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Jovens produtores de chocolate do Sul da Bahia querem impulsionar o cacau produzido na região

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Uma fase de recomeço e renovação. É assim que jovens produtores de chocolate do sul da Bahia definem o momento atual da cadeia produtiva de cacau na região. Impulsionados pela equipe de pesquisadores e extensionistas da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac), situada estrategicamente entre Ilhéus e Itabuna, no centro da região cacaueira, os produtores da nova geração vislumbram um momento de expansão e de reforço de uma nova identidade para o sul da Bahia.

Atualmente, o estado que adotou o cacau como uma de suas culturas agrícolas de maior potencial já tem mais de 70 marcas de chocolates. Depois de já ter sido o maior produtor de cacau do Brasil, a Bahia também quer se consolidar como referência na produção de chocolate de qualidade.

O sul do estado já possui Indicação Geográfica de procedência do cacau. Aumentar produtividade e agregar valor são expressões que têm sido cada vez mais usados pelos especialistas e produtores da Bahia e dos outros estados que desenvolvem a cacauicultura.

O movimento focado na diversificação e verticalização da cadeia produtiva de cacau se intensificou a partir de 2009, principalmente depois do incentivo dado por pesquisadores da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac). “É um nicho que há algum tempo vem se descobrindo. Das 70 marcas de chocolate da região, 95% saíram daqui da Ceplac e a gente percebe uma mudança no perfil de quem produz e no consumidor”, comenta Carlos Alexandre Silva Brandão, superintendente da Ceplac na Bahia.

Nova geração

Sob o olhar atento do cacauicultor, desde a colheita até o processo de fermentação, secagem, torra e a transformação na indústria, o chocolate fino ganha forma e fama na região sul da Bahia. Seguindo o movimento de produção “da amêndoa para o chocolate” (bean to bar) ou “da árvore para o chocolate” (tree to bar), produtores locais estão diversificando os negócios e impulsionando a produção de cacau com objetivo de atender um novo nicho de mercado.

Entre eles, os irmãos Antônio e Leonor Lavigne, proprietários da Fazenda Alegrias, situada entre Ilhéus e Itabuna e uma das produtoras de cacau mais antigas da região. “Nós somos a sexta geração plantando cacau, nossa família planta cacau há duzentos anos. Meu pai foi um eterno crente do cacau”, relata Leonor. 

Mantendo a paixão do pai, há pouco mais de dez anos, a família decidiu investir na etapa pós-colheita do cacau e produzir mais do que o fruto. Aproveitando a proximidade com a Superintendência da Ceplac em Ilhéus e com as principais universidades da região, Antônio Lavigne começou a fazer cursos de capacitação em beneficiamento do cacau para aperfeiçoar o conhecimento nos processos de fermentação das amêndoas, secagem, classificação, torra até a transformação final do chocolate.

“A cultura do cacau vive hoje um momento animador de reconstrução. Estimula que a região saia dessa linha commodity e fortalece com produção, beneficiamento, novos produtos e toda essa linha de derivados do cacau”, destaca Antônio.

A primeira barra de chocolate da Fazenda Alegrias foi feita em 2015. A marca criada pelos irmãos oferece diferentes opções bombons e barras de chocolate com alto teor de cacau, além de nibs, mel e geleia do fruto.

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“A Ceplac é um nicho de grandes cientistas, tem muita sabedoria e dedicação ali dentro, e eles estão fomentando a região, ajudando a concretizar o sonho do chocolate. Sem a Ceplac, a gente não teria chegado no chocolate, tanto pelo incentivo desde como plantar, como podar até ensinar a fermentar, a secar a amêndoa oferecer toda a estrutura física da fábrica para chegar na barrinha final”, relata Leonor. 

Depois de passar um tempo em outras cidades para estudar e trabalhar, Leonor voltou à sede da fazenda para ajudar o irmão a tocar o novo desafio. Ela também está se qualificando na área de beneficiamento do cacau e não pretende retomar a carreira jurídica na qual é formada.

“Essa nova fase do cacau está propiciando à minha geração voltar ao campo, trabalhar e viver disso, porque nós estamos conseguindo uma melhoria de produção”, comenta Leonor.

