Mato Grosso
Jair Marques foi um dos fundadores da Desenvolve MT e trabalhava para democratizar o acesso ao crédito
O presidente da Desenvolve MT (Agência de Fomento do Estado de Mato Grosso), Jair Marques esteve à frente da instituição desde dezembro de 2019, foi um de seus fundadores. Entre 2004 e 2008, foi diretor de Operações e, Desenvolvimento e Projetos e Vice-Presidente da então, MT Fomento. Jair faleceu neste sábado (15.04), aos 67 anos. O Governo de Mato Grosso decretou luto oficial de três dias em razão da morte do presidente.
Economista, com vasta experiência no sistema financeiro, aceitou o convite e o desafio feito pelo Governador Mauro Mendes para comprovar a eficiência da agência e trabalhar pela viabilidade. De lá pra cá, trabalhava para democratizar o acesso ao crédito e apoiar os pequenos empreendedores e o desenvolvimento do estado.
Durante a pandemia da Covid-19, a agência foi um forte instrumento de apoio para a sobrevivência do empreendedorismo em todo o Estado. Entre 2020 e 2021, os setores mais afetados, como microempreendedores individuais (MEI), bares, restaurantes, eventos e turismo, foram socorridos, por meio do crédito emergencial, aportados na agência pelo Governador Mauro Mendes e Assembleia Legislativa de Mato Grosso.
Para a diretora de crédito da Desenvolve MT, Anne Antunes Siqueira, o trabalho do presidente foi muito importante na recuperação da agência. “O Jair sempre foi visionário e dinâmico, sempre em busca de novos desafios, atuou fortemente na maior crise sanitária do país, democratizando o acesso ao crédito aos municípios e empreendedores do estado”, declara.
A Desenvolve MT, nos quatros anos (2019 a 2022) da gestão atual do Governo de Mato Grosso, liberou R$ 60,194 milhões em linhas de crédito para pequenos negócios, contribuindo para a geração de emprego e renda nos municípios mato-grossenses.
Foram 92 municípios atendidos por meio da plataforma digital e agentes de crédito credenciados, enquanto os valores liberados aumentaram em 375% no período. Saltaram de R$ 4,565 milhões em 2019, quando a carteira de crédito estava com demanda reprimida, para R$ 21,665 milhões até o início de dezembro de 2022.
No mesmo período, o capital social da Desenvolve MT cresceu mais de 11 vezes, saltando de R$ 17 milhões em 2019 para R$ 200 milhões em 2022, o que a permitiu sair de 15 agências entre as 16 no Brasil, para a quinta maior agência em capital.
O secretário da Sedec-MT, César Miranda enfatizou o trabalho do presidente Jair à frente da Desenvolve MT, instituição vinculada à secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado de Mato Grosso.
“Jair deixa um legado no serviço público, com atuações em vários setores, e eu perco um companheiro de trabalho que muito me ajudou nesses últimos anos”, declara.
Um dos grandes sucessos da agência e procura do público empreendedor é a linha de crédito Mulher Empreendedora e Jovem Empreendedor, lançada pelo governador Mauro Mendes, para estimular o empreendedorismo feminino e jovem.
Outro grande desafio para este ano, na visão do presidente Jair, era transformar a Desenvolve MT em uma agência 100% digital, para que todos, principalmente os pequenos empreendedores, pudessem ter acesso ao crédito de maneira rápida e fácil de qualquer lugar do estado.
No ano passado, Jair foi empossado membro da diretoria da Associação Brasileira de Desenvolvimento (ABDE), entidade que reúne as instituições financeiras de todo o país. Um dos grandes desafios, em sua visão, era transformar a Desenvolve MT em uma agência 100% digital, para que o crédito chegasse a todos os municípios, com o foco na inovação, pesquisa e desenvolvimento das cadeias produtivas do estado.
Atualmente o presidente Jair Marques, vinha se dedicando e conversando com todos os setores produtivos e instituições financeiras credenciadas, para que pudessem acessar o Fundo Garantidor do Estado de Mato Grosso (MT Garante), criado pelo Governo do Estado.
Recentemente, o fundo ampliou os segmentos econômicos para ampliar a sua atuação. O MT Garante é um instrumento que busca mitigar os riscos da operação de crédito para a instituição financeira, tornando o crédito mais acessível para os pequenos negócios.
