Mato Grosso
MP aciona Município para que reforme posto de saúde
A 7ª Promotoria de Justiça Cível de Tutela Coletiva da Saúde de Cuiabá ajuizou Ação Civil Pública contra o Município, visando assegurar “o acesso digno aos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS)” na unidade de saúde da família do bairro Renascer. O Ministério Público requereu, liminarmente, que seja determinado ao Poder Público o prazo de 180 dias para reparar o prédio onde funciona o posto de saúde, para que atenda às normas técnicas de segurança estrutural e sanitária aplicáveis, bem como que seja comprovado que foram sanadas as irregularidades referentes a infiltrações, rachaduras nas paredes, fiações elétricas, problemas hidráulicos e de acessibilidade.
O MPMT postulou ainda que o Município providencie a lotação, se necessário mediante contratação, de agentes comunitários de saúde e de endemias necessários para o atendimento da população de todo território de referência da unidade; coletes adequados e adaptações necessárias para o funcionamento dos serviços de raio-X odontológicos da unidade; o abastecimento de todos os aparelhos, insumos e medicamentos necessários ao atendimento da unidade de saúde, entre outros pedidos. No julgamento do mérito, requereu a procedência da ação, a confirmação da liminar e a fixação de multa diária no valor de R$ 10 mil em caso de descumprimento da decisão judicial.
As reclamações iniciais sobre instalações, funcionamento e falta de insumos e equipamentos da unidade de atenção básica à saúde do bairro Renascer chegaram ao MPMT em abril de 2017, por meio da Ouvidoria. Assim, foi instaurado inquérito civil para apurar as possíveis irregularidades estruturais e de atendimento na unidade e, na primeira diligência, constatado que ela funcionava precariamente em um centro comunitário de um bairro vizinho.
“Dentro do espírito de tentar deixar a gestão pública resolver suas próprias questões e o problema com o mínimo de interferência do Ministério Público, na medida em que a informação anterior mencionava que seriam feitas reformas na unidade de saúde em questão, aguardou-se certo tempo e determinou-se então nova visita da mesma equipe técnica que, apesar das declarações do responsável que obras tinham sido feitas, inúmeras questões estruturais ainda estavam pendentes, como, por exemplo, falta de vidros na central de esterilização, que convenhamos é setor primordial de todo serviço de saúde, mesmo em época pré pandêmica”,narrou o promotor de Justiça Alexandre de Matos Guedes na ação.
As negociações junto à Secretaria Municipal de Saúde de Cuiabá, na intenção de não judicializar o assunto e de resolver as questões pendentes pela via administrativa, percorreram os anos de 2018 e 2019. No início de 2020, o MPMT expediu notificação recomendatória com prazo de cinco meses para que resolvessem os problemas do novo prédio, cuja obra fora concluída há cerca de um ano e meio, mas que apresentava problemas como vazamento no telhado e umidade em parede de consultório. O Município respondeu ao MPMT somente em março de 2021. Uma nova inspeção foi realizada na unidade, que constatou os mesmos problemas identificados em 2019.
“O que se denota do caso em tela é que mesmo após cinco anos, os problemas da referida unidade continuam os mesmos, aliás se agravaram com o custo de uma reforma mal feita e mal gerida e também com a piora dos serviços em si mesmos, faltando insumos, equipamentos e servidores. Desta forma, resta claro que não há interesse por parte do ente municipal em solucionar os problemas por meio do procedimento extrajudicial, evidenciado tal descaso nas constantes inverdades nas informações requisitadas por esta 7ª Promotoria”, argumentou o promotor.
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Mato Grosso
Júri é remarcado depois que defesa abandona plenário em julgamento de filho de ex-deputado

A sessão de julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, acusado pelo feminicídio de Thays Machado e pelo homicídio qualificado de Willian Cesar Moreno, foi remarcada para o dia 31 de julho, às 9h, após a defesa abandonar o plenário nesta terça-feira (21). Mais uma vez, os advogados tentaram o adiamento do julgamento, o que foi indeferido pela juíza Monica Catarina Perri Siqueira, presidente da sessão, sob o argumento de que não havia justificativa plausível para a redesignação da data.
