Mato Grosso
MTI e Seduc discutem parceria para uso da tecnologia como recurso pedagógico
A diretoria da Empresa Mato-grossense de Tecnologia da Informação (MTI) se reuniu, nesta segunda-feira (22.07), com uma equipe da Secretaria de Estado de Educação (Seduc) para discutir sobre as formas de utilizar a tecnologia como recurso pedagógico, bem como possíveis projetos de TI que possam ser feitos em parceria para aprimorar a gestão nas escolas.
Participaram da reunião o diretor-presidente interino da MTI, Kleber Geraldino, o vice-presidente, Cleberson Gomes, analistas da empresa, além da secretária-adjunta de Gestão Educacional, Rosa Maria Araujo Luzardo, superintendentes e outros servidores da Seduc.
Durante a reunião a secretária explicou como a tecnologia é utilizada dentro da Seduc, através do Sistema Integrado de Gestão da Educação (SigEduca) e do Sistema Estadual de Gestão de Pessoas (Seap), este último para a área sistêmica. Porém, a secretaria carece de projetos e ferramentas para aprimorar a interação junto aos professores e, posteriormente, com os estudantes.
Entre as necessidades estão um portal do aluno mais estruturado, registros eletrônicos de frequência escolar nas escolas, softwares educativos e a utilização de tecnologia para diminuir a evasão escolar e também a formação continuada à distância, por exemplo. Ao todo, a Seduc já tem 60 projetos à espera de serem implantados.
“Dentro da secretaria temos um núcleo de tecnologia, mas gostaríamos de um suporte para rapidamente alcançar as pessoas, pois não temos condições suficientes de logística. Mas com avanço da tecnologia, criamos uma expectativa para que a Seduc chegue até essas pessoas”, disse.
Ainda de acordo com Rosa Maria, a Secretaria tem dificuldade de implantar tecnologia para atender as necessidades atuais, bem como para expandir e melhorar a qualidade educacional, especialmente nas escolas mais distantes da capital. Isto porque, nesses locais, a Seduc esbarra nas dificuldades de acesso à internet, logística precária e equipe de TI enxuta.
“O maior desafio é pensar tecnologia como recurso pedagógico – em como vencer as deficiências considerando as distâncias do nosso Estado. Por isso, estamos aqui para conhecer um pouco mais do trabalho da MTI e ver em que ela pode subsidiar a Seduc. De que forma pode agregar e onde podemos ter o suporte da MTI para melhorar e agilizar”, afirmar.
Diretoria da MTI explica as soluções tecnológicas já existentes que podem atender a Seduc
Soluções
Após ouvir as necessidades da secretaria, o presidente da MTI Kleber Geraldino já apresentou de imediato algumas soluções que podem dirimir as principais dificuldades da Seduc. Entre eles, o acesso à internet nas escolas mais distantes, cuja solução seria obtida através de parcerias entre a MTI e provedores de serviços regionais. Com isso, os provedores permitiriam que a MTI utilizasse redes particulares de fibra ótica.
“Algumas coisas já estamos alinhando na MTI. Por exemplo, vamos alinhar nessa semana com uma empresa provedora de Cáceres que tem interesse de levar internet para todas as regiões do município, a partir de Cuiabá. Assim, a fibra dele vem até nós aqui e vamos liberar alguns serviços nossos. Em contrapartida, ele vai liberar a fibra para que possamos levá-las ao ponto específico onde tem a coisa pública, ao custo mais baixo que se tem hoje”, disse.
Geraldino já solicitou autorização à secretária Rosa Maria para que seja feito um teste para verificar se a solução atenderia as necessidades de maior e mais ágil comunicação entre a Seduc e os professores, a fim de que a MTI possa formalizar outras parcerias com provedores de outras cidades do interior.
“Seria uma espécie de rede interna da Seduc, como se fosse uma Infovia. A internet sairia daqui e daqui mesmo vocês poderiam acessar as pastas dos professores e alunos, lá no interior. Vai ser bem mais barato para o Estado e para a secretaria, pois não precisaremos instalar as fibras, já que utilizaremos as existentes”, explicou.
Outra saída já apresentada pelo presidente para atender a Seduc é buscar ferramentas, produtos e soluções tecnológicas para a área de educação que estejam funcionando em outros estados ou que possam ser atendidas pelas empresas já parceiras da MTI. “Não adianta queremos reinventar coisas que em outros estados já funcionam. Por isso, vamos pegar soluções que estão rodando e trazer para cá, via parceria. Essa é nossa perspectiva. Mas nós estamos alinhando e fazendo várias parcerias que, inclusive, possam atender vocês também”, afirmou.
