Mato Grosso
Médico ofende enfermeiros em MT ‘carniças incompetentes’
O Conselho Regional de Enfermagem de Mato Grosso (Coren) aprovou durante reunião na quinta-feira (2) um desagravo público contra um médico de Barra do Garças, a 516 km de Cuiabá, que teria ofendido profissionais da enfermagem, chamando-os de ‘carniças incompetentes’.
Para cumprir o desagravo será realizado uma sessão solene na cidade para leitura da nota enviada ao agressor, para serem divulgadas as agressões verbais ocorridas.
O médico foi denunciado duas vezes por desrespeito aos profissionais da enfermagem e agressões verbais.
A primeira, em dezembro de 2020, ocorreu quando o médico ainda trabalhava no Hospital Municipal de Barra do Garças. Na ocasião, por uma divergência sobre leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) ele chamou uma enfermeira de ‘poço de preguiça’ e que os profissionais eram ‘um bando de incompetentes’.
A segunda denúncia ocorreu em julho de 2021, quando o profissional afirmou que os profissionais da enfermagem eram ‘carniças incompetentes’ após eles negarem uma medicação com a justificativa de não garantir a segurança da paciente.
Segundo o Coren, o médico denunciado, que trabalha na Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) que iria receber a paciente, chegou no hospital aos gritos e alegou que os enfermeiros deveriam apenas ‘obedecer as ordens médicas’.
Segundo os profissionais da enfermagem que trabalhavam no plantão, a paciente já havia recebido sedação uma vez e uma nova medicação desse tipo poderia provocar rebaixamento do padrão neurológico e respiratório, por isso era necessário uma nova avaliação médica.
Durante a discussão, que foi presenciada pelos trabalhadores e pacientes, ele afirmou que os profissionais da enfermagem eram um ‘bando de carniças incompetentes’ e que iria ‘rasgar’ o registro profissional deles.
Essa é a segunda vez na história do Coren que é aprovado um desagravo público. Esse instrumento serve para resguardar a dignidade do profissional, protegendo não apenas o ofendido, mas toda a categoria.
Relatora do processo, a presidente do Coren, Lígia Arfeli, reforçou que o Código de Ética Médica traz como dever do médico tratar todas as pessoas com civilidade e consideração, sejam elas profissionais da saúde ou pacientes.
“A ação deste médico não ofendeu apenas as enfermeiras e suas equipes, mas sim o próprio exercício da profissão. Ele ofendeu, denegriu e maculou a profissão da enfermagem e suas prerrogativas”, afirma Lígia.
“O Coren repudia as declarações do médico e toda e qualquer atitude semelhante à categoria da enfermagem no exercício da profissão”, diz trecho do relatório.
Mato Grosso
Júri é remarcado depois que defesa abandona plenário em julgamento de filho de ex-deputado

A sessão de julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, acusado pelo feminicídio de Thays Machado e pelo homicídio qualificado de Willian Cesar Moreno, foi remarcada para o dia 31 de julho, às 9h, após a defesa abandonar o plenário nesta terça-feira (21). Mais uma vez, os advogados tentaram o adiamento do julgamento, o que foi indeferido pela juíza Monica Catarina Perri Siqueira, presidente da sessão, sob o argumento de que não havia justificativa plausível para a redesignação da data.
Segundo a magistrada, os advogados tiveram um prazo de 15 dias para analisar os documentos juntados aos autos. Ela ressaltou que a maior parte dessas informações já constava no processo e que a alegada falta de acesso a um despacho específico sobre prisão domiciliar não acarretaria prejuízo real, uma vez que a decisão sobre o tema também integra os autos.
“O advogado, quando assume a substituição no processo, o recebe no estágio em que ele se encontra. O processo não recua, ele tem que andar para a frente”, afirmou Monica Perri. Após anunciar a nova data do júri, a magistrada determinou que, caso não haja um advogado constituído apto para atuar na sessão, a Defensoria Pública deverá estar preparada para assumir a defesa na data prevista. Todos os presentes saíram intimados do plenário.
A acusação seria conduzida pelos promotores de Justiça Vinicius Gahyva Martins e Élide Manzini de Campos, integrantes do Núcleo de Defesa da Vida do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O réu era defendido pelos advogados Elson Marcelino da Silva Júnior, Larice Cristine, Melissa de Oliveira Machado e Gabriel Gouvea Neno Reiff.
Manobra – Ainda no plenário, o promotor de Justiça Vinicius Gahyva Martins sustentou que o acesso a processos externos é responsabilidade da defesa e que as questões relacionadas ao habeas corpus e à prisão domiciliar já foram resolvidas, não havendo justificativa para o adiamento do júri. Ele destacou o papel do Ministério Público como fiscal da lei, com a missão de assegurar direitos e preservar a imagem das vítimas perante a coletividade. Também se posicionou contra o abandono do plenário, ressaltando que a realização de um Tribunal do Júri exige o empenho e a presença de diversos envolvidos, inclusive pessoas que se deslocaram de outros estados, e que a “ritualística do tribunal” deve ser respeitada em busca da verdade.
Vinicius Gahyva disse ainda que o abandono do plenário é uma estratégia que acaba por arranhar a imagem do Tribunal do Júri. “Isso tem se tornado, de certo modo, frequente nos julgamentos do Tribunal do Júri, especialmente naqueles que afligem de forma intensa o interesse da coletividade, como é o caso concreto de um feminicídio e de um homicídio de dois jovens. São duas pessoas que, efetivamente, traduzem a necessidade de reafirmarmos o nosso papel social de não banalização da vida humana. Nós sabemos que o Tribunal do Júri envolve uma série de providências que devem ser adotadas para que o ato processual seja realizado, e lamentamos muito que esse tipo de estratégia esteja sendo adotada”, afirmou.
A promotora de Justiça Élide Manzini de Campos lembrou que o julgamento já deveria ter ocorrido no dia 7 de julho. Segundo ela, naquela ocasião, a defesa solicitou o adiamento para análise de provas, pedido que foi deferido pela magistrada responsável pelo caso, com a remarcação da sessão para 21 de julho. “É um absurdo uma medida protelatória após mais de três anos do fato, com a família aguardando o julgamento. A defesa admite alegações de nulidades que não existem e que já foram completamente afastadas. É uma estratégia utilizada para tentar postergar, prorrogar e até abrir outro incidente de sanidade, ou qualquer outra medida, para que esse julgamento não ocorra. Tudo isso já foi afastado, e não há motivo algum para que esse julgamento não aconteça”, afirmou.
Sobre o caso de feminicídio, a promotora destacou que a reação da sociedade demonstra uma rejeição cada vez mais firme a esse tipo de crime. Segundo ela, a população tem se posicionado de forma clara contra a violência de gênero e em defesa do enfrentamento aos feminicídios, cobrando respostas efetivas do sistema de Justiça para coibir esse tipo de violência.
Fotos: Josi Dias | TJMT
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