Mato Grosso
Mulher finaliza parto em base da Rota do Oeste na BR-364
Atendimento foi registrado na unidade de Santo Antônio de Leverger
O nascimento do primeiro bebê no trecho sob concessão da BR-163 em 2019 movimentou o horário de almoço na base de atendimento da Rota do Oeste, em Santo Antônio de Leverger, nesta quarta-feira (06.02). Uma jovem de 22 anos procurou a unidade ao acabar de dar à luz. A criança nasceu ainda no trajeto até à unidade e contou com apoio da equipe de resgate da Concessionária para os primeiros procedimentos de saúde e segurança. Este é o 14º parto registrado na rodovia pela Rota do Oeste desde o início da concessão.
De acordo com o médico Rafael da Costa, a família relatou que a mãe, Amanda Carina Cuiquieiro, estava com dores desde o dia anterior e quando seguiam para o posto de saúde o pneu do carro estourou, o que terminou atrasando ainda mais a chegada na unidade de saúde de Olho D’Água.
A jovem é moradora da comunidade Agrovilla das Palmeiras e chegou ao posto da comunidade de Olho D’Água com perda de líquido amniótico e sangramento. Como não tem ambulância no local para fazer a transferência de pacientes, enfermeira Claudia Almeida, que trabalha no posto de saúde, decidiu ir até à base da Concessionária, que fica na região. O parto na rodovia contou com o duplo apoio dela, que assumiu a direção do veículo da família até o encontro com a equipe da Rota do Oeste.
“Não daria tempo para chamar o Samu e a equipe da Rota sempre nos dá apoio nas emergências. Então, fomos para lá. Fui dirigindo porque não havia ninguém da família habilitado para isso. Quando chegávamos perto da praça de pedágio, o bebê nasceu. Avisei a operadora de caixa da situação, ela liberou a nossa passagem e disse que já avisaria o médico que estávamos indo. A partir daí o médico assumiu o atendimento”, disse Claudia.
O enfermeiro Juliandre Amaral complementa que a equipe auxiliou a mãe a estimular a criança a mamar. E como foi a primeira vez que participou de um atendimento pós-parto na rodovia, para ele, a situação foi inusitada. “Sabemos que acontece com uma certa frequência, mas nunca estamos esperando de fato”.
Ao ver que estava tudo bem, Cláudia voltou para o posto de saúde onde trabalha. “Perguntei como estava a criança e a mãe, me disseram que estava tudo bem. Fiquei tranquila com isso e voltei ao posto. Foi um dia diferente, fiz o que achava adequado para o momento e deu tudo certo”, comemora.
Desde 2014, a Rota do Oeste já realizou 14 partos na rodovia com apoio das equipes de resgate. Quatro deles ocorreram na base localizada no km 388, em Santo Antônio de Leverger, sendo que em três situações, incluindo a última, o médico Rafael da Costa estava de plantão. Por ser um local de resgate, o médico entende que acaba sendo algo diferente para o cotidiano. “A criança e a mãe chegaram bem de saúde. Atuamos no corte do cordão umbilical e fizemos o encaminhamento para o hospital”.
Passado o susto, mãe e filha chegaram ao Hospital Santa Helena, em Cuiabá, por volta das 12h, cerca de meia hora depois de terem entrado na base da Rota do Oeste. Na unidade, elas receberam o atendimento médico e passaram por avaliação.
Mato Grosso
Júri é remarcado depois que defesa abandona plenário em julgamento de filho de ex-deputado

A sessão de julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, acusado pelo feminicídio de Thays Machado e pelo homicídio qualificado de Willian Cesar Moreno, foi remarcada para o dia 31 de julho, às 9h, após a defesa abandonar o plenário nesta terça-feira (21). Mais uma vez, os advogados tentaram o adiamento do julgamento, o que foi indeferido pela juíza Monica Catarina Perri Siqueira, presidente da sessão, sob o argumento de que não havia justificativa plausível para a redesignação da data.
Segundo a magistrada, os advogados tiveram um prazo de 15 dias para analisar os documentos juntados aos autos. Ela ressaltou que a maior parte dessas informações já constava no processo e que a alegada falta de acesso a um despacho específico sobre prisão domiciliar não acarretaria prejuízo real, uma vez que a decisão sobre o tema também integra os autos.
“O advogado, quando assume a substituição no processo, o recebe no estágio em que ele se encontra. O processo não recua, ele tem que andar para a frente”, afirmou Monica Perri. Após anunciar a nova data do júri, a magistrada determinou que, caso não haja um advogado constituído apto para atuar na sessão, a Defensoria Pública deverá estar preparada para assumir a defesa na data prevista. Todos os presentes saíram intimados do plenário.
A acusação seria conduzida pelos promotores de Justiça Vinicius Gahyva Martins e Élide Manzini de Campos, integrantes do Núcleo de Defesa da Vida do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O réu era defendido pelos advogados Elson Marcelino da Silva Júnior, Larice Cristine, Melissa de Oliveira Machado e Gabriel Gouvea Neno Reiff.
Manobra – Ainda no plenário, o promotor de Justiça Vinicius Gahyva Martins sustentou que o acesso a processos externos é responsabilidade da defesa e que as questões relacionadas ao habeas corpus e à prisão domiciliar já foram resolvidas, não havendo justificativa para o adiamento do júri. Ele destacou o papel do Ministério Público como fiscal da lei, com a missão de assegurar direitos e preservar a imagem das vítimas perante a coletividade. Também se posicionou contra o abandono do plenário, ressaltando que a realização de um Tribunal do Júri exige o empenho e a presença de diversos envolvidos, inclusive pessoas que se deslocaram de outros estados, e que a “ritualística do tribunal” deve ser respeitada em busca da verdade.
Vinicius Gahyva disse ainda que o abandono do plenário é uma estratégia que acaba por arranhar a imagem do Tribunal do Júri. “Isso tem se tornado, de certo modo, frequente nos julgamentos do Tribunal do Júri, especialmente naqueles que afligem de forma intensa o interesse da coletividade, como é o caso concreto de um feminicídio e de um homicídio de dois jovens. São duas pessoas que, efetivamente, traduzem a necessidade de reafirmarmos o nosso papel social de não banalização da vida humana. Nós sabemos que o Tribunal do Júri envolve uma série de providências que devem ser adotadas para que o ato processual seja realizado, e lamentamos muito que esse tipo de estratégia esteja sendo adotada”, afirmou.
A promotora de Justiça Élide Manzini de Campos lembrou que o julgamento já deveria ter ocorrido no dia 7 de julho. Segundo ela, naquela ocasião, a defesa solicitou o adiamento para análise de provas, pedido que foi deferido pela magistrada responsável pelo caso, com a remarcação da sessão para 21 de julho. “É um absurdo uma medida protelatória após mais de três anos do fato, com a família aguardando o julgamento. A defesa admite alegações de nulidades que não existem e que já foram completamente afastadas. É uma estratégia utilizada para tentar postergar, prorrogar e até abrir outro incidente de sanidade, ou qualquer outra medida, para que esse julgamento não ocorra. Tudo isso já foi afastado, e não há motivo algum para que esse julgamento não aconteça”, afirmou.
Sobre o caso de feminicídio, a promotora destacou que a reação da sociedade demonstra uma rejeição cada vez mais firme a esse tipo de crime. Segundo ela, a população tem se posicionado de forma clara contra a violência de gênero e em defesa do enfrentamento aos feminicídios, cobrando respostas efetivas do sistema de Justiça para coibir esse tipo de violência.
Fotos: Josi Dias | TJMT
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