 “A agricultura encanta. E a cultura de cacau não deixa de brilhar nos olhos de quem é da região e quem vive a cultura do cacau e a cultura cabruca”, acrescenta Antônio. No ano passado, a amêndoa produzida na Fazenda Alegrias foi classificada entre as 20 melhores do país no 1º Concurso Nacional de Cacau de Qualidade.

O cacau da Fazenda Alegras é produzido pelo sistema cabruca, ou seja, os cacaueiros são plantados sob espécies nativas da Mata Atlântica e manejados de forma especial para minimizar o impacto ambiental sobre o bioma.

Depois que o cacau é colhido e quebrado de forma manual, é no lombo das mulas que suas sementes são levadas de dentro da cabruca para passar pelo processo de beneficiamento primário, que se inicia com a fermentação nos cochos de madeira.

“No nosso sistema agroflorestal da cabruca, a roça de cacau fica no meio da floresta, toda sombreada por outras plantas que foram essa biodiversidade. Dentro da cabruca, tem pelos menos 20 unidades de plantas nativas da Mata Atlântica, como cedro, jacarandá, jequitibá, sucupira, sapucaia e algumas plantas exóticas como a eritrina, cajazeira”, explica Antônio.

A fermentação é feita em cochos, que são caixas feitas de madeiras de lei para evitar que a amêndoa do cacau receba odores. Na foto, os irmãos Antônio e Leonor Lavigne, produtores de chocolate

 A fermentação é feita em cochos, que são caixas feitas de madeiras de lei para evitar que a amêndoa do cacau receba odores. 

Alta produtividade e referência em qualidade

Antônio também integra o chamado projeto 500, implementado pela Ceplac para desafiar os produtores da região a aumentarem a produtividade dos cacaueiros. “Estou no segundo ano do projeto e subi minha produtividade de 35 para 116 arrobas, tripliquei a produtividade na área do projeto. Isso é animador e vem com o apoio dos técnicos extensionistas da Ceplac, que estão presentes, e com um grupo de produtores que aprendem um com o outro com apoio da instituição”, destacou.

Além de ver a produtividade atingir novos patamares, os irmãos produtores sonham em ver a região sendo reconhecida nacional e internacionalmente como produtora de um cacau de qualidade diferenciada pela sua origem. 

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“A gente quer tornar o cacau do sul da Bahia um cacau referência de qualidade. De dizer assim: “de onde é que está vindo o cacau desse chocolate? É do sul da Bahia. Ah, então esse chocolate é bom”. É isso o que a gente quer, buscar essa origem. Da mesma forma que existem notas que reconhecem o chocolate da Venezuela, do Equador, a gente quer dizer assim “as características, o terroir (ambiente onde foi produzido) do nosso chocolate é de qualidade, porque nossa amêndoa é de qualidade”, projeta Leonor.

Rede em crescimento

O sonho dos irmãos Lavigne é compartilhado por outros jovens produtores da região, principalmente mulheres, que lançaram novos negócios no mercado de chocolate no bojo do crescente sentimento regional de valorizar o cacau plantado na Mata Atlântica.

A paulista radicada há 22 anos no sul da Bahia, Márcia Torres, é uma das produtoras que integra a nova rede de chocolateiras. Filha de um agricultor de cacau e agrônomo, ela sempre teve ligação com a terra, mas se formou em economia e administração e começou a empreender no mundo do chocolate em paralelo com outros trabalhos.

Depois de atuar por um tempo na captação de recursos para eventos relacionados ao chocolate, Márcia transformou a paixão pelo cacau em oportunidade. Em parceria com sua irmã e outros familiares que já tinham vocação na área de gastronomia, Márcia criou sua própria marca de chocolates.

“Fizemos o primeiro bean to bar completo em março do ano passado. Mas eu cuido mesmo da gestão do negócio. Eu não planto cacau, mas eu compro de quem ama o cultivo e está ali todos os dias escutando as orientações da Ceplac, de quem está estudando e quer promover a melhor amêndoa”, afirmou.

Márcia também trabalha na área de turismo e tem percebido interesse dos viajantes na história da lavoura cacaueira e pelo trabalho realizado pela Ceplac na região. “A Ceplac já faz parte do roteiro de muitos visitantes, que ficam encantados com a estrutura e com o que é feito. A gente tem que fortalecer esse órgão como nosso. Cada vez que eu vejo um chocolate novo, eu sei que é através da Ceplac, que investe e transmite esse conhecimento”, comenta. 