Fonte: Governo MT – MT
Mato Grosso
Júri é remarcado depois que defesa abandona plenário em julgamento de filho de ex-deputado

A sessão de julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, acusado pelo feminicídio de Thays Machado e pelo homicídio qualificado de Willian Cesar Moreno, foi remarcada para o dia 31 de julho, às 9h, após a defesa abandonar o plenário nesta terça-feira (21). Mais uma vez, os advogados tentaram o adiamento do julgamento, o que foi indeferido pela juíza Monica Catarina Perri Siqueira, presidente da sessão, sob o argumento de que não havia justificativa plausível para a redesignação da data.
Segundo a magistrada, os advogados tiveram um prazo de 15 dias para analisar os documentos juntados aos autos. Ela ressaltou que a maior parte dessas informações já constava no processo e que a alegada falta de acesso a um despacho específico sobre prisão domiciliar não acarretaria prejuízo real, uma vez que a decisão sobre o tema também integra os autos.
“O advogado, quando assume a substituição no processo, o recebe no estágio em que ele se encontra. O processo não recua, ele tem que andar para a frente”, afirmou Monica Perri. Após anunciar a nova data do júri, a magistrada determinou que, caso não haja um advogado constituído apto para atuar na sessão, a Defensoria Pública deverá estar preparada para assumir a defesa na data prevista. Todos os presentes saíram intimados do plenário.
A acusação seria conduzida pelos promotores de Justiça Vinicius Gahyva Martins e Élide Manzini de Campos, integrantes do Núcleo de Defesa da Vida do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O réu era defendido pelos advogados Elson Marcelino da Silva Júnior, Larice Cristine, Melissa de Oliveira Machado e Gabriel Gouvea Neno Reiff.
Manobra – Ainda no plenário, o promotor de Justiça Vinicius Gahyva Martins sustentou que o acesso a processos externos é responsabilidade da defesa e que as questões relacionadas ao habeas corpus e à prisão domiciliar já foram resolvidas, não havendo justificativa para o adiamento do júri. Ele destacou o papel do Ministério Público como fiscal da lei, com a missão de assegurar direitos e preservar a imagem das vítimas perante a coletividade. Também se posicionou contra o abandono do plenário, ressaltando que a realização de um Tribunal do Júri exige o empenho e a presença de diversos envolvidos, inclusive pessoas que se deslocaram de outros estados, e que a “ritualística do tribunal” deve ser respeitada em busca da verdade.
Vinicius Gahyva disse ainda que o abandono do plenário é uma estratégia que acaba por arranhar a imagem do Tribunal do Júri. “Isso tem se tornado, de certo modo, frequente nos julgamentos do Tribunal do Júri, especialmente naqueles que afligem de forma intensa o interesse da coletividade, como é o caso concreto de um feminicídio e de um homicídio de dois jovens. São duas pessoas que, efetivamente, traduzem a necessidade de reafirmarmos o nosso papel social de não banalização da vida humana. Nós sabemos que o Tribunal do Júri envolve uma série de providências que devem ser adotadas para que o ato processual seja realizado, e lamentamos muito que esse tipo de estratégia esteja sendo adotada”, afirmou.
A promotora de Justiça Élide Manzini de Campos lembrou que o julgamento já deveria ter ocorrido no dia 7 de julho. Segundo ela, naquela ocasião, a defesa solicitou o adiamento para análise de provas, pedido que foi deferido pela magistrada responsável pelo caso, com a remarcação da sessão para 21 de julho. “É um absurdo uma medida protelatória após mais de três anos do fato, com a família aguardando o julgamento. A defesa admite alegações de nulidades que não existem e que já foram completamente afastadas. É uma estratégia utilizada para tentar postergar, prorrogar e até abrir outro incidente de sanidade, ou qualquer outra medida, para que esse julgamento não ocorra. Tudo isso já foi afastado, e não há motivo algum para que esse julgamento não aconteça”, afirmou.
Sobre o caso de feminicídio, a promotora destacou que a reação da sociedade demonstra uma rejeição cada vez mais firme a esse tipo de crime. Segundo ela, a população tem se posicionado de forma clara contra a violência de gênero e em defesa do enfrentamento aos feminicídios, cobrando respostas efetivas do sistema de Justiça para coibir esse tipo de violência.
Fotos: Josi Dias | TJMT
Mato Grosso
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