Segundo a magistrada, os advogados tiveram um prazo de 15 dias para analisar os documentos juntados aos autos. Ela ressaltou que a maior parte dessas informações já constava no processo e que a alegada falta de acesso a um despacho específico sobre prisão domiciliar não acarretaria prejuízo real, uma vez que a decisão sobre o tema também integra os autos.
“O advogado, quando assume a substituição no processo, o recebe no estágio em que ele se encontra. O processo não recua, ele tem que andar para a frente”, afirmou Monica Perri. Após anunciar a nova data do júri, a magistrada determinou que, caso não haja um advogado constituído apto para atuar na sessão, a Defensoria Pública deverá estar preparada para assumir a defesa na data prevista. Todos os presentes saíram intimados do plenário.
A acusação seria conduzida pelos promotores de Justiça Vinicius Gahyva Martins e Élide Manzini de Campos, integrantes do Núcleo de Defesa da Vida do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O réu era defendido pelos advogados Elson Marcelino da Silva Júnior, Larice Cristine, Melissa de Oliveira Machado e Gabriel Gouvea Neno Reiff.
Manobra – Ainda no plenário, o promotor de Justiça Vinicius Gahyva Martins sustentou que o acesso a processos externos é responsabilidade da defesa e que as questões relacionadas ao habeas corpus e à prisão domiciliar já foram resolvidas, não havendo justificativa para o adiamento do júri. Ele destacou o papel do Ministério Público como fiscal da lei, com a missão de assegurar direitos e preservar a imagem das vítimas perante a coletividade. Também se posicionou contra o abandono do plenário, ressaltando que a realização de um Tribunal do Júri exige o empenho e a presença de diversos envolvidos, inclusive pessoas que se deslocaram de outros estados, e que a “ritualística do tribunal” deve ser respeitada em busca da verdade.
Vinicius Gahyva disse ainda que o abandono do plenário é uma estratégia que acaba por arranhar a imagem do Tribunal do Júri. “Isso tem se tornado, de certo modo, frequente nos julgamentos do Tribunal do Júri, especialmente naqueles que afligem de forma intensa o interesse da coletividade, como é o caso concreto de um feminicídio e de um homicídio de dois jovens. São duas pessoas que, efetivamente, traduzem a necessidade de reafirmarmos o nosso papel social de não banalização da vida humana. Nós sabemos que o Tribunal do Júri envolve uma série de providências que devem ser adotadas para que o ato processual seja realizado, e lamentamos muito que esse tipo de estratégia esteja sendo adotada”, afirmou.
A promotora de Justiça Élide Manzini de Campos lembrou que o julgamento já deveria ter ocorrido no dia 7 de julho. Segundo ela, naquela ocasião, a defesa solicitou o adiamento para análise de provas, pedido que foi deferido pela magistrada responsável pelo caso, com a remarcação da sessão para 21 de julho. “É um absurdo uma medida protelatória após mais de três anos do fato, com a família aguardando o julgamento. A defesa admite alegações de nulidades que não existem e que já foram completamente afastadas. É uma estratégia utilizada para tentar postergar, prorrogar e até abrir outro incidente de sanidade, ou qualquer outra medida, para que esse julgamento não ocorra. Tudo isso já foi afastado, e não há motivo algum para que esse julgamento não aconteça”, afirmou.
Sobre o caso de feminicídio, a promotora destacou que a reação da sociedade demonstra uma rejeição cada vez mais firme a esse tipo de crime. Segundo ela, a população tem se posicionado de forma clara contra a violência de gênero e em defesa do enfrentamento aos feminicídios, cobrando respostas efetivas do sistema de Justiça para coibir esse tipo de violência.
Fotos: Josi Dias | TJMT
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