Depois que o cacau é colhido e quebrado de forma manual, as sementes são levadas no lombo das mulas para passar pelo processo de beneficiamento primário

Depois que o cacau é colhido e quebrado de forma manual, as sementes são levadas no lombo das mulas para passar pelo beneficiamento 

De olho na demanda

Contadora de formação, bancária de profissão e confeiteira por paixão. É assim que Leilane Benevides se define depois de ingressar no mundo de produtores de chocolate de origem e de pequena escala. Leilane trabalha em um banco regional há 13 anos, justamente na área de crédito rural, onde conviveu com muitos produtores endividados por causa do problema causado pela praga da vassoura-de-bruxa.

Vendo de perto a aflição dos cacauicultores, começou a incentivá-los a diversificar a produção para agregar valor ao produto final. No começo, ela encontrou muito ceticismo em relação à fermentação de amêndoas de qualidade. Com o tempo, ela própria enveredou pelo caminho da produção de chocolate fino.

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“Eu já sabia que havia uma grande demanda fora do país por chocolate de qualidade. Fui fazer uma pós- graduação voltada para cacau e chocolate para captar clientes. Meu interesse não era fazer o chocolate em si, mas no momento em que a gente compra uma maquininha Melanger e começa a brincar com ela, aí é um caminho sem volta”, brinca.

A formalização da sua marca ocorreu no ano passado. Leilane montou uma fábrica artesanal e tem como principais fornecedores de amêndoas de qualidade os produtores que um dia ela incentivou.

“A gente percebe que, mesmo no nosso mundinho, consegue ser um incentivador para que outros proprietários e outros fazendeiros melhorem a sua receita. Um deles me falou: “por sua causa estou investindo para produzir mel de cacau”. E isso é só o começo. Daqui pra frente vamos ver essa região bem conhecida como do cacau e do chocolate”, declarou.

Sabor diferenciado

Já Liliane Neves e Mariana Maltez decidiram apostar nos derivados do chocolate, principalmente, nos famosos brigadeiros gourmet, brownies e outras delícias refinadas com o sabor do chocolate baiano. E o negócio deu certo, já são quatro anos que as sócias ampliaram a produção caseira e estão no mercado.

“Resolvemos utilizar esse chocolate fino para produzir nossos produtos. A gente pensa em levar essa proposta de utilizar o chocolate da nossa região para outros produtores de derivados de chocolate. Tem muita gente produzindo coisa boa, vamos valorizar. Essa valorização vem desde a Ceplac, que vem cutucando os produtores e chega até nós dos derivados”, comenta Liliane.

Apesar do desejo de promover o chocolate do sul da Bahia, Leonor, Márcia, Leilane, Liliane e Mariana buscam sempre aprender com produtores de outras regiões. Elas integram o grupo “Mulheres do Chocolate no Brasil”, que reúne mulheres chocolateiras de todo o país, desde o PArá até o Rio Grande do Sul.

“Trocamos muita informação, experiência, e de vez em quando nos reunimos justamente buscando uma alternativa de trabalho, aprimoramento, conhecimento”, afirmou Leonor.

A próxima oportunidade de intercâmbio que os novos chocolateiros e chocolateiras vão aproveitar é a 11ª edição do Chocolat: Festival Internacional do Chocolate e Cacau. O evento será sediado em Ilhéus, Bahia, entre os dias 18 e 21 de julho. 

O festival é considerado o maior de chocolate de origem do Brasil e tem o objetivo de reunir representantes de toda a cadeia produtiva de cacau, além de promover o sul da Bahia como uma das principais regiões produtoras de chocolate do país.

No sistema agroflorestal da cabruca, a roça de cacau fica no meio da floresta, toda sombreada por outras plantas que formam essa biodiversidade.

No sistema agroflorestal da cabruca, a roça de cacau fica no meio da floresta, sombreada por outras plantas que foram essa biodiversidade.

