Mato Grosso
Governo encaminha lei à AL para Albert Einstein administrar o Hospital Central

O Governo de Mato Grosso encaminhou, nesta quarta-feira (9.4), um projeto de lei para a Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), que tem o objetivo de tornar o Hospital Israelita Albert Einstein como instituição administradora do Hospital Central, em Cuiabá. A unidade ofertará 100% dos serviços pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
A Casa de Leis já aprovou o regime de urgência para a tramitação do projeto. Conforme apresentado em reunião com as autoridades, o Hospital Albert Einstein é considerado o melhor do país e tem experiência na administração de serviços pelo SUS. Atualmente, a instituição gerencia cinco hospitais públicos no Brasil.
A construção do Hospital Central ficou inacabada por 34 anos, mas foi retomada e reformulada pela atual gestão e já está 98% concluída. No novo projeto, a estrutura hospitalar foi ampliada em 23 mil ², totalizando 32 mil m² de área construída.
Caso o projeto de Lei seja aprovado pela Assembleia até a próxima semana, a previsão é de que a assinatura do contrato ocorra em 22 de abril.
“Nós estamos construindo o melhor hospital do Estado de Mato Grosso, melhor do que qualquer hospital privado. Será esse hospital público que vai atender 100% a nossa população gratuitamente. Nós conseguimos construir uma parceria com o melhor hospital do Brasil; e o Hospital Albert Einstein será o operador desse nosso hospital. O cronograma de ativação prevê hoje o envio deste projeto de Lei para a Assembleia Legislativa, que precisa autorizar esse modelo de contratação”, anunciou o governador Mauro Mendes.
O secretário de Estado de Saúde, Gilberto Figueiredo, explicou que o projeto de lei está relacionado à legislação que trata sobre parcerias entre a administração pública estadual e as organizações da sociedade civil em Mato Grosso.
“É importante ressaltar que o modelo jurídico que está sendo utilizado aqui não é a Lei das OSS, mas sim a legislação nº 13.019, que é sobre as organizações da sociedade civil. Por isso que nenhum ato do Governo é realizado sem ampla discussão e parecer da Procuradoria Geral do Estado (PGE), tanto é que a PGE sugeriu fazer uma pequena alteração da legislação vigente, para que tivéssemos a segurança jurídica”, enfatizou.
O presidente da Assembleia Legislativa, deputado estadual Max Russi, enfatizou que a Casa de Leis trabalhará para ajudar o governo nesta nova empreitada.
“Quando o Governo do Estado precisou aprovar leis importantes para Mato Grosso, a Assembleia esteve presente. Hoje, é possível ter o recurso para fazer essa construção, porque naquele momento se teve coragem de mandar as leis e a Assembleia teve coragem de votar esses projetos, de aprovar e é por isso que a obra [do Hospital Central] saiu. Nesse segundo momento, a Assembleia vai ter coragem também, vai estar junto, estar ajudando o Governo como sempre fez”, disse.
Já o presidente do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT), conselheiro Sérgio Ricardo, ressaltou que essa é uma das maiores obras do Governo de Mato Grosso e que não tem dúvidas de que a sociedade mato-grossense ganha com mais essa entrega.
“Não é fácil você trazer um Einstein pra cá. Tenho certeza que todos os Estados querem ter um Einstein, só que não conseguem. A própria instituição não tem interesse. E aqui parabéns a vocês que conseguiram, que conquistaram o interesse do Einstein de estar aqui, isso é um divisor de águas para a nossa saúde”, declarou.
O promotor de Justiça, Milton Mattos, que atua na defesa da saúde, expressou a felicidade por ver o governo investindo nesta área. Ele ainda destacou que o Hospital Central irá ofertar muitas especialidades que hoje são gargalos, como a cirurgia cardíaca pediátrica.
“Isso vai atingir diretamente na qualidade de vida das pessoas que residem em Mato Grosso. E eu digo mais: um hospital desse calibre, junto com o Júlio Muller e os demais Hospitais Regionais, vão atrair mais mão de obra qualificada para Mato Grosso”, afirmou.
Para o juiz da vara da saúde, Agamenon Alcântara, a expectativa é de que, com a inauguração de um hospital de ponta, sejam reduzidos os casos de judicialização.
“Essa busca de soluções é constante. Esse hospital e os demais que vão ser inaugurados, eles vão atender muito à população e às demandas hoje existentes. Então, a palavra à sua pessoa, governador, à pessoa do secretário Gilberto, parabenizar e esperar que de fato isso venha a trazer, e acredito que vá trazer, grandes benefícios para a população”, concluiu.
