Mato Grosso
Mudas de café são distribuídas para agricultores em Tangará da Serra
Agricultores familiares do município de Tangará da Serra (239 km a Médio-Norte de Cuiabá) receberam 20 mil mudas de café das espécies Coffea canephora, também conhecida como Conilon, Robusta e Clonal.
O técnico em agropecuária da Empresa Mato-grosse de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer), Leonardo Diogo Ehle Dias, explica que na próxima semana (25), em parceria com a Secretaria Municipal de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), serão distribuídas mais 15 mil mudas. Ao todo, 19 agricultores vão receber em média 1,8 mil mudas de café.
As mudas foram produzidas no viveiro instalado no Campo Experimental da Empaer, numa área de mil metros quadrados. Conforme Leonardo, com capacidade para produzir 50 mil mudas de café e seis clones diferentes (N41, N 80, N02, N08, N13 e N16), o viveiro possui um sistema de irrigação automatizado e cumpre todas as diretrizes técnicas para produção de mudas de café via estaquia, ou seja, quando é utilizada uma parte da planta e não a semente para produzir uma nova muda, a técnica é considerada clonagem.
As mudas foram produzidas no viveiro instalado no Campo Experimental da Empaer
De Acordo com o técnico, a espécie Coffea canephora possui dois grandes grupos de cultivares, Conilon e Robusta. Os seis clones que estão sendo entregues aos agricultores são híbridos resultantes de cruzamentos entre cultivares destes grupos, ou seja, as mudas de café Clonal que estão sendo entregues reúnem características do café Conilon e Robusta. “Estes materiais vêm sendo chamados de café Clonal devido à forma de reprodução ser vegetativa por estaquia”, enfatiza.
Os resultados com o café Clonal na região são positivos e estão possibilitando boa produtividade, em média 60 sacas por hectare no segundo ano de plantio. Leonardo destacou que a produtividade pode chegar acima de 100 sacas por hectare no terceiro ano de plantio, e adverte que é importante ter os tratos culturais adequados e utilizar o sistema de irrigação na lavoura do café.
Outra vantagem da cultura é o cultivo consorciado nos primeiros dois anos, como é feito pelo produtor rural Altair Caldeira, que produz abobrinha verde e mandioca e comercializa na feira do município. Ehle explica que o espaçamento maior entre linhas, em torno de quatro metros, facilitou o plantio do café na mesma área. Quando chegar a colheita do café, o produtor terá mais uma opção de renda.
O viveiro tem capacidade para produzir 50 mil mudas de café
A colonização do município de Tangará da Serra iniciou com a cultura do café e, na época, foi realizado o plantio da espécie Coffea arábica. Hoje são cultivados ainda em torno de 40 hectares de café arábica e a maioria das lavouras apresentam baixa produtividade. “Estamos incentivando a formação de novas áreas com espécies adaptadas a região”.
O município faz parte do Programa de Revitalização da Cafeicultura no Estado de Mato Grosso (Pró-Café), desenvolvido pelo Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado de Agricultura Familiar (Seaf) e Empaer, em parceria com a Embrapa Rondônia, Embrapa Agrossilvipastoril e prefeitura municipal.
Mato Grosso
Júri é remarcado depois que defesa abandona plenário em julgamento de filho de ex-deputado

A sessão de julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, acusado pelo feminicídio de Thays Machado e pelo homicídio qualificado de Willian Cesar Moreno, foi remarcada para o dia 31 de julho, às 9h, após a defesa abandonar o plenário nesta terça-feira (21). Mais uma vez, os advogados tentaram o adiamento do julgamento, o que foi indeferido pela juíza Monica Catarina Perri Siqueira, presidente da sessão, sob o argumento de que não havia justificativa plausível para a redesignação da data.
Segundo a magistrada, os advogados tiveram um prazo de 15 dias para analisar os documentos juntados aos autos. Ela ressaltou que a maior parte dessas informações já constava no processo e que a alegada falta de acesso a um despacho específico sobre prisão domiciliar não acarretaria prejuízo real, uma vez que a decisão sobre o tema também integra os autos.
“O advogado, quando assume a substituição no processo, o recebe no estágio em que ele se encontra. O processo não recua, ele tem que andar para a frente”, afirmou Monica Perri. Após anunciar a nova data do júri, a magistrada determinou que, caso não haja um advogado constituído apto para atuar na sessão, a Defensoria Pública deverá estar preparada para assumir a defesa na data prevista. Todos os presentes saíram intimados do plenário.
A acusação seria conduzida pelos promotores de Justiça Vinicius Gahyva Martins e Élide Manzini de Campos, integrantes do Núcleo de Defesa da Vida do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O réu era defendido pelos advogados Elson Marcelino da Silva Júnior, Larice Cristine, Melissa de Oliveira Machado e Gabriel Gouvea Neno Reiff.
Manobra – Ainda no plenário, o promotor de Justiça Vinicius Gahyva Martins sustentou que o acesso a processos externos é responsabilidade da defesa e que as questões relacionadas ao habeas corpus e à prisão domiciliar já foram resolvidas, não havendo justificativa para o adiamento do júri. Ele destacou o papel do Ministério Público como fiscal da lei, com a missão de assegurar direitos e preservar a imagem das vítimas perante a coletividade. Também se posicionou contra o abandono do plenário, ressaltando que a realização de um Tribunal do Júri exige o empenho e a presença de diversos envolvidos, inclusive pessoas que se deslocaram de outros estados, e que a “ritualística do tribunal” deve ser respeitada em busca da verdade.
Vinicius Gahyva disse ainda que o abandono do plenário é uma estratégia que acaba por arranhar a imagem do Tribunal do Júri. “Isso tem se tornado, de certo modo, frequente nos julgamentos do Tribunal do Júri, especialmente naqueles que afligem de forma intensa o interesse da coletividade, como é o caso concreto de um feminicídio e de um homicídio de dois jovens. São duas pessoas que, efetivamente, traduzem a necessidade de reafirmarmos o nosso papel social de não banalização da vida humana. Nós sabemos que o Tribunal do Júri envolve uma série de providências que devem ser adotadas para que o ato processual seja realizado, e lamentamos muito que esse tipo de estratégia esteja sendo adotada”, afirmou.
A promotora de Justiça Élide Manzini de Campos lembrou que o julgamento já deveria ter ocorrido no dia 7 de julho. Segundo ela, naquela ocasião, a defesa solicitou o adiamento para análise de provas, pedido que foi deferido pela magistrada responsável pelo caso, com a remarcação da sessão para 21 de julho. “É um absurdo uma medida protelatória após mais de três anos do fato, com a família aguardando o julgamento. A defesa admite alegações de nulidades que não existem e que já foram completamente afastadas. É uma estratégia utilizada para tentar postergar, prorrogar e até abrir outro incidente de sanidade, ou qualquer outra medida, para que esse julgamento não ocorra. Tudo isso já foi afastado, e não há motivo algum para que esse julgamento não aconteça”, afirmou.
Sobre o caso de feminicídio, a promotora destacou que a reação da sociedade demonstra uma rejeição cada vez mais firme a esse tipo de crime. Segundo ela, a população tem se posicionado de forma clara contra a violência de gênero e em defesa do enfrentamento aos feminicídios, cobrando respostas efetivas do sistema de Justiça para coibir esse tipo de violência.
Fotos: Josi Dias | TJMT
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