Mais informações à imprensa:Coordenação-geral de Comunicação Social
Debora Brito
[email protected]

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Com safrinha sob risco, produtor de MT encontrou no sorgo uma solução para rentabilidade e manejo de plantas daninhas

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Além de reduzir a exposição aos desafios do calendário da segunda safra, a mudança de estratégia ajudou a controlar o avanço de invasoras de folhas estreitas, um problema recorrente na propriedade

Foto- Assessoria

As mudanças no comportamento do clima têm obrigado produtores rurais a rever estratégias que, até pouco tempo atrás, pareciam consolidadas. Com a janela da safrinha cada vez mais apertada em algumas regiões, culturas mais adaptadas às condições de estresse hídrico vêm ganhando espaço no planejamento das propriedades.

Em Mato Grosso, por exemplo, essa realidade levou o produtor, Ernesto Vasques Júnior, sócio proprietário da Fazenda Santa Luzia, em Poxoréu (MT), a reformular o planejamento da propriedade, que possui 500 hectares de área cultivada. Segundo ele, o atraso das chuvas no início da temporada comprometeu o calendário da safra e reduziu significativamente a janela para o plantio do milho safrinha. “Demorou muito para chover e, quando as águas vieram, já era tarde para a semeadura do milho. Até daria para plantar, mas sob risco alto”, relata.

Diante desse cenário, o agricultor buscou orientação técnica para definir uma alternativa mais segura. “Conversando com o consultor da fazenda, ele sugeriu o sorgo por ser uma cultura de ciclo mais curto e mais tolerante ao déficit hídrico. Como já havíamos comprado adubos e defensivos, fomos em busca das sementes. Paralelamente, para reduzir os riscos da operação, firmei contrato para vender parte da produção para um aviário da região”, explica.

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A mudança foi cuidadosamente planejada. Além de encontrar uma alternativa rentável para substituir parte da área destinada ao milho, o produtor buscava uma solução para outro desafio da propriedade: o controle de plantas daninhas de folhas estreitas, cada vez mais resistentes aos herbicidas.

Diante desse cenário, a escolha foi pelo sorgo da Advanta Seeds com tecnologia igrowth®, que alia alto potencial produtivo a uma ferramenta eficiente para o manejo dessas invasoras. “Escolhemos esse híbrido pelos bons resultados que já conhecíamos e, principalmente, pela tecnologia embarcada, que permite controlar muito bem as plantas daninhas de folhas estreitas. Esse era um problema que enfrentávamos havia anos, porque elas estão cada vez mais resistentes”, afirma o titular da Fazenda Santa Luzia.

A primeira colheita, em andamento, confirma as expectativas, com bom desenvolvimento da cultura e resultados positivos no campo. “A produtividade está muito boa e tivemos uma excelente resposta no controle das plantas daninhas de folhas estreitas, justamente o que mais chamou nossa atenção na escolha do híbrido”, destaca o produtor.

Tecnologia amplia opções de manejo

A tecnologia Igrowth®, desenvolvida pela Advanta Seeds, é a primeira tecnologia comercial do mundo a conferir ao sorgo tolerância a herbicidas da família das imidazolinonas. Obtida por meio de melhoramento genético convencional, via mutagênese, a tecnologia não é transgênica e amplia significativamente as opções de manejo de plantas daninhas na cultura.

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Entre os principais benefícios estão o controle mais eficiente de plantas daninhas de folhas estreitas, maior flexibilidade para a aplicação de herbicidas registrados em pré e pós-emergência, redução da matocompetição por água, luz e nutrientes e maior expressão do potencial produtivo dos híbridos.

A tecnologia também promove maior uniformidade da lavoura, facilita a colheita, reduz perdas operacionais e contribui para uma área mais limpa para a cultura seguinte, diminuindo o banco de sementes de plantas invasoras e os custos com dessecação. Além disso, proporciona melhor aproveitamento da água e dos fertilizantes, favorece o desenvolvimento inicial das plantas e reduz a pressão de infestação nas culturas subsequentes, fortalecendo os sistemas de rotação e sucessão. “Estamos satisfeitos e a intenção é plantar sorgo no próximo ano. A cultura pode se consolidar como uma terceira alternativa importante e acredito que também seja uma boa opção para outros produtores da região”, finaliza Vasques Júnior.