Também estiveram presentes na reunião o vice-governador Otaviano Pivetta, os secretários de Estado da Casa Civil, Fábio Garcia, e de Comunicação, Laice Souza; o presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), o desembargador José Zuquim Nogueira; o médico e conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, Guilherme Maluf; os deputados estaduais Valmir Moretto, Elizeu Nascimento, Sebastião Rezende, Dr. João, Lúdio Cabral, Carlos Avalone, Diego Guimarães, Beto Dois a Um, Eduardo Botelho, Max Russi, Wilson Santos, Dr. Eugênio, Thiago Silva, Dilmar Dal Bosco, Adenilson Rocha, Fabio Tardin, Faissal, Paulo Araújo e Nininho.
Fonte: Governo MT – MT
Mato Grosso
Júri é remarcado depois que defesa abandona plenário em julgamento de filho de ex-deputado

A sessão de julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, acusado pelo feminicídio de Thays Machado e pelo homicídio qualificado de Willian Cesar Moreno, foi remarcada para o dia 31 de julho, às 9h, após a defesa abandonar o plenário nesta terça-feira (21). Mais uma vez, os advogados tentaram o adiamento do julgamento, o que foi indeferido pela juíza Monica Catarina Perri Siqueira, presidente da sessão, sob o argumento de que não havia justificativa plausível para a redesignação da data.
Segundo a magistrada, os advogados tiveram um prazo de 15 dias para analisar os documentos juntados aos autos. Ela ressaltou que a maior parte dessas informações já constava no processo e que a alegada falta de acesso a um despacho específico sobre prisão domiciliar não acarretaria prejuízo real, uma vez que a decisão sobre o tema também integra os autos.
“O advogado, quando assume a substituição no processo, o recebe no estágio em que ele se encontra. O processo não recua, ele tem que andar para a frente”, afirmou Monica Perri. Após anunciar a nova data do júri, a magistrada determinou que, caso não haja um advogado constituído apto para atuar na sessão, a Defensoria Pública deverá estar preparada para assumir a defesa na data prevista. Todos os presentes saíram intimados do plenário.
A acusação seria conduzida pelos promotores de Justiça Vinicius Gahyva Martins e Élide Manzini de Campos, integrantes do Núcleo de Defesa da Vida do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O réu era defendido pelos advogados Elson Marcelino da Silva Júnior, Larice Cristine, Melissa de Oliveira Machado e Gabriel Gouvea Neno Reiff.
Manobra – Ainda no plenário, o promotor de Justiça Vinicius Gahyva Martins sustentou que o acesso a processos externos é responsabilidade da defesa e que as questões relacionadas ao habeas corpus e à prisão domiciliar já foram resolvidas, não havendo justificativa para o adiamento do júri. Ele destacou o papel do Ministério Público como fiscal da lei, com a missão de assegurar direitos e preservar a imagem das vítimas perante a coletividade. Também se posicionou contra o abandono do plenário, ressaltando que a realização de um Tribunal do Júri exige o empenho e a presença de diversos envolvidos, inclusive pessoas que se deslocaram de outros estados, e que a “ritualística do tribunal” deve ser respeitada em busca da verdade.
Vinicius Gahyva disse ainda que o abandono do plenário é uma estratégia que acaba por arranhar a imagem do Tribunal do Júri. “Isso tem se tornado, de certo modo, frequente nos julgamentos do Tribunal do Júri, especialmente naqueles que afligem de forma intensa o interesse da coletividade, como é o caso concreto de um feminicídio e de um homicídio de dois jovens. São duas pessoas que, efetivamente, traduzem a necessidade de reafirmarmos o nosso papel social de não banalização da vida humana. Nós sabemos que o Tribunal do Júri envolve uma série de providências que devem ser adotadas para que o ato processual seja realizado, e lamentamos muito que esse tipo de estratégia esteja sendo adotada”, afirmou.
A promotora de Justiça Élide Manzini de Campos lembrou que o julgamento já deveria ter ocorrido no dia 7 de julho. Segundo ela, naquela ocasião, a defesa solicitou o adiamento para análise de provas, pedido que foi deferido pela magistrada responsável pelo caso, com a remarcação da sessão para 21 de julho. “É um absurdo uma medida protelatória após mais de três anos do fato, com a família aguardando o julgamento. A defesa admite alegações de nulidades que não existem e que já foram completamente afastadas. É uma estratégia utilizada para tentar postergar, prorrogar e até abrir outro incidente de sanidade, ou qualquer outra medida, para que esse julgamento não ocorra. Tudo isso já foi afastado, e não há motivo algum para que esse julgamento não aconteça”, afirmou.
Sobre o caso de feminicídio, a promotora destacou que a reação da sociedade demonstra uma rejeição cada vez mais firme a esse tipo de crime. Segundo ela, a população tem se posicionado de forma clara contra a violência de gênero e em defesa do enfrentamento aos feminicídios, cobrando respostas efetivas do sistema de Justiça para coibir esse tipo de violência.
Fotos: Josi Dias | TJMT
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