admite alegações de nulidades que não existem e que já foram completamente afastadas. É uma estratégia utilizada para tentar postergar, prorrogar e até abrir outro incidente de sanidade, ou qualquer outra medida, para que esse julgamento não ocorra. Tudo isso já foi afastado, e não há motivo algum para que esse julgamento não aconteça”, afirmou.
Sobre o caso de feminicídio, a promotora destacou que a reação da sociedade demonstra uma rejeição cada vez mais firme a esse tipo de crime. Segundo ela, a população tem se posicionado de forma clara contra a violência de gênero e em defesa do enfrentamento aos feminicídios, cobrando respostas efetivas do sistema de Justiça para coibir esse tipo de violência.
Fotos: Josi Dias | TJMT
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