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Fim da moratória da soja pode aumentar a destruição da Amazônia em 1,4 milhões de hectares nos próximos 10 anos, mostra artigo da Science

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Fim do acordo pode levar a um aumento de 17% no desmatamento na Amazônia em dez anos, com emissões equivalentes às do Canadá, sem trazer ganhos aos produtores de soja

A Amazônia registrou nos últimos anos uma tendência de redução do desmatamento, resultado de diferentes esforços de controle, fiscalização e políticas públicas. Nesse contexto, um artigo publicado na revista Science sobre o legado da Moratória da Soja alerta que seu fim pode resultar em aproximadamente 1,4 milhão de hectares adicionais de desmatamento na Amazônia nos próximos dez anos, um aumento de 17% em relação às taxas históricas analisadas. As emissões associadas a essa perda florestal são estimadas em cerca de 745 milhões de toneladas de CO₂ equivalente, volume semelhante às emissões anuais do Canadá.

Intitulado The Rise and Fall of the Amazon Soy Moratorium, o artigo analisa os resultados de quase duas décadas da Moratória da Soja, e principalmente os impactos esperados para os próximos 10 anos com o fim deste acordo, criado em 2006 entre empresas do setor, organizações da sociedade civil e governo para impedir a comercialização de soja produzida em áreas desmatadas após julho de 2008 na Amazônia. A publicação mostra que o mecanismo reduziu significativamente o desmatamento associado à expansão da soja, sem impedir o crescimento da produção agrícola, e também que seu fim levará a um aumento expressivo do desmatamento direto para a soja.

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Desde a implementação da Moratória, a área cultivada com soja na Amazônia mais que triplicou, enquanto a expansão ocorreu principalmente sobre áreas já abertas. O estudo aponta que havia entre 9,7 milhões e 15 milhões de hectares previamente desmatados disponíveis para expansão agrícola. A publicação também estima que, nos primeiros dez anos, a Moratória reduziu em cerca de 35% o desmatamento em áreas de risco para expansão da soja, evitando aproximadamente 1,8 milhão de hectares de perda florestal.

O que muda sem a Moratória
Segundo o artigo, o risco associado ao fim do acordo não está apenas na conversão direta de áreas para produção de soja, mas também no aumento da pressão sobre regiões com potencial de expansão agrícola e vulnerabilidade à especulação fundiária.

O estudo identificou que 9,1 milhões de hectares de florestas em propriedades privadas têm alta aptidão para a soja e podem ser legalmente desmatados segundo o Código Florestal. Também aponta que até 28,7 milhões de hectares de florestas públicas não destinadas podem ficar mais vulneráveis à especulação, especialmente em áreas com potencial futuro de expansão da infraestrutura.

Para o WWF-Brasil, a experiência da Moratória demonstra a importância de mecanismos que atuam nas cadeias produtivas para reduzir incentivos econômicos associados ao desmatamento. “A Moratória da Soja mostrou que é possível ampliar a produção agrícola mantendo critérios de conservação. O desafio agora é garantir que instrumentos capazes de reduzir o desmatamento continuem fazendo parte da estratégia brasileira de desenvolvimento”, afirma Tiago.

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Produção pode crescer em áreas já abertas
Os autores analisaram o argumento de que a Moratória teria limitado oportunidades econômicas para produtores. Os dados indicam que os impactos econômicos diretos são restritos: apenas cerca de 739 mil hectares de áreas aptas à soja foram desmatados legalmente após 2008, e a maior parte não está localizada em propriedades produtoras de soja. Nas fazendas que já cultivam soja, a área de floresta com possibilidade legal de conversão é estimada em cerca de 60 mil hectares. Ao mesmo tempo, a pesquisa identifica cerca de 1,7 milhão de hectares de áreas já abertas e aptas para soja na Amazônia, o que permitiria ampliar a produção sem conversão de novas áreas de floresta.

Além disso, os autores avaliaram uma das principais críticas dirigidas à Moratória da Soja: a de que o acordo teria provocado distorções de mercado ou funcionado como um cartel entre compradores. A análise comparou os preços pagos aos produtores em municípios abrangidos pela Moratória e em regiões vizinhas não submetidas ao acordo, sem identificar diferenças sistemáticas nos valores recebidos pelos agricultores. A evidência indica que o mecanismo não afetou a remuneração dos produtores nem provocou distorções de mercado, contrariando a tese de que haveria formação de cartel entre as empresas participantes.