Workshop
Por essa razão, ficou definido que a Seduc vai apresentar à MTI todos os projetos que deseja colocar em prática, e suas respectivas prioridades, para que a MTI verifique quais podem ser atendidas pela empresa, através de parcerias. Entre elas está a que a MTI mantém com a Google, por meio da qual a empresa oferece inúmeras soluções tecnológicas no âmbito governamental em Mato Grosso. A data de um workshop para debater soluções para a Seduc deverá ser agendada em breve.
Mato Grosso
Júri é remarcado depois que defesa abandona plenário em julgamento de filho de ex-deputado

A sessão de julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, acusado pelo feminicídio de Thays Machado e pelo homicídio qualificado de Willian Cesar Moreno, foi remarcada para o dia 31 de julho, às 9h, após a defesa abandonar o plenário nesta terça-feira (21). Mais uma vez, os advogados tentaram o adiamento do julgamento, o que foi indeferido pela juíza Monica Catarina Perri Siqueira, presidente da sessão, sob o argumento de que não havia justificativa plausível para a redesignação da data.
Segundo a magistrada, os advogados tiveram um prazo de 15 dias para analisar os documentos juntados aos autos. Ela ressaltou que a maior parte dessas informações já constava no processo e que a alegada falta de acesso a um despacho específico sobre prisão domiciliar não acarretaria prejuízo real, uma vez que a decisão sobre o tema também integra os autos.
“O advogado, quando assume a substituição no processo, o recebe no estágio em que ele se encontra. O processo não recua, ele tem que andar para a frente”, afirmou Monica Perri. Após anunciar a nova data do júri, a magistrada determinou que, caso não haja um advogado constituído apto para atuar na sessão, a Defensoria Pública deverá estar preparada para assumir a defesa na data prevista. Todos os presentes saíram intimados do plenário.
A acusação seria conduzida pelos promotores de Justiça Vinicius Gahyva Martins e Élide Manzini de Campos, integrantes do Núcleo de Defesa da Vida do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O réu era defendido pelos advogados Elson Marcelino da Silva Júnior, Larice Cristine, Melissa de Oliveira Machado e Gabriel Gouvea Neno Reiff.
Manobra – Ainda no plenário, o promotor de Justiça Vinicius Gahyva Martins sustentou que o acesso a processos externos é responsabilidade da defesa e que as questões relacionadas ao habeas corpus e à prisão domiciliar já foram resolvidas, não havendo justificativa para o adiamento do júri. Ele destacou o papel do Ministério Público como fiscal da lei, com a missão de assegurar direitos e preservar a imagem das vítimas perante a coletividade. Também se posicionou contra o abandono do plenário, ressaltando que a realização de um Tribunal do Júri exige o empenho e a presença de diversos envolvidos, inclusive pessoas que se deslocaram de outros estados, e que a “ritualística do tribunal” deve ser respeitada em busca da verdade.
Vinicius Gahyva disse ainda que o abandono do plenário é uma estratégia que acaba por arranhar a imagem do Tribunal do Júri. “Isso tem se tornado, de certo modo, frequente nos julgamentos do Tribunal do Júri, especialmente naqueles que afligem de forma intensa o interesse da coletividade, como é o caso concreto de um feminicídio e de um homicídio de dois jovens. São duas pessoas que, efetivamente, traduzem a necessidade de reafirmarmos o nosso papel social de não banalização da vida humana. Nós sabemos que o Tribunal do Júri envolve uma série de providências que devem ser adotadas para que o ato processual seja realizado, e lamentamos muito que esse tipo de estratégia esteja sendo adotada”, afirmou.
A promotora de Justiça Élide Manzini de Campos lembrou que o julgamento já deveria ter ocorrido no dia 7 de julho. Segundo ela, naquela ocasião, a defesa solicitou o adiamento para análise de provas, pedido que foi deferido pela magistrada responsável pelo caso, com a remarcação da sessão para 21 de julho. “É um absurdo uma medida protelatória após mais de três anos do fato, com a família aguardando o julgamento. A defesa admite alegações de nulidades que não existem e que já foram completamente afastadas. É uma estratégia utilizada para tentar postergar, prorrogar e até abrir outro incidente de sanidade, ou qualquer outra medida, para que esse julgamento não ocorra. Tudo isso já foi afastado, e não há motivo algum para que esse julgamento não aconteça”, afirmou.
Sobre o caso de feminicídio, a promotora destacou que a reação da sociedade demonstra uma rejeição cada vez mais firme a esse tipo de crime. Segundo ela, a população tem se posicionado de forma clara contra a violência de gênero e em defesa do enfrentamento aos feminicídios, cobrando respostas efetivas do sistema de Justiça para coibir esse tipo de violência.
Fotos: Josi Dias | TJMT
Mato Grosso
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