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Hortaliças PANCs atraem a atenção de agricultores que querem diversificar produção de alimentos
Ora-pro-nóbis, quiabo de metro, capuchinha, vinagreira e yacon. Os nomes são familiares em algumas regiões e totalmente desconhecidos em outras. Muitas dessas plantas crescem espontaneamente em qualquer lugar, como aquele matinho ou trepadeira no quintal de casa ou terrenos baldios.
Muita gente não sabe, mas essas plantas, apesar de terem a aparência de ervas daninhas, guardam alto teor de nutrientes e podem ser fonte de renda para produtores, principalmente da agricultura familiar.
As Plantas Alimentícias Não Convencionais, conhecidas como PANCs, têm atraído a atenção de agricultores e consumidores interessados em diversificar a produção e a alimentação com produtos orgânicos, mais nutritivos e saudáveis.
Os benefícios variam de acordo com a planta e já atraem muitos pesquisadores e chefs de cozinha que têm introduzido as PANCs em receitas gourmets e diferenciadas em restaurantes de grandes centros urbanos.
“As Plantas Alimentícias Não Convencionais são aquelas que não são corriqueiras, não têm cadeia produtiva estabelecida, não estão no supermercado de primeiro de janeiro a 31 de dezembro como as convencionais”, explica Nuno Madeira, pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

Também são consideradas não convencionais algumas partes de plantas tradicionais, como o umbigo da banana, a medula do mamão, a semente da abóbora, a folha de batata doce e a folha e a flor da abóbora.
O especialista acrescenta que o resgate do uso desse tipo de planta é importante devido ao grande valor nutricional e para a valorização cultural e histórica do país. A Embrapa estima que o Brasil tenha pelo menos 50 espécies de PANCS, entre nativas, exóticas ou naturalizadas. “As naturalizadas foram trazidas ou pelos escravizados ou pelos colonos europeus e asiáticos e se inseriram no nosso bioma. A gente até acha que a vinagreira é maranhense, mas é africana, que o inhame do Espírito Santo é capixaba, mas ele é asiático”.
Carne vegetal
Talvez a mais famosa entre as PANCs seja a ora-pro-nóbis. Em Minas Gerais, por exemplo, pode ser encontrada facilmente em qualquer lugar e serve de base para várias receitas, principalmente o tradicional frango ao molho. Por ter folhas ricas em proteínas e sais minerais, a ora-pro-nóbis ficou conhecida como “carne vegetal”, sendo uma opção para a dieta vegetariana e vegana.

“Ora-pro-nóbis é uma planta arbustiva e nativa da América tropical. É uma cactácea vigorosa que possui folhas verdadeiras e com isso ela consegue fornecer essa folha agradável e nutritiva para o nosso consumo. A folha tem 30% de proteínas e lembra um pouco o quiabo”, disse Geovani Bernardo Amaro, pesquisador da Embrapa.
Rústica, a planta tolera períodos de seca. Por ter acúleos e espinhos, ela também é muito usada como cerca viva. E ainda produz frutos e sementes que garantem a possibilidade de cruzamento e melhoramento das plantas. “É importante ter variabilidade genética, porque possibilita a seleção de clones melhores”, explica Geovani, que também é melhorista genético na Embrapa.
Nutrição e biodiversidade
No norte de Minas também se destaca o maxixe do reino, parecido com o chuchu. No estado mineiro, os produtores fazem entrega diária ou semanal de maxixe, que pode ser encontrado facilmente em algumas feiras.
“O consumo e a procura do consumidor final, da dona de casa ou mesmo de restaurantes, tem aumentado muito. Isso estimula a produção, porque se a gente não tem demanda, não tem como o produtor produzir”, diz a bióloga Lenita Haber, que também integra a equipe de pesquisadores da Embrapa Hortaliças.
Na região serrana do Rio de Janeiro, uma das PANCs que tem cultivo comercial é a bertália. A folhosa é vendida em maços e consumida geralmente de forma refogada, como o espinafre. “A bertália tem uma série de minerais e vitaminas e tem condições de entrar no rol de outras folhosas que já são produzidas comumente”, destaca Raphael Melo, engenheiro agrônomo e pesquisador da Embrapa.
Já da flor da vinagreira é feito o famoso chá de hibisco, recomendado para problemas digestivos e para combater a obesidade. E as folhas amargas da vinagreira são usadas na receita do típico arroz de cuxá maranhense.

Outra PANC histórica é a araruta, um tipo de raiz que não contem glúten na composição química. Antigamente, ela era desidratada e de sua farinha podia se fazer papinhas ou mingaus.
“Nossos avós, bisavós consumiam, porque não tinha produto industrializado naquela época. Hoje, está voltando a ficar em voga porque não tem glúten e tem características nutricionais boas. A sabedoria popular já anteviu isso”, diz o engenheiro agrônomo.
E tem outras espécies, como a folha da taioba, que é parecida com a couve e pode ser refogada. No entanto, como ela contém um alto teor de ácido oxálico, o que pode causar sensação de aperto na boca dependendo da forma como for colhida e preparada.
“Tem que ter muito cuidado, porque ela parece com outras plantas que ocorrem em áreas de brejo e não pode colher qualquer planta, se não pode causar uma irritação na garganta ou até fechar a glote”, alerta.

O especialista recomenda ainda que a pessoa sempre busque informações sobre o cultivo correto ou compre de algum fornecedor idôneo. “Não pode ser uma aventura de sair na cidade e pegar qualquer planta daninha, qualquer coisa que esteja ali e achar que é comestível. Muitas vezes uma planta dessa vai estar exposta a uma série de contaminantes, além da própria característica de ter o teor de alguma substância que nem sempre é benéfica”.
Dia de Campo
A Embrapa tem promovido atividades de orientação e capacitação sobre a produção e possibilidades de uso das PANCs. No último dia de campo realizado pela unidade da Embrapa Hortaliças, em abril em Brasília, cerca de 200 produtores e técnicos de diferentes regiões do país se reuniram para conhecer novos sistemas de produção de hortaliças não convencionais.
Alguns agricultores demonstraram ter certa familiaridade com as espécies, outros ficaram surpresos. “Muita gente vê um caruru e acha que é uma planta daninha e nem sabe que ela é comestível e tem valor nutricional. Então, esse trabalho de divulgação é muito importante”, ressalta a bióloga Lenita Haber.
Um dos produtos que chamou a atenção dos visitantes foi o cará-do-ar, conhecido como cará-moela, que tem um aspecto que lembra uma moela de frango. Segundo os pesquisadores, este tipo de cará tem um amido de excelente qualidade e não precisa de muito insumo para ser cultivado. Quem se interessou foi Nelcy Barcellos, produtora da região de Formosa, em Goiás.
“Já cultivo três espécies de PANCs, por exemplo a bertoega, que a gente chamava de mato, tirava dos canteiros e hoje não tira mais. Hoje as pessoas comem e há uma indicação de nutricionistas devido a quantidade de ômega 3, ômega 9. Até as crianças já estão conhecendo”, conta.

Integrante da Associação Prospera, que reúne produtores do Alto São Bartolomeu, e de uma comunidade que sustenta a agricultura (CSA), Nelcy relata que seu interesse pelas PANCs aumento por causa do crescimento da demanda por alimentos mais saudáveis.
“Produzo agroecologia com produtos exclusivamente orgânicos e participo de CSAs por meio da associação. Há uma tendência e uma preocupação de diversificar a produção, e mais que isso procurar produtos históricos e sem contaminação”.
Como a maioria das hortaliças PANCs é rústica, se adapta facilmente em qualquer local e exige pouco manejo, se tornam uma boa opção para agricultura urbana, podendo ser cultivadas em hortas comunitárias ou ambientes domésticos.
“As PANCs são plantas que há muito tempo são cultivadas principalmente pelos povos tradicionais e elas têm duas grandes vantagens: a rusticidade, são pouco exigentes à adubação, ao clima; e também o valor nutricional. E da mesma maneira que as hortaliças convencionais, como alface, tomate, têm as PANCs que a gente consegue trabalhar em casa, em pequenos espaços, mesmo em hortas comunitárias”, diz Lenita Haber.

A pesquisadora explica que elas também atraem poucas pragas e algumas espécies são boas opções para pequenos produtores, como a araruta, os inhames e os carás. “Essas, como são tubérculos, a gente precisa de um preparo de solo para que sejam conduzidas, mas dentro do contexto de agricultura familiar e da agricultura urbana”.
Os produtores também aprendem novas técnicas de plantio de cultivo. No caso de algumas espécies, como o quiabo de metro, a Embrapa desenvolveu métodos diferentes de plantio para facilitar o manejo e a colheita pelo produtor. O quiabo de metro é da família da abóbora e do chuchu. Na Ásia, ele é consumido de forma análoga ao que o brasileiro faz com o quiabo. Por ser um fruto grande, a planta precisa ser conduzida e controlada de forma vertical.
“Muitas dessas espécies exigem que o trabalhador se agache, fique acocorado e esse tipo de movimento, se feito de forma repetitiva e com algum peso, pode causar lesões. Então, a intenção é fazer com que a planta aproveite melhor o espaço. E ela sendo conduzida verticalmente você tem frutos ou folhas de melhor qualidade, porque não fica em contato direto com o solo ou com pragas ou doenças do solo que poderiam vir a causar podridões ou algum tipo de defeito”, explica o pesquisador Raphael Melo.

O objetivo da Embrapa também é estimular o produtor a ter mais opções de cultivo e agregar valor à produção. “As PANCs não têm uma cadeia produtiva estabelecida como outras hortaliças, como tomate, cenoura, cebola. A ideia ao longo do tempo é construir um sistema de produção, prover o produtor com informações para que ele possa produzir aquilo comercialmente”, diz o pesquisador.
O produtor de alface hidropônica, Koisha Hamada, de Betim, em Minas Gerais, já comprou sementes de moringa e ora-pro-nóbis para começar a produção. O agricultor só estava esperando conhecer as técnicas de plantio desenvolvidas pela Embrapa para começar o cultivo.
“Meu interesse nas PANCs é para produzir, divulgar e oferecer para a sociedade como alternativa. Vim em busca de novidades e o que eu mais desejo é alimentação saudável. Busco para consumo próprio e para comercializar. Eu conheço a maioria das espécies, mas eu queria ver in loco a pesquisa da Embrapa, ver o que os pesquisadores estão fazendo e ficar mais próximos deles. Eu acho espetacular que eles não escondem conhecimento”, diz o produtor mineiro.
Uma equipe da Coordenação-Geral de Mecanização, Novas Tecnologias Agropecuárias e Recursos Genéticos, vinculada à Secretaria de Inovação, Desenvolvimento Rural e Irrigação do Ministério da Agricultura, também participou do Dia de Campo para conhecer as técnicas de plantio das PANCs e discutir políticas públicas que possam promover e dar viabilidade comercial aos produtos nativos.
“Temos que valorizar essa biodiversidade tão rica e transformar essas pequenas iniciativas em produtos comerciais, porque elas têm tanto valor nutricional, quanto medicinal. E esse trabalho de conscientização e capacitação técnica dos agricultores é um papel importante de difusão do conhecimento científico que a Embrapa desenvolve, para promover essas espécies nativas e exóticas como alternativa para o mercado”, afirma Márcio Mazzaro, coordenador- geral de Mecanização, Novas Tecnologias Agropecuárias e Recursos Genéticos do ministério.

Campanha pelos orgânicos
Na semana que vem, o Ministério da Agricultura lança a 15ª edição da campanha “Produto Orgânico – Melhor para a Vida”. Realizada anualmente na última semana de maio, a campanha deste ano tem como tema “Qualidade e saúde: do plantio ao prato”. Confira aqui a programação nos estados.

Um dos principais objetivos da campanha é informar ao consumidor como reconhecer o produto orgânico nos diversos espaços de comercialização. A mobilização também busca promover o produto e conscientizar os consumidores sobre os princípios agroecológicos da produção de alimentos de forma mais sustentável.
Mais informações à Imprensa:Coordenação geral de Comunicação Social
[email protected]
Agro News
Com safrinha sob risco, produtor de MT encontrou no sorgo uma solução para rentabilidade e manejo de plantas daninhas
Além de reduzir a exposição aos desafios do calendário da segunda safra, a mudança de estratégia ajudou a controlar o avanço de invasoras de folhas estreitas, um problema recorrente na propriedade

Foto- Assessoria
As mudanças no comportamento do clima têm obrigado produtores rurais a rever estratégias que, até pouco tempo atrás, pareciam consolidadas. Com a janela da safrinha cada vez mais apertada em algumas regiões, culturas mais adaptadas às condições de estresse hídrico vêm ganhando espaço no planejamento das propriedades.
Em Mato Grosso, por exemplo, essa realidade levou o produtor, Ernesto Vasques Júnior, sócio proprietário da Fazenda Santa Luzia, em Poxoréu (MT), a reformular o planejamento da propriedade, que possui 500 hectares de área cultivada. Segundo ele, o atraso das chuvas no início da temporada comprometeu o calendário da safra e reduziu significativamente a janela para o plantio do milho safrinha. “Demorou muito para chover e, quando as águas vieram, já era tarde para a semeadura do milho. Até daria para plantar, mas sob risco alto”, relata.
Diante desse cenário, o agricultor buscou orientação técnica para definir uma alternativa mais segura. “Conversando com o consultor da fazenda, ele sugeriu o sorgo por ser uma cultura de ciclo mais curto e mais tolerante ao déficit hídrico. Como já havíamos comprado adubos e defensivos, fomos em busca das sementes. Paralelamente, para reduzir os riscos da operação, firmei contrato para vender parte da produção para um aviário da região”, explica.
A mudança foi cuidadosamente planejada. Além de encontrar uma alternativa rentável para substituir parte da área destinada ao milho, o produtor buscava uma solução para outro desafio da propriedade: o controle de plantas daninhas de folhas estreitas, cada vez mais resistentes aos herbicidas.
Diante desse cenário, a escolha foi pelo sorgo da Advanta Seeds com tecnologia igrowth®, que alia alto potencial produtivo a uma ferramenta eficiente para o manejo dessas invasoras. “Escolhemos esse híbrido pelos bons resultados que já conhecíamos e, principalmente, pela tecnologia embarcada, que permite controlar muito bem as plantas daninhas de folhas estreitas. Esse era um problema que enfrentávamos havia anos, porque elas estão cada vez mais resistentes”, afirma o titular da Fazenda Santa Luzia.
A primeira colheita, em andamento, confirma as expectativas, com bom desenvolvimento da cultura e resultados positivos no campo. “A produtividade está muito boa e tivemos uma excelente resposta no controle das plantas daninhas de folhas estreitas, justamente o que mais chamou nossa atenção na escolha do híbrido”, destaca o produtor.
Tecnologia amplia opções de manejo
A tecnologia Igrowth®, desenvolvida pela Advanta Seeds, é a primeira tecnologia comercial do mundo a conferir ao sorgo tolerância a herbicidas da família das imidazolinonas. Obtida por meio de melhoramento genético convencional, via mutagênese, a tecnologia não é transgênica e amplia significativamente as opções de manejo de plantas daninhas na cultura.
Entre os principais benefícios estão o controle mais eficiente de plantas daninhas de folhas estreitas, maior flexibilidade para a aplicação de herbicidas registrados em pré e pós-emergência, redução da matocompetição por água, luz e nutrientes e maior expressão do potencial produtivo dos híbridos.
A tecnologia também promove maior uniformidade da lavoura, facilita a colheita, reduz perdas operacionais e contribui para uma área mais limpa para a cultura seguinte, diminuindo o banco de sementes de plantas invasoras e os custos com dessecação. Além disso, proporciona melhor aproveitamento da água e dos fertilizantes, favorece o desenvolvimento inicial das plantas e reduz a pressão de infestação nas culturas subsequentes, fortalecendo os sistemas de rotação e sucessão. “Estamos satisfeitos e a intenção é plantar sorgo no próximo ano. A cultura pode se consolidar como uma terceira alternativa importante e acredito que também seja uma boa opção para outros produtores da região”, finaliza Vasques Júnior.
Agro News
Fim da moratória da soja pode aumentar a destruição da Amazônia em 1,4 milhões de hectares nos próximos 10 anos, mostra artigo da Science
Fim do acordo pode levar a um aumento de 17% no desmatamento na Amazônia em dez anos, com emissões equivalentes às do Canadá, sem trazer ganhos aos produtores de soja

A Amazônia registrou nos últimos anos uma tendência de redução do desmatamento, resultado de diferentes esforços de controle, fiscalização e políticas públicas. Nesse contexto, um artigo publicado na revista Science sobre o legado da Moratória da Soja alerta que seu fim pode resultar em aproximadamente 1,4 milhão de hectares adicionais de desmatamento na Amazônia nos próximos dez anos, um aumento de 17% em relação às taxas históricas analisadas. As emissões associadas a essa perda florestal são estimadas em cerca de 745 milhões de toneladas de CO₂ equivalente, volume semelhante às emissões anuais do Canadá.
Intitulado The Rise and Fall of the Amazon Soy Moratorium, o artigo analisa os resultados de quase duas décadas da Moratória da Soja, e principalmente os impactos esperados para os próximos 10 anos com o fim deste acordo, criado em 2006 entre empresas do setor, organizações da sociedade civil e governo para impedir a comercialização de soja produzida em áreas desmatadas após julho de 2008 na Amazônia. A publicação mostra que o mecanismo reduziu significativamente o desmatamento associado à expansão da soja, sem impedir o crescimento da produção agrícola, e também que seu fim levará a um aumento expressivo do desmatamento direto para a soja.
Desde a implementação da Moratória, a área cultivada com soja na Amazônia mais que triplicou, enquanto a expansão ocorreu principalmente sobre áreas já abertas. O estudo aponta que havia entre 9,7 milhões e 15 milhões de hectares previamente desmatados disponíveis para expansão agrícola. A publicação também estima que, nos primeiros dez anos, a Moratória reduziu em cerca de 35% o desmatamento em áreas de risco para expansão da soja, evitando aproximadamente 1,8 milhão de hectares de perda florestal.
O que muda sem a Moratória
Segundo o artigo, o risco associado ao fim do acordo não está apenas na conversão direta de áreas para produção de soja, mas também no aumento da pressão sobre regiões com potencial de expansão agrícola e vulnerabilidade à especulação fundiária.
O estudo identificou que 9,1 milhões de hectares de florestas em propriedades privadas têm alta aptidão para a soja e podem ser legalmente desmatados segundo o Código Florestal. Também aponta que até 28,7 milhões de hectares de florestas públicas não destinadas podem ficar mais vulneráveis à especulação, especialmente em áreas com potencial futuro de expansão da infraestrutura.
Para o WWF-Brasil, a experiência da Moratória demonstra a importância de mecanismos que atuam nas cadeias produtivas para reduzir incentivos econômicos associados ao desmatamento. “A Moratória da Soja mostrou que é possível ampliar a produção agrícola mantendo critérios de conservação. O desafio agora é garantir que instrumentos capazes de reduzir o desmatamento continuem fazendo parte da estratégia brasileira de desenvolvimento”, afirma Tiago.
Produção pode crescer em áreas já abertas
Os autores analisaram o argumento de que a Moratória teria limitado oportunidades econômicas para produtores. Os dados indicam que os impactos econômicos diretos são restritos: apenas cerca de 739 mil hectares de áreas aptas à soja foram desmatados legalmente após 2008, e a maior parte não está localizada em propriedades produtoras de soja. Nas fazendas que já cultivam soja, a área de floresta com possibilidade legal de conversão é estimada em cerca de 60 mil hectares. Ao mesmo tempo, a pesquisa identifica cerca de 1,7 milhão de hectares de áreas já abertas e aptas para soja na Amazônia, o que permitiria ampliar a produção sem conversão de novas áreas de floresta.
Além disso, os autores avaliaram uma das principais críticas dirigidas à Moratória da Soja: a de que o acordo teria provocado distorções de mercado ou funcionado como um cartel entre compradores. A análise comparou os preços pagos aos produtores em municípios abrangidos pela Moratória e em regiões vizinhas não submetidas ao acordo, sem identificar diferenças sistemáticas nos valores recebidos pelos agricultores. A evidência indica que o mecanismo não afetou a remuneração dos produtores nem provocou distorções de mercado, contrariando a tese de que haveria formação de cartel entre as empresas participantes.
Proteção da floresta e competitividade do setor
O artigo destaca que a redução do desmatamento está relacionada à competitividade de longo prazo do setor agrícola. A perda de floresta pode afetar serviços ecossistêmicos importantes para a agricultura, como a disponibilidade de chuvas e a regulação do clima regional. Além disso, cadeias produtivas sem mecanismos de controle de desmatamento podem enfrentar desafios diante de mercados que ampliam exigências ambientais e de rastreabilidade.
Segundo Tiago Reis, especialista em Conservação do WWF-Brasil, “a Moratória da Soja mostra que empresas têm um papel estratégico na construção de uma cadeia produtiva mais sustentável e competitiva. Ao adotar compromissos de controle do desmatamento e rastreabilidade, o setor contribui para proteger a floresta, preservar serviços ecossistêmicos essenciais para a própria agricultura e responder às crescentes demandas dos mercados nacionais e internacionais. Produzir mais e conservar a Amazônia são objetivos que podem caminhar juntos, desde que haja transparência, responsabilidade compartilhada e mecanismos capazes de orientar a expansão produtiva para áreas já abertas”.
Sobre o WWF-Brasil
O WWF-Brasil é uma ONG brasileira que há 29 anos atua coletivamente com parceiros da sociedade civil, academia, governos e empresas em todo país para combater a degradação socioambiental e defender a vida das pessoas e da natureza. Estamos conectados numa rede interdependente que busca soluções urgentes para a emergência climática.
Agro News
Fundação MT promove discussões sobre a cultura do algodão
O 18º Encontro Técnico de Algodão acontece em Cuiabá nos dias 5 e 6 de agosto

Foto-Assesoria
A cotonicultura no Brasil será destaque no 18º Encontro Técnico do Algodão, promovido pela Fundação de Apoio à Pesquisa Agropecuária de Mato Grosso (Fundação MT). O evento reunirá pesquisadores, produtores rurais, consultores, técnicos, profissionais da indústria e de toda a cadeia produtiva do algodão e tem como objetivo transformar informações relevantes em soluções e decisões, com o formato de painéis será realizado entre os dias 5 e 6 de agosto, no Hotel Gran Odara, em Cuiabá (MT).
O gerente de Pesquisa, Serviços e Operações da Fundação MT, Luís Carlos de Oliveira, explica que a cultura do algodão é extremamente estratégica para o estado de Mato Grosso, uma cultura de alta relevância também para a Fundação Mato Grosso. “Nós temos pesquisas nas diversas áreas de conhecimento voltadas para a cultura do algodão. Neste 18º Encontro Técnico de Algodão, teremos a oportunidade de mostrar grande parte dessas pesquisas. Por exemplo, nós temos pesquisas na área de solos, ensaios que envolvem adubação, nitrogênio, potássio, ensaios de longa duração de mais de 12 anos”, disse.
Os temas da programação serão distribuídos em oito painéis voltados para a difusão de conhecimento e debate em torno dos desafios da cotonicultura de alta produtividade, como detalha Luís Carlos. “Apresentaremos projetos na área de plantas daninhas, que envolve o controle de plantas daninhas de difícil controle, como caruru, pé-de-galinha, vassourinha-de-botão. Toda a parte fitossanitária da cultura: entomologia, o controle das principais pragas, mosca-branca, ácaros e um cenário da situação do bicudo no estado de Mato Grosso. Toda a parte de nematologia, como um panorama de ocorrências de nematoides na cultura do algodão, além da área fitossanitária no que diz respeito ao controle de doenças, fungicidas, onde apresentaremos informações atualizadas sobre os resultados e performance dos produtos nesses segmentos”, finalizou.
Ao longo dos dois dias, haverá ainda o painel de retrospectiva da safra de Mato Grosso e Bahia, geopolítica e desafios na tomada de decisão na cotonicultura, além de espaços dedicados às empresas parceiras, apresentação de resultados de pesquisa da Fundação MT, debates técnicos, momentos de networking e coquetéis de encerramento ao fim de cada dia. As inscrições ainda estão abertas e podem ser feitas pelo site da Fundação MT.
Programação Oficial
05 de agosto de 2026
08h — Abertura oficial
Painel 1: Retrospectiva da Safra 2025/2026
Moderador: Eduardo Kawakami (head de Pesquisa, Melhoramento Genético e Plantas – TMG).
Relato dos Produtores:
Cid Ricardo dos Reis (Grupo Bom Futuro – Região Sudeste e Vale do Araguaia).
André Lavezo (Amaggi – Região Oeste).
Fernando Piccinini (Grupo Bom Jesus – Região Médio Norte).
Vitor Paulo Vargas (SLC Agrícola – Região Bahia).
Análise da Safra 2025/2026 e Manejo Estratégico do Algodoeiro para Ajuste aos Cenários Climáticos e Econômicos: Fábio Echer (professor e pesquisador da Unoeste).
O Que Realmente Importa Sobre o Clima da Safra 2026/2027? Paulo Etchichury (meteorologista e consultor de Clima Aplicado à Agricultura).
Debate
Painel 2: Inovação
Inovação Transformadora nos Tempos Atuais: Júnior Borneli (fundador da StartSe).
Painel 3: Atualidade e Futuro no Manejo de Plantas Daninhas no Sistema Soja/Algodão
Banco de Sementes: Estratégias para Reduzir a Pressão de Seleção de Plantas Daninhas na Sucessão Soja-Algodão: Valter Vaz (pesquisador de Plantas Daninhas na Cooperativa Comigo – GO).
Vassourinha-de-botão, Pé-de-galinha e Caruru: Resultados da Fundação MT: Vicente Pontes (Fundação MT).
Debate
Painel 4: Entomologia — Tecnologia e Manejo de Pragas Críticas
Mosca-branca e Ácaro-rajado: Pontos de Atenção para um Manejo Consistente: Marco Tamai (professor e pesquisador da Universidade do Estado da Bahia).
Lagartas — Status das Biotecnologias e Enfrentamento ao Bicudo-do-algodoeiro: Eduardo Barros (consultor Agronômico e pesquisador da Supera Soluções Agronômicas).
Situação do Bicudo no Estado de Mato Grosso: Márcio Souza (coordenador de Projetos e Difusão de Tecnologias no Instituto Mato-Grossense do Algodão).
Biotecnologia no Controle do Bicudo: Perspectivas Futuras: Anderson Meda (head de Pesquisa – TMG).
Debate
06 de agosto de 2026
08h — Abertura
Painel 5: A Base da Alta Produtividade do Algodão: Manejo e Desafios
Fertilidade do Solo no Algodão: Histórico de Pesquisa da Fundação MT: Leandro Zancanaro (pesquisador e Consultor da Origens Parcerias Agrícolas).
Compactação do Solo na Cultura do Algodão: Manejo em Ano de El Niño: Guilherme Anghinoni (pesquisador e consultor da Solo Raiz).
Adubação Potássica: Estratégias para Máxima Eficiência: Patrícia Matias (Fundação MT).
Debate
Painel 6: Nematoides no Algodoeiro: Resultados e Estratégias que Transformam Dados em Produtividade
Dinâmica Populacional de Nematoides no Algodoeiro: Evidências de Campo e Resultados da Fundação MT com Drª. Rosângela Silva.
Resistência Genética de Nematoides no Algodoeiro: Tania Santos (Fundação MT).
Situação Atual de Meloidogyne enterolobii em Mato Grosso: Tania Santos (Fundação MT).
Debate
Painel 7: Cenário Fitossanitário da Cultura do Algodão: Desafios e Estratégias no Manejo de Doenças
Panorama Fitossanitário da Cultura do Algodão: Do Tombamento às Doenças Foliares: Mônica Müller (Fundação MT) e Amarildo Padilha (gerente técnico da ABC Agrícola).
Cenário de Doenças na Cotonicultura da Bahia: Desafios e Perspectivas de Manejo: Fabiano Perina (Embrapa Algodão).
Avanços e Resultados de Pesquisa no Manejo de Doenças do Algodão: Mônica Müller (Fundação MT) e Victor Porto (Fundação MT).
Debate
Painel 8 — Fechamento: Geopolítica e Desafios na Tomada de Decisão na Cotonicultura
Moderadora: Renata Maron (comunicadora e palestrante de agronegócios).
Debatedores: Marcos Jank (professor Sênior de Agronegócio Global do Insper) e Alexandre de Marco (vice-presidente da Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão – Ampa).
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