Proteção da floresta e competitividade do setor
O artigo destaca que a redução do desmatamento está relacionada à competitividade de longo prazo do setor agrícola. A perda de floresta pode afetar serviços ecossistêmicos importantes para a agricultura, como a disponibilidade de chuvas e a regulação do clima regional. Além disso, cadeias produtivas sem mecanismos de controle de desmatamento podem enfrentar desafios diante de mercados que ampliam exigências ambientais e de rastreabilidade.

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Segundo Tiago Reis, especialista em Conservação do WWF-Brasil, “a Moratória da Soja mostra que empresas têm um papel estratégico na construção de uma cadeia produtiva mais sustentável e competitiva. Ao adotar compromissos de controle do desmatamento e rastreabilidade, o setor contribui para proteger a floresta, preservar serviços ecossistêmicos essenciais para a própria agricultura e responder às crescentes demandas dos mercados nacionais e internacionais. Produzir mais e conservar a Amazônia são objetivos que podem caminhar juntos, desde que haja transparência, responsabilidade compartilhada e mecanismos capazes de orientar a expansão produtiva para áreas já abertas”.

Sobre o WWF-Brasil
O WWF-Brasil é uma ONG brasileira que há 29 anos atua coletivamente com parceiros da sociedade civil, academia, governos e empresas em todo país para combater a degradação socioambiental e defender a vida das pessoas e da natureza. Estamos conectados numa rede interdependente que busca soluções urgentes para a emergência climática.

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Fundação MT promove discussões sobre a cultura do algodão

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O 18º Encontro Técnico de Algodão acontece em Cuiabá nos dias 5 e 6 de agosto

Foto-Assesoria

A cotonicultura no Brasil será destaque no 18º Encontro Técnico do Algodão, promovido pela Fundação de Apoio à Pesquisa Agropecuária de Mato Grosso (Fundação MT). O evento reunirá pesquisadores, produtores rurais, consultores, técnicos, profissionais da indústria e de toda a cadeia produtiva do algodão e tem como objetivo transformar informações relevantes em soluções e decisões, com o formato de painéis será realizado entre os dias 5 e 6 de agosto, no Hotel Gran Odara, em Cuiabá (MT).

O gerente de Pesquisa, Serviços e Operações da Fundação MT, Luís Carlos de Oliveira, explica que a cultura do algodão é extremamente estratégica para o estado de Mato Grosso, uma cultura de alta relevância também para a Fundação Mato Grosso. “Nós temos pesquisas nas diversas áreas de conhecimento voltadas para a cultura do algodão. Neste 18º Encontro Técnico de Algodão, teremos a oportunidade de mostrar grande parte dessas pesquisas. Por exemplo, nós temos pesquisas na área de solos, ensaios que envolvem adubação, nitrogênio, potássio, ensaios de longa duração de mais de 12 anos”, disse.

Os temas da programação serão distribuídos em oito painéis voltados para a difusão de conhecimento e debate em torno dos desafios da cotonicultura de alta produtividade, como detalha Luís Carlos. “Apresentaremos projetos na área de plantas daninhas, que envolve o controle de plantas daninhas de difícil controle, como caruru, pé-de-galinha, vassourinha-de-botão. Toda a parte fitossanitária da cultura: entomologia, o controle das principais pragas, mosca-branca, ácaros e um cenário da situação do bicudo no estado de Mato Grosso. Toda a parte de nematologia, como um panorama de ocorrências de nematoides na cultura do algodão, além da área fitossanitária no que diz respeito ao controle de doenças, fungicidas, onde apresentaremos informações atualizadas sobre os resultados e performance dos produtos nesses segmentos”, finalizou.

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Ao longo dos dois dias, haverá ainda o painel de retrospectiva da safra de Mato Grosso e Bahia, geopolítica e desafios na tomada de decisão na cotonicultura, além de espaços dedicados às empresas parceiras, apresentação de resultados de pesquisa da Fundação MT, debates técnicos, momentos de networking e coquetéis de encerramento ao fim de cada dia. As inscrições ainda estão abertas e podem ser feitas pelo site da Fundação MT.

Programação Oficial

05 de agosto de 2026

08h — Abertura oficial

Painel 1: Retrospectiva da Safra 2025/2026

Moderador: Eduardo Kawakami (head de Pesquisa, Melhoramento Genético e Plantas – TMG).

Relato dos Produtores:

Cid Ricardo dos Reis (Grupo Bom Futuro – Região Sudeste e Vale do Araguaia).

André Lavezo (Amaggi – Região Oeste).

Fernando Piccinini (Grupo Bom Jesus – Região Médio Norte).

Vitor Paulo Vargas (SLC Agrícola – Região Bahia).

Análise da Safra 2025/2026 e Manejo Estratégico do Algodoeiro para Ajuste aos Cenários Climáticos e Econômicos: Fábio Echer (professor e pesquisador da Unoeste).

O Que Realmente Importa Sobre o Clima da Safra 2026/2027? Paulo Etchichury (meteorologista e consultor de Clima Aplicado à Agricultura).

Debate

Painel 2: Inovação

Inovação Transformadora nos Tempos Atuais: Júnior Borneli (fundador da StartSe).

Painel 3: Atualidade e Futuro no Manejo de Plantas Daninhas no Sistema Soja/Algodão

Banco de Sementes: Estratégias para Reduzir a Pressão de Seleção de Plantas Daninhas na Sucessão Soja-Algodão: Valter Vaz (pesquisador de Plantas Daninhas na Cooperativa Comigo – GO).

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Vassourinha-de-botão, Pé-de-galinha e Caruru: Resultados da Fundação MT: Vicente Pontes (Fundação MT).

Debate

Painel 4: Entomologia — Tecnologia e Manejo de Pragas Críticas

Mosca-branca e Ácaro-rajado: Pontos de Atenção para um Manejo Consistente: Marco Tamai (professor e pesquisador da Universidade do Estado da Bahia).

Lagartas — Status das Biotecnologias e Enfrentamento ao Bicudo-do-algodoeiro: Eduardo Barros (consultor Agronômico e pesquisador da Supera Soluções Agronômicas).

Situação do Bicudo no Estado de Mato Grosso: Márcio Souza (coordenador de Projetos e Difusão de Tecnologias no Instituto Mato-Grossense do Algodão).

Biotecnologia no Controle do Bicudo: Perspectivas Futuras: Anderson Meda (head de Pesquisa – TMG).

Debate

06 de agosto de 2026

08h — Abertura

Painel 5: A Base da Alta Produtividade do Algodão: Manejo e Desafios

Fertilidade do Solo no Algodão: Histórico de Pesquisa da Fundação MT: Leandro Zancanaro (pesquisador e Consultor da Origens Parcerias Agrícolas).

Compactação do Solo na Cultura do Algodão: Manejo em Ano de El Niño: Guilherme Anghinoni (pesquisador e consultor da Solo Raiz).

Adubação Potássica: Estratégias para Máxima Eficiência: Patrícia Matias (Fundação MT).

Debate

Painel 6: Nematoides no Algodoeiro: Resultados e Estratégias que Transformam Dados em Produtividade

Dinâmica Populacional de Nematoides no Algodoeiro: Evidências de Campo e Resultados da Fundação MT com Drª. Rosângela Silva.

Resistência Genética de Nematoides no Algodoeiro: Tania Santos (Fundação MT).

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Situação Atual de Meloidogyne enterolobii em Mato Grosso: Tania Santos (Fundação MT).

Debate

Painel 7: Cenário Fitossanitário da Cultura do Algodão: Desafios e Estratégias no Manejo de Doenças

Panorama Fitossanitário da Cultura do Algodão: Do Tombamento às Doenças Foliares: Mônica Müller (Fundação MT) e Amarildo Padilha (gerente técnico da ABC Agrícola).

Cenário de Doenças na Cotonicultura da Bahia: Desafios e Perspectivas de Manejo: Fabiano Perina (Embrapa Algodão).

Avanços e Resultados de Pesquisa no Manejo de Doenças do Algodão: Mônica Müller (Fundação MT) e Victor Porto (Fundação MT).

Debate

Painel 8 — Fechamento: Geopolítica e Desafios na Tomada de Decisão na Cotonicultura

Moderadora: Renata Maron (comunicadora e palestrante de agronegócios).

Debatedores: Marcos Jank (professor Sênior de Agronegócio Global do Insper) e Alexandre de Marco (vice-presidente da Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão – Ampa).

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ALMT Segurança nas Escolas

Rondonópolis

Polícia

Esportes

